KOREAEBOOKDOCUMENT1.2.0O Eu (Observaes de um Andarilho)Mauro Gonalves RuedaeBooksBrasil.comeBooksBrasil.comp>para.xmlcapa.jpgnormal.sty{ rpara.xml,Q smaller.sty>6Q small.sty?Q normal.styHQ large.sty1RQ larger.sty[Ncapa.jpg O Eu (Observações de um Andarilho) Mauro Gonçalves Rueda Versão para eBook eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Autor maurorueda5@hotmail.com ©2003 — Mauro Gonçalves Rueda O EU (Observações de Um Andarilho) — Pensa/mente/ando — (LIVRO II.) (Para: Maricy e Joyce. Minha mãe e meus irmãos) São José do Rio Preto — 1.992. Mauro Gonçalves Rueda. O EU OBSERVAÇÕES DE UM ANDARILHO (Livro II.) INTRODUÇÃO        Que “O EU”, seja útil — de alguma forma —, àqueles que o lerem. Se o lerem. E mesmo que eu tenha partido destas paragens e chegado, finalmente, ao termo de minha missão, que estes pensamentos e conceitos sobre o Ser/Eu, sirvam para alguma coisa útil. Não converter ou pregar acerca de aspectos morais ou espirituais. Mesmo porque, cada qual possui, de forma inata, o seu livre arbítrio. De forma que, este livreco, ao meu ver, pode ser lido com prazer e não somente com o rigor dos pregadores mumificados e “bitolados” por suas crenças, seitas ou religiões.      Mesmo porque, trata-se de um esboço humilde e abarrotado de contradições acerca da vida, do destino e do Ser. “O Eu”, nada mais é que uma forma de ser, pensar e agir, em busca de um único Objetivo. Em busca da unicidade através da qual, creio, devamos refletir, no intuito de simplificarmos nossa própria existência.      Há homens que, constantemente, colocam-se em posição de superioridade crendo — até mesmo que, devamos adorá-los como se fossem deuses. Pura imbecilidade e ignorância.      O homem é um ser complexo e orgulhoso. Mesquinho e egoísta por natureza. Todavia, se esquece de sua fragilidade, seus problemas, erros, doenças e, sobretudo, que uma vez tornado em pó, nada há que o difira de seu semelhante. Por isso mesmo dizemos, junte apenas o necessário porque, aquele que muito possui, tornar-se-á mais e mais ganancioso e acabará perdendo a própria paz de espírito.      Neste humilde livro, sem uma ordem metódica sobre conceitos e pensamentos aqui dispostos, à medida em que o escrevia, apenas o fazia, sem importar-me com estilo ou primazia. E os pensamentos e assuntos são entrelaçados e confundem-se, embora, há que se perceber, uma vaga tentativa de passar a imagem de um ser angustiado e abarrotado de dúvidas que, lentamente vai encontrando-se (?) e fazendo delinear seu próprio caminho. Como um ser em constante evolução.      É evidente porém que, apesar de toda a busca — às vezes de forma confusa, desenfreada e portanto infrutífera, este escrevinhador não encontra-se hoje, muito distante do jovem intrépido do ontem. De qualquer forma, há um amadurecimento natural, decorrente da própria experiência de vida.      Quiçá houvesse uma fórmula exata para que pudéssemos nos livrar de nossas imperfeições, angustias, desespero e conseguirmos uma paz definitiva. Ademais, não há nada como o tempo e a própria experiência para nos legar uma visão melhor da nossa própria existência, suas causas e objetivos.      Seria ousadia da minha parte, determinar o fim. Ou seja, porque vivemos. Da mesma forma, seria ousado dizer aquilo que nos espera no futuro ou no pós-morte. Tanto que, não sou nenhum vidente ou mago. Tampouco possuo o dom de prever o futuro.      De qualquer forma, apesar de toda a complexidade da vida e do mundo atual, creio que podemos tornar as coisas ou, a própria vida, em fardo mais leve e menos assustador. Há um quadro de pessimismo que grassa sobre o planeta e sobre nossas vidas, cada dia mais desalentador, a nos transmitir uma insegurança e um medo quanto ao futuro, terríveis e preocupantes — insegurança e medo.      Ora, isso decorre, bem o sabemos, dadas as proporções e a capacidade de destruição, do ódio, injustiça, violência, exploração, descaso das autoridades, exclusão social e outros problemas que o próprio ser humano, fez e faz vicejar e grassar em seu dia à dia.      O homem vem, lentamente destruindo o planeta. Tanto a flora quanto a fauna, são vítimas constante deste processo predatório. Não bastasse isso, o número de vítimas dessa violência desenfreada e irracional, cresce mais e mais de forma avassaladora. As guerras entre nações; a política de interesses; o poder de domínio; a subjugação dos mais fracos; o avanço das doenças (apesar do poderio das ciências médicas); a massificação infrutífera dos meios de comunicação a serviço de interesses espúrios abrangendo a política e o comércio, a descrença e as dificuldades em se conquistar “um lugar ao sol” em meio à sociedade capitalista e consumista; o abandono e o descaso para com o próximo — muito principalmente as crianças —; o nível de Ensino atávico; os problemas econômicos; dentre tantos outros milhares, vêm tornando o homem cada vez mais competitivo e desumano com a imposição da “Lei do mais forte”......      A cada dia que passa, o homem torna-se verdugo do próprio homem de forma acentuada e desumana. Todos são, de uma forma ou de outra, carrascos de si próprios ou do próximo. Afastamo-nos cada vez mais do processo que legou-nos o título de “homo sapiens” para deixarmos despertar a ira das bestas adormecidas em nós.      Os políticos profissionais, através de suas ganâncias, insensatez, descaso e despotismo, têm se tornado das mais nocivas causas desse processo de desumanização da raça. Ao invés de, através dos poderes que lhes foram legados, buscarem soluções para os problemas que afligem, principalmente, as camada sociais mais pobres, desumanamente, acabam prejudicando-as ainda mais com suas negligências; indiferença, demagogia e falcatruas.      