KOREAEBOOKDOCUMENT1.2.0Poeminhas para musicar ou noMauro Gonalves RuedaeBooksBrasil.comeBooksBrasil.com.b>para.xmlcapa.jpgnormal.sty{ para.xmlTQ smaller.styQ small.sty Q normal.styGQ large.styQ larger.sty(lcapa.jpg Poeminhas para musicar ou não Mauro Gonçalves Rueda Versão para eBook eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Autor maurorueda5@hotmail.com maurorueda@uchoanet.com copyright ©2003 — Mauro Gonçalves Rueda   POEMINHAS PARA MUSICAR OU NÃO (Poesia infanto-juvenil) Coleção “Joyceana” — Volume 5 MAURO GONÇALVES RUEDA São José do Rio Preto — 1.999     Para Maricy e minha filha, Joyce de Castro Rueda Para Rita Bertelli, Ana Letícia (Rosa), Eliana Groto Ferreira. Júlia e Giovani Bolsoni Bertoni e seus pais, Alcíone e Humberto. Mais: ao casal André e Maria da Graça Bolsoni e seus rebentos. Ainda, para Fábio, Fabrício, Rafael, Fernanda e Elaine Cristina.       POEMINHAS PARA MUSICAR OU NÃO   01 O cachorrinho gania e chorava noite e dia. — Pô, que zorra é essa?! Gritava um que não dormia. E o cachorrinho chorava e gania dia e noite. Um que era esquentado não suportou nos ouvidos o açoite: meteu uma paulada na cabeça do dono do cãozinho. Levou o cão para casa e fez dele um passarinho E o cachorrinho nunca mais chorou E o cachorrinho nunca mais ganiu. O que foi que aconteceu? Ninguém sabe. Ninguém viu.   02 Era uma vez um macaquinho piradinho, gozador. Vivia de galho em galho sonhando em ser um beija-flor. Cantava, cantava, estridente o diabinho. Até que levou uma estilingada bem no topo do galhinho. Deixou as penas de lado voltou a ser macaquinho. Cada macaco no seu galho, ninguém confunde com passarinho   03 Matilde a taturana solta fogo pela venta. É mentira, pois Matilde, nem do fogo ela é. Ela é manduruvá que vai ser um borboleto. Foi o Zé quem confundiu que Matilde era mulher. Mas Matilde não é ela, pois Matilde ele é. Não põe fogo pelas ventas se nem do fogo ela é!...   04 Era uma vez uma barata uma barata tão menina. O barato dela era zanzar muito louca pela noite, curtindo o embalo legal de cheirar naftalina.   05 Plantei no fundo de casa um pé de jabuticaba. Nasceram dois de angicos e um terceiro de goiaba. Agora todos os dias repouso à sombra do abacateiro e fico a chupar laranjas — que nunca plantei —, o dia inteiro!   06 Urubulino era um passarinho esquisito, desengonçado. Posto um dia na coleira, não latiu; nem se tocou. Urubu que é urubu quer ser livre para voar. Urubu é bicho doido e não parece com minhoca!   07 Se lingüiça fosse cobra, sapo era aviador. Se girafa fosse poste, morcego era bimotor. Como uma coisa não é outra somente bobo para confundir a perereca lá do brejo com sapo boi que nunca vi.   08 O hipopótamo fez regime para ficar mais elegante. Só porque a “hipopótama” o chamou de elefante. — Ela toda atrapalhada mais parece uma baleia. Dizia o hipopótamo que não batia das “telhas”. Era um casal tão estranho, que parecia uma mistura de elefante com baleia, disputando beleza-pura por volume de gordura!   09 O anum voou, voou, voou... Anum preto, anum branco, não importa qual a cor. Se a cor fosse importante, ia dar o que fazer. O anum com cor de nada e o nada com cor de anum. A cor mais bela é aquela que não existe quando se vê. Porque é bela e não importa quantas penas tem um anum enquanto a sua vida viver.   10 O pirilampo, pobrezinho, frente ao espelho a indagar: — Por onde andas, pirilampa? por favor, onde andarás? E a pirilampa passeava na noite a pirilampear. Até que numa longa noite de tanto que pirilampeou, percebeu a pirilampa que sua pilha se acabou. E a história assim termina quando é noite de luar, um pirilampo pirilampeia uma pirilampa vive a indagar — Onde andas, pirilampo? Por favor, onde andarás?   11 Era uma vez uma andorinha que voava a vagar. Tão sozinha pelo azul sem saber para onde voar. Não sabia a pobrezinha em que direção ficava o Norte ou o Sul. Então, sem se decidir, conformada voou, voou.... Foi-se embora pelo azul e nunca mais voltou.   12 O pato quêm-quêm, o boi mu-mu, o gato miau-miau, o cachorro au-au, o sapo fon-fon..... E o menininho espertinho: — Sapo não é carro! Carro é quem buzina. Menino danado, quem te ensinou? Meu sapo é padeiro por louvável vocação, entrega nas casas, bem cedinho o pão. Meu sapo é moderno: é um sapo pra frente é um batuta de bom e, ali vai o meu sapo fazendo o seu fon-fon-fon-fon!   13 Uma abelhinha abelhuda vivia de flor em flor, buscando no pólen o néctar zunzumbizando o seu motor. Porém a abelhinha que era muito abelhuda, vivia em enrascadas, enroscando o seu ferrão. Ferroava toda zangada quem nela fosse tocar. Um dia errou na mira e à si própria ferroou. Então o zangão teceu o seu dito popular: — Quem com ferro fere, com ferrão será ferido. E hoje, a abelhinha abelhuda já não ferroa mais. Aquele que bole com abelha, só pode levar ferroada. Porque abelha nunca aprendeu como é que se dá um coice. Ou então, uma patada.   14 Era uma borboleta que vivia a borboletear. Pairava por sobre os jardins com suas asas coloridas, a flanar, flanar, flanar... Era uma espécie rara e veio o homem com sua cara de palhaço colecionador. Apanhou a pobrezinha e tuf! ela espetou. Que coisa mais estúpida! colecionar-se borboletas! O bicho mais besta dos animais é o homem. Diz ser esperto, mas é bestalhão. E, se mantêm as aparências, há muito perdeu o coração.   15 O sono foi-se embora porque o gato comeu. Miou e fez algazarra, até a paciência esgotar. Levou umas boas palmadas e foi quietinho ninar. Mas eu, perdi o meu sono que o gato comeu no jantar.   16 O cata-vento gira, gira, vai girando em parar. Porque o vento que assobia uma cantiga pelo ar, é um vento morno, amigo, do tempo a suspirar!   17 Uma florinha no campo floria. O orvalho caía, o sol despertava, e o dia surgia. Um passarinho pousou em minha janela. um galo ensaiou um “bom-bom-dia!”. (O galo era gaguinho).   