KOREAEBOOKDOCUMENT1.2.0Sofia PerennisDartagnan da Silva ZanelaeBooksBrasileBooksBrasiloÕ{=para.xmlcapa.jpgnormal.styÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿÿ‡Ñ¡para.xmlX°«smaller.sty¹«small.sty®Á«normal.styYÊ«large.styÓ«larger.sty¯Û•Vcapa.jpgD2õ,indice.jpg Sofia Perennis Um Ungüento para Educação no Mundo Pós-Moderno Dartagnan da Silva Zanela Versão para eBook eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Autor ©2002 — Dartagnan da Silva Zanela dartagnanzanela@hotmail.com www.jornalexpress.com.br/avoz SUMÁRIO RESUMO 1. INTRODUÇÃO 2. A CHAGA OCULTA DA MODERNIDADE      2.1 O Caos Como Ordem Cosmológica      2.2. A Morte do Indivíduo em Nome da Sandice Coletiva      2.3 O Que é Uma Universidade?      2.4 O Consenso Como Debate      2.5 O Ópio dos Intelectuais      2.6 O Retorno ao Caminho da Sabedoria 3. AOS OLHOS DE JUNO      3.1 Nos Jardins de Acádemo      3.2 Às Sombras das Catedrais      3.3 O Iluminismo: Da Morte do Espírito à Ascenção do Totalitarismo      3.4 Qualquer Coisa Como Fim Último 4. O Ensino Contemporâneo e a Morte da Alma Humana      4.1 O Relativismo dos Valores      4.2 Por Uma Hierarquia Noológica      4.3 Da Mistificação da Educação à Mística na Educação 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA CONSULTADA NOTAS SOFIA PERENNIS UM UNGÜENTO PARA EDUCAÇÃO NO MUNDO PÓS-MODERNO Por Dartagnan da Silva Zanela dartagnanzanela@hotmail.com www.jornalexpress.com.br/avoz RESUMO        O presente estudo monográfico tem o intuito e apreciar alguns dos problemas que em nossa ótica assolam o sistema educacional contemporâneo através do viés da Sofia perennis. Nos acostumamos a sempre observar a nossa realidade presente sempre com os pontos de vistas que nossa sociedade convém e em raras ocasiões procuramos recorrer a sabedoria perene das obras dos grandes Sábios. Se isso não bastasse, ainda procuramos apenas observar as realidades passadas unicamente através de nossas convenções e valores. Doravante, vemos todos os nossos valores e conceitos educacionais balizados em sistemas filosóficos de natureza contingente, historicista, materialista e profundamente relativista. Deste modo, procuraremos dar uma ênfase maior aos problemas frutos dos excessos do marxismo em nosso sistema educacional vigente e bem como em nossa cultura de um modo gera, tentando dar uma visão panorâmica dos mesmos. Para assim contrapor a esta visão, recorremos as obras dos grandes mestres gregos e bem como dos grandes Medievalistas, juntamente com as observações salutares de algumas das mentes mais lúcidas deste século e que estes assim o são não por um mero julgamento de nossa parte, mas sim pelo fato de estes procurarem compreender a sociedade a partir de categorias universais, por compreender que há mais coisas entre o céu e a terra dos nossos vãos desejos e olhares visto que, o único horizonte que vemos ser vislumbrado em nosso sistema educacional e bem como em todos os recôncavos de nossa sociedade seria uma senda limitada pelos nossos desejos materiais em uma realidade cerceada por uma visão tolhida que aponta apenas para uma realidade encarcerada no tempo e do espaço. Acreditamos que o ser humano é uma criatura limitada mas que por sua vez, tende para o infinito e não o contrário como normalmente se apresenta. Todavia, este estudo não procurará realizar um levantamento enciclopédico do que venha a ser a Sofia perennis mas sim, através dos conceitos da cosmovisão deste modo de filosofar procuraremos projetar um olhar diferenciado frente às teorias educacionais e bem como o sistema educacional em sua prática e em sua essência. Em outras palavras este estudo monográfico não se apresenta como uma obra definitiva quanto ao assunto mas sim como um convite à Sofia perennis, parafraseando com Aristóteles, para desta maneira podermos ao mesmo tempo instigar o leitor a meditar e refletir sobre alguns pontos que tangem o fazer e o Ser pedagógico e bem como, se for de sua vontade e interesse deste, iniciar sua leitura seguida obviamente de reflexões que levem o educador a ver a sua pessoa e o seu Ser para além das questões políticas e econômicas, levando-o a ponderar sobre a sua responsabilidade perante não apenas àqueles que estão por vir mas também e principalmente perante aquelas gerações que nos antecederam e que nos legaram além de inúmeros problemas milenares, também nos deixaram sobre nossa responsabilidade, profundas expressões da grandeza da alma humana levando assim, o leitor a meditar quando as conseqüências de seus atos mais corriqueiros e bem como e principalmente, quanto as suas escolhas, visto que, a escolha rege o destino humano e bem como a educação. 1 INTRODUÇÃO        Muitas são as questões que assombram a mente humana e bem como também são inúmeros os percaustos que alimentam a nossa imaginação que muitas das vezes se manifesta de uma forma doentia, criando ficções que acabam por obscurecer a nossa capacidade de compreensão e bem como o nosso potencial de ação.      O ser humano muitas vezes por não conseguir compreender a realidade a sua volta e no intento de querer exigir deste mundo tão imperfeito quanto a nossa natureza a perfeição, acaba este por desencadear uma reação em cadeia que por sua deixa, vai a desaguar no correr dos tempos e não só a afetar as gerações presentes mas também as gerações vindouras visto que a ação humana dentro do universo da linguagem consegue projetar a sua influência para além de seu tempo, para além de sua geração.      Diante disso, vemos a necessidade de se procurar compreender a realidade dentro de categorias universais e perenes pois o relativismo absoluto como vem se apresentando no pensamento contemporâneo esta por levar a uma grande confusão entre categorias essenciais do pensamento com categorias contigentes.      Doravante, sentimos que muitos dos males que nosso sistema educacional está a sofrer é devido a forte presença de educadores de orientação marxista. Assim sendo, o ponto central deste estudo monográfico que aqui se faz presente é suscitar algumas questões entorno do pensamento pedagógico brasileiro que se faz notadamente sob influência marxista. Ao mesmo tempo, procuraremos levantar alguns questionamentos entorno da situação em que se encontra o nosso ensino superior, juntamente com a produção cultural e o debate nacional.      Procuraremos levantar estas questões não dentro do mesmo patamar em que se encontram tais teorias mas sim, a luz dos conceitos de sistemas filosóficos que visão a compreensão da realidade que vislumbram esta com um olhar perene e não meramente impressionado com os aspectos contigentes e acidentais do mundo que nos cerca.      Deste modo, fazemos questão de enfatizar que este estudo monográfico não pretende propor um sistema filosófico e muito menos uma nova teoria educacional mas sim, abrir uma discussão que ao nosso ver além de ser de certa forma inovadora mas principalmente salutar e do mesmo modo que o grande antropólogo Gilberto Freire, nós temos em vista não tanto querer uma nova visão que se coloque de forma totalitária e muito menos querer apresentar a solução final para todos os males que a educação brasileira vem enfrentando mas sim, abrir uma discussão através destas páginas que aí estão e quem sabe e esperamos que assim o seja, que estas palavras evoquem um ungüento que venha a aliviar as dores da alma e assim trazer alguma luz para a mesma para que assim possa caminhar com passos mais firmes em meio ao lodaçal que nos circunda e nos aliviando de muitas das alucinações que nos assombram para que desta maneira possamos destruir a mansão que edificamos em meio a pântano das incertezas modernizantes para que assim possamos de modo obreiro construir uma nova morada para nossa alma, em um rochedo sólido para assim podermos não mais nos abalar tão á facilmente por questões fúteis que muitas das vezes procuram nos apresentar com um certo ar de seriedade levando a nos confundir e não mais a saber qual direção devemos galgar com nosso corcel.      Também, não é o intento de nossa parte apresentar um emaranhado de páginas sobre a Sofia perennis, muito pelo contrário pois cremos que um dos maiores males que afetam os educadores brasileiros e bem como a nossa sociedade de modo geral é justamente o descaso para com a leitura dos clássicos e no caso de Platão, Aristóteles, as Escrituras Sacras das Grandes Tradições Religiosas e demais grandes Sábios da Patrística e da Escolástica e sem desprezar, obviamente os grandes mestres de nosso tempo.      Deste modo, não somos presunçosos a ponto de nos propor uma obra que traga uma interpretação definitiva dos grandes mentores que nos inspiraram a redigir este estudo mas sim, apenas nos apresentamos no intento da tarefa hercúlea de procurar compreender a nossa realidade presente não através dos olhares e das vozes que estão a nossa volta e muito menos e muito menos através dos valores que estão a fluir em nossos dias e que se propõe a julgar a todos nós presentes e bem como as gerações passadas mas sim, procuraremos realizar o inverso. Em outras palavras, procuraremos levantar questões e observações que venham não simplesmente agregar o elenco das elucubrações que estão presentes nos debates viciosos que se arrogam o status de Tribunal da Humanidade mas sim e de forma humilde (mas sem perder a graça), esperamos que as questões que aqui se apresentarem toquem o âmago do leitor para que ele passe a meditar mais sobre a sua condição humana não enquanto um ser dependente sem culpas mas sim e de maneira fundamental, como um ser responsável pelos seus atos e pelas consequências dos mesmos e veja que o recurso a subterfúgios como a deposição da responsabilidade em terceiros, em entes abstratos ao invés de nos apontar para uma solução, tal postura acaba por nos obstruir a possibilidade de um horizonte concreto e nos deixando a mercê dos ventos e das marés de todas as direções, em outras palavras, perdido, aceitando como norte qualquer ponto de luz, qualquer brisa que sobre não por não crer em nada mas sim por crer em qualquer coisa que lhe seja apresentado como razoável.      Dentro deste intento e pelo viés desta perspectiva, procuraremos apresentar nossas indagações e idéias neste estudo que se dividirá em três capítulos, todos redigidos de forma hermética e fazendo uso de uma linguagem de grande rigidez conceitual, procurando na maioria das vezes apresentar uma desconstrução analítica dos que julgamos serem basilares para melhor compreensão da problemática por nós levantada e bem como para uma visão e uma discussão mais clara quanto às questões que aqui se apresentarão. Ao mesmo tempo, procuramos mesclar tais conceitos que faz uso de palavras presentes em nosso cotidiano, sem recorrer a artifício de apelação ou termos vulgares mas sempre, em alguns momentos altos dos textos este se apresentará de uma forma um tanto que apimentada, ao velho estilo do já mencionado Gilberto Freire.      Doravante, quanto ao que tange o conteúdo do primeiro capítulo, procuraremos apresentar um panorama geral de nosso sistema educacional e bem como do debate nacional e da cultura de nosso país. Procuraremos de um modo geral, apresentar um breve diagnóstico quando a situação da alma brasileira.      Já no capítulo segundo, procuraremos meditar e levantar algumas indagações quanto a alguns aspectos históricos a fim de discutir com o leitor algumas afirmações que são apresentadas muitas vezes como se fossem dogmas inquestionáveis. Procuraremos assim, quebrar neste capítulo alguns anacronismos históricos que poluem a nossa mente e esperamos que por intermédio destes exemplos apresentados por nós, o leitor deste estudo possa atinar o seu pensar para outros anacronismos que ele vinha e venha a cometer e assim ter uma visão mais clara da sociedade e bem como de si mesmo.      E por fim, no terceiro capítulo, iremos apresentar algumas ponderações quanto à gravidade do excessivo relativismo dos valores de nossa sociedade e bem como quanto aos riscos que podem acarretar a ausência de uma noção noológica de hierarquia na constituição do sujeito humano e lembrado, dos perigos que a ausência de uma visão mitológica pode trazer na formação de uma criança e bem como o quanto que se torna vago um projeto educativo quando este não medita quanto ao que estes educadores entendem por ser humano.      