São os políticos — detentores de missão que deveria ser tida por nobre —, as piores espécies dos males da sociedade contemporânea.      A busca do Eu, a interiorização do Ser não quer e não deve conjugar o verbo: fugir. Não desejamos incutir a idéia do desvencilhamento dos problemas do mundo e da vida, para uma fuga buscando a segurança e a paz na espiritualidade inerte, improfícua. Tanto que, o apelo maior aqui, é realizado ao próprio homem. Não atenho-me a religiões, específicas. O Um, a unicidade, a exemplo da Escola Pitagórica, talvez possa transmitir uma imagem de um Deus ou algo dessa natureza. Da mesma forma que, no que tange a frases ou conceitos como “nem uma só ovelha do rebanho será esquecida”, possa transmitir a imagem do Cristo a pregar o mesmo, através de sermões e parábolas.      Contudo, distante de tal intento, ousei misturar expressões reles com as de cunho bíblico. Mesmo porque, quando refiro-me ao “Eu”, na realidade, trata-se de uma personagem comum: o homem. O Ser humano e seu mundo mental e espiritual. O que não deixa de ser algo natural, do ponto de vista humanitário.      A bem da verdade, ao longo dos anos, tenho convivido com todos os tipos de pessoas aqui descritas. Desde o bêbado ao déspota. Do hipócrita ao ladrão. Do justo ao ignorante. E posso afirmar que, o maior volume do material usado na confecção deste livro, foi extraído da realidade, do cotidiano. Daí, o valor de tal material. Por trazer no cerne, muito mais da realidade do que possa aparentar à primeira vista.      Se digo, farás o que desejares desde que respondas por teus atos, não empresto à tal conceito filosófico — teológico, senão, uma lei natural da vida e da sociedade em que vivemos. Mesmo porque, a responsabilidade pelos atos cometidos é intransferível se se detêm a consciência das causas e conseqüências acarretadas..      No mais, quisera descobrir a forma mais simples e saudável de viver o que me resta de vida sobre a face do planeta Terra. De qualquer forma, em minha imperfeição e erros naturais, insistirei na busca. Podendo com isto, tornar-me um neurótico excêntrico ou um excêntrico neurótico. Ou ainda, com o tempo, o amadurecimento legará à minha alma, uma como que, certa tranqüilidade para que, eu possa chegar ao fim desta jornada sem o peso que ousei atirar sobre meus próprios ombros.      Fardo que, não posso alegar desconhecer seu peso, sabendo ser — EU —, um simples e frágil homem abarrotado de dúvidas; ainda de gatinhas pelas sendas da vida, à cata de explicações para compreender o que eu não compreendo..... O EU Observações de Um Andarilho   E me deste a solidão e o silêncio das madrugadas por companhia!. A princípio, infiltrou-se-me na alma, um temor incompreensível porque, junto ao silêncio e à solidão, comecei a perceber minha própria existência. Minhas formas delineadas; os pensamentos emaranhados em espirais crescentes; sentimentos que fizeram-se em eternos segredos; dúvidas e caminhos; palavras embebidas na memória; verbos, letras, canções... E, a cada madrugada, cada passo pelo caminho da solidão, maior a distância que interpunha-se entre o que eu transformara-me e as pessoas lá fora. Até que, finalmente, percebi que já não poderia mais tornar.. O tempo, implacavelmente, incumbira-se de tudo. Dessa forma, continuei perseguindo o que nem sei. E deixei que meus passos conduzissem-me sem saber por onde ia. Apenas que, toda a minha vida, seguia seu curso e, a própria existência, era todo o EU. EU: o meu próprio silêncio. EU: a minha própria solidão. Na unificação do vinho e o pão. O sangue e a carne. O início e o fim. *** Não sei o que foi feito do que eu era. Não sei o que é feito do que sou. O que serei, parece-me quimera. É dessa forma que as coisas são.. *** Às vezes sinto medo do futuro. Mas, o que é o futuro, senão um passado ainda por vir?! *** Porquê tenho desejado saber mais do que deveria? Tudo vem a seu tempo. Mesmo sem que haja desejo. *** O que penso que minha alma sente?. Ou o que sinto que minha alma pensa?. *** Tenho sido qual a criança que, demonstra compreender certas coisas. Outras, finge desconhecer a razão porque compreender. *** Porquê o tempo passa e tornam-se grisalhos meus cabelos? Se se tornassem grisalhos meus cabelos, sem que houvesse a interferência do tempo, não seria o mesmo?. *** Não sei dizer porque sinto o que sinto. Apenas sei que sinto como que num processo natural em ser. *** Meu olhar busca para lá do infinito, uma estrela para brilhar porque, sei, a necessidade da luz, para que possamos continuar. *** O que eu penso e o que faço.. O que penso é ilimitado e transcende a própria existência. O que faço é o limite de todas as coisas. Mesmo do próprio pensar. *** Que valor ter-me-ia a luz se eu não conhecesse as trevas?. *** Ás vezes fico pensando em porque tenho que sentir ou compreender certas coisas, sendo que, a maioria das pessoas jamais se preocupou com nada disso.. *** Se quase nada sei e quase nada sou já é um processo dorido, como seria ser muito e saber demasiado?. *** De que vale viver se não se pensa?. Se não se transforma?. *** O caminho mais longo sempre foi o melhor.. *** Como que a dor que amadurece, a dor, às vezes, apodrece. A medida exata é o /meio/correto para tudo. *** Meu medo é segredo e pode cortar feito lâmina se não ouso controlá-lo. *** Porque a minha loucura é a consciência daquilo que sou. Por ser tão somente o que tenho sido. *** E meu olhar não encontra-se preso num determinado ponto. *** Todos os meus sentidos viajam constantemente. *** Nunca o Universo é um ponto em que posso tocar. *** E sinto-me constantemente ausente de onde me encontro. *** De forma que, absolutamente, nada