18 Estrela, estrelinha lá no céu a luzir: ilumina os caminhos daqueles que estão por vir. Ilumina o menininho, a menininha, o passarinho. Ilumina o cãozinho, a professora, o presidente. Ilumina toda a gente e a natureza a sonhar. Estrelinha pequenina, se depois de iluminar todo, todo o universo, um raiozinho lhe restar, — bem clarinho a piscar —, lembre-se também de mim, que daqui de minha janela, estou sempre a te chamar!   19 Quem-quem-quem! Quem-quem-quem-quem, vai o patinho cantando assim. Cisca daqui, bica de lá, lá vai o patinho, feinho a cantar. Se ele é feio, bonito não é. Nem vai crescer, para um dia mudar. Desengonçado, é somente um patinho nunca foi cisne e jamais o será. Mas o que importa é que o feio patinho nunca foi triste e nunca será. E toda a sua vida, quem-quem-quem!, vai cantar!   20 Poema de Tereza Candolo e Mauro Rueda( * ) Lá vai ela a rebolar misse galinha bicaqui e bicalá. Com sua nuvem de penugens a ciscar. Lá vai ela a rebolar empenujando o lugar. Quando senta, saem debaixo os pintainhos a pipilar... Porque o papo da galinha de tão cheio varre o chão. E coitado do pintainho que levar um papadão! Lá vai ela a rebolar misse galinha bicaqui e bicalá. Vai charmosa a ciscar e os galos sonham a espreitar. Misse galinha convencida, ergue o bico para o ar. E os pintainhos vão atrás, com cuidado a pipilar..... (*) – Teresa Candolo ilustrou a revista com letras e acordes do show musical: “O Reino Encantado”. É formada em Educação Artística e Letras pela PUC-Campinas.   21 Mafaldinha a minhoca já não regulava bem paquerava um gravetinho que chamava de “meu bem!”. Todo dia bem cedinho Mafaldinha na ilusão saia de um buraquinho num canteiro de agrião. E sorria bonitinho palpitando o coração. E o graveto bem quietinho não dizia sim, nem não.. E com isso, Mafaldinha vivia na ilusão. Se pintava, se ajeitava, rouge, blusch e batom... A sainha bem rendada anel, brinco, que paixão! Mafaldinha, coitadinha, era feliz na ilusão! Letra Musicada por Mauro Rueda para a peça infantil “Mafaldinha a Minhoca”. (Editada pela eBooksBrasil.com).   22 Olha o boi! E a chuva caindo. O boi vai andando, contente, vai rindo. Vai fazendo mú, mumú, vai mugindo. O boi pai-de-todos, o boizinho amigo. A vaca, o filhote, deitados no chão. São todos contentes, todos estão rindo. Todos fazem mú, pra chuva caindo... São todos felizes e o sol vai surgindo. A grama crescendo, e a boiada carpindo. Pastando, mugindo e fazendo mú-mumu: a boiada sorrindo.   23 Eu quero ser um passarinho voando, a nuvenzinha branquinha lá no céu. Eu quero ser o riachinho pelo campo, um menininho desenhado no papel. Eu quero ser livre como toda a natureza; ter um caminho de esperança para brincar. Andar de braços dados com toda essa beleza, que há na infância de amor para se dar. Eu quero ser como Deus me fez livre e criança como um rio a correr... Eu quero ser assim como o vento que passa; a flor se abrindo em sua cor, sempre bela a sonhar. Quero abrir os meus braços para a vida —, como quem abre o coração, por tanto amar. Quero esse canto de esperança pelos ares, pairando sobre o planeta com amor. Poder sentir a paz que juntos semeamos, cuidar de toda a infância ainda em flor.   24 A abelha zumbe-zumbia, sobre a flor tão pequenina. Um velhinho e uma menina passeavam pelo jardim..... A tarde bem mansinha vinha caindo docemente. Os passarinhos chilreavam pelas árvores, alegremente. Lá no céu, Jesus sorria, ao ver toda a natureza: tão bonita, tão contente!   25 Eu não sou uma sereia e nem sou um elefante. Não sou uma limusine e nem sou um avião. Não tenho cara de papagaio, nem me pareço com minhoca. Nunca fui um porco-espinho nem pareço um feijão. Eu sei o que não sou, eu sei o que não quero ser. O que sou é o que não sei. Então me diz, então me diz: oh Beatriz, oh Beatriz: o que serei? Será que sou uma abelha pousando num girassol? Ou serei aquele sapo que coaxa ao pôr do sol? Será que serei o que não sou? Ou já fui o que não serei? Puxa, mas que baita confusão! Será que você sou eu? Ou será que eu sou você?   26 Era uma vez, um menino só; era uma vez, uma fada e só.. Quem não conhece essa história preste atenção, vou contar agora: Era uma vez um belo leão, era uma vez um pato, atenção: a fada, o pato, o menino, o leão, brincando de roda no meu coração. Um dia o menino, cresceu e se foi levando a fada, o pato, o leão. Hoje envelheço, mas tenho a canção, trazendo o menino, para o meu coração. E novamente eu brinco a sonhar se tenho uma fada, um pato, um leão, agora não sou, mais sozinho não......   27 Um, dois, um, dois.... vai marchando o batalhão. Faz um caminho no chão, carregando muitas folhas, vai para casa o batalhão. São duzentos mil formigas, trabalhando sem cessar. Correm, correm formiguinhas, que o inverno vai chegar. Um, dois, um, dois... Vai marchando o batalhão... E no sol do meio-dia a cigarra a cantar: muito alegre e afinada, canta, canta sem parar.... Canta, canta cigarrinha para o dia alegrar. Canta que a vida é boa para quem vive a cantar. Um, dois, um, dois.. canta canta a cigarrinha.... Um, dois, um, dois, vai marchando o batalhão....   28 Se sou meio pirado desengonçado e trapalhão: não, não tenho culpa, não tenho culpa, tenho não! Eu vivo num mundo louco! Eu tô correndo, tô atrasado. Será que eu alcanço, mãe, alcanço aquele lotação? É guerra, é violência, tanta política, exploração. O pai tá sempre preocupado, a mãe sem tempo e eu, na mão. Eu cresço assim todo neurótico, a cara pregada na televisão. Fico paquerando a “Mara” que “Maravilha”, que ilusão! Será que quando eu crescer vou ser famoso, vou ser bom? Vou ser “Rock-Man”, pirado, desligado e “trapalhão”?   29 Canta, canta canarinho: na goiabeira a chamar, seu amiguinho pousado, na laranjeira, o sabiá! Lá no alto, bem distante, paira a gaivota a cantar. Vai voando docemente, o beija-flor sempre a beijar. Em meu peito um passarinho, sonha sempre em voar pra ganhar o céu, as nuvens e ser livre a brincar...   