Em fim, são estes aspectos que nos propomos de forma modesta transcorrer nas páginas que estão a seguir e esperamos que estas palavras possam contribuir de uma forma positiva a sua compreensão do sistema educacional e bem como do cenário educacional brasileiro mas principalmente, que este estudo seja um portal para possibilidades de respostas. 2 A CHAGA OCULTA DA MODERNIDADE        Que vem a ser a final sofia perennis ? Ou melhor, qual a sua utilidade para educação de nosso país que por sua vez está inserido no mundo pós-moderno? Nenhuma. A sofia perennis antes de qualquer coisa é um conhecimento inútil, pelo simples fato de que ela está além da idéia de utilidade.      Doravante, esta é a pergunta que sempre é feita pelos educadores de nossos dias. Sempre se pergunta: pra que serve isso? Qual a relação disso com o cotidiano da criança? É prático? Ele vai utilizar isso algum dia de sua vida? Enfim, perguntas que são típicas de nosso tempo e que refletem o estado caótico de nosso sistema educacional bem como de nossos valores. As pessoas não percebem que reduzir um saber a categoria de utilidade não irá ampliar o seu significado, mas sim, reduzir a sua natureza.      Sérgio Paulo Rouanet (1987) na sua obra As Razões do Iluminismo nos lembra que a partir do momento em que reduzimos a existência humana à mera preocupação com nossa existência física e com a manutenção da mesma, nós estaremos a reduzir o sentido de nossa vida ao de um cão. O que nos torna humanos não é a preocupação com a manutenção de nossa existência, mas sim, a nossa capacidade de transcender a nossa existência. Somente o ser humano é religioso, somente nós filosofamos e, somente nós somos cientes de que estamos aqui e um dia iremos morrer.      Diante disso, ao invés de constantemente fazermos aquelas perguntas vagas, poderíamos ouvir os sábios conselhos de Gustavo Corção (1974) que já na década de sessenta nos advertia que ao invés de nos preocuparmos em querer de forma histérica saber tudo o que está ocorrendo a sua volta, á idéia a qual frustra muitas pessoas nos dias de hoje devido à imensa velocidade das informações, deveríamos antes de qualquer coisa nos perguntar não qual a sua utilidade, mas sim em que isso me tornará melhor?      Todavia, como esta pergunta quase que não é feita, vemos a idéia de um fim último morrendo por inanição. No meio educacional sempre se afirma que se deve voltar a educação para formar cidadãos, para preparar os jovens para o mercado de trabalho ou, prepará-los para a vida. Porém, qual é o fim último da educação?      Um fim último é um fim em si mesmo que por sua vez dá sentido a existência de algo. Se perguntarmos a um educador ele não saberá responder, pois, desconhece e não faz a menor questão de compreender a grandeza do que é o ser e o que é fazer parte deste algo. Não apenas os educadores como também a sociedade, quase que em sua totalidade, se vê mergulhada no imediatismo, embalados certas horas por um profundo pragmatismo, vez por outra por um insano praxismo.      Para melhor exemplificar o problema que nos dispomos a abordar, recorreremos à mitologia Hindu. Conta-se, que certa vez, um asceta fora ao templo do Deus Mirtra, para pedir-lhe que lhe mostrasse o seu maya (sua ilusão). O Deus se manifestou diante do asceta e disse-lhe que irá lhe mostrar o seu maya, mas que antes ele teria que ir apanhar-lhe um copo dÆágua. Seguiu então o asceta pelo caminho que Mirtra lhe havia indicado. O sol estava muito intenso. De repente, ele avista uma casa. Bate em sua porta e eis que surge uma bela moça que o convida para entrar. Senta-se e é apresentado para os pais da moça. Ele por sua vez se encanta pela filha de seus anfitriões e casa-se com ela.      Passaram-se os anos, e ele já era pai de família. Os seus sogros já havia algum tempo que tinham falecidos e ele acabou por assumir a responsabilidade pela propriedade. Mas, eis que um dia cai um temporal que inunda todas as suas terras. Ele, em um ato desesperado tenta salvar a sua esposa e seus filhos. Acabou por não conseguir e fora também arrastado pela correnteza do rio que havia transbordado.      Mais tarde, ele se vê a beira do rio e se dá conta que sua esposa e seus rebentos tinham morrido. Ele entra em desespero e se atira ao chão colocando-se a chorar. De repente, eis que ele ouve uma voz vinda do infinito dizendo: — Meu filho, cadê o copo dÆágua que eu lhe pedi há meia hora atrás?      O copo dÆágua é o fim último de nossos atos no correr de nossas vidas e acabamos por nos apegar a banalidades, a mayas, que acabam nos levando pela senda da tragédia do engano voluntário.      Deste modo, o que vemos nos dias de hoje, é uma morte lenta do homem teorético e como consequência, uma morte também lenta e gradual da alma humana, de sua cultura, das mais altas expressões de nosso espírito.      É fato que o meio nos influencia, mas uma coisa que muitas vezes nos esquecemos é que, nós também determinamos o meio e nos determinamos, pois antes de qualquer coisa somos os continuadores da obra do Grande Arquiteto Universal. Aí a relevância da pergunta sugestiva de Gustavo Corção (1974): em que isso me torna melhor, em que isso engrandece meu ser?      Assim sendo, procuraremos analisar não os obstáculos que julgamos secundários da educação como recursos financeiros e materiais. Procuraremos discutir os males que afetam a alma da educação, que são seus mestres e suas posturas, bem como as idéias que norteiam a sua atitude enquanto educador.        2.1 O caos como ordem cosmológica        O que é afinal educação? Muitos livros que enredam este assunto começam afirmando que este conceito varia de acordo com o ponto de vista, mas, é justamente aí que começamos averiguar a loucura do mundo contemporâneo. Se tal pergunta fosse formulada e lançada em uma sala repleta de educadores todos arriscarão uma resposta, mas se perguntássemos: o que quer dizer educar? A pergunta iria ficar sem resposta, tamanha a fragmentação do conhecimento humano nos dias de hoje. A maioria das pessoas fala de inúmeros assuntos com ares dignos de um aristocrata erudito, porém, sem o menor domínio conceitual.      Já que falamos nisso, o que vem a ser um conceito? A palavra conceito vem do latim con+ceptus , que quer dizer apanhar, tomar, catar. Neste sentido, um conceito é um símbolo pelo qual nós apanhamos, catamos a realidade. E a educação, o que é? Um conceito, que por sua vez vem do latim ex ducere , que quer dizer guiar para fora. Educar nada mais é do que guiar uma pessoa para que saia de seu mundo subjetivo.      Para tornarmos issoá mais claro, pensemos em um bebê de colo. Este recebe apenas informações do funcionamento de seu organismo. Toda vez que este se manifesta (chora no caso), ele está a expressar o recebimento de uma informação de seu organismo (se está com fome, sede, sujo, etc.). As únicas informações que este tem é de seu estado físico e nada mais. Gradativamente um ou mais adultos vão tentando criar laços com a criança, que seria o ensino da linguagem a fim de que esta passe a não só receber informações de seu organismo, mas do que está além de seu organismo. Neste sentido, através da transmissão/apreensão da linguagem a criança gradativamente é conduzida, guiada para fora. Ou então, para ficar mais clara esta nossa posição, faz-se necessário lembrar a história de uma francesa chamada Marie Herdam que, nasceu cega e surda e, ao contrário de Helen Keller, esta não teve acesso a linguagem e, aos vinte e quatro anos, portava-se como uma criança de colo. Um certo dia, quando a freira que cuidava dela, após ter-lhe servido o almoço, viu-a brincando com uma faca. De imediato a freira lhe toma a faca. A moça começa a se debater e a freira lhe entrega a faca de volta e toma-a novamente e, desta vez, com a parte mais estreita de sua mão, a freira cerra o pulso da moça. De imediato a moça apanha a mão da freira e faz o mesmo. Ora, o que ouve aí? A senhorita Marie Herdam tinha acabado de formular o seu primeiro signo, o signo de faca e, começou a adentrar no universo deste milagre chamado linguagem. Esta moça, com o correr do tempo e, apesar de todas as limitações, conseguiu chegar a ter um comportamento adulto. Por fim, ela fora educada, guiada para fora de sua prisão sem muros.      As suas formas podem mudar, mas, essencialmente isso é educar. Todavia, temos aí um sério problema: se educar é guiar, para onde estamos guiando nossas crianças, quais são os caminhos que as instituições educacionais com seus guias estão a enveredar estes mancebos? Em qualquer viagem a um lugar desconhecido, aquele que está a se aventurar sabe a procura de que está e, procura um guia, um nativo que conheça bem os caminhos que podem levá-lo até o tesouro desejado, correto? O problema que os pequenos Indiana Jones não sabem se sua arca perdida está neste território desconhecido que ele freqüenta cinco vezes por semana e, o seu guia, não tem a menor idéia de onde ele o esteja levando ou, muitas vezes de forma mais trágica, estes sabem muito bem para que caminhos eles os estão desviando.      Mas como assim? Para podermos ter uma visão ampla deste problema, observemos somente o estado atual do debate acadêmico. Em um debate que esteja realmente inserido dentro do mínimo de bom senso, deve-se haver ao menos, duas pessoas que divirjam quanto a determinados pontos, correto? Pois bem, mas o que nós vemos nos assim nominados debates e mesas redondas, são pessoas apresentarem suas posições sobre determinado assunto, porém, as suas posições diferem apenas na forma de expor não em seus conteúdos. Vemos inúmeros intelectuais a falarem e escreverem sobre a educação de maneiras um tanto que diferentes, mas sempre, dentro do mesmo eixo.      Parece até um devaneio, mas se nós pararmos para comparar um livro de um autor da escolástica como um Francisco Suarez, veremos este apresentar em sua obra inúmeras posições antes de apresentar a sua (sem falar que muitas vezes os escolásticos apresentavam do âmago de sua obra uma posição 180° diferente da sua).      Aliás, como já é de praxe, é comum se ouvir pessoas afirmarem que a Idade Média era a Idade das Trevas, que este período fora um retrocesso no desenvolvimento humano, porém, estes mesmos acusadores, fiéis ao evolucionismo e ao progressismo, jamais sequer folhearam as páginas de algum medievalista como também, desconhecem totalmente as obras dos Santos Doutores tanto da Patrística como da Escolástica. Sem falar que, como podem os crentes do progressismo acusar este período de nossa história como um retrocesso sendo que eles, afirmam que nós estamos em uma constante evolução? E são estas pessoas que defendem um sistema educacional a nível nacional. Será que não há algo por demais de errado nas afirmações destas pessoas que condenam determinadas posições sem ao menos tomar conhecimento destas?      Todavia, se pegarmos um livro de algum autor contemporâneo veremos do início ao fim este apenas apresentar a sua posição e as suas críticas a posição que lhe é oposta sem apresentar as teses desta segunda.      Caso deveras interessante é o da Filósofa Marilena Chaui que quando fora interpelada sobre as acusações do professor Olavo de Carvalho, sobre as limitações de sua obra disse que não se importava muito, pois nem conhecia o seu acusador e, doravante afirma que suas acusações não teriam a menor relevância, pois este não passava de um canalha. Bem, se não pecamos pelo engano, a renomada Filósofa primeiramente declarou que não conhecia o professor Olavo e em seguida afirma conhece-lo intimamente taxando-o de canalha. Tal leviandade é aceitável saindo da boca de uma pessoa sem um grande formação intelectual, mas, a partir do momento que uma pessoa como ela porta-se assim, quer dizer que há algo cheirando mal nos jardins de Andrómeda. Não seria digno de uma filósofa rebater as acusações feitas a sua obra defendendo-a apresentando seus argumentos ao invés de tecer comentários tacanhos?      