me prende à nada. *** De onde me encontro diviso estrelas e flores. Todavia, posso pensar em miséria e violência. *** Como desejar atingir aquele estado ao qual, subjetivamente, denominamos perfeição?. *** Ser o que se é, na realidade, é estar-se em harmonia. Esta é a perfeição. *** Não se vence completamente só. Contudo, quem determina a estratégia de forma a convocar aqueles que vencem?!. *** A noite em claro é um dia como outro qualquer para aqueles que têm fixos mente e almas a buscar o horizonte. *** Não desejo revolucionar, explicar ou complicar. Apenas, sigo o meu próprio caminho. *** Faço o que faço se me é possível. *** O impossível, que o faça aquele que o conhece. Mesmo porque, nem sempre o que me parece impossível, o é para todos. *** Se somos normais ou fazemos parte da realidade, não cabe a mim discerni-lo. *** O normal, às vezes, parece. *** O real, pode ser. *** Se a sombra me cobre, digo: estou sob a sombra. E não: a sombra encontra-se sobre o que sou. *** Porque o que sou não se encontra em lugar algum. Ainda em que pese a aparência. *** Ou a vida cede ante minha consciência ou, que se faça romper o cordão que nos liga. Não seria extremista fazer uso de tal assertiva? *** Não há como viver sem razão. *** Não há porque ser ignorando o preço. *** O meu silêncio é a frase mais complexa da expressão. *** Compreender é como deixar e seguir em frente. *** Como a ignorância predomina, há mais cegos do que possamos conceber em nossa imaginação. *** Tudo o que possuo é feito o vento que passa. *** Tudo o que sou é feito o que jamais será vento. *** Por isso, nada desejo. Por isso possuo a medida exata do que mereço. *** E sei que sou tão somente uma centelha do que não tem fim. *** E ser parte do que não morre, é ser tudo o que se pode. *** “Amanhã, pó”. Dirão. Ora, amanhã, a eternidade. Eu sei. *** Por isso também nada importa em desejar tudo. *** Mas importa o necessário. *** Importa a consciência clara, transparente.. *** Por isso me legaste a solidão e o silêncio que são o Eu revelado na eterna busca. *** Uma forma de ser. *** Estar presente e ausente de tudo do todo e ser o tudo e o todo. Qual a própria chama da vida. *** O sopro e a luz. *** O Eu que não é, Sou. Sou o Eu que é Ser. *** Feito no Princípio quando o Verbo. *** Feito o Meio e o final do ciclo que volta a ser o próprio Princípio. *** De forma que busco, embora saiba que, para tudo há seu tempo. *** Do nada a tudo vejo e a tudo aprendo. *** Às vezes sinto pena dos homens. Sobretudo quando a irracionalidade, supera a própria razão. *** Penso que a complexidade em viver, esteja na forma pela qual optamos. *** Pode ser que, tudo à nossa volta, seja realmente complexo. Porém, o que dizer sobre a simplicidade se, ela é possível?. *** Na realidade, os sonhos sempre sobressaem-se. E, nem sempre podemos despertar. Principalmente para a realidade de um mundo e uma vida inseguros. *** Quem sabe eu não tenha excedido em sonhar para despertar demasiado tarde para a realidade?. *** Ou não deveria ter-me abstido da realidade para o sonho eterno dos magos?. *** O que me diz o tempo se não creio nele?. Nada, absolutamente, que possa mudar o curso dos acontecimentos. *** O fato é que deixei-me envolto de forma demasiada e tudo me cansa, deveras. *** Por isso também, não tenho importado-me com o que possa acontecer. Ou tenho dado importância de forma excessiva. A ponto de parecer confuso aquilo que sinto ou penso acerca do que possa ocorrer. *** O que poderá ocorrer-me é o que deve ser. *** Tudo à nossa volta pode ser realidade ou ilusão. É o que criamos. *** Guardar-me para o futuro? Mas o que é o futuro, afinal? *** Como desejar ser perfeito quando não o somos?. *** Da minha janela, na madrugada, observo estrelas como quem observasse o nada. E, toda a minha existência, encontra-se enclausurada no brilho das estrelas. *** Porque não desejo saber das coisas dos homens. Porque nada deste mundo consegue prender-me. E tenho vivido no eterno caminho da busca. *** Que medo não me deixa partir, definitivamente? *** Porque tenho vivido num mundo e num tempo aos quais não tenho pertencido!. *** Que mundo afinal, é este em que, a ignorância impera em detrimento do conhecer? E a imbecilidade é mais forte que a própria razão?. *** Tenho perdido noites de sono a escrever, a pensar, a sentir, a perscrutar... Contudo, os segredos da vida e do Universo, são insondáveis para meras noites insones. *** E porque justamente eu, teria tais privilégios? *** Há segredos insondáveis. *** Árvores e plantas que brotam, frutificam e morrem. *** Sinto medo de meus próprios pensamentos. Porque, às vezes, eles, parecem-me, provir de qualquer outra natureza que não a minha. *** Escrever como quem alimenta-se e, em seguida, desprende as energias obtidas. *** Por isso eu sou o que escrevo e se assim não o fosse eu não poderia dizer quem sou. *** Às vezes não sei bem o que desejo expressar. Contudo, o faço. *** O vento sopra e o tempo passa. *** Eu observo tudo e vejo muito pouco. Ou, quase nada vejo. *** Assim é minha própria compreensão sobre a natureza das coisas que ocorrem. *** Passo horas meditando e perco-me ao romper a linha de pensamentos que, penso possa, um dia, talvez, conduzir-me a uma conclusão objetiva sobre tudo o que desejo saber. *** Mas o que desejo saber quando sei que, quanto mais se sabe, maior torna-se o vazio e maior a busca?. *** E o sofrimento é maior quanto maior o volume de conhecimentos acumulados. *** Porque maiores tornam-se o fardo e o peso da responsabilidade. *** Não sofre quem ignora a causa primeira das coisas. *** E tudo o que ocorre, parece natural àquele que, ignora o porque. *** Talvez sejam