30 Cadê você? Cadê meu boi, pra brincar de roda num tempo que foi: de nossos pais, de nossos avós? Eu faço ciranda você vem rodar. Quem traz um sorriso, tem sempre pra dar. Quem entra na roda, aprende a cantar. Quem canta é contente e aprender a sonhar..... Quem canta é contente e aprende a sonhar..... Cadê a lua me dando a mão? Cadê as crianças, cadê meu pião? Cadê fogueirinha, e o belo balão: subindo, sumindo, lá na imensidão!? Letra Musicada por Mauro Rueda para o show musical “Roda-Ciranda”   31 Todo dia de manhã, ainda cedinho ia trabalhar. Era só um passarinho que voou um dia para nunca mais voltar. Tinha ainda o sol poente, uma esperança em seu fundo olhar. E ele assim, tão tristemente, no seu cantinho sempre a sonhar: Rever um dia a sua terra, onde cantava o amigo sabiá —, por entre as folhas de uma palmeira: chuva de prata, raio de luar.. E é só, só solidão dentro do seu coração.....   32 Já é tão tarde, vou me deitar. Faço uma prece e fico a olhar: lá no infinito, uma estrela a brilhar e num segundo, me pego a sonhar... Vejo Jesus, sorrindo a pensar, em ser criança, para poder brincar. Cantando ele apanha, a luz do luar e ensina aos anjos, o verbo amar. Quando amanhece, me faz acordar. O sol entrando, mansinho no ar, pela janela que dá bem para lá onde Jesus me disse a cantar: — Só é feliz aquele que amar e feito criança, sorrir e sonhar!   33 Quá-quá...quaquaquaquá! Quá-quá...quaquaquaquá! Eu sou dona pata com muito prazer; e sou a modelo mais bela da TV. Requebro com charme, sou muito dengosa. Canto em verso e prosa e quem quiser me ver, precisa marcar entrevista bem antes com o meu empresário: sou muito importante Pelas passarelas coração a fremir, meu compasso certinho todo o mundo quer ver. Eu sou a mais bela: a mais-mais elegante. Até posso ser burra e só falar besteiras; mas possuo meus dotes: sou toda fricotes, sou toda certinha no vídeo da TV.   34 Que belas flores há nos canteiros daquela casinha! O jardim bem cuidado, com todo carinho, floresce, floresce, o ano inteirinho. Da rua modesta, a velha casinha —, dentre todas a mais bela, pertence à vovozinha. Dizem que ela anda o dia todo a caducar. Só porque conversa com as plantinhas que ela passa todo o tempo a cuidar! Caducando ou não, a vovózinha vai plantando: regando, cuidando, como se fosse o jardim, o seu próprio coração!   35 Cristovinho, o cachorrinho, era todo desengonçado. Vivia fazendo festas, e era muito engraçado. Corria atrás das crianças mas só queria brincar. Latia para o vizinho, com sua cauda a abanar. Serelepe e manhoso antes mesmo de apanhar, já gania e chorava. E a gente com dó o deixava, sem ao menos o tocar. E com isso ele folgava, até mesmo no sofá.   36 Vinha uma centopéia caminhando lentamente. Encontrou-se com um besouro que zunia alegremente. Intrigada a centopéia perguntou ao besourinho: — Porquê não alças vôo, e ficas aí a zunir? E o besouro respondeu: — Tenho medo de cair. A centopéia coçou uma orelha com quase cinqüenta mãos, e pôs-se a seguir caminho intrigada com o fato. E o besourinho, malandro, logo pôs-se a sorrir. Alçou vôo para longe, pensando lá com seu tato: — Já pensaram se a centopéia tivesse que usar sapatos?   37 As nuvens brincavam e desenhavam coisas. Animais, montanhas, arvores, caminhão. Depois se apagavam, desmanchando lentamente as figuras que formavam do amanhecer ao sol poente. Diziam os meninos, que era São Pedro escultor quem esculpia com as nuvens, suas fantasias de ator.   38 Mariazinha plantou um pé de sonhos sob a janela. Um pé-de-sonhos bonito que cresceu rapidamente. Florido, na noite clara, feito a luz de uma estrela, entrou por uma fresta pequenina da janela. De mansinho pulou a cerca, do sono de Mariazinha e lhe deu tão lindos sonhos que ela nem quis despertar. — Desperta Mariazinha! Vinha seu vovô chamar. E lá vai Mariazinha, para a escola estudar. “Avoada” com seus sonhos, que jamais vão lhe deixar.   39 Dormia a princesinha no castelo a sonhar. Com um reino encantado, e que fosse só amar. Sem leis ou injustiças, sem guerras, ou fome, ou dor. E crianças, saltitantes, pelos jardins sempre em flor. Sonhava com passarinhos, cantigas de bem-querer. Um reino sem ter intrigas, gostoso de bem-viver. Sonhava a princesinha que era muito pobrezinha. Era somente uma menininha, que morava em uma casinha. Uma casinha bem pobre que abrigava o seu viver. Seu sonhar era tão doce, tão bonito de se querer...   40 Tinha uma paixão de menino. Que descobre o amor de repente e corre a vestir a calça comprida (a única — uma rancheira. Hoje elas são chamadas de jeans). Amor pela amiguinha das irmãs: rostinho corado de maçãs. Tão doce que eu sonhava, ao seu lado sempre estar. Foi a primeira namorada. E ela jamais ficou sabendo. Lucéia Botini que fugiu e casou e nunca mais a vi. Também não importa se ela envelheceu e eu, menino, jamais cresci!   41 A garotada correndo, a bola quicando no campinho esburacado. Pernas finas, nos calções encardidos, esfarrapados... E a gente que sonhava e sonhava, nem imaginava que crescer, ser adulto, era renunciar à felicidade. A felicidade que, correndo atrás da bola, estava sempre, sempre ao nosso lado.   42 (Para Manuel Bandeira) Rondozinho de estrela brincando lá no céu: ilumina o meu caminho, no branquinho do papel. E faz oh! meu rondozinho, bonitinho a brilhar: como os olhos do anjinho, em meu peito a cantar.   43 Uma rosa bonitinha outro dia me nasceu. Bem pertinho da janela e, da janela eu vejo o céu. Colorida e bonitinha, ela vive a sonhar. O orvalho vem caindo, estrelinha a brilhar. — Ei! (Me chama a roseira). Um beija-flor sempre a beijar. — Olha que linda esta rosa, que floriu pra te agradar? — Oh!, rosinha, que gracinha! Eu também vivo a te ver. Porque és a mais bonita das flores que já vi nascer!   44 Estrela, estrelinha, brilhando lá no céu! Estrela ilumina, o meu sonho de papel. De papel picadinho, que o vento vem soprar. E vai sempre girando, brincando pelo ar. Meu sonho pequenino, na palma da tua mão. Vai pousar, vovozinho, — qual fosse um passarinho —, que fugiu bem mansinho e levou um carinho, que eu guardava há muito, dentro do meu coração.   