Pois bem, se não estamos enganados o que há em nossa academia é um formidável, para não dizer pavoroso consenso de opiniões. Todos (a maioria avassaladora), afirmam que a solução para o nosso processo de subdesenvolvimento é via educação. Fez-se um consenso de que se o Estado provir um sistema educacional que atinja toda a população o país irá ter suas limitações ultrapassadas. Todavia, o grande problema é que esta multidão que afirma que esta postura é o ungüento para os nossos males, em nenhum momento parou para refletir e consultar a história para ver se realmente o desenvolvimento sócio-econômico deve algo a um sistema educacional totalitário.      Enfatizamos esta questão devido à gravidade que se implica, mas, o cenário intelectual brasileiro se encontra mergulhado em um profundo consenso totalitário. O pensamento brasileiro se vê imerso em um maniqueismo aparentemente irreversível onde devido a uma profunda doutrinação marxista gramisciniana se faz presente em meio a nós tendo suas posições aceitas como se fossem verdades irrefutáveis e é justamente neste ponto que vemos o quanto que a mentalidade da Academia Brasileira se encontra mergulhada no caos da incompreensão e da ignomia.      Exemplo deste fenômeno totalitário à “brasileira” é o caso do jornal O INDIVÍDUO que, em meados de 1997 fora lançado por um grupo de estudantes que acreditava que o pensar emana da consciência individual do sujeito. O lançamento do mesmo se deu em meio à semana da Consciência Negra que estava realizando os seus trabalhos no auditório da PUC-RJ. Logo após a distribuição dos exemplares, eis que se ouve os gritos enfurecidos de alguns dizendo: “NAZISTAS!”, e cercaram os rapazes devido aos artigos que se encontravam no jornal em especial, o do estudante Pedro Sete Câmara onde mesmo se colocava em uma posição contrária ao do movimento de Consciência Negra afirmava que a exaltação da raça negra nada mais seria que um racismo às avessas e que, ao invés de consciência negra, judaica, ariana celebrássemos a consciência humana. Por palavras como estas os rapazes do O INDIVÍDUO quase foram linchados. E se isso não bastasse, eles quase foram expulsos pelo Reitor da PUC-RJ. O processo do caso é deveras longo para ser relatado em uma breve nota de roda pé, mas, se houver interesse em se aprofundar quanto a este ocorrido, o jornal O INDIVÍDUO é hoje virtual e em seus arquivos tem todo o processo que fora movido contra eles juntamente com artigos de alguns intelectuais que os defenderam. (www.oindividuo.com).      Vejamos alguns exemplos disso: para a maioria dos intelectuais brasileiros a veracidade da existência de Deus não só pode como deve ser questionada, mas, determinadas posturas filosóficas-políticas jamais. Para estes é uma ofensa maior dizer que o marxismo é uma doutrina satânica [1] do que afirmar que Deus é uma fraude. Um outro bom exemplo da miopia que afeta nosso país é o excessivo elogio ao relativismo absoluto. A negação das verdades imutáveis e absolutas pela afirmação de um relativismo inegável é tão absurda que os seus defensores não percebem que tal afirmação é em si contraditória. Se estes afirmam que tudo é relativo logo o relativismo se torna uma medida absoluta. Nós chegamos a tal ponto que a própria academia nega a validade de uma postura teorética frente ao mundo.      Mas, o que torna este cenário ainda mais curioso é a forma como são vistos os intelectuais e como estes se vêem. Crê-se que estes sejam figuras quase que Sacrossantas. Todavia, até que ponto os intelectuais são inocentes? Se formos parar para observar uma tribo indígena veremos que em sua hierarquia o homem com maior poder é o Pajé, seguido do cacique e dos guerreiros. O Pajé tem maior poder frente à tribo pelo simples fato de ser ele quem dará as explicações do mundo para a tribo, ele que dirá o que é justo, o que é bom e o que é mal.      Ora, o Pajé nada mais é que um sacerdote, aquele que supostamente detém a sabedoria e que é ouvido. Neste sentido, em nossa sociedade o corpo sacerdotal seria representado pelos intelectuais midiáticos (fazendo uso do conceito de Pierre Bourdieu). Muito bem, e se não estamos errados, toda explicação vem investida de uma postura moral ou política, correto? Pois bem, então nos digam até que ponto os intelectuais não são responsáveis pela inversão dos valores de nossa sociedade? Quem que faz um elogio ao banditismo em suas análises? Quem que nas décadas de sessenta e setenta faziam apologias ao uso de drogas (e que até hoje fazem) e hoje querem apontar as causas e soluções para este problema que assola os lares não só no Brasil como no mundo? Como podemos crer que um indivíduo que afirma que um modelo de sociedade que na tentativa fracassada de sua implantação matou mais de 180.000.000 de pessoas seja honesta? Como que podemos crer em uma intelectualidade que se arroga ares de cientificidade ser maciçamente marxista [2] ?      É tal situação que nos motiva a redigir estas páginas como fruto de nossos estudos, pois, devido a atual forma de organização do nosso sistema educacional, tudo o que for apregoado pela nossa elite pensante é aplicado automaticamente nas escolas tanto públicas como privadas.      Vemos nos livros que abordam a problemática educacional brasileira uma preocupação maior como a formação de um cidadão militante e com os males gerados pelo neoliberalismo do que com a formação integral do ser humano.      Para que possamos ter uma visão mais clara não procuraremos apenas observar e analisar as soluções consideradas como possíveis para os problemas do sistema educacional brasileiro, mas sim, procuraremos principalmente analisar quais os métodos utilizados para se chegar a tais conclusões, pois, o que leva um bolo a ser gostoso e saudável(no sentido de não estar intoxicado), não é o seu aspecto final, mas sim os ingredientes e a forma como este fora confeitado ou como nos fala o Filósofo Olavo de Carvalho, em seu texto Pensadores e Idéias essenciais de 1900 a 2000: Comparar as doutrinas dos sábios é um dos meios mais antigos e eficazes para formar opiniões razoáveis.[...] uma das primeiras sutilezas desse método foi à descoberta de que os sábios não divergem somente nas soluções, mas também na maneira, no nível e no ângulo com que enfocam os problemas. Muitas vezes, parecem estar falando da mesma coisa e estão falando de outra, ou vice versa. Portanto, antes de saber quem tem razão, é preciso organizar o debate distinguindo e agrupando as diversas perspectivas, de modo a captar a zona de intercessão onde coincidem estar enfocado o mesmo objeto. (CARVALHO, 1999, p. 03).      Deste modo, cremos poder melhor compreender esta receita de bolo encruado que é o sistema educacional brasileiro que, anda tão sonolento e perdido que não se desgovernou para fora da pista porque os tripulantes além de estarem em um estado de latência estão em meio a um deserto crentes de que estão na BR 277.      Basta lembrarmos o velho conto que é sempre contado tanto nos Colégios como nas Universidades do rapaz que foi congelado e após 200 anos foi descongelado e não se encaixava mais no mundo. Foi para prefeitura, mas lá estava tudo mudado. Foi para a Igreja, mas lá também estava mudado. Até que ele resolveu ir para um Colégio e lá ele se sentiu bem porque nada havia mudado. Tal piada nada mais é que o reflexo da parca compreensão que o professorado tem do que seja educação.        2.2 A morte do indivíduo em nome da sandice coletiva        Em segmento a nossa discussão, percebemos uma super valorização do coletivo em detrimento do indivíduo, um forte elogio de uma suposta consciência coletiva e a um presunçoso intelectual orgânico e assim, a passos largos vislumbramos o enfraquecimento gradual da consciência individual do sujeito pensante.      Mas, o que significa ter consciência de algo, o que afinal significa ser um sujeito consciente? Fala-se tanto em consciência ecológica, de classe, mas o que vem a ser um sujeito consciente e o que o diferencia de um sujeito alienado? Quanto a este ponto, faz-se salutar citar um acontecimento relatado por um professor do Colégio Estadual Engenheiro Michel Reydams onde, pela manhã do dia onze de julho de dois mil e um, os alunos haviam distribuído panfletos sobre reciclagem e, ao final, os professores deram uma palavra sobre a necessidade da preservação ambiental e, quando a diretora dirigiu algumas palavras aos presentes, esta disse o seguinte: “...que é muito importante nos termos a nossa consciência ecológica, porque nós termos consciência ecológica é nós termos consciência ecológica...” .      Frente a este acontecimento que não é atípico, de nos perguntar de forma preocupada, como que uma pessoa que conceitue o fenômeno da consciência desta maneira seja incumbida de educar crianças? Parece um exemplo simplório, mas, quem é simplista nas realidades espirituais não é digno de se ocupar delas, como nos fala Eric Voegelin e, o que vemos muitas vezes são pessoas totalmente vazias a tratar de uma questão tão delicada que é a formação integral do ser humano (HENRIQUES, 1994, p. 11).      Partindo ainda deste mesmo exemplo, o que houve não fora um processo de educação, mas, um simples cumprimento de requisitos formais na formação curricular dos alunos. Pega-se algo que a mídia esteja abordando de forma festiva e passa-se a trabalhar com o aluno. O que os ditos educadores muitas vezes não percebem é que fazendo isso, além de estarem repetindo o discurso midiático, eles não estão a levar as almas destes pequenos a crescer em nada. Ou estão?      Uma fala comum dos educadores é o de trazer o assunto para o presente, para a realidade. Mas que absurdo é este que é tão repetido? Quer dizer que para que um náufrago saia da ilha a qual ele está aprisionado ele deve trazer a civilização, ou melhor, reduzir a civilização para que caiba em sua ilha? Mas o que é realidade para esta gente? A realidade para estes é tão clara quanto à idéia de consciência que estes tem. Para melhor elucidar este ponto levantado por nós, um bom exemplo são as palavras do presidente da COPEL, o Sr. Ingo Hubert que disse ao jornal FATOS DO IGUAÇU em uma entrevista que, a cada cinco paranaenses, quatro são contra a privatização da COPEL e os quatro, não sabem porque ela não deve ser privatizada. Para muitos isso é ter consciência: apoiar uma causa que não conhece ao certo, mas que todos dizem ser justa.      Bem, estes exemplos levantados acima, nada mais que exemplificam o quanto está fragilizada a consciência das pessoas nos dias de hoje frente aos apelos do atuar conscientemente estando amparados em uma consciência coletiva. Qualquer apelo externo que nos comova e que aparente ser justo nos leva a sua adesão. Ouvimos as palavras de determinadas pessoas como se estas tivessem ares de santidade sem conhecer a sua vida suficientemente para lhe atribuir tamanha confiança.      A educação como a sociedade em si, está entregue nas mãos de cegos, não que se negam a ver, mas que acreditam ver. Frente a isso, vemos como raiz deste problema todo, justamente o enfraquecimento da consciência individual do sujeito pensante em detrimento de uma suposta consciência coletiva. E se perguntarmos qual a diferença entre ambas para um sujeito que acredite que estas questões não têm a menor relevância ele não saberá nos responder.      Não procuramos nesta passagem transpor ares de petulância e orgulho. Mas como nos lembra o saudoso Eça de Queiroz que, para ensinar deve-se cumprir uma simples formalidade: saber. Todavia em nosso país ocorre um fenômeno contrário, na maioria das vezes quem sabe deve se calar frente a ignomia do que não sabe, para não traumatizá-lo, assim como nos lembra o filósofo Olavo de Carvalho (revista Bravo! Abril/2001 – ano IV – n.° 43): ... em nome do dever de ensinar, requer da gente uma dose de humildade que as pessoas em geral estão longe de imaginar. O que entendem por humildade, é outra coisa. Humildade, neste país, consiste em arrotar opiniões sobre o que se desconhece e exigir que o sujeito que conhece as aceite como se valessem tanto quanto as dele. Humildade é complacência deleitosa com a própria ignorância, acompanhada de desprezo pelo saber. Exigir respeito pelo conhecimento, querer que o sujeito aprenda antes de opinar, Ah!, isto sim é orgulho, é soberba, é pecado mortal.      