naturais. Todavia, há uma razão. Um motivo. *** No desvendar, podemos encontrar a paz ou o desespero. *** Porque o inevitável... *** Ora e se se pode evitar o que julgamos ser natural que ocorra?. *** Vem daí a causa desta desenfreada obsessão em querer seguir adiante. *** Mesmo porque, já não tenho para onde caminhar. *** Sei que enquanto eu estiver passando não poderei afirmar que, finalmente, possuo segurança ou paz. *** Por isso contradigo-me. *** Por isso, “desdigo” tudo o que disse até então, para reiniciar. *** O princípio. *** A causa vem do princípio das coisas. *** Nada pode ser considerado real sem que haja um princípio. *** Os fatos não ocorrem do fim. *** Ou do meio. *** Mas sim de Um Princípio. *** Se assim é, logo, eu sou o princípio da busca. E a busca vem do fato de haver um princípio para que se a empreenda. *** O Eu é o princípio do princípio da Causa. *** E o Princípio do Eu?.... *** Se tenho sofrido todo o tempo vivido e praticamente, creio haver tido uma causa para que tal tenha ocorrido, porque não hei eu, evitado?. *** Então torno à opção na maneira de ser agir e pensar. *** E julgo que se assim tem sido, é porque tenho eu sido a causa e o próprio princípio. *** Canso-me girando em torno de determinadas questões porque, embora partindo de um ponto referencial, ou do próprio princípio, não tenho conseguido sair fora deste círculo que é meu próprio meio. *** Esfalfo-me: todavia, sinto-me cada vez mais distante de um ponto final. *** E se, abatido, procuro mudar a minha própria natureza, seguramente é um ato em vão. *** Qual o campesino que, nasce e desenvolve habilidades próprias para com a lavoura e não consegue encontrar um lugar em meio a um laboratório de análises clínicas.. Tentar mudar sua natureza, é um ato vão. *** De tal forma tenho vivido que, a vida tem-me sido, um verdadeiro pesadelo. *** Porque não hei encontrado sequer a minha própria natureza. *** Nem consigo encontrar um trabalho de natureza ao qual eu perceba afinar-me. *** Então, entre tal emaranhado, tenho procurado encontrar muito mais do que sou realmente capaz de compreender. *** E tenho me perdido. *** E tenho deixado de lado a vida para tentar viver sem sequer haver desenvolvido uma causa real. *** De quando em quando tenho a impressão de que a vida não passa de sonho. Outras vezes, creio que a vida seja pueril realidade ante o verdadeiro sonho. *** Eu não tenho um mestre a dizer-me coisas senão, que tudo o que aprendo, faço-o junto ao meu próprio silêncio. *** Talvez, se eu pudesse ser um pescador ou, quiçá, um lavrador em terras áridas e senis, meu aprendizado fosse mais profícuo. *** Todavia, as terras do viver, para mim, sempre foram mais áridas e as águas dos mares profundas; demasiado profundas para minha sede. *** Que eu compreenda aos tragos, lentamente, para não sucumbir ao desejo de saciar a insaciável sede que me fustiga. *** São lentas as horas, os meses, anos... E frágeis são os músculos retesados de meus braços, ombros e pernas. Por isso também, tenho minhas tarefas conforme minhas condições. *** Não posso realizar aquilo que não sou capaz. *** Seria ser contra a natureza das “coisas” todas. *** E tudo possui sua medida exata e seu peso exato. *** Todavia, o que ouso?. Carregar sobre os ombros o fardo que não sou capaz?. *** Jamais peço que me compreendam. Sequer consigo que me deixem em paz. *** A minha certeza é um poço escuro e abarrotado de incertezas. *** Quando sinto-me vazio, talvez eu esteja mais próximo da certeza. *** Porque o vazio é um silêncio. *** E o silêncio não é a negação nem a afirmação das coisas. *** O que mais posso querer ser além do que tenho sido?. *** Como o violonista jamais sabe tudo e está sempre aprendendo, assim é o viver e o ser. *** Contudo o que posso afirmar hei aprendido?. Ou ainda possa vir a aprender?. *** A paz, para mim, está em não desejar. Negar o silêncio e sê-lo eu próprio. *** Como negar a existência e ser a própria existência?. *** Não estou próximo nem distante. Não estou dentro nem fora. Eu sou. *** O ser a própria proximidade e distância; o dentro e o fora, é ser o Princípio. *** Feito o filho que está por vir eu estou por ser.. *** Mas sou o que encontra-se naquilo que é. *** Eu sou e estou em tudo e em todos. Na faísca do céu, no silêncio, na dor, na mentira, no medo no sim e no não. Eu sou e estou em meu próprio ser. Eu sou tudo e nada sou sendo. *** De forma que sou o que sou. *** O Princípio de todas as coisas e causas encontra-se no princípio do ser. *** O caso é que não defino o ser bom ou mau. Mal ou Bem. *** Contudo, suas ações são definitivas. E refletem a natureza daquilo que se é. *** Temos sido superficiais todo o tempo. *** E, sobretudo, vivido num tempo de aparências. Em que, as aparências, são a causa do ser. *** E as regras do viver. *** E, sendo assim, nunca temos sido o que realmente somos. *** Mas sim, o que representamos ser. *** Através das aparências. *** Por isso, temos sido, muito pouco autênticos e naturais. *** Acercamo-nos do irreal, da fantasia.. *** E tornou-se extremamente raro conseguirmos ser o que somos. *** Medo em sermos simplesmente. *** Ou, tão somente. *** Desejamos ser sempre algo que jamais seremos. *** Eis o nosso erro. *** E eis a virtude dos que são o que são porque têm que ser, naturalmente. *** Por isso, tenho procurado simplesmente ser eu mesmo. Ainda que as pessoas insistam em dizer-me que talvez eu pudesse ser isto ou aquilo... Quero dizer: “Algo ou alguém melhor do que aparento ser”. *** Contudo, questiono: melhor em que sentido? *** Talvez ocupar, conquistar um lugar de destaque na sociedade?.. *** Todavia é algo que, sinceramente, não me atrai nem um pouco. *** Sinto-me bem