45 Oh João, oh Joãozinho!, me diga que peixe é, esse peixe na areia, a andar de marcha-à-ré? Maria, Mariazinha, isso não é peixe, não! É somente um caranguejo andando na contra mão.   46 Lá vai o Jaburu tão desgastado porque ele já nasceu muito cansado. Lá vai o Jaburu a resmungar, porque hoje vai ter que trabalhar. Lá vai o Jaburu desengonçado com cara de sono e todo invocado. O nosso Jaburu nasceu sem asas, parece um passarinho mas não é. Porque Jaburu também não é peixe, mesmo sendo escamoso como é.. Mas nosso jaburu é um bom menino, embora tenha cara de ladino. O Jaburu é um cara inteligente, embora seja assim, meio demente. Willian o Jaburu vive a sonhar, que nunca mais vai ter que trabalhar.   47 Mil estrelinhas eu via luzindo na imensidão, sentado sobre a calçada, a palpitar o coração. Colecionava figurinhas, gibis, sonhos e então, um dia eu percebi que havia trocado tudo, por uma nova coleção... Era uma coleção estranha que fazia a infância minguar. Era um baú repleto de ilusões que eu vi juntar.. Aos montes, com o passar dos anos. E tudo ficou lá atrás: estrelinhas, figurinhas, sonhos...Sentados numa calçada que já nem existe mais......   48 Humildezinho o passarinho, a menininha, o vovôzinho, abençoados sempre serão. Porque são puros de coração. Abençoados os pequeninos, frágeis, tementes a Nosso Senhor. Mansos e justos, abençoados por Deus que, os guarda com o Seu Amor.   49 Eu vi um riachinho correndo a cantarolar: cantigas de bem-querer, cantigas de bem-amar! Distante fez uma curva sonhando a se encrespar. Era a brisa que docemente, seu dorso ia acariciar. E o riachinho se foi correndo pelas campinas. Cantando e crescendo, um rio se fez, a mirar o mar. O mar lhe abria os braços: — Bem-vindo, amiguinho! — Pôs-se a troar. E o riachinho que fez-se rio, rindo foi juntar-se ao mar. E o mar batendo na praia alegre a cantarolar: cantigas de bem-querer, cantigas de bem-amar.   50 Tique-taque, tique-taque! o relógio sem parar, vai marcando, vai marcando, as horas do meu sonhar... Quando eu era bem pequeno quase um nada eu nadava na barriga da mamãe. E, feito um reloginho fazia meu tique-taque, tique-taque sem parar. Reloginho que mamãe, não cansava de escutar: orgulhosa e feliz, na barriga a carregar.   51 Fiz um poeminha todo, todo atrapalhado. Desses que, meio sem jeito, caminham desengonçados. A professora disfarçou um sorriso encantado... Meu poema se escondeu, todo, todo envergonhado. E nunca mais confessou, o amor que ele sentia, pelo sorriso disfarçado que a professora tinha. Que era meigo e encantado.   52 Possuíamos mil sonhos de cavaleiros armados, princezinhas encantadas, castelos assombrados, dragões fumegantes, gigantes iracundos, que um vovô amado (Que nem percebíamos alado) nos contava todas as noites.   53 Quando crescemos nos damos conta de um sonho perdido. Por isso é difícil escrever para crianças, se já não temos sequer, no peito aquela dança.... que havia um dia — na pureza inocente —, de nosso coração. E a vida, de repente, de soslaio nos observa, por uma fresta das memórias. A infância foi-se embora. Agora sim, sinto medo, um medo terrível do bicho papão. Pois sei que ele passa o tempo todo rondando, rondando, rondando, o meu coração!   54 O que será de mim, meu pé de aipim? O que será da infância, com tanta modernidade? Com cara de tacho, observo o espaço por onde trafegam naves e nuvens..... O que será de nós que ainda cremos no velho amor? Ligaremos tomadas; zupt, sintonizaremos o amor descartável e faremos inveja aos sonhos passados? O que será de mim em meio à tanta, tola confusão? Eu que ainda guardo, da infância, as sementes, nalgum canteiro em um canto do meu pobre coração...?!   55 Meu São João da fogueirinha crepitando ao luar: traz estrelas pro terreiro, nos empresta um sonhar. Meu São João do busca pé da batata na brasa, no chão, vem nos dar a sua mão; ensina os caminhos do coração. Meu São João-Xangô, menino do brasileirinho popular, vem proteger as criancinhas que só fazem por amar! Meu São João já bem velhinho, cofiando as barbas lá no céu; lá se vai meu balãozinho — todo feito de esperanças —, nas dobrinhas do papel!   56 Um sábio sonhava sozinho sentado sob um céu súbito sabendo semente seus sonhos sonhados. O sábio sozinho singrava em silêncio... Súbito céu, se abre solene... E o sábio se espanta e freme temente. Descobre, entrementes, que sua sabedoria é quase nada. Contrito faz reverência para o incognoscível. Para o infinito que há para lá do infinito que se sente.   57 Ia pelos prados pastoreando o pastorzinho. Apascentando ovelhinhas que ninguém podia ver. Sob outeiros o pastorzinho sentava-se para beber. Divisando as colinas que ficavam mais para lá. Com suas roupas já puídas, cantarolava o pastorzinho; dizendo bom dia ao sol, acarinhando os passarinhos. Cantando sua cantiga, que ninguém podia ouvir; arrebanhando as ovelhinhas desgarradas, sob o luar. Ninguém podia ouvir, ninguém podia ver, as ovelhinhas são os meus sonhos, que apascento até o sol nascer.   58 Cavalinho, cavalinho, cavalinho alazão! Relincha na estrebaria, bate as patinhas no chão. — Tá com fome, cavalinho? — Tá com sede, ou será que divisando as campinas, sonha, sonha em trotar? Cavalinho fiz arreio de camurça e de prata; ou será que é de lata essa prata a brilhar? Não importa, cavalinho! Quero ver você trotar; e, num trote bem mansinho, chegar em nenhum lugar!   59 Palhacinho engraçado deu uma cambalhota e caiu. Ele fez TUM! No tablado seu pulo saiu errado. Olhou, mediu e tentou outro salto executar. E foram tantas as risadas da menininha a zombar. Tão teimoso o palhacinho revidou com uma pirueta; foi um tombo esborrachado que ele fez uma careta. A garotada encantada em meio à risada aplaudiu: o palhacinho fez reverência e atrás da cortina sumiu.   60 Lá vai o menininho procotó, procotó, procotó! Num cabo de vassoura, veloz assim não há. Eia! Eia! Cavalinho! Lá vai ele a galopar. Vai salvar uma donzela, na tribo dos “Cataplás”. Antes que sua beleza da tribo vire o manjar, procotó, ele tropeça e no chão, põe-se a chorar!   