Deste modo, procuremos demonstrar, fugindo ao falatório que contamina a opinião pública brasileira.      Pois bem, mas de que forma a idéia de consciência coletiva enfraquece a autoconsciência individual do sujeito? Bem em que se baseia a idéia de uma consciência coletiva? Ela sempre parte de uma unidade, de uma comunidade imaginada (classe, raça, nação...). A partir deste grupo, esta pessoa irá passar a se justificar no mundo e assim, toda e qualquer atitude sua estará fundada, amparada pela existência deste grupo, que com seus valores justificará toda e qualquer atitude sua, ou seja, ele não é mais um agente solitário, responsável pelas suas faltas, pelos seus atos, ele é membro, um agente da consciência coletiva.      Todavia, a própria idéia de consciência coletiva é uma aberração pelo simples fato de ela ser alienada. Ser alienado é desconhecer algo e mesmo assim tirar um juízo deste algo e, de mais a mais, a idéia de consciência coletiva apenas perverte a autoconsciência do sujeito e, entenda-se por autoconsciência: A capacidade de autodomínio do no nível do ego. Você tem consciência de algo quanto tem em seu poder não somente (a) uma informação (b) a informação de que tem essa informação e (c) a informação de que essa informação é sua, isto é, de que ela faz parte integrante do sistema do ego. A fórmula para (a) é Sei. Para (b) é: Sei que sei. A fórmula para (c), isto é, a fórmula da autoconsciência, é Sei que sei. (CARVALHO, 2000, p. 01)      Todavia, todo ato norteado por uma suposta consciência coletiva gerava apenas atos inconscientes, alienados desde a raiz pelo simples fato de que uma pessoa que está imbuída de realizar um determinado ato em função da realização de uma determinada idéia sem pestanejar, é em si um ato inconsciente. O indivíduo não reflete sobre sua atitude em si, mas sim, a justifica em relação à coletividade, em outras palavras inverte fins e meios. A consciência coletiva torna-se uma justificativa para os seus atos e não um fórum para julgar as suas atitudes pessoais.      Um bom exemplo disto foram os movimentos totalitários do século XX como o Comunismo, o Fascismo e o Nazismo. Nos três casos o que nós tinha-mos? Uma população insatisfeita com a situação atual de suas vidas. Neste cenário eis que surge alguns que dizem ter uma solução “miraculosa” para todos os males que assolavam suas vidas e que com a ajuda de todos poderiam resolver, acabar com as chagas que assolavam as suas terras, porém, para tanto, eles teriam que eliminar os responsáveis que geraram estes males e, todo aquele que não estivesse do lado deles, estaria no do inimigo, em outras palavras, maniqueismo puro.      Dali para diante nós sabemos o que esta consciência coletiva gerou. Mas o mais incrível disto tudo, é que estes crápulas (Hitler, Lenin, Mussoline, etc.), costumavam massagear os egos dos jovens principalmente, pois todos nós fomos jovens e sabemos o quanto que nós nesta tenra fase de nossas vidas somos arrogantes e presunçosos, nos achamos os seres mais justos do mundo e queremos fazer a justiça ou que se entenda por justiça nesta fase da vida, não é assim? Aí, aparece um hipócrita e lhes enche mais ainda as suas almas destes sentimentos e lhes dá uma arma nas mãos para que possam mudar o mundo. Qual é o resultado disso tudo? 200.000.000 de vidas humanas ceifadas.      Isso é o resultado da morte da autoconsciência do indivíduo. A partir do momento em que se faz uma apologia a um suposta consciência coletiva, automaticamente a responsabilidade pelos seus atos individuais juntamente com a dignidade humana são projetadas para este ente abstrato tornando o indivíduo humano uma criatura totalmente fragilizada.      Com a negação da autoconsciência nega-se também a idéia de unidade do conhecimento. Começam a surgir coisas como ciência burguesa e ciência proletária; educação burguesa e educação proletária, católico progressista e católico retrógrada... Enfim, não se procura mais compreender um fenômeno em sua inteireza, mas simplesmente a partir de uma “óptica”. Neste sentido, se a filosofia era entendida pela busca da unidade do saber na unidade da autoconsciência e vice-versa, dá para se imaginar a gravidade da situação não só da educação brasileira, mas de toda a sociedade.      Não mais há uma preocupação com a unidade analógica de macrocosmo e microcosmo. E é esta unidade, que na mente humana, é o padrão mesmo do nexo entre autoconsciência e cosmovisão, é que cada um só pode sentir que conhece a sociedade onde está se, no mesmo instante, se conhece a si mesmo. Todavia, as pessoas (estamos a nos referir ao professorado) não mais se preocupam com esta questão basilar que é a unidade do sujeito e do conhecimento, o homem por inteiro que nos falava Machado de Assis.      Já a muito, Siddhartha Gautama afirmava que o que somos é a consequência do que pensamos e que, o Eu é o mestre do eu. Que outro mestre poderia existir? Mas o que isso tem a ver com filosofia da educação? Tudo. É bom frisar que para filosofia hindu há uma divisão entre um Eu superior denominado Atman , que é imortal, espiritual e eterno. E há um eu inferior que eles chamam de Aham que é mortal, material e transitório. Quando damos ênfase ao Atman, nós estamos fortalecendo a nossa autoconsciência e, quando privilegiamos o Aham estamos reduzindo a nossa existência a um mero reino de satisfação e insatisfações materiais.      Agora, se voltarmos nossos olhos para educação brasileira veremos que ao invés de elevar os horizontes dos educandos ela procura sim, apresentar-lhes um anti-horizonte.      O homem moderno se vê como medida de todas as coisas apesar de nunca se ter colocado a prova nas mãos de outrem. Bem, se nós somos incapazes de refletir sobre os nossos atos e de nos responsabilizarmos pelas nossas faltas, como podemos pensar em uma possível resolução de problemas em uma escala maior, em uma escala nacional, esta articulação entre microcosmo (indivíduo) e macrocosmo (o mundo a sua volta) que não mais se vê? Não mais somos responsáveis pelos males que afligem a sociedade, mas a sociedade que é responsável pelos males que me afligem. Mas afinal de contas uma sociedade é formada pelo que? Não é por pessoas como nós? Então digam-nos, que raio de consciência é esta que nega a responsabilidade pelas conseqüências de seus atos?      O sujeito que está imbuído de uma consciência coletiva irá com a maior facilidade do mundo, reparar os erros dos outros. Com facilidade, este sujeito condena outrem pelos seus atos como sendo um hipócrita, medíocre, crápula, fútil. Após ter chegado a esta conclusão o sujeito coletivamente consciente livra-se do outro e, este livrar-se pode ser desde uma mera sanção até uma medida extrema: a sua morte. Para este, o outro não tem direito à defesa, pois é safado por natureza.      Agora, se formos aplicar com a mesma dureza as categorias que utilizamos para julgar a nós mesmos teremos um grande problema. Se o sujeito concluir que ele próprio é um safado, um hipócrita ordinário, ele não poderá livrar-se de si mesmo, pois isso significaria o suicídio; logo, ele teria que fazer alguma coisa para se corrigir, se autopersuadir a mudar, a melhorar a si mesmo. Mas se este indivíduo não tomar nenhuma atitude em relação a si mesmo ele terá em suas mãos um problema que irá tornar seus futuros atos mais cautelosos e prudentes.      Um bom exemplo do exercício da autoconsciência é a atitude de um adolescente frente às experiências com narcóticos. A autoconsciência lhe diz: “não faça isso. É ilegal, irei magoar as pessoas que amo, irei prejudicar a minha saúde...”. Já a consciência coletiva diz: “fume conosco, nós iremos te amar do jeito que você é. Não reprima os seus desejos. Não caia nesta caretice de que não é bom fumar maconha...”. Ou seja, se a sua autoconsciência for mais frágil que a persuasão do grupo, mesmo ele sabendo que o que ele irá fazer é um erro, ele fará porque o grupo lhe dará a segurança que ele não tem consigo mesmo e o fumar a maconha lhe será algo banal. A aceitação pelo grupo lhe é mais importante do que a verdade sobre os narcóticos. Para o indivíduo agrilhoado a este tipo de consciência lhe é mais importante um sentimento de segurança firmado em um engodo do que a verdade nua e crua.      Eis aí o grande mal da modernidade: esta ânsia insana de querer viver sem culpas. Todos são responsáveis pela desgraça de um, mas este um não é responsável pela desgraça que assola a todos. Então ninguém é responsável por nada porque, dar como resposta o sistema, a sociedade, a nova ordem, etc... Acaba sempre por cair no mesmo ponto porque todas estas entidades só têm sentido de existir porque são compostas por pessoas e nós compomos as três. Nós somos membros da sociedade, parte do sistema e vivemos a nova ordem mundial.      Tudo bem é normal um adolescente ou uma pessoa inculta desejar por viver de forma libertina, sem culpas. O problema é quando os intelectuais começam a afirmar posições como estas como sendo basilares para que a sociedade prospere. É o caso da Filósofa Marilena Chaui que em uma entrevista para Folha de São Paulo de 13 de março de 1999 disse: “É isso que eu procurei a vida inteira: alguém que me dissesse que é possível viver sem culpas.” Mas se é justamente este sentir culpado que nos leva a reparar as nossas faltas, o que podemos esperar de uma pessoa que prega que a sociedade só se tornará melhor a partir do momento em que as pessoas não mais sentirem culpa? O sentir-se culpado leva-nos a sentirmos responsáveis pela consequência de nossos atos logo, nos torna maduros.      A inocência absoluta é um mito, uma qualidade divina que não pode ser concretizada por nós meros mortais. Porém todos os intelectuais progressistas crêem piamente que existam tais seres e que, eles podem vir a ser um deles. Isso é a modernidade: ao invés de almejarmos a pela maturidade procuramos com todas as nossas forças sermos ao máximo crianças mimadas que pensam que o mundo deve alguma satisfação a nós e que nós, por nossa vez, nada devemos senão, culpar a sociedade pelas nossas atitudes inconseqüentes.        2.3 O que é uma Universidade?        Não há na face da terra algo que tenha mudado tanto a sua forma e continuado com a mesma identidade do que as UNIVERSIDADES. Com o passar dos séculos, estas instituições sofreram verdadeiras metamorfoses que a transformaram da água para vinho e do vinho para a cachaça ou vodka. Atribuem-se inúmeras funções e prerrogativas para as Universidades sem ao menos se perguntar o que era uma Universidade quando estas surgiram. Podemos dizer que a Universidade dos dias de hoje é como um homem que era monge e que, em um determinado momento de sua vida resolveu abandonar a vida monástica para casar-se e ter filhos e que, mais tarde, resolveu soltar a franga tornando-se um travesti. Todavia, este homem mesmo após ter se casado, tido filhos e após isso, ter abandonado o matrimônio e se tornado um travesti, continua a declarar que é um monge Dominicano.      O mesmo ocorre com as Universidades, onde podemos ver quase que de forma clara, três fases muito semelhantes à metáfora descrita acima. No nosso entender, a função basilar de uma Universidade seria e de preparar e formar uma elite intelectual, todavia e, sem a menor compreensão da formação histórica desta instituição, o debate fica dividido em dois pólos midiáticos e imediatistas. De um lado estão os que crêem, os que defendem as Universidades privadas e a preparação de profissionais para o mercado de trabalho; do outro, estão aqueles que defendem que todas as Universidades devem ser públicas e devem formar militantes políticos, intelectuais orgânicos gramscinianos.      Afirmamos que a discussão está fora de foco, pois ela só se vê polarizada quanto as suas dimensões pública e privada que por sua vez, é uma discussão vaga, pois ambas tem estrutura o suficiente para realizar a atividade basilar de uma Universidade que é a formação de um elite pensante. O que não se discute é justamente a profundidade da problemática que seria nos perguntar se o estado em que estão as Universidades são o de Universidades. Para que possamos compreender a situação do sistema educacional de nosso país, procuraremos tentar apontar alguns tópicos que julgamos serem indispensáveis para compreender o que são, o que eram e como estão as Universidades.      