como sou. *** Apenas não consigo adaptar-me muito bem àquilo que denominam “regras e hábitos sociais”. *** Talvez eu nem deseje. *** É. Creio mesmo que não!. Não conseguiria jamais ser o que sou, tendo que adaptar-me “aos costumes e hábitos sociais”. *** Isso tem tornado as coisas difíceis para mim. Sobretudo, devido a minha profissão. *** Ainda assim, procuro conciliar-me com tudo isso. *** Creio que, necessariamente, não exista a plena e total liberdade, sem, sobretudo, que se faça cumprir determinados deveres sociais. *** Tenho plena consciência dos deveres essenciais, embora, preferisse a minha liberdade total e plena. *** De qualquer forma, esse ponto de vista, demonstra alguma impossibilidade quanto a viver-se e ser algo que realmente desejamos. *** Eu não desejo ser obrigado.. a ser aquilo que não sou. *** Desejo somente seguir o meu próprio caminho. *** Tentar fazê-lo através de meus próprios meios. *** Sem que interfiram. Sem que me coíbam. Ou, tentem persuadir-me. *** Não há como forçar — ou porque fazê-lo —, a natureza. *** Por isso, creio seja natural que eu procure determinar qual caminho seguir sem que seja forçado a fazê-lo ou não. *** Às vezes, chego à conclusão que, somos capazes de tudo para, criarmos incontáveis problemas.. Problemas que, acabam afetando a nós mesmos. *** Outras vezes, as pessoas à nossa volta, o fazem por nós. *** Por isso também, sinto-me aborrecido com tudo, às vezes. *** E cansado, sinto-me. Embora, continue vivendo. *** Provavelmente sejam trinta e cinco anos confusos o bastante para deixar qualquer um suficientemente atordoado em meio a tanta complexidade. *** Não que eu tenha nascido pensando dessa forma. *** Mas, muito provavelmente, vivido dessa forma. Como que à parte.... *** Embora possa soar estranho o “vivido dessa forma...”. *** O tempo passa e mal percebemos, enclausurados no cotidiano. *** É como se fossemos programados para algumas poucas e úteis tarefas à sociedade e ao sistema. O que nos impede, simplesmente, de pararmos para pensar e analisar o suficiente para que adquiramos uma visão analítica e uma consciência crítica do que é ser e viver. *** Algumas pequenas coisas que nos tornam ocupados o suficiente para que não percebamos que o tempo passa e, sobretudo, com ele, extinguem-se nossas vidas. *** De forma que temos tido, todo o tempo, uma visão generalizada sobre o ser e viver. *** O que nos leva, obviamente, a formarmos opiniões e conceitos superficiais acerca de questões extremamente profundas e complexas. *** Baseado em tal conceito, admito que jamais um homem é capaz de ser o que é, realmente. Mas sim, tornar-se algo. Talvez um produto... *** Como diz o popular: “produtos do sistema”. *** E ser produto, conseqüência de uma causa predeterminada, da qual não fazemos parte na realidade, é, simplesmente, renegar à própria natureza em sermos o que poderíamos vir a ser por iniciativa própria. *** Ora, a massificação — em todos os sentidos —, é um exemplo daquilo que afirmo. Ou seja: centenas de milhares de pessoas jamais ousaram dar um passo em frente para não contrariarem ou fugirem ao velho padrão e às regras do esquema. *** Isso implica em deixar de ser, provavelmente, algo mais do que somos persuadidos a sermos. *** Todavia, procurar fugir às regras impostas implica, necessariamente, em ousar, desafiar e até mesmo, transgredir. *** Não estou referindo-me em ferir leis e determinadas obrigações. Mas sim, em não deixar-me cativo e inoperantemente impotente diante de um sistema e um conjunto de regras e interesses que venham ferir minha liberdade e capacidade de discernimento. *** Um exemplo comum no que tange à nossa prisão e, sobretudo, incapacidade, são as imposições sociais e econômicas das quais dependemos para que possamos viver. De certa forma, claro. *** Um ser humano que inicia-se no trabalho aos 10 anos e aposenta-se aos 65 anos; em regime praticamente absurdo às circunstâncias da vida moderna, de ter que trabalhar 8 horas por dia, por melhores que sejam as condições de trabalho oferecidas, raras são-lhes as oportunidades para o discernimento. *** Muito provavelmente, tal ser, acaba o dia extenuado e sem condições para qualquer análise mais profunda sobre porque e a que veio ao mundo. Da mesma forma, aos 65 anos, dada a natureza do organismo humano, a ociosidade de uma aposentadoria, torna-se pateticamente doentia. *** Dessa forma, têm-se vivido. E, é dessa forma, que eu desejo não ser obrigado a sucumbir. *** Porque toda a plenitude e capacidade de discernimento; de emprego de energia; pensamento e criatividade, nos florescem na infância e até em determinados anos quando adultos. *** Não que o idoso não reuna condições para criar e desenvolver uma linha lógica e clara de raciocínio que venha a beneficiar-lhe. *** Todavia, na imaturidade, não se define precisamente o caminho a ser trilhado. Por isso tantos erros. Como o erro da profissão, por exemplo. *** Da mesma forma, para o ancião, não seria deveras constrangedor, revolucionar inteiramente todo um processo e uma existência?. Talvez até impossível devido às circunstâncias que certamente inibirão uma possível tentativa. *** De forma que, tais complexidades na existência de um ser humano, somente são descobertas e visivelmente transparentes se ele busca, a partir da adolescência (até a meia-idade, creio), as causas, princípio e fins e cria uma filosofia que o salvaguarde da ordem geral do dia. *** Ou seja, que ele desenvolva por si próprio, a capacidade de pensar e agir fora daquilo que lhes determinam as regras do jogo. *** Creio que eu tenha começado a trilhar esse caminho demasiado jovem. *** Provavelmente aos 11/14; e aos 20, sentia-me extasiado e, a bem