61 Uma bruxinha era uma vez danadinha que ela só sua vassoura tem motor de aspirador de pó. Alakazim, paratibum uma magia ela fez... Mas sua magia é descartável e não dura nem um mês. Katipumba! Cataplam! Vapt-zupt! Brocotó! Suas palavras quase mágicas em sua língua dão um nó. Tizumpá! Isso é magia? De varinha encantada? Qual o quê! Isso é vassoura quando sofre uma trombada! Letra Musicada por Mauro Rueda para o show “Roda-Ciranda” e transformada em conto infantil no volume I de “Histórias da Infância”.   62 Eu vi um garnisé ciscando lá no terreiro e daquele tamaninho quer ser dono do puleiro. Um dia, eu vou contar o que foi que aconteceu: um galo índio, bravo, no terreiro apareceu. O garnisé cantou, estridente e ardido; o galo índio, doido, bateu forte e decidido. E o garnisé, coitadinho, ficou todo encolhido. E passou a tomar fermento para um dia então crescer. Cisca, cisca, resmungando: — Um dia ele vai ver! Vou crescer e ficar forte e boto esse animal para correr!   63 Oh pirata, piratinha levado como ele só toc-toc-toc-toc..... vai batendo o seu sambinha com uma perninha só. Se uma perna é de pau, mentira que ele inventou. O gancho em sua mão, também é de brincadeira... Danadinho, com cabo de vassoura, e a cueca do papai, inventou sua bandeira de pirata na banheira. Mais tarde leva uma coça e apronta um pampeiro. Desenterra o seu tesouro: — facas, garfos, alicate — num canto do galinheiro.   64 Malaquias é maluco mas maluco de dar nó. É o que diz a vovozinha, tão velhinha a bocejar, sentadinha na varanda dizendo “eu não tô gagá!”. Malaquias todos dizem, tem um parafuso solto. E escapa algumas marchas, só anda em ponto morto. Foi vovô quem inventou que Malaquias é qual gente; mas Malaquias não é ele, Malaquias ela é. Vovô diz que é Fordinho Vovó diz que é Chimbica: Chimbica ou Fordinho, só anda mesmo de marcha-à-ré. Malaquias desligado não esquenta, nem se dá ao trabalho de mover-se. Vai pra mais de vinte anos que ele nem sai do lugar. Pra andar só empurrado, ou puxado por um boi. E é por isso que ele ia: mas não vai e, nunca foi. Vai ficar ali encostado, bem juntinho ao portão. Enferrujado para sempre, vendo o mundo mudar.   65 Ora vejam, crianças! Um arco-íris no céu. No fim há um pote de ouro, no começo um anjinho a pintar. O fim, fica atrás lá da serra, o começo é bem mais para lá. Daquela nuvem branquinha, que mais parece algodão... É lá também que os anjos brincando, dançando, cantando, inventam uma nova canção, misturam em sete as cores do arco-íris, num só coração.   66 Porquê vive o gatinho o tempo todo a brincar? Saltitante, serelepe, o gatinho correndo para lá e para cá... Ora, ora, mas vejam: quanta algazarra aprontou! Pulando sobre a mesa uma xícara derrubou. Foram caquinhos que voaram pela cozinha toda limpinha. Por isso o gatinho merece umas palmadinhas.   67 Pula, pula a pulguinha tão sedenta a espreitar, um pedaço da canela onde sonha ir picar. E no lombo do Totó, faz sua ronda matinal; cobiçando do bebê, gordurinha sem igual. Da vovó uma pancinha do vovô o barrigão, a pulguinha seleciona, seu almoço, seu jantar..... Da empregada na cintura, pretende se deleitar; na mamãe não se arrisca, que ela sabe exterminar. Uma pulga tão pelintra, uma pulga saltitante, uma pulguinha malandra, a mamãe sabe apanhar......   68 Um tatu-bola rola estrada afora. Bola, um tatu, a estrada rola afora. Afora um tatu a bola rola a estrada e vai s’imbora.   69 A íris do arco íris em sete cores mergulhava no riachinho sôfrega. As cores do arco tragavam íris num canto do olhar.   70 Oh que riozinho corre a cantarolar! Manso, um menininho parece sonhar. Meu Jesus Cristinho, como vou contar aos filhos que não tive como era belo o rio menininho que de tão sozinho meu coraçãozinho pobre, fragilzinho, faz sempre brotar?!   71 Cantiguinha de roda da infância perdida. São Francisco pobrezinho meu coraçãozinho passarinho traz uma asa ferida: já não pode mais voar!   72 Um dia reizinho sem castelo ou reinado montei em cavalo alado e fui m’imbora pelai. Que me chamem os adultos e os heróis; nem dragões ou bicho papão temerei! Não perceberam ainda que minha história nunca finda? E todo o segredo, de meu sonho é outro sonho que um dia desses, sonhei!.....   73 Quem quer um coração? Moderninho a esquiar, por entre nuvens de algodão, que nas barbas de São João, Jesus ensinou-me a sonhar. Quem quer um coração? Cansadinho, atrapalhado, que bate-bate apressado, sem ter onde chegar. Quer quer um coração? De melão, de alecrim. Que, embora nem saiba, de tão grande, tão fundo, parece não ter mais fim. Quem quer um coração? Bobinho a saltitar.. não sabe se chora ou ri nem me cabe cá dentro do peito de tanto e tanto amar!   74 Meu Deus, me deixa voltar no tempo... No tempo, um tantinho só, para que eu possa, sonhar outra vez, quietinho ouvindo historinhas no colinho da vovó!   75 Queria ser a eterna criança para não ter que jamais sair dessa dança. Andar por ai, todo lugar, e da esperança uma trança apanhar. Fazer fogueirinha nas noites de São João, e ter passarinho cá no coração. Ser criança sempre a brincar na roda do tempo e nunca passar. Para o outro lado que existe quando a criança desiste e se vai para sempre para não mais voltar.   76 Uma estrela vai brilhar bem no alto, lá no céu, e há que derramar seu brilho num cantinho do papel. E por um caminho longo um carro de bois vou desenhar; borboletas pelos campos, e o passaredo a cantar. Mas eis que amanhece e por entre nuvens já desperta, resplendente o sol amigo e a estrela a se apagar. Sabiá na laranjeira, um menino pra brincar, na porteira da fazenda, eu também sei desenhar. E no meio da paisagem quase sem perceber, eu desenho um girassol que nos chama pra viver!   77 Toquinho de gente, o que estás a dizer? Com tantos gestos, e esse enrolado linguajar? Falas tanto pelos cotovelos, entre um sorriso e um olhar. O que dizes oh! pequenina, que mais pareces sonhar? Que importa se não aprendestes ainda as palavras e que sons, seriam mais belos que tropeços da língua em teu te expressar? Fala, fala, Toquinho de gente! Que meu coração está a escutar, e, se ainda nada pronuncias, vêm-me de teus lábios o que de mais belo eu posso na vida escutar!   