Para Antônio Gramsci, o intelectual deve ser a priori um militante do partido e, deve priorisar as demandas deste. O intelectual deve procurar construir estratégias para tomar o poder dos atuais donos do poder e nada mais. Nesta perspectiva, a cultura fica reduzida a estratagemas políticos e cacoetes de campanha. Reduz-se a dimensão ontológica da cultura a vil dimensão maniqueista da política. Em outras, na desculpa de se moralizar a política, os intelectuais orgânicos politizam a moral (as campanhas de ética), como também a religião (a teologia da libertação), as relações entre marido e mulher e as relações entre negros e brancos (os movimentos do politicamente correto). Deste modo, estes elementos não apenas fazem uma inversão de valores como também uma profunda perversão destes. Poderíamos citar como exemplo desta postura pervertida, os NEXO MURIAS da UNE(União Nacional dos Estudantes), onde todo o corpo estudantil envolvido nesta agremiação grita em um só tom de voz, que são contra o neoliberalismo, que querem FORA FHC. Todavia, nunca leram um von Mises ou algum clássico do liberalismo como Adam Smith, ou Alex de Tocqueville como jamais pararam para ponderar e analisar a atual conjuntura política brasileira frente o cenário mundial. A única coisa que estes pseudo-acadêmicos fazem é gritar pelas ruas palavras de ordem feitas pelos membros do PC do B (como “fora FHC e o FMI, ou “Fernando um, Fernando dois, qual é a ... que vem depois?!”) entoando ao alto bandeiras e faixas, como também, cantarolando canções como esta: “Eu só quero é ser feliz, pegar Fernando Henrique e tirar sangue do nariz/ E poder me orgulhar, pegar Paulo Renato e dar porrada até matar!”. Sem falar que nos congressos da UNE, especialmente nas eleições, o que se vê não é grupo de estudantes a disputar a direção do órgão estudantil, mas sim e apenas, militantes de partidos políticos de esquerda de olho na massa de manobra e nos cofres da mesma (exemplo é o financiamento da campanha do Gomide com o dinheiro das carteirinhas e, os famosos estudantes de profissão que nada mais são que militantes que são pagos para estudar em uma Universidade para poder controlar os CAÆs – Centros Acadêmicos – e os DCEÆs) . Sem saber ao certo em que ele está a se envolver, o cordeiro revoltado sai pelas ruas a gritar pelo mundo palavras de ordem que nem ele compreende, mas, já que é só gente “esclarecida” que as grita, eles seguem o andar da boiada. E isso é a formação de nossa "nata intelectual”.      Vemos um exacerbado culto à cultura popular por parte dos intelectuais ao mesmo tempo que os mesmos olham com um certo desdém para a cultura superior. Tal postura acaba por afetar todo o restante do corpo social, pois estes sempre procuravam apontar para o que havia de melhor e hoje, faz-se um culto do que há de mais medíocre e insolente.      Um bom exemplo disso, é a apologia que os cientistas sociais fazem a movimentos como o RIP ROP, a bandas que fazem constantemente apologias ao uso de drogas, ao narcotráfico e a violência. Que tipo de horizonte uma cultura reduzida a este patamar pode propiciar aos nossos jovens e adolescentes? Mas os cientistas sociais as acham o máximo, pois, como dizem eles, é uma forma de resistência a opressão da sociedade. Foi-se o tempo em que os homens Santos eram símbolo de conduta.      Pois bem, mas se a atual situação dos intelectuais universitários está muito distante do que eram os intelectuais no florescer das Universidades. Mais como estas eram?      Antes de qualquer coisa, as Universidades não nascerem como instituições oficiais, mas sim, como clubes de aficionados que eram movidos unicamente pelo anseio de conhecimento. Era nada mais que grupos de estudos onde não se mediam esforços para se obter o que havia sido criado de melhor pela alma humana. Todavia, o que se vê nos dias de hoje, é uma massa de intelectuais que se movem unicamente pelo anseio ou de realizar a manutenção da eficácia do aparato tecnológico ou a divisão do poder político. Tudo que se diz em público tem apenas duas finalidades: a manutenção da ordem político-econômica ou a sua alteração.      Doravante, o sentimento que movia os intelectuais do final da Idade Média ao estudo era uma profunda devoção religiosa que absorvia por inteiro as suas almas em um movimento de ascensão. São homens animados por estes sentimentos que irão fundar as Universidades.      Os estudantes vinham em grandes grupos para estes centros de estudos e estes, eram designados como discere turba volens (do latim: massa dos que querem aprender). Para estas pessoas a atividade mais alta para a alma humana era vida contemplativa, teorética, se sobrepondo em grau de importância a atividades práticas e políticas. Tal era o valor que se dava aos estudantes que estes eram isentos das demais atividades para que pudessem se dedicar de corpo e alma nos estudos, independente dos resultados que estes poderiam vir a proporcionar de sua atividade discente. Não obstante, esta “inutilidade”, era sustentada não pela igreja ou pela nobreza, mas sim pelos homens ricos das cidades e pelos feirantes dos mercados os quais, não exigiam destes nenhum retorno prático ou financeiro, pois sabiam da importância de se procurar elevar a alma humana (a cultura, no caso). O mecenato era uma prática corriqueira e sem se preocupar com a origem do estudante (pois as Universidades não eram ligadas a nenhum grupo político ou nação, eles eram um grupo universal. Aquele que se torna um universitário deixava de lado a sua identidade regional e se tornava um universitário orgulhoso de sê-lo), os mecenas os amparavam.      Outro ponto de basilar importância a ser levantado é de que, a noção de Universidade como transmissora do conhecimento não existia neste momento de seu nascimento como também era ausente tal idéia no correr dos próximos três séculos a contar, da criação da Universidade de Bolonha, a pioneira em 1143. O que havia era apenas a Universitas magistrorum est scholiarum (do latim: o conjunto dos professores e estudantes). O que movia as universidades não era a idéia de ser uma transmissora de conhecimento, mas sim, a idéia de ser um centro de procura do conhecimento. Esta pretensão totalitária [3] só surgirá com o aparecimento dos Estados nacionais e das monarquias absolutistas, quando serão fundadas as primeiras Universidades mantidas pelo Estado.      Doravante, ao contrário de nossos dias, a Universidade não era a única detentora da palavra, não era a entidade oficial incumbida da manutenção do estado da alma humana, não era ela a toda poderosa senhora do saber como é hoje. Além dos Universitários havia as ordens religiosas isoladas, as ordens místicas, os monastérios, que também exerciam uma forte influencia junto à opinião pública, tendo os mesmos méritos que eram cabidos aos universitários. Como também havia os poetas e trovadores errantes que iam de cidade em cidade levando além de sentimentos novos em suas andanças, também novas idéias. Havia também sábios independentes, que geralmente eram alquimistas, que se ocupavam de investigações que raramente um universitário se arriscaria empreitar. Não podemos nos esquecer também das corporações de ofícios, detentoras de conhecimentos espirituais, científicos e técnicos que escapavam aos dedos das mãos da Universidade.      Neste cenário, a universidade era apenas mais uma fonte de conhecimento, mais um grupo de pessoas responsável pelo ensino que eram apenas maior em número de membros integrantes, mas não a mais poderosa e importante. E era esta posição que lhe fazia saltar a sua grandeza e das demais entidades e pessoas, não eram o nome da instituição que garantiria a um homem o título de sábio, mas sim o que ele era. A Universidade não era e nem tinha a pretensão de ser naqueles tempos a senhora do saber, mas sim, apenas procurar o saber.      Doravante, este tipo de relação que havia entre as Universidades e demais entidades passa a se esfacelar com o advento do Estado Absolutista e, irá apenas ressurgir no século XIX com o advento das democracias, todavia, não mais como uma prática real e cotidiana, agora somente como um ideal, e nada mais. Porém, como que se desencadeará todo este processo de decadência das Universidades?      Com o passar dos anos, a comunidade universitária foi crescendo muito em número de integrantes o que despertou o interesse dos senhores do poder entre os séculos XIV e XVII, devido ao potencial apoio político que estes homens representavam. Devido a este fenômeno, novas concepções de ensino foram sendo implantadas nas universidades, de fora para dentro delas. Destes acontecimentos em diante a "discere turba volens" passou a ser um foco de influência política onde, de um lado estará o Sacro Império e do outro, os Estados Absolutistas nascentes. Este fenômeno foi lentamente sufocando a criatividade e a iniciativa espontânea que imperava no seio deste centro de saber.      As novas Universidades criadas pelas monarquias Absolutistas irão direcionar as suas energias para a construção de novos valores e crenças, ligados à idéia de nação. No que tange este ponto, a Universidade se descaracteriza por completo do que ela era essencialmente quando surgiu, que era o internacionalismo, o universalismo. A verdade não tem fronteiras, nem cor e muito menos bandeira nacional ou política, porém, a partir daí, para que uma verdade possa ser dita terá ela de se maquiar, de se fantasiar de mascote de uma comunidade imaginária que são as nações e mais tarde terá ela até de ser silenciada para o bom andamento da marcha para o poder de uma facção política. A verdade que era o fim último de qualquer estudo passa a ser vista como um questão secundária, mas como uma vaidade de nossos ancestrais, chegando ao cinismo de hoje vermos textos acadêmicos reconhecidos; como a obra de Paulo Freire onde o mesmo evoca a palavra verdade para perolar suas idéia políticas coloca-as entre aspas. A impressão que se tem é que não ele acredita no que ele está a afirmar e defender. Todavia, a problemática aí levantada é mais ampla, pois, se você afirma que o que você está dizendo é relativamente verdadeiro, você não está solapando apenas a suas idéias, mas, a de todos, inclusive a própria concepção de verdade.      Deste modo, as universidades irão perder a sua capacidade de ascensão intelectual e, em compensação, irão ganhar em poder de influência política. Trocou-se a criatividade, o poder intelectual pelo guiamento ideológico de toda a sociedade. Tal como nos ensinam as antigas escrituras hindus, a perda ascensional (sattwa) é seguida de uma expansão æhorizontalÆ(rajas) que a compensa de uma maneira mais ou menos ilusória; será preciso aguardar o século XX para que o movimento se complete, numa grande e abissal queda (tamas) que transformará as Universidades em quartéis-generais de movimentos totalitários (fascismo, nazismo, comunismo, fundamentalismo). (CARVALHO, 2001, p. 05)      Doravante, o que é mais incrível nisto tudo, é como que algo que sofreu tantas metamorfoses, transformando-se em coisas distintas e muitas das vezes antagônicas, continue a se afirmar sendo uma coisa só. Como enquadrar em uma mesma denominação a discere turba volens medieval, sedenta de contemplação teorética, os elegantes institutos de formação da classe governamental das Coroas Absolutistas, os núcleos de treinamento de mão-de-obra e de distribuição de slogans ideológicos como se vê nos dias de hoje? Como falar que vinho, conhaque, uísque e cachaça têm o mesmo aroma e sabor do primeiro?      