da verdade, abarrotado de problemas. Sobretudo, sem saídas. *** Aos 30 anos, pude constatar que, não somente não havia saídas como, havia caminhado o suficiente por um caminho sem volta. Um processo sem retorno. *** Então, desse no que desse, eu já não tinha muita opção.. Senão, seguir adiante. E o fiz. E o tenho feito. *** Confesso que, na maioria das vezes, de forma atabalhoada, tendo que, conciliar-me com a vida lá fora e os problemas sociais, políticos, econômicos e existenciais de modo geral... *** O impasse entre o meu jeito de ser, pensar e agir e, o jeito de ser, pensar e agir de outras pessoas, não nos coloca em situações constrangedoras e de confronto o tempo todo. *** O confronto real, eu diria, ser proveniente dos meios atribuídos ao sistema; à máquina. *** Este sim, tem-me causado certa ojeriza. E, normalmente, uma idéia de resistência inamovível da consciência do que somos ou poderíamos ser. *** Ou fomos obrigados a aceitar. *** Daí, incluso outros tantos conceitos e teses, advém, eu diria, esse meu incessante desejo de saber; de buscar o caminho e, sobretudo, de me conduzir, afirmar, ser, pensar, agir.. *** Ser o que sou, na simplicidade de quem sabe aquilo que realmente é e, o valor que possui, exatamente pela valorização da própria razão de ser. Da personalidade. *** Eu digo não àqueles que vivem dizendo sim ao espelho. Não há nenhum indício de Narcisismo naquilo que defendo. Apenas a valorização justa do ser. *** Bem, de qualquer forma, enquanto há pensamentos, sentimentos, sensibilidade, nada mais natural do que buscar elevar o ser. *** Se se torna insensível, rústico e, sem qualquer anseio do encontro interior, talvez seja então, um caso para a mecânica e a funilaria. *** Estamos nos referindo ao ser humano. Não a máquinas. Não a computadores ou andróides. Algo capaz de pensar sem nutrir qualquer forma de sentimento. Ou algo capaz de sentir, sem qualquer condição de pensar. *** O Ser. Eis a que refiro-me. O Eu. *** Não o Eu egoísta e prisioneiro de suas próprias e tão somente necessidades e desejos. *** Mas o Eu coletivo. O Eu Universal. O Eu Imperecível. Imortal. *** A solidão e o silêncio ensinaram-me a observar as coisas todas à minha volta. *** Sobretudo a procurar algumas vezes, em meu próprio ser, a razão de viver. *** A dor é parte do que somos assim como, a ausência dessa mesma dor, é parte do que buscamos. *** Nós traçamos planos e os executamos ou não. E sonhamos; desejamos; e lutamos por aquilo sonhado e desejado. Ou desistimos. *** Viver é lutar ou desistir. *** Lutar é buscar. Desistir é fugir e deixar com que morra toda a essência do próprio ser. *** A essência do ser são lutas e buscas incessantes. *** E é, através dessas lutas; através dessas buscas que, aprendemos a nossa própria essência e, despertamos em nós o amor pela verdade e a justiça. *** O amor pela verdade e pela justiça, são partes inerentes daquilo que somos. *** Por isso, nenhum ser humano, encontra a verdadeira paz se encontra-se destituído do amor pela verdade e pela justiça. *** A paz para toda a humanidade e seus mais diversos povos, são sentimentos enlevados daqueles que amam a verdade e a justiça. *** O planeta somente será preservado, assim como a natureza, a fauna, a flora, e a própria espécie pensante, se cada um de nós estiver voltado para a luta e a busca incessantes da verdade e da justiça. *** O amor pelo próximo não é caridade, mas sim, verdade e justiça. *** Porque, quando despertamos em nós mesmos, a verdade e a justiça, aprendemos a amar aos homens e toda a criação. E crescemos interiormente. E nos tornamos fortes para a luta e a busca. *** Somente dessa forma, nos tornamos dignos do respeito e do “Sopro Eterno da Vida”. *** Somente dessa forma, aprendemos a despertar cada pequena e poderosa estrela existente em nosso Universo Interior. *** Como filhos, somos pais. Como irmãos e amigos, como amantes da paz e do amor pela verdade e pela justiça; como eternos guerreiros dessa luta e imbatíveis viajores dessa busca, tornamo-nos responsáveis por tudo à nossa volta, e pela própria vida sobre o planeta. *** Somos o que fazemos de nós se, realmente, empreendemo-nos nessa missão. *** Por isso, nada pode nos desviar de nossos caminhos. Nem a dor, nem a solidão. Nem o medo, nem a corrupção. Nem a miséria material, nem a doença ou, a mais extremada agonia. *** Somente nós mesmos podemos abandonar o caminho e, covardemente, nos entregarmos à sorte. *** Não há sorte sem labor. Não há vitória sem luta. E não há honra, nem méritos se, a luta não for verdadeira e justa para que, o objetivo almejado, encontre-se a altura de nossos desígnios. *** Não se alcança a sabedoria senão, através de sacrifícios. Não se encontra a paz, senão, através de muitas lutas. Não se encontra a verdade, senão através da razão. E a razão tem que ser usada com ponderação, sabedoria e justiça. *** Um homem somente torna-se digno de sê-lo, quando, humildemente, desvencilha-se de toda a ilusão e mediocridade; egoísmo e prazeres; intolerância e maldade; ignorância e avareza que, obscurecem o seu ser. *** Dessa forma, torna-se senhor de si e de grandes virtudes. *** Um homem somente torna-se virtuoso quando reconhece suas fraquezas e imperfeições. E, dessa forma, contra elas, trava a maior das suas batalhas. De tal que, ele vence a si mesmo ou, às condições em que jazia inutilmente, para caminhar pelo verdadeiro caminho da virtude e da sabedoria. *** A sabedoria, assim como a paciência, é uma das maiores virtudes do ser humano. Por isso, deve ser usada tão somente pelas causas do Bem, do engrandecimento e esclarecimento do homem. *** A sabedoria empregada com maldade é um desvio da natureza do ser concebido