78 Que menininha dengosa, tímida no cantinho a cismar! Com sua cartilha da escola, parece um anjo a sonhar! Transborda-me o coração, em festa, que vive a chamar: — por ti, oh doce menina, quietinha, num canto a sonhar. Segura uma flor nesta mão, com a outra acena no ar; depois me sorria mansinho, um carinho que vive a brincar. Brinca de roda, filhinha, num sonho que vivo a sonhar... Enquanto eu faço essas tranças, de um pai que vive a esperar!   79 Um tão alegre, outro tão triste. Um que tem tanto, outro nada tem. Um viaja pela estrada, outro de avião ou de trem. Um tem banquete, cerveja, outro nada tem sobre a mesa. Um tem fé e esperança outro tem dinheiro, abastança. Um traz a paz no semblante, outro traz a cor da ilusão. A ilusão é o poder e a riqueza. E a paz é o amor. A grandeza, que habita em cada coração!   80 A rosa, o cravo. O cravo, a rosa. A prosa, o prazo. O prazo, a prosa. O homem e o bicho o homem é o bicho do bicho homem. O bicho papão do homem é o homem.   81 — Você viu o passarinho que voava por ai? — Passarinho, passarinho... Passarinho eu vi não! O que vi foi um menino viajando numa nuvem, boléia de caminhão. — Você viu o menininho que andava por ai? — Menininho, menininho... Menininho eu vi não! O que vi foi passarinho, viajando numa nuvem ao redor de um caminhão.   82 Era uma vez um reizinho poderoso. Mas vivia desgostoso de ter tudo e não ter nada. O reizinho enfastiado tinha tudo o que queria. O que queria, o que sonhava. Até sonhar não mais podia, pois os sonhos já eram seus. Tinha reinos e poderes, tinha rios e montanhas, tinha dólares e vassalos, tinha tudo o que se apanha. Por isso o reizinho, vivia sempre tristonho. Por descobrir que nem mesmo em sonhos, um sonho podia ter.   83 O que vem do abacateiro é abacate, seu Filó. Não é sarça ou espinheiro, não é pedra, nem jiló. O que vem do coração são sentimentos, Mariquinha. Não são nuvens, nem palavras, nem são penas de galinhas. O que vem do ombro amigo é amizade, seu Tomás. Não é favor, não é guerra, mas sim, respeito e paz. O que vem da honestidade não é fome de poder. Vem junto a sabedoria, vem junto a dignidade, vem tudo o que um homem precisa ter para a sua vida bem viver!   84 O sapo não assobia, sabia? O sapo coaxa: croac! E a cotovia não bale, sabia? A cotovia chilreia, chip, chip! E o carneiro não muge, sabia? O carneiro bale: Bé..é..! E o homem não grita, sabia? Ele é educado e fala baixinho!   85 (Para Mário Quintana) Ai que poeminha mais chato! um pé de anta, outro de pato. Ai que poeminha mais torto! Um lado vivo, outro já roto. Ai que poeminha mais sem graça! Que vive ao relento, e dorme na praça! Ai que poeminha mais bobão! Brincando de roda, parece pião. Ai que poeminha mais engraçado! Que dá cambalhota, em tempo errado. Ai que poeminha mais ligeiro! Nasceu em São Paulo, correu pro estrangeiro. Ai que poeminha mais maluco! Brotando da alma, de um poeta caduco. Ai que poeminha sem fim! Esticando, crescendo, e rindo de mim. Ai que poeminha mais dentudo! Escrito com frases, sem nexo, em desuso. Ai que poeminha mais sem ter par Parece que nunca vai se acabar!   86 Roc-roc-roc-roc! Vai o rato a roer. O que rói o rato? Roc-roc? Isso eu não sei dizer! Plam, plam, rata-plam! vai o bumbo a bater. O que bate o bumbo, plam? Isso eu não sei dizer! Mu-mu-Mumumu! Vai o gado a mugir. O que muge o gado. múu? Isso eu não sei dizer! Búuuu-buá-áa! Vai o bebê a balir. O que bale o bebê, buá? É o leitinho que demora a vir!   87 Vovô, vovozinho, num cantinho a cismar... Esquece a preguiça e vamos brincar. Eu tenho um cavalo, de vassoura, alazão. Cavalga as planícies que se estendem ao coração. Vovô, vovozinho, vamos juntos planar. Por sobre todo o mundo e ensiná-lo a sonhar. Vovô, vovozinho deixa de ser sonolento. A vida nos espera, para que nós a tomemos nas asas do vento.   88 “Cai, chuva, cai, lá do céu! Cai, chuva, cai, no meu chapéu!”. A chuva caiu, a chuva rolou, molhou o meu sonho, a chuva passou. O que ainda resta, ficou lá atrás... Num tempo já ido, não volta jamais. A chuva caía riscos no papel. Caía mansinha, do alto, do céu. Lavava a rua, lavava a canção. Levava a infância, do meu coração. A chuva caía corria, corria. Levando o que havia. Mas restou a lembrança: dançando, girando, cantando assim: “Cai chuva, cai, lá do céu! Cai, chuva, cai, no meu chapéu!”.   89 A lua lívida vinha ao lago. Lavar a louça. A lua louçã limpava, limpava. E lépida lá se ia. A lua lívida, em lã vestida, a cantarolar: laiálá, lalaiá...   90 Luzes pequeninas brilhavam no véu da noite Pirilampos-astros, pelos campos em cordões multibrilhantes. Intermitente “lusco-fusco” da imaginação: — O que será? Pergunta ao avô o menininho. E o avô responde: — São as batidas (pura imaginação) do céu em meu coração!   91 O Cotô não era um cãozinho cotó. Não era a cotovia, sabia? O Cotô não era côto de lápis. Não era capim lá do campo, nem colega estrangeiro. O Cotô era somente um neguinho manhoso que um dia me delatou: contou para o meu pai que eu nadava no rio. Levei uma baita surra. Mas, tirante isso, o Cotô foi o meu melhor amigo de infância.   92 A porquinha filha de um “cachaço” foi batizada. Ficou: “CHIQUINHA”. Brincava com a meninada. Era tão desligada, não ligava para nada, a porquinha Chiquinha. Nem crescer a porquinha queria. No chiqueiro não ficava, ficava sim, rondando a casa. Ouvia o barulho das panelas e lá vinha ela: Oinc! Oinc! Oinc! reclamar o seu almoço e um carinho da família. Quando cresceu, engordou.... meu pai vendeu. E a garotada toda chorou.   93 Marcha soldadinho de chumbo ou de latão. Marcha direitinho, que eu te promovo a capitão. Um dois, feijão com arroz. Um dois, feijão com arroz. Marcha soldadinho, depois faz meia-volta se não fizer direito, te deixo atrás da porta. Um dois, feijão com arroz. Um dois, feijão com arroz. Marcha soldadinho atrás do pelotão. Cabeça de papel, coração de melão. Um dois, feijão com arroz. Um dois, feijão com arroz.   