A Universidade com a passar dos séculos foi mudando toda a sua composição substancial e continuou a se identificar com o que ela era no princípio, como no exemplo acima das bebidas. Passa ao longe das mentes acadêmicas fazer uma auto crítica refletindo sobre a sua formação histórica. Ao invés disso, ela procura se imbuir da mundanidade do tempo presente e, procura pensar a sua existência a partir dos problemas externos a ela e, ao invés de procurarem meios de reafirmar o seu estatuto originário procuram sim, e cada vez com mais afinco, servir as potestades das trevas que tanto São Paulo nos advertia. Cada vez mais as Universidades procuram, ou servirem de forma prática para formar profissionais que irão atuar na indústria e no comércio ou para servirem de maneira útil como divulgadores e porta vozes dos slogans políticos de grupos que estão ávidos de chegar ao poder. As Universidades se autobajulam e crêem que isto seja autocrítica.      Entidades como o exército, a polícia, as Igrejas, a família, os parlamentos, o empresariado, os sindicatos, as organizações e sociedades secretas, os partidos políticos (e o recordista deles, o partido comunista), todas estas entidades tiveram que um dia enfrentar a hipótese de um fracasso essencial e a eventualidade de uma auto-extinção. Todas elas tiveram que responder as questões que os sucessivos momentos históricos lhe impunham afim de se auto-avaliar e se refazer das cinzas da pós-autocrítica a fim de recompor a suas forças, aprendendo com a experiência o significado da modéstia e muitas vezes do silêncio. A única entidade que nunca duvidou de si mesma, trocando na maioria das vezes a sua missão sacrossanta de seu estatuto de origem por algum papel de ocasião, despindo-se deste quando não mais conviesse aos seus interesses como a um ator vulgar inundado de vaidade e soberba. Esta sim, nada mais é que um recôncavo de oportunistas, especialista em sobrevivência e marketing da própria alma como também um monumento de auto-engano e que se ufana de tal feito.      Na gênese de seu berço esplêndido toda e qualquer idéia para ser aceita deveria passar por um rigoroso estudo e debate filosófico. Um bom exemplo desta postura foi à entrada das idéias Aristotélicas em seu bojo que, primeiramente foram estudadas e profundamente discutidas em debates públicos (para todo público universitário) para só depois, ser aceita e consolidada com a célebre obra de Santos doutores como Santo Tomas de Aquino e Duns Scot. Tal postura nos dias de hoje pareceria cena de “ficção científica” no seio das universidades contemporâneas, pois hoje, ao contrário do esplendor os áureos dias de sua gênese, quando surge algum intelectual que traga a tona e erga alguma acusação contra as potestades da “sapiência”, ao contrário de seus antecessores, eles fazem questão de acobertar o brilho das idéias deste para assim garantir a manutenção de sua inteligência postiça.      Um exemplo de tal postura é o da Filósofa Marilena Chaui que quando estava a ministrar uma palestra em Goiânia, no momento reservado aos questionamentos, fora interpelada por um jornalista que lhe perguntou o que ela teria a dizer das ponderações feitas a ela ( em decorrência do lançamento de seu último trabalho – A nervura do Real ) pelo filósofo Olavo de Carvalho. Esta ao invés de fazer uma decomposição analítica do discurso de seu crítico ou, dizer que não conhecia tais ponderações ( atitude a qual teria sido mais digno de sua parte), preferiu dirigir a este modesto jornalista a afirmação de que não conhecia a pessoa do filósofo Olavo e que, não fazia a menor questão de conhece-lo, pois para ela, ele não passava de um canalha. Depois disso, seguiu-se uma seqüência de insultos que o mesmo preferiu não apontar no seu ensaio. Pode-se aceitar que uma filósofa de renome tome tal postura? Como pode uma pessoa afirmar ao mesmo tempo em que desconhece alguém e que a conhece intimamente?      Pois este é o cenário da Universidade brasileira. Um ambiente mais preocupado com a sua autopromoção do que com o conhecimento da verdade. Para estes, a sua função se reduz às dimensões funcionais em torno de questões políticas (Utilizamos aqui o conceito de política dado por Carl Schmitt, onde o mesmo define a essência da política. Para este o fenômeno político pode ser resumido na confrontação de um grupo A com um grupo B para a obtenção do poder. O debate cultural como as preocupações por parte dos intelectuais apenas com os fenômenos que permeiem estas dimensões, não apenas é uma piada como uma grande perversão) e/ou ligadas ao desenvolvimento econômico.      Os universitários brasileiros não só acreditam ser os poderosos senhores do conhecimento como também os senhores dos caminhos e descaminhos da humanidade, do destino das pessoas. Acusam a todos de serem alienados, todavia, se vêem imersos na sua própria loucura e em sua vaidade de se auto-enganarem com uma retórica rasa sustentada por argumentos vazios e falsos. Esquecem-se eles que o destino da humanidade é determinado pela decisão tomada pelos milhões de seres humanos que habitam este planeta. Frente a isso, não nos propomos a dar uma resposta que venha trazer uma resolução a todos os percaustos pedagógicos, mas sim, abrir uma discussão. Esperamos que este estudo possa servir como um analgésico serve para um neurastênico. Esperamos que aquele que refletir e ponderar as palavras que estão nestas páginas possam tomar uma atitude diferente frente aos problemas que se apresentam a nós no nosso dia a dia, ou que não lhe sirva para nada e que ela possa continuar a seguir o destino que ela mesma escolheu.        2.4 O consenso como debate        O debate nacional é uma piada. De mau gosto, diga-se de passagem. O Brasil vive nos dias de hoje mergulhado em um profundo consenso e, chamam esta patética situação de “debate nacional”. Por exemplo: todos no nosso país estão convictos que é só através de um bom sistema educacional que nós conseguiremos alcançar um salutar desenvolvimento econômico e só assim, conseguiremos acabar com as mazelas sociais que permeiam o universo brasileiro. Tanto a mídia como os militantes de esquerda, como os intelectuais, como o corpo político tanto de esquerda como de direita (esta direita postiça que temos no Brasil, é claro), estão a debater quais as melhores formas possíveis para se viabilizar via Estado o acesso à educação pública para todos e o que deve ser priorizado nesta proposta, porém, o que ninguém discute é se realmente é assim, com uma educação pública que abranja a todos que se obterá um grande desenvolvimento econômico. Não se perguntaram se esta é a real finalidade da educação.      Todos estão imbuídos em torno de um só tema, falando as mesmas coisas com diferentes trocadilhos de palavras. Todos recorrem a exemplos históricos para comprovar as suas teses quanto à educação dizendo que “o nosso país não vai para frente porque o acesso ao conhecimento sempre fora negado aos menos favorecidos, os poderosos sempre monopolizaram o acesso ao conhecimento.” Bem, já nesta falação percebemos o que estes indivíduos entendem por argumentação.      É fato que durante toda a Idade Média os Nobres Feudais, a casta guerreira, tinha uma profunda aversão ao estudo das letras o que deixava o alto Clero a ponto de perder as estribeiras, pois era vontade destes que se tivesse um dia um Rei Sábio para governar os povos. Um bom exemplo deste repúdio ao conhecimento é o Grande Carlos Magno que, mesmo após ter se convertido ao Cristianismo e ser reconhecido como o braço armado da Igreja, ele se recusava a aprender a ler(que fora uma das condições impostas pelo Papado para abençoar a sua coroa) e, fora a ter acesso as primeiras letras após os trinta anos de idade.      Cabe lembrar que o clero não era basicamente formado por nobres, mas sim, por todo e qualquer cristão que desejasse seguir uma vida religiosa que, na sua maioria, eram pessoas de origem humilde. Também é salutar lembrar que a Igreja nessa época tinha uma profunda preocupação para com o ensino das letras, do ler e escrever, pois era presente uma escola em toda paróquia. Mesmo sem haver imprensa, meios de transporte rápidos e seguros, os sacerdotes dessa época conseguiram preservar boa parte da cultura clássica greco-romana que, se tivesse ficado nas mãos dos poderosos nobres, com toda certeza teriam virado alvo para treino de tiro com arco e flecha.      Se não basta este exemplo para solapar, vejamos um exemplo nacional que é o das Missões Jesuíticas que vieram para estas terras a fim de educar os índios e a todos que tivessem interesse em ter acesso às letras e que, aliás, havia feito um formidável trabalho. Todavia, os nossos debatedores dirão que os Jesuítas vieram para estas terras de além mar para ameaçar os índios com a Catequese Cristã para serem escravizados com maior facilidade. O problema é que os nossos grandes debatedores se esquecem que os Jesuítas não só eram contra como também condenavam a escravidão dos indígenas (Talvez por que estes nunca tenham lido um escrito se quer do grande Bartolomeu de Las Casas ou as Cartas jesuíticas para saberem o que era o índio para um Jesuíta) a ponto de serem odiados por boa parte dos colonos portugueses. De mais a mais, deixamos em voga apenas uma questão, a qual demostra o quanto nossos debatedores são ávidos conhecedores de história e que seus argumentos são de profunda concretude: se os Jesuítas vieram para a América Portuguesa [4] para tornar os índios mansos e que estes eram aliados da Coroa portuguesa, por que o Marques de Pombal exigiu do Papa a extinção da Companhia de Jesus?      Pois bem, é possível que uma alma nos responda que o Marques de Pombal acabou com as missões por que elas estavam se tornando uma ameaça para o Império Português e as Missões Jesuíticas se tornaram uma potência que eram devido a forte preocupação dos Padres para com a educação? Aí chegamos ao ponto crucial de nossa pauta, pois, a educação que se defende para que se instale em nosso país desde os tempos de Anísio Teixeira, é uma educação voltada para fins segundos (no caso para o desenvolvimento sócio-econômico, para formação de militantes políticos, etc.). Já a educação que era ministrada nas Missões Jesuíticas, era uma educação voltada para fins últimos, para a contemplação, e não para o desenvolvimento sócio-econômico.      Outros exemplos de argumentos são a de que países como o Japão, a Alemanha e os EUA que hoje são nações economicamente desenvolvidas, porque teve no passado um forte investimento em educação. O problema é que os defensores destes argumentos se esquecem de que o Japão tem sua cultura profundamente impregnada pelo Confucionismo que é uma doutrina que prima pela disciplina, no caso do Milagre Alemão (Alemanha Ocidental) do pós Segunda Grande Guerra Mundial, cabe lembrar o plano Marshall, para reerguer não só a Alemanha como todos os países europeus que não ficaram sob o domínio Soviético para evitar a expansão do comunismo. E, no caso dos EUA, até pouco tempo atrás, a responsabilidade pela educação das crianças era das comunidades e igrejas e não do Estado. Enfim, enfoca-se com grande ênfase o desenvolvimento sócio-econômico sem dar a devida ênfase às causas deste. É o típico discurso pró-campanha.      Aliás, cabe lembrar que a partir do momento em que o governo começou a propiciar escolas públicas no lugar das que haviam antes que eram mantidas e gerenciadas por pessoas próximas das comunidades, o que se teve fora um aumento da marginalização de jovens e adolescentes. Em outras palavras, enquanto o Estado não havia adentrado tudo ia bem, apesar dos obstáculos da vida, mas a partir do momento em que o Estado retirou esta responsabilidade das comunidades, o trem desandou de vez, como dizem os mineiros.      Doravante, eis aí o problema dos debates de nosso país. Eles não partem de um problema, de uma questão bem formulada, mas sim, de uma afirmação tomada por todos como sendo uma verdade inquestionável sem ao menos ter sido refletida e estudada.      