pelo amor. *** A bondade e a boa-vontade para com o próximo, não são caridade. São, indubitavelmente, necessidades da natureza do ser humano evoluído. *** Não falamos em caridade porque a natureza é perfeita e, tudo o que é perfeito, independe de caridade para existir e ser respeitado como algo criado para ser respeitado e compartilhado em sua grandeza e beleza por todos os seres viventes. *** O esclarecimento e o amor pelo ser humano, superam a caridade viciosa e improfícua em suas inúmeras maneiras de ser praticada. *** Quem sabe, uma côdea de esclarecimento, seja mais profícua que uma côdea de pão seco?. *** Se o esclarecimento supera a ignorância, um ser humano esclarecido, talvez encontre-se mais apto a laborar por seu próprio sustento do que, um ignorante de estômago abarrotado pela caridade. *** Por isso, não falemos de caridade, mas sim, de amor, verdade e justiça. *** A justiça não requer caridade. nem o amor, nem a verdade. Porque são, por si, princípios harmoniosos e perfeitos. *** Penso que somos qual o trigo a ser preparado para o pão. A pedra bruta a ser lapidada para o colar de diamantes. *** Por isso, se todas as coisas boas são possíveis e dependem de nossa própria vontade, esforço e dedicação, creio que, a nossa “lapidação” também seja possível e carente de ser efetuada. *** Não viemos à vida somente para passarmos por ela. Visto que, não se passa um único segundo desta vida sem que se capte novos ensinamentos, novas sensações e emoções. Não estamos passando “em brancas nuvens”, mas sim, atuando sobre a natureza e, sendo transformados à medida em atuamos. Como que num eterno aprendizado. *** Tudo o que vive e pensa e age e sente, não o faz em vão. Tudo em nós, ou à nossa volta, ou ainda, no imensurável Universo, tem uma razão de ser e existir. Porquanto, uma razão temos nós em vivermos. Em sermos seres pensantes, agindo de conformidade com nossos princípios, conhecimentos, sentimentos e filosofia... *** Talvez possamos parecer demasiados rústicos, violentos, egoístas, insensíveis e propensos às fraquezas e erros. Todavia, vencidos todos os obstáculos que nos afastam de nossa real natureza, não ser-nos-ia mais gratificante ao fim da jornada, a missão cumprida?. *** Assim somos. Assim é o Eu em cada um de nós, com a sua essência. *** Quiçá, o tempo e nossos anseios, permitam-nos o reencontro com o Eu perdido. *** Porque, ao longo da existência, temos perdido a própria personalidade e a essência do que fôramos. *** A enfadonha ladainha do egoísmo bastardo tem nos legado o temor da entrega. *** A entrega integra. E, é através de tal ato que nos encontramos. *** Mesmo a solidão é um entregar-se. *** Em uma sociedade desumanizada, caótica, cruel e injusta, nos perdemos facilmente na desarmonia.. E deixamo-nos enclausurados no vazio e na imbecilidade. *** Tudo me parece fútil quando destituído de razão. *** O medo tem sido, assim como a covardia, nosso fardo cruel. *** Porque aprendemos a temer a vida e, covardemente, nos escondemos de incontáveis lutas. *** O desafio é parte do processo que nos impulsiona e nos lega forças para que continuemos lutando por nossos ideais. *** De forma que, nosso tempo de vida sobre a face da terra, têm-nos sido demasiado curto. *** E insuficiente nossa pobre capacidade de compreensão. *** A cada dia passado, mais longa têm-se tornado a jornada. *** Contudo, embora a vida, aparentemente seja toda de sofrimentos e desilusão, por menor que seja o quinhão conquistado, a vida toda terá valido a pena ser vivida. *** Não sinto-me triste por ter que partir. Mas sim, por não ter feito muito mais. *** Mais para que, o caminho fosse tornado menos obscuro. *** E outros pudessem encontrar seus próprios passos. *** Não sei o que será o depois. *** Não importa.... *** Porque sei que o depois é uma continuidade do que não sei encontra-se contido no agora. *** Isso talvez seja muito pouco. Ou quase nada. *** Mas é o início de tudo. O princípio da verdade. *** A verdade, obrigatoriamente, tem que ser encontrada em nós mesmos. *** Porque somos o princípio e a própria verdade. *** Somos o Eu que não perece jamais ante o tempo. *** E somos para além da vida e da morte. *** Que nos persigam as dúvidas e aqueles que não crêem. Que nos fustiguem o tempo e o medo. Nada pode mudar o curso dos acontecimentos quando há necessidade de que eles ocorram. *** Não podemos negar o ontem ou o amanhã. *** Por isso, há muito mais importância naquilo que, às vezes, se nos parece absurdo, do que a realidade cotidiana e enfadonha que nos põe a alma cansada e apática. *** Temos que ser a chama e a acha consumida para que, brotemos das cinzas de todos os tempos. *** Se por acaso somos pequenos e frágeis, é porque assim temos que ser. Até que cresçamos e nos tornemos grandes de fortes... *** Esse é o processo natural para todos e para tudo. *** Assim, nos tornamos, consequentemente, o velho e o novo. *** E mesmo nós que nos conhecemos, nos surpreendemos ante tais fatos. *** Estar-se morto ou vivo, é, simplesmente, ser. Ainda que possa soar como que absurdo. *** Ser e estar são processo naturais tanto quanto viver e morrer. *** Retirar o véu que nos veda os olhos para o além-vida, não é como solucionar problemas matemáticos. *** Mesmo porque, sequer sabemos ao certo o que é a vida e o porque dela. *** Se não conseguimos ainda desvendar tais mistérios sobre a terra, como desejamos conhecer os mistérios da alma?. *** Jamais haverá luz no fim do túnel, senão, em nós mesmos. *** Por isso devemos, primeiramente, descobrir a nossa própria luz. *** E, finalmente, sejamos a luz e o próprio túnel com seu princípio e fim. *** Sejamos o passo não dado e o objetivo almejado. *** Sejamos, acima