94 A menina parece uma fada encantada. Ou será uma fada que parece uma menina encantada? Para se sincero, não sei Será o sapo, um rei? Ou será o rei, um sapo, encantado? É meio confuso se a porca é quem torce ou quem é torcido é o parafuso....   95 Carneirinho, carneirão.. onde foste te esconder, em que prado ou descampado, dentro do meu coração?! Carneirinho, carneirão.. Que eu tangia a sonhar, na infância tão distante, que perdi nalgum lugar. Um lugar em que um dia eu me peguei a crescer... Por quê fui então perder, para nunca mais me encontrar? Onde foi que perdi, o meu jeito de sonhar? Salpicando de estrelas, todo claro de luar.... Lá deixei a minha infância, entre avencas e jasmins. Lá restou minha esperança (tão criança) entre ternos querubins!   96 Luzia no alto céu, uma pequenina estrela.... Luzia e, todo o meu sonho, uma fogueirinha de papel. Que o vento soprava qual fosse um balão. E, lá se foi meu coração, ardente, ganhar a imensidão. Eu menino do mato, que corri pelos campos, que nadei pelos rios, que trotei pelo vento... Eu tão franzino, pequenino, nem sabia que o vento que soprava o balão de meus sonhos, soprava toda a infância! O balão subiu, se perdeu. A infância também se perdeu... — O que restou.. —, Ah esse! Esse nem sou eu!   97 D. Maria pitava acocorada lá no terreiro. Uma baforada, uma cusparada. O cigarro de fumo de corda no papel de pão. D. Maria no batedouro, na tina d’água; D. Maria no milharal; passando o café pra tomar na caneca de alumínio... Num canto catando lêndeas dos “mininu”. Cuspindo, fumando.. Fumando, cuspindo.. Vez em quando, D. Maria tomava “umas cachaça” e ficava molinha zanzando pela casa e cantarolando umas músicas lá dela, só pra ela. Que somente ela entendia. D. Maria já morreu, acho. Uma baforada, uma cusparada. D. Maria deve tá lá no céu: acocorada, dando risada!   98 Tinha meu avô João que empurrava um carrinho de laranjas. Que era espírita, que era tão bom. Tuberculoso, morreu. Foi pro céu. Tinha meu avô Ermínio que foi “Puliça da Bahia”. Também era espírita. Também era tão bom. Morreu velhinho. Também foi pro céu. Fiquei sem avô nenhum. E agora?   99 Dói-não-dói. Dói-não-dói. Meia hora de discussão. Um quarto de hora de choro. Vinte minutos de birra. E lá ia eu desembestado pelas ruas de terra. E a família atrás: pega-não-pega. pega-não-pega. Pegavam. Sempre achavam um marmanjo que corria mais do que eu. Daí, daí eu acabava tomando a injeção. Berrando, é claro!   100 A molecada no campo corria atrás da bola. Iam para as caçadas, faziam cabanas (com as meninas). Contavam vantagens, jogavam birosca, colecionavam figurinhas.... E eu, não sei porque, preferia ficar sozinho: com meus gibis e os meninos que eu ia arrancando de algum lugar dentro de mim.....   MAURO GONÇALVES RUEDA São José do Rio Preto/Barretos,1.989 ________________///////_________________   PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DA OBRA. DIREITOS RESERVADOS PARA MARICY REGINA DE CASTRO RUEDA E JOYCE DE CASTRO RUEDA. REGISTRADO NO EDA DE ACORDO COM A LEI N.° 9.610/98. FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. BY: MAURO GONÇALVES RUEDA. ©2003 — Mauro Gonçalves Rueda maurorueda@uchoanet.com maurorueda5@hotmail.com Versão para eBook eBooksBrasil.com __________________ Fevereiro 2003 eBookLibris © 2003 eBooksBrasil.com KOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Roman2hr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Roman2hr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Roman2hr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Roman2hr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Roman2hr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Roman2hr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Roman2hr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Roman2hr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Roman2hr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Roman2hr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontJFIFHHC    $.' ",#(7),01444'9=82<.342C  2!!22222222222222222222222222222222222222222222222222T" }!1AQa"q2#BR$3br %&'()*456789:CDEFGHIJSTUVWXYZcdefghijstuvwxyz w!1AQaq"2B #3Rbr $4%&'()*56789:CDEFGHIJSTUVWXYZcdefghijstuvwxyz ?k/kM>岝C6ۜ=x3º8h휡h/Exƃh&o 9y~q:pњO% q]Ѿxm×ڌM_#׊xúơ㋉, >W̞|_aʳXdpY?Vo&Q.ebd=:z`JYFY)Xۧ͵]Muo]kWD2{h&zź8.>V)m08}+լ4/~"T;hZ'Ppn+vXʳ,2JSVO6f'M?4hZ&De-@2*V(g7~1,OI(DA$sk_zDrځbyo8h֓匚Qѫ=6#Jz'{ ƿ_h~M6N^yaݜ ںAqk.?h$s,6ڤje;K c=I^"RW{뫷[-HemZ9kT)kڐC4!O;ӹ*Iwյ."coMҸXY/|kxwUm*ᔴLuCr]%u-kB388}]TU99rkVy: [m7=#XvZFeGh>*I 6伐Уj-'k>|z{W?*u [[丛BmxOi`((\um$쯹-nc~7쯞M@dxwD>?,սsZ7BiIc$.qrMie]gy.pۏle1O|G=׍/4 MI#w\Pr=*]:|WVﶺ0 ;wΉ};=yZѼEf!yaɽX&IО }E>'$2b;O,U4x B;*t֕04vW-NWhv^ӛ]F{>|ԷA~u>$xT}L}wVM޹;J/=tښ<Ǩ"4#Su?--mdUcn霆HM&=WIkԝ:R(7k$޲k.Oz& ;i3l6߻*Ѵ"S]")- =WGM!> e5_6ǻ-Zگm?bH^LK*x^Ռ2ssI/5um~HW4/h#WM,_"t(=p{{=cg7A"F̩.1/ڽ 5(l^ X~̲Տ]KJxmO&&ACo=E<sE9YMtSkNч5K;-'vGt[jw 7iےs{z-/vq܉6"*}<ךǯYT]5@OA<wП Z7X\8͌u?SˡV]n_}:+RݿShNB9ẁ9o(e?Pikn D@CD ݐ0 8$m;;A8*QI=#w!MvapxL[w-Y:S|Pk+V7-m 2\{Ueдt]*cv-á#k:p(Kyx2q: :ЯRINU4GxM_G 2E4BG92K sժ+i;Zݍ454TUU @UFm}| \)++z^U1;&8Պ)&+YZtf;+;{d=V#Mk߶>g>ywf? OU5k+[+{I6;` ]%mV5iM=_*JQz1ܽM<@d=E]o+Ͱo+黮=j'x^"Nˈ;eU N;Ekݿ0dk< \iaDL1ps$M/O$xK _#E)*O[YYv+.bpgnp"\K7RGko.:bsݓv68(8R4UT`(OJ7k̳NwyBϮfQB.NIӵWn]>M LUBP&ށvC;_n;`ߏMqHVxmk \ڳu:9.DLt-o_qX{Ai-[BoJnwek=>OBVvy+ JBEҮ.m2Iax(5rVqk"xU~ t:}h, zDE=k\.Š({KUuxKK;iCȯt=p*6Qͪ #R VuQqT̯[box6k421$9ǮzdѠx*xIYLpAjX@.@zW6Kwv,v/ >^KoIBxgi!>@FGguOhE{Eʒ+4E)A{[o+sDII2'yvY:t"=H 9'"&۽z#$,z~kѤѼ('cy%I b zr@#Ѓ޻#N/{QQv޲zo9ʽ6e7:֡B=OdFϘA=>\,Qm&ŷְI63;»&}m>x}B${ZD'=+oFRn\+F1iCKtݥW3rINQVzv1<'b|*M`ɒF$`A m=MnxRֵ%'5 JW 7,G9&|QsryѺ|D20V^7֋F~nUVe;'E8y;) qV'-M&Wvfip7d/L7OxAl1=#x;ї7+gQ`ҧm]/< W-|[SW{!+ -Tu<I+2=˥BnӼ >0G{u9FmT Ѣ^E(01INu=kUn{+]}6*B?S4oKV_QD^)$8 NN' 85$ΐe(qԄlבQƎ~=Z :qet]vuj[W{vΘϪOx~m0m5w4wኗM5^xoP68fI' 09Oug=yNLff#iTsN>𔒣J1ޭkoDeh-_AݬZiھlqv:P;Wm["gTr\s1eA#=x^YfJtU9Ms_Mz?=IN1J8߈fHе GX 9b{vީR;GOtnTbCRx?JJof&AJ⟻7& ' fWV-ۊ Im$Jd>m2dև<_j? 4KՖĪr@ݻӦ+On"/MuW2Iu5C^Xe֡]'[x?'ک+wuT 0\@0B?988r9P5DVH1cl=k>_Եzb&5ASzE%.ZUa nF5B82KMto xKq:ZW> DisR9O2?6@\.Zg̰}!Fv z-;^XqOsp 5O9tYbp7R4ܜloܙJ7JH1]V\ѵ{QU "A!D|#<9jR,4 KVwJq]4S^ez7S]lQnuA_ZYخ sץlzϨ^#w;AI( Tq,.uݥ3N/$.xTKiog$TgQ-A~)D ߇;m&f Ι^z=>f [YxHҖMKE20p$񎇩3KM}q!