Quanto a este ponto é de basilar importância o depoimento de uma ex-acadêmica de história das Faculdades de Palmas, e hoje acadêmica do curso história da UNICENTRO – Campus de Guarapuava que há anos atua no magistério (alfabetizadora e hoje está como Secretária de Educação do Município de Foz do Jordão), de sua experiência em um encontro de estudantes de história, mais especificamente o II EPEH (segundo encontro paranaense dos estudantes de história). Conta-nos ela que no dia em que fora reservado para as comunicações orais, uma acadêmica da UNIOESTE û Campus de Marechal Cândido Rondom, proferiu uma comunicação a respeito dos PCNÆs (Parâmetros Curriculares Nacional), e nos dizia ela que a única coisa que a jovem falava era: que os PCNÆS foi algo imposto de cima para baixo e aquele falatório que todos nós já conhecemos muito bem. A senhora que nos deu este depoimento afirmou categoricamente que a jovem que proferiu a comunicação, nunca havia lido os PCNÆs, mas o condenava implacavelmente. Isso sem falar o baixo nível da linguagem utilizada pela mesma no decorrer de sua exposição. A aluna nos contou este acontecimento chocada, pois esta jovem seria uma futura educadora. Como pode alguém defender ou condenar algo sem ter conhecimento de causa? É isso que chamam de debate?      Nos debates o que ocorre com freqüência é a repetição de slogans políticos que estão sendo gritados pelo consenso e pela mídia, ecoando na cabeça da população. Os debates não possuem a menor profundidade, são pura retórica.      O que se faz nos debates é meramente falar de questões gerais sem a menor concretude e, quando se reivindica um esclarecimento quanto a um ponto específico da tese apresentada, do debatetor que está a apresentá-la vendo que sua posição é infundada, usa do seguinte ardil para não cair no ridículo: este ao invés de enfocar a sua resposta no ponto específico ao qual fora interrogado, foge para o geral e daí passa a atacar a questão. Ou, em outras palavras, o elemento responde tudo sem dizer absolutamente nada.      Podemos resumir o cenário em que vemos as contendas do debate nacional em torno das questões que permeiam a problemática da educação nas palavras do filósofo Eugen Rosenstock-Huessy que nos fala que, se uma pessoa diz “iii” e o seu interlocutor responde o mesmo som, estas duas pessoas estão se comunicando como animais imersos em um estado anímico comum. Porém, se uma pessoa diz “Escute!” E o seu interlocutor responde “Estou Escutando”, estas pessoas estão no mundo da comunicação humana, graças ao milagre da linguagem articulada [5] .      E o que vemos é basicamente isso: pessoas a repetir slogans que são repetidos pelos veículos de mídia e que, por triste que pareça, são repetidos pela maioria da intelectualidade brasileira. Não há articulações de posições dentro dos debates, mas sim e unicamente, a afirmação de “diferentes” posturas frente a um problema visto de um mesmo ponto de vista.      Deste modo, se um debate se encontra mergulhado em meros slogans midiáticos temporários, o pensamento também se organizará de forma rasa e momentânea, fundado em questões rasas e de pouca profundidade, que por sua vez dará frutos a respostas infundadas e sem a menor profundidade. Da mesma forma que os gregos julgaram e condenaram Sócrates a morte (ao suicídio), no dia a dia estamos a esmagar a nossa própria inteligência, a nossa capacidade de discernimento do bem e do mal, do certo e do errado por nos apegarmos em demasia a questões rasas que não nos levam a nenhuma solução, pelo simples fato que uma questão mal formulada apenas nos levam ao erro, ao auto-engano.      Chegamos a tal ponto que se dá uma prioridade colossal ao debate quase que se deixando de lado a base para qualquer debate: o conhecimento de causa que é fruto de profundos estudos e reflexões, o que nos faz lembrar as palavras do filósofo americano Richard Rorty, que nos diz que o que vale em um debate, é a forma que você apresenta os seus argumentos e não se estes tem veracidade ou não. Para este a função da linguagem nada mais é do que servir para os mais fortes dominarem os mais fracos. Não há a necessidade para ele de que uma pessoa convença outras através de argumentos concretos, basta apenas que ela convença, mesmo que use de má fé [6] .      Neste cenário, as falácias tomam ares de argumentos lógicos, os enganos de verdade justificável e, a verdade, é disfarçada de uma mentira bem contada. Como pode frutificar algo de bom de um debate que tenha estas características? Que tipo de preocupação move as pessoas a tomarem uma postura destas?      A Sagrada Escritura nos advertia dos falsos profetas e, o que é uma pessoa que se arroga dizer a verdade desconhecendo-a, de pessoas que se propõe a resolver um problema que mal compreendem por tê-lo mal formulado senão um falso profeta?        2.5 O ópio dos intelectuais        O maior mal não é aquele que está defronte a nossa face, aquele que nos incomoda diariamente, que nos causa urticária. O maior mal é aquele que por sua vez também está defronte às nossas narinas, mas, que não só somos incapazes de reconhece-lo como também quando o identificamos, o fazemos como sendo um regalo em nossas vidas.      Nós enquanto brasileiros sofremos de um mal muitíssimo grave que nos come até a raiz que é o dualismo moral. Percebemos esta postura do Homo Brasiliense no seu dia a dia. Podemos começar com uma rápida observação do intelectual brasileiro do século XIX que freqüentemente era ligado a uma determinada loja Maçônica, grupos os quais eram condenados pela igreja Católica, posições as quais estavam expressamente explícitas na carta Encíclica HUMANUM GENUS da Papa Leão XIII em 1884. Todavia, este era ao mesmo tempo Católico e maçom. Como que alguém pode ao mesmo tempo ser uma e outra sendo que uma nega a legitimidade da outra? Como que se pode ser ao mesmo tempo Maria e João? Este estado de espírito é a típica concretização da famosa lei de Gerson (para tudo se acha um jeitinho).      Nos dias de hoje, vemos a alma brasileira infectada deste dualismo que por sua vez, pode muito bem ser visualizado nas grandes campanhas de caridade como a Criança Esperança. Está lá o sujeito em casa a assistir o espetáculo da campanha e se comove, se pondo a colaborar com a campanha fazendo uma doação via telefone e, deste modo, o sujeito sente sua consciência mais aliviada por ter ajudado a aliviar a dor de uma pessoa a qual ele não conhece e que também, desconhece a sua desgraça. Vamos supor que este elemento seja um comerciante, dono de uma panificadora, certo. No dia seguinte, um domingo, este irá abrir o seu estabelecimento comercial e, em meio ao movimento de pessoas que acordaram mais tarde e foram até lá para comprar um frango assado e uma porção de maionese estão parados próximas a porta de seu estabelecimento um indigente. Discretamente, este comerciante o enxota, pois o mesmo estava atrapalhando o seu negócio.      Eis aí o grande mal do dualismo moral. Este fenômeno nos torna incapazes de refletirmos sobre as nossas posturas pelo simples fato que nós nos aliviamos destas através de um gesto como o primeiro onde, não temos que nos defrontar diretamente com a imagem do sofrimento humano e, quando nos vemos diante de uma situação onde o sofrimento humano não só se faz presente diante de nós como vem diretamente nos pedir socorro, somos incapazes de nos sensibilizar já que “fizemos a nossa parte”. Nestes momentos somos a típica encarnação do ditado popular: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.      Ou então, partimos para um exemplo mais próximo do magistério. É típico já nas manifestações de professores grevistas no Paraná ver ônibus partirem do interior para Curitiba para engrossar o caldo como se diz popularmente. Chegando a capital, boa à parte dos professores ao invés de irem a manifestação, se dirigem aos shoppings para fazer algumas comprinhas. E é este que diz ensinar aos alunos que se faz necessário ser um “cidadão participativo”. Ou também, como já é fato comprovado que, inúmeros professores que foram fazer uma especialização, forma simplesmente movidas pela possibilidade de um aumento em seu salário. E se isso não bastasse, ainda são capazes de mandar fazer a sua monografia e, é este mesmo indivíduo que se queixa que os alunos não lêem e escrevem pessimamente. Caso notório é a dos professores que foram fazer especialização em Jabuticabal. Uma especialização onde o tempo que você levava para chegar até a cidade era contado como hora aula. O governo do Estado não reconheceu as especializações feitas nesta instituição o que, além de ser o mais natural fora uma atitude ética tomada por parte do mesmo. Todavia, o que impressiona é a reação enfurecida dos professores que lá fizeram a sua especialização acusando o governo do Estado com os mais esdrúxulos jargões. Isso sem falar das inúmeras tramas políticas armadas pelos diretores para se manterem no poder ou para alcançar um cargo político. Enfim, são estes moralistas chinfrins que dizem estar a ensinar ética aos seus alunos. á Pois é isto que se vê no magistério com uma assustadora freqüência como também em toda a sociedade brasileira.      Pois bem, todos estes fatos narrados nada mais demonstram que o professorado nada mais é que um emaranhado de hipócritas invejosos e rancorosos, um verdadeiro ninho de cobras. Serpentes estas que querem ensinar aos pequenos príncipes as virtudes da vida através do fel de seu veneno.      Foi-se o tempo em que as palavras de Machado de Assis que nos diziam que um homem para ser um homem deveria ser um Homem por inteiro. Somos um verdadeiro amontoado de máscaras que são usadas de acordo com a circunstância, com a conveniência de nossos interesses. Podemos dizer que as melhores palavras que existem para descrever o nosso estado de espírito são as de William Shakespeare que nos diz: Vêde como sopro esta pena e do meu rosto a afasto, e depois como o vento a traz de volta. Agora ao meu impulso ela obedece, para depois obedecer à força estranha, sempre do lado mais forte sopro. Desse modo, leviano, é sempre o povo. E levianos assim somos, por fraqueza e forte volúpia de nossas almas e é, justamente nesta fraqueza que nos domina, nesta limitação que vem a tomar conta da alma brasileira que as idéias de Antônio Gramsci se encaixam como uma luva.      Como assim? De início, Antônio Gramsci reduz os conceitos de intelectual e cultura à apenas um fator meramente político, este substitui o conceito de verdade ontológica por uma mera aparência de verdade que venha a contribuir para a causa há qual ele advogava (o comunismo, no caso). Toda atividade intelectual só é valida para este desde que implique em alguma transformação que converta bônus para a causa comunista, não importando se o que este indivíduo esteja fazendo seja falso, pois, tudo que viesse a contribuir para a sua “grande causa” era aceito como benéfico. Desta posição é que emerge o seu conceito de intelectual orgânico, de um homem comprometido até a medula com uma ideologia política (o marxismo, no caso), onde esta acabava por tomar o lugar da verdade ontológica.      O que este homem conceitua como filosofia é uma visão degrada do ser humano e do mundo. Para melhor discutirmos este ponto, vejamos esta passagem de sua obra Concepção Dialética da História: É preciso destruir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia é algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto, demonstrar preliminarmente que todos os homens são "filósofos", definindo os limites e as características desta "filosofia espontânea", peculiar a "todo o mundo", isto é, da filosofia que está contida: 1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo; 2) no senso comum e no bom senso; 3) na religião popular e, conseqüentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que geralmente se conhece por "folclore". Após demonstrar que todos são filósofos, ainda que a seu modo, inconscientemente – já que, até mesmo na mais simples manifestação de uma atividade intelectual qualquer, na "linguagem", está contida uma determinada concepção do mundo -, passa-se ao segundo momento, ao momento da crítica e da consciência, ou seja, ao seguinte problema: é preferível "pensar" sem disto ter consciência crítica, de uma maneira desagregada e ocasional, isto é, "participar" de uma concepção do mundo "imposta" mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos muitos grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente (e que pode ser a própria aldeia ou a província, pode se originar na paróquia e na "atividade intelectual" do vigário ou do velho patriarca, cuja "sabedoria" dita leis, na mulher que herdou a sabedoria das bruxas ou no pequeno intelectual avinagrado pela própria estupidez e pela impotência para a ação), ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira consciente e crítica e, portanto, em ligação com este trabalho do próprio cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não mais aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade?”