܌r1׌Tz7j y$#LgҝMžtwtgOgçxLОKfYC &3~^SkfoÍ\WGAےֽZnP+7zQV>&.NKi&U'1ڶ|Ak_s /*`}E`(]O5Kljܬ메|;Ao^L T:1($t:Qm+TXӴoiRE@/'oq }JGKm 2 ;GSnK[aԞ^I94UӴcJuR0de=ͫU橧w-?>>xb:l5o`nKrN\񦡫6-sԚfvrYX[m44OAtu{*X&fzeT *0Kږezqm/ 2 H4cLݼ%E,%9UR?CpqڿAdA^:oU$zշD2yUV%ͦs8?j˹/"8ßHd+: tSjwosUߍ>?J‡UhEy$v`c ${> MkLwYr~G\Ӈ,;+ͨrPĦJ_:@ŷz8=zwWwiȂ;v9amf6H {jtS2GYǧe/X>De:ָEVYhc W7oHeecu_^e#C޸*O%~VqGgmYjz=l$ +4VW!bԗp<ΨO.V|Q ,6|M,ㆲޛX]$>3uR=otRϳ$zIqi($d}~+)ɥ?~K]فEWˀQEQEU i4KGda pG~[.==*nՎ]~fUGEk V-ZUUnY@[7 &_Lhcɗ}굫\Y $U_$Ӥ&qwNw}^MaSrZh'P60#?xZ=-7wT_I!XrpHXwp`vFc}CҾLbbkY;չm.ӧsL,UՊe[\(+Wq ryR\1,jwܑ~ hwz"kw,<9 't~+T:tMBk;WcFe̻.xFՠӣI.!uodmxf[KĒj{WT:r>8VEu%bOZҵ+ĐNz8SYC*zVz!DL_sX5}Mu\Ytwږ KE#RM"zW!6?Mq-"&>?)*#!WV:fk-֮xnc&_Ok.ǺSxٮUIv:0,##"/ƥaOmC ۭykjiN}G ?zZ,Uk仞S^ uӿO4Prxy3rH$Z̖ԯZ5MHmQr?w=3cԤ~ٮNv} \3#(ꠎIyƑksxoam"AsV6:ef?#i4B,eȋ'W,*"zXnCYo&F8 z# iQC3֦WYgx@@c5>\DC*J5W}6ʪ 0*֛\iwi)דGHE cY@_8zzVMm9V] n{ }boy2ǽҵqJZ18i? àޙdTV,xVy=sLIEVX#ץù[̳Pr_C*mbKo tٖrYڼe[M]N b3˷Mu׺rB(`0?A_[9r~No,I7`|<?PfÄ:`A^[%'\}*ΊMS?}UBTyoGR*fZGg-  ??99O i\x?4&IQj[A)̈́o[MMso[yRx>&<'V?1e8=3_X|1]G\K'Wh:}cJ8ĈI׭y +3SpL?n>8ѿDi澫,lF' 3Τ{s+ ?6jWbTXG$RO  sf۬/%ĢImm.3\hqlaeV~Zt;i <0#EoS,-Un` ;lx0Ɵ\DFcO.E2xqGzLo1i$E=[Vm[)дTό+ʫҥ9Jy9Ԥ#vR@sMIceNrk6_4NPn.{Vfקͩң9ќ[KM{|<;z GCQi]F(bW=*H Ǡ:-~5ݭUȅY1[}X%KҒNƸJ/[DPɩu+Ym$2)P8:2gȘ%`]>6}nш?,~UY] Q{V}I?GT"9at9շ--K'rDe̅Y2_;Udon'kۭ 8M&{b|B:3bEY0/#66:$F_8ӧY%-h&E֮֌;#p=4yN:MVPYgW\XKjH**ԚvY>|+׷]zӲMz8f T+=N>c v+F^ivpm2;[w=}z3/j|]vqihFȾQ.3VN,$QIPOwVa hd ;g{(NCN/Zֲ{8}E|= -m}ʐws]k"ԡ^?ZDg=m ;^(׮,om.%E4вБ֓UaT;?9pֳFԤBkGUdtk4j }GZ$GlC*V=뜷dzaETd}4$e7XҧRv _[KH@J.l<]*gc'C\u2x&܉h:~)DW7M̓J* kIQ+G]tK;6L҃ШkXa¼JuRkIkWiPv{NGcYZo##К::tP2<8Yzտ\wpIK}Ȍ\d&Fobn$Q$~SVnxwQ$YE\;nwm}MRQK}fA$VKVݫK|}ER-qsq4>UF-u{4>:ePE<ِ zshOydg)Gq#;k)<+[B)4똮I >d~:+H^F8g Vfm@]i҇h$Á'8ЩtԤWL`2(8~ܮv]HP}B>{UKl=kĭWTwV^5zbvtu\Z-!ʰ(A?b _A4A|q&;gjCS]:MXsHb=X6NwӴĈ[p)?Y|?j'sL L~# g#D Tftn"=CL4ѡ\$`u9\oc,N;&h#3Ee;3F\In_^jڥ[)bw$n-Y05ʈt1*2=$`/hMLdCm̀d3'"&w{} +,yW:4i~ҁ 2HwF6HW$+;tiTky  ،=뮯?ԡu.FnNz6F1^Wg4=#m-~}OOS;4;05m5o֖{F`?LͻxצUSdـ(EKT7{! T)uh[<2¼KF/ Q zwt?iM|[|)"sT Й#{BC+r1OoJ؋QVC(y=+f6 &*U}JBl|[);ZJR9 TMSJ49V0ү$OYA[ g:NFUh:I_v$(ť˓+EW4NFMo>Ү|˅ԮHGE^=̼iƴQ6Q ҧfpFdU,ibԈVϔGux抒zsmk[کmu'-:Ҧ ×sԧ{j)"Kx ^DpG'gS?N5T.zomҩ|{\Q7 S]cr6= _IBt;ǡXI8"t\*]qz\x sׯg,?vg!::>g3홸2\St]!t_1fV0N9㯹DUepGZx=.6ʸBK`w{Wb*}t֣ SiFǟxܥg$ cFqњ B}ZXHXU@5k3j:VcHb@uJGx&Ӂ޵!m;[Yط{0isqG?gwurRqPZF7OO NNLpe溺"K'12͜`T1irD ^mg01uq0{0vdwOG`C,`rޣYOG=LtZ`\`;mթ>t5H \(C5gi6=gZj}d[jXA~]JH[BZ\<`7ZQo\4QZJ` +E-Ȏ>VHo n771Q :5ԢoOE8dٶVj$M@\"]c5g@sLjJF@ \+cU1r_'jEGk+_[9}Ņw%Iw'˚ñ.tQIIޟε[XiBSbb?QU4bYr \3Myؼi.zoCGF.$7 HJz>fLdn&97m~Un<@ >w1A\֖]LmK2w,Y/SM$pHV#+mʹ.Kp& +#ãZJ OsAq-V/=N͋Xʹ*{EEWjrks<{xM(0dR~L~Ӵ4_21#ϥm-0u2p7jdW]=+ڔzL2sїӝ$+cѵZDZKa#?JۖLt1?? 4 kFQ v\ۭk1Nu$vJtq:xsY{i)TrݑV}Ħxm] 2Ƿ _j1m[K-$=ow^YB)8fktKm6 5g,*꿝ovdvvBʟ>?s%nű.{P$~UQgtRm/\!DZ?rI>?/C${V(Ld*3U lr9?{>ýk]Yãkw;b)7V^Ko"ֹ;$N6xJRҿwW$gk[pyot<Ǘ'+JhI6-<Qջ[a9j9qe5.5Ν*UQ1c_̤D)un+btIh.c\?Egϧ^Z>Ͼkʒ <%N&tQkmFL6XXv5y|w {W$S%{Ăk2@E_N@Ҁ^;?! "8y2|#?iTڞ|9I6Io<%qxa/A*Z4c*|. \)r^0ǿұ3ܥ-#6 ɷݏI[jVgeb=>PF}y0GhCKb޼Q!EI9Y}B_)EI8Fk^)ؐn9?ZI\&9ҲiZS%wdB~=6YH]1)a=j竄V*-mR:rK=rM;Y s*ƸcĶ-K `ҹGeĊ՜^T;ksh0ҵ%)fV~:ڶJSsZ;kvΥhp.! $ҹ&hf iN B G 1εa4V@]ڠ*-lZ!-Z2{VJc”,vhП/PAqlre5M2yk:M3d\=q޻ 3o[km$2++#ӆ^7uݰE`9ڜ1{KFp:EڱYQro@ |T{v~nAY׍ +NEӹ|9ǔ~TiFq\_5߇/,' igL{|3>rY${Ir W- ̍[q@u0Vԯ݌,d08)8*+v&eɶ@WS;iUH>ă'Yv-KHg#7Ernx.FPAf1F@^FqS$s+Q~g@⋩i- 7/_ i0}{vH _֒eg@*zaxp3*}1^J84e7= BXs 1UP2Z̚-6&lܚqZ ~VF^J1'OB }\D)ǖ ˋPr jj:qG #unoh&<%6ⱯF˻aR`SWg#mv;Q+e@ֵJ3 ebz{CT#->"E>c3&271hC=+f;0U =_o 0λvGYMg,pmPzy55˂UɍduLTvZfҩa~iK0P,W>ΧҧGP^koV۴tϽz暳Ly4঵<(>h4Bɴ=* V埑OWI `/2 v31Z[ܤ2ʋ$n:2y8='K%_%Pg*ʗ$gSץ%6y5IR;{WhR:U{ E8EU|1UHǒԧ㱓9 XWom!vgy+i3K`ߨTZ}n7+ T _NMPqo]IՉ7O DѬH֖VEc7w6^j;jlhDA|M;3i|;ha527I$ŭ1lz}XI/db*\c8`.fYAfB6gчo|/ V}7c)ֲeLD8gҳ|E4[XNWyծ%Y-63M`?@ O=Բ3 n]+\2̻r=Y>*Z:!Pe#}9kYjHG %kxzŦhPirKD@rryԝXuj.KN]|@14QcJͶ9[v2O8&:ƠXX#فLQq]j&)5 ReysEl$(=y"FmZ[| ofsWi|WW}z:q뫄p1ˉP gGk;V)]s7'5ZiIY~n~U+s%_y̩ٮ\ڲ#*qjG73.|~y?->EŌ;`9MObWFVp}N}O<>V/FBFܐ8+Zm4ܐѲns9ۀZr%W"PYpCuy-J-e2|_ZQ=@WǕJ]Յ#O8td ;OGQķ_I=G8{5o 5G؃$AݓJI,3DO\~RN"ַfάCV9}XV!yGXH.6߀Rjhyg4c$cAEJ7<E+{YB<V8=^n)>[θc-H^fJK:9F{;bmzzQϫKM_Kkjc0(dX_ Hў{Աt+zާGjш0H "Sj{\z$*N3p}5vڳgfgG8]5mJf9T)H<׿^N`麉 N)x6ϖUZ+PM dc}"C{$knYWh Fƺ=B:ވ."H`+#a)#ȑYvWc:^n)u6+<&ƃ[kME\W%OK66rFM1S( .y赩#M* h. v-mp՗vRSThΚucgܿL>%˿=vh,3l{#+Z޵b~7Jt(:~!Y΍sbfEIAִO?gt;qv5ѡ[) nߑ u9]Hodx$[VA*(?zhSO:Aᕮ SW3j|S{a4tJ;:?\vf,q'$kpM6K,ȪbhFov  \iDY7- 9Z˺ʍbkiP#@GL-7b[[JPrjqF"3D,^;s[NTJ̰W;дOH56y3N1޷5Þtټ?oO6Ջ u{V]*k,` WB;RMD3\[4d{}[KgbxmM7$Fv>:b ƘaŏB<è99nZKxFݏ1=v=ݴ~G~f7U)k О[707۞}Pxz 4ٙm-rW9X,lW"7xVu:mи,$DyDTVw\ :V47+ BI0YsN6=N黏ך κ, a`U-%_: x=F48n1IJ$8WŸvRh-n q$?gtl*}=+.k8d)-t|P\$ m.DdZ|VQ 9>$ciP=)6/k,ψ (F8]kykfƿyVXCV"MҰXym{&[_m,n Qp[^mcX[!YmAۦ2yUWS0ږSh8 Hԩ*zSBiRY-?CO4_O @KUMY- ^+mķ'~1c<{l[|Yksu*Xy:d z?&LLJ?^\hyϳ1rQ5$6B9]&mb[HO9휇2Fp?~U҅Հ9R80vr:Ngvƣ)j_;Pm\EsUi 8ZP(5c1#Ƒ@-Ԟ!{ ı s꽫V:Cm iEgҺQ"9 1ȃ U(%$Wjs$wHw\zڑMM{|1+ʷwoBkz!*[ "OlOMΟK3u?Jv6ki猨rGSڲE3i76crDp^PGoo[<?L%kV@lL *--{i #'#דS 3 hy[GQ=k2/t6F)]_#:pד7);N:+0R|ھOV܊gYQJ6cClP_Fc*W]i\LDq\rK[UuOO+ *OF֫jcInڮX:eiVIv9_Q>lWUTp{c*AN/QE!Xm%y#Ҷؚji#l>"I٣:E^۩W'dc&~[*HLAԀPC^A=+ (s滻SHc* ayfxH@Ķ{21im%Q;'![:ËUcl@)洒 V_W9m+oHFʾ`.tQ]Qҭ 7m^(5M;PmydO?ztwf.mtah5ڛ+VSŋ 0?jhwz/엓\i?qF3ZHӖsù+K=LRA=sx w5\ǫ[A(rf.F;M))]uFv9$ӑa u8Ҩ$sԲE| 7B:~5%VU]Y2:޷\%eϚb*T$̚Q\\ZuM*x c:+/.M'Qʡ`}=+sZIgj7{[#2Wx.oxa+ swVP>qb^(4%{ːCTV6(9ԂK'T)uXZ\-© ykȍ1Me ׎-^tSjk#6w %[G ʒ$dtu0 h_`zVƋa%nlq= BVzXDry(DO'ϽX೴b 0IV,`2JvReBaʯLi^Q:BG[V48xKQ5`vlhV?*ZO}~Շ,~hi&qz^f?6un޿qƖVTυ I˙@p:]WVR;ǝIN\~ŵ]ۻu^{a^?]vi+@olْeFs #WP۱ N1ɨ?nk>=ܞ^f]~`49"w+BmHNqٳN3NQEW)QEQExoM&KvG'N{{עYҗ4'xeyo,r=)ֺ]2**`#aIP3wN:^YuRi4o$RSZg<֎!^W75'('SpKes8mƙ S?:0F{כ!.};]Gb둊W:WeO*@[D\aq+s0zu5dY\\˛1)'`EkOi7+X[Ey\IcYaY'16 $[R:InƯ5?):W1 w/9霞C}Yk3yȈ'@$ V֐XۤIG_% dNյ[jz2-,pM=3נӴ,ׇ9iyps\%K4ťVӴp| 'ޞA6iyUGp#z*OuZkyo}\ltCQ4TE 0N0(((((((( w_˻8&\cU!]nO+uL|lQ[CZ&̸Ԝvlz&v[~Yx+DXIa"$+g_o5o9FmT?lh,cGC! բT ?e{J2sgy0tRn Bwn#E[#6 mۜ=~cWyJWvU:S+m6d `UuC#SЃk;TL˸Gm{NW)Z|N #1[KS\r_,WTA՘ n];.nHɫPO2_ٛ`62N$9%֟g'?}K "`zޞNkn%A .0D>.q<'lѷPcUO$g*Qr_+-~M⬂ \kcd' W' 5*O1Hb"bCp*_e]\WJ-BB${hEP~ybqۊUqX'q 0"QX)jfK6ֻ3jK"E$T :t\xdWPqKݓ{V|B#C#"LƦtiuS KZ(N0((((((((E7!9 AEk`MΙ`X,NI?ʥ MrF:# ~)4<&?'t-"91t99q_'?t/99-Hd[hUr0 ^hywyweVЈ*GeiW]Q..=