(GRAMSCI, 1986, p. 04).      Neste pequeno trecho podemos perceber o quanto que a noção de filósofo de Gramsci é algo tosco. Primeiramente pela sua classificação dos filósofos entre os profissionais de ofício e os “amadores”, sem formação apropriada, onde o mesmo apenas aponta como única diferença entre um e outro a linguagem que estes utilizam. Antes de qualquer coisa este seu conceito de filósofo é algo tão abstrato que não encontra exemplos no correr da história para lhe dar respaldo. Cabe lembrar que, a idéia de filósofo como sendo um profissional de Cátedra é antes de qualquer coisa uma idéia popular e viciada da era moderna. Anterior a modernidade, só encontramos profissionais de Cátedra como filósofos no período da Escolástica, no Idealismo Alemão e, nos dias de hoje.      Deste modo, podemos verificar que o conceito de filosofia de Antônio Gramsci antes de qualquer coisa concerte uma categoria essencial em uma categoria acidental. Este na ânsia de sua juventude fora incapaz de refletir sobre as suas ponderações e humildemente antes de querer mudar o mundo, procurar enriquecer sua alma com sabedoria ao invés de preenche-la com malícia. Esqueceu-se de que ser um filósofo, antes de qualquer coisa, é um estilo de vida entregue inteiramente a procura da verdade e da sabedoria. Este senhor acreditava que fazendo uma discussão do que ele em sua pretensão julgava ser filosofia estava por discutir a filosofia de todas as civilizações e de toda a história da humanidade.      Gramsci confunde também em este seu singelo conceito de filosofia, com sua cosmovisão. Cosmovisão é simplesmente toda e qualquer visão de mundo, toda e qualquer concepção de ordenação da realidade, por mais caótica que pareça como as crendices populares, o folclore que Gramsci classifica como sendo uma forma de filosofia. Ora, é obvio que toda filosofia é uma cosmovisão, pois esta é uma forma de se ver o mundo. Todavia, a cosmovisão da filosofia é fruto de um profundo esforço do indivíduo que procura melhor compreender a si e ao mundo, começando com a reflexão deste sobre a sua cosmovisão, tarefa a qual, se torna impossível se não houver uma atitude que procure a consciência de si, coisa que, uma cosmovisão calcada em superstições, preconceitos e crendices é incapaz de realizar, visto que a filosofia não se dá fora da vida, como uma visão sem profundidade. A filosofia pertence à vida e ao homem, e busca, através do cosmos, invadir os mais altos terrenos sobre a origem e o destino do ser humano.      Dentro desta perspectiva, não há uma continuidade entre cosmovisão e filosofia, mas sim, uma superação da primeira pela segunda. Gramsci perverte a natureza contemplativa da via da sabedoria (a filosofia), reduzindo-a a uma mera prática. ááá Ou, façamos uso das palavras do filósofo Olavo de Carvalho que, tendo mais competência que nós sobre o assunto nos fala:      Se todos os homens são filósofos e os filósofos ex professo só se distinguem deles pelo grau maior de coerência e logicidade com que crêem exatamente nas mesmas coisas que eles, então entre o filósofo com aspas e o filósofo sem aspas não há outra diferença senão aquela que existe entre o conformista incoerente e o conformista coerente, entre o homem-massa espontâneo e confuso e o homem-massa assumido e formalizado. (CARVALHO, 1999, p. 06).      Podemos dizer de forma sarcástica frente ao conceito de filosofia de Gramsci, que uma mulher casada seria igual a uma prostituta já que para ele um filósofo e um não filósofo tem apenas como diferença uma questão formal, do mesmo modo que uma prostituta que se deita com todo e qualquer homem e uma mulher que se enamora apenas com seu amante pai de seus filhos. Realmente, uma diferença quase que imperceptível, aos olhos deste italiano, é claro.      Pois bem, mas outro ponto que nos chama por demais atenção, é o seu conceito de consciência coletiva. Defende este que toda e qualquer atividade intelectual deve estar ligado a uma ideologia política, pois, como diz ele, todo intelectual deve ser orgânico, engajado. Todavia nos perguntamos, o que é consciência coletiva? Nada mais que um outro conceito raso deste intelectual italiano.      Ora, estar consciente nada mais é do que estar ciente de seus estados, idéias, sentimentos e volições. O ato de consciência nada mais é que um ato de conhecer-se e de julgar-se. Neste sentido, todo ato de consciência antes de qualquer coisa é um ato individual e solitário. O sujeito através de seu intelecto reflete sobre si mesmo e seus atos frente ao mundo tomando assim consciência de si e conseqüentemente do mundo. Deste modo, todo ato de consciência corresponde a um sujeito intelectivo, correto? Pois bem, aí nós nos perguntamos: como que se procede o ato de conscientização coletiva? Que se saiba uma multidão não é um sujeito homogêneo. Para mentalidade totalitária de alguns talvez mas via de regra, a idéia de uma conscientização coletiva é absurda pois uma coletividade não é um sujeito singular como um indivíduo mas sim, um sujeito plural. Somente o indivíduo é dotado de consciência pois só este é dotado de intelecto.      Mas aí, os partidários de Gramsci responderiam em uma só voz que a consciência coletiva é obtida através da unidade da ideologia que os norteia, criando assim uma unidade coletiva, que nada mais seria que um intelectual coletivo. Ou melhor, ao invés de criarmos um suposto personagem que seja partidário deste, vejamos o que ele nos diz na nota IV de A Concepção Dialética da história:      Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas "originais"; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, "socializá-las" por assim dizer; transformá-las, portanto, em base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral. O fato de que uma multidão de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato "filosófico" bem mais importante e "original" do que a descoberta, por parte de um "gênio filosófico", de uma nova verdade que permaneça como patrimônio de pequenos grupos intelectuais. (Gramsci, 1986, 06).      Aí nos indagamos qual seria o progresso científico que a humanidade estaria hoje se todos nós adotássemos esta sua idéia esdrúxula?      Gramsci procura sempre sobrepor a sua posição ideológica a realidade e as demais categorias ontológicas de onde surge todos os seus enganos. Uma ideologia, como nos lembra Olavo de Carvalho,      É um tipo de discurso que, em defesa de valores arbitrários e no mais das vezes implícitos e não declarados, enfatiza determinados aspectos da realidade que sirvam de suporte retórico para esses valores, ocultando ou minimizando os aspectos contrários, por mais evidentes ou importantes que sejam e por mais improvável que seja escaparem à atenção de qualquer observador isento. Ideologia é seletividade deformante da realidade conhecida, em vista de um interesse político.(CARVALHO, 1999, p. 01).      Ou então, fazendo uso das categorias Aristotélicas, o que o Sr. Antônio Gramsci faz é simplesmente inverter as categorias da substância com as da paixão, do que a coisa é com o que você gostaria que ela fosse.      Pois bem, mas o que isso tudo tem a ver com a problemática da educação no Brasil? Tudo. Na metade da década de sessenta, mais especificamente em 31 de março de 1964, a esquerda brasileira sofre um duro golpe em sua espinha dorsal. Frente aquela situação, estes militantes firam os seus sonhos de chegar ao poder ir por água abaixo. Impossibilitado de atingir os seus anseios, a intelectualidade esquerdista passará a viver na clandestinidade e lerá muitíssimo Antônio Gramsci.      Nesta situação, vai-se começar a colocar em prática a estratégia da Revolução cultural onde, ao invés de procurar tomar o poder diretamente, estes procuraram solapar as bases da sociedade se infiltrando lentamente nos meios de comunicação, nos departamentos governamentais, nas instituições de ensino e demais setores da cultura. Lentamente se irá pervertendo os valores desta sociedade a ponto de ela mesma não mais se reconhecer a si própria e a seus valores.      Neste processo de ocupação lenta de espaços, o sistema educacional é um dos principais alvos destes indivíduos que por sua vez, são cientes de que é na mais tenra idade que se forja o caráter do indivíduo. Platão em A República û livro II, já nos advertia de que se deve afastar aqueles que procuram envenenar as jovens almas, precaução a qual os educadores nos dias de hoje perderam de vista no seu suposto intuito de criar “cidadãos críticos”.      A educação nos dias de hoje é feita baseada em jargões midiáticos e slogans politicamente corretos, o que ao invés de levar o jovem a desenvolver uma autoconsciência sadia leva-o a uma visão maniqueísta e deformada da realidade. Desde cedo é ensinado para os jovens através dos livros didáticos que a sociedade está claramente divididas entre os senhores do mal e os cavaleiros da esperança. Tudo que seja conservador é taxado como sendo algo mal através de topus (lugares comuns da linguagem) como reacionário, retrógrada e tudo que seja progressista (entenda-se como esquerda) é caracterizado bom, quase que beático. E, se houver alguma idéia ou preceito tradicional que seja incontestavelmente bom, logo é travestido como um visionário progressista.      Um bom exemplo disso são as profundas deturpações feitas da mensagem de Cristo e bem como do Cristianismo. É comum as comparações feitas por alguns teólogos da libertação entre a figura de Jesus Cristo e Ernesto Guevara. Como pode uma pessoa ver na figura do filho de Deus, que dizia que deveríamos amar uns aos outros como se ama a si mesmo e como ele nos amou (dando sua vida por nós e perdoando seus algozes no calvário) com um guerrilheiro fracassado que pregava que deveríamos produzir mil Vietnãs, que um revolucionário deveria ser um assassino em potencial, que seriamos irmãos pela indignação ao invés de o sermos pelo amor? Não se vislumbra aí uma profunda inversão, ou melhor, uma perversão dos valores cristãos? Como que se pode fazer uma ligação entre o Cristianismo e uma filosofia imanentista como o marxismo? Eis aí uma pequena amostra do que a perversão gramsciniana é capaz.      Doravante vejamos outro exemplo: peguemos alguns trechos do livro Brasil: uma história em construção – vol. 02, de José Rivair Macedo e Mariley W. Oliveira: 1) precisamos mudar a realidade histórica deste país. Precisamos urgentemente de justiça social e respeito aos brasileiros.(p. 09); 2) O Estado brasileiro não pode mais permitir que espertalhões e corruptos se aproveitem das coisas públicas. Lugar de corrupto é na cadeia. Por que tantos outros estão soltos? Acorda Brasil! (p. 28); 3)...A educação é um dos pilares básicos da democracia. Quanto maior a politização, mais difícil será a vida dos demagogos. Não é apenas uma questão política, mas de reclamar por todos os seus direitos. (p. 39); 4) Muitos trabalhadores entram na onda do crediário: só assim poderão adquirir mercadorias. (p. 47); 5) A repressão militar à sociedade civil foi uma constante: estudantes, trabalhadores e quem quer que fosse contra o regime militar sofria com a ditadura. (p. 176)      Procuraremos agora proceder em uma breve decomposição analítica. Quanto ao primeiro trecho, quer maior jargão político correto que a famosa “justiça social?” Este é um conceito tão vago que nem os seus defensores sabem defini-lo de forma clara sem falar de seu imenso conteúdo maniqueista. Podemos dizer que a justiça social nada mais é do que a idolatria da inveja, pois, os supostos defensores dos excluídos nada mais anseiam do que a tomada do poder e, neste sentido, a justiça social nada mais é que um topus que ao invés de levar o aluno a ver a realidade com maior clareza acaba por perverter a sua capacidade de compreensão. Por exemplo: é comum nos dias de hoje ver jovens e pessoas adultas acharem que a marginalidade, o crime, é compreensível devido à desigualdade social. Todavia, estes se esquecem que a miséria não é a causa