de tudo, aquilo que temos que ser. *** Isso, talvez, seja tudo. Isso, talvez, nada seja. *** Feito a certeza e a incerteza do futuro. *** Que o tempo passe e floresçam as primaveras; e brilhem os astros; e sonhem os sonhadores; e façam-se as trevas e tornem-se em luz... *** Que o homem seja o caminho do homem. E suas palavras sejam suas palavras. E suas decisões sejam suas decisões. *** Que o homem faça a si próprio como quem planta e colhe e alimenta-se de seu próprio esforço. *** Eu não desejo gritar para ser ouvido. Nem impor ao homem o que ele próprio deve descobrir. *** Se cada ser é um Universo diverso em si: com sua própria luz e trevas, assim devemos confiar-lhe sua própria capacidade de transformar e, sobretudo, transformar-se. *** Tudo parece-nos ser eternamente o mesmo, numa repetitividade doentia e enfadonha. *** Mas o que poderíamos afirmar convincentes que, jamais se transforma?.. *** Em transe e em trânsito. Como o planeta a girar. Como um passo após outro. Como uma estação sucede a outra. Como um rio para o mar. Como o vapor para o alto.. *** Tudo se repete aos nossos olhos fatigados. Porque temos a alma e os sentidos embotados de indiferença e ignorância. *** O dia é claro e límpido para aqueles que trazem em si a idéia de um dia claro e límpido. *** Se se nos torna a vida, uma tarefa insuportável, é porque se nos torna insuportável o pensamento sobre o viver. *** De tal forma que, nós fazemos com que a moléstia brote em nosso próprio organismo. *** A moléstia da descrença naquilo que somos e desconhecemos em nós. *** Não há dor que perdure eternamente. Nem há alegria que se nos torne otimistas por tempo indeterminado. *** Tudo tem início. Porquanto finda. *** Tudo é um ciclo. E todo ciclo, tende a ser causal. Isso ocorre para que, procuremos compreendê-lo no intuito de que possamos compreender a própria existência do ser. *** Tenho em meu ser inata esperança de que um dia, eu possa chegar a uma conclusão insofismável sobre a existência. *** A natureza do ser em toda a sua complexidade. *** A evolução e o destino. *** A espiritualidade e seu potencial. *** Mas, oh sonhador!.. Sequer consigo compreender meu próprio ser!. *** Há sobre nossa capacidade de compreensão, um véu de Eras. Sombras da quimera. Fósseis da ilusão. *** Porque tudo o que buscamos sempre o fazemos por caminhos intrínsecos e, os desvios, nos tolhem a razão. *** E nos perdemos. *** Todavia, meus passos conduzem-me. O caminho é longo, mas meu anseio, maior. *** Minha vida foi e será essa eterna busca. *** Ainda que me faltem recursos necessários e o tempo seja um fator que, delimita fronteiras, hei de lutar contra o tempo e a adversidade. *** Porque sei que em tudo isso; nessa obstinada busca, encontra-se a razão do meu viver e ser. *** Sobretudo do meu Eu. *** De forma que, as horas lentas arrastam-se na madrugada. Porque sou o que sou e nada há o que fazer. Porque encontro-me contido em cada partícula do que tenho que ser. E todos os gestos, pensamentos, palavras, sou. Mesmo o silêncio e o vazio. Tudo à minha volta, sou. Concebo a idéia de meu próprio eu. Por isso, sou um ato, uma concepção, uma idéia. Por isso sou as horas e a madrugada. Tudo e nada. Feito a própria ilusão. *** Todos os dias são iguais e tudo repete-se para que eu possa tornar a igualdade e a repetitividade no inusitado, no desconhecido.. *** Da razão, da loucura e da justiça, a própria essência do ser eu.. *** Como que um ponto, sou. E, estou. *** Como que a causa primeira da existência do Ser Eu. *** Eu sou e estou engendrado. *** Todo princípio, toda causa, todo ser, todo eu. *** A fumaça do cigarro, o orvalho da madrugada, o sorriso, a vida e a morte... Tudo engendra... *** Não ter e sim, Ser. *** Feito o sopro. *** Ser, é tudo e tudo está contido na energia Universal do Eu. *** Por isso, o Eu, é o próprio Universo de todas as coisas. *** Não há pobreza no Eu. Há pobreza fora do Eu. Na negação do Ser. *** De forma que, embora eu possa desconhecer o princípio da natureza do ser, o mesmo eu jamais poderia afirmar quanto ao Ser.. *** Pensar é ser. Sentir é ser. Ser é estar. *** Sou quem escreve. Acima de tudo sou o que escrito. *** Quanto tenho buscado tanto tenho deixado. Porque quando deixo que as coisas ocorram naturalmente, na realidade, estou a inventar novos caminhos que possam, porventura, vir a conduzir-me na busca. *** Se há tantos mundos para além do qual vivemos, porque não sabê-los realmente existentes?. *** O concreto, palpável, que se prova como quem toca uma laranja ou uma parede, a mim, parece-me pueril. *** Porque hei de satisfazer-me com palavras e teorias que afirmam mas nada provam?. *** Por isso, sou o que jamais descansa. O que jamais diz sim por dizer. *** Tudo me atrai segundo sua natureza. *** Nada me atrai se tudo já sei. *** O que posso dizer é, já não me instiga. *** Por isso abandono o que já foi realizado. *** Primo pelo que não foi ainda. Mas que, poderá vir a ser. *** Talvez tudo não passe de mera ilusão.. Contudo, o que é ilusão, senão um caminho através do qual também aprendemos?. *** Quanto a forma de ser o que dizer se a cada momento nosso estado de espírito nos faz parecer ora uma pessoa, ora outra?.. *** Mais ou menos como que a influência do temperamento pessoal de cada ser. *** O que há para além de nós mesmos que, seja mais importante do que a descoberta de nosso próprio Eu?. *** Não podemos chegar a lugar algum sem que antes, cheguemos a nós. *** Não possuo a medida exata ou a fórmula de como ser. Simplesmente Sou. *** Como o sonhador que possui sim, a convicção de que seu sonho não é em vão. *** Tudo passa com o tempo e nada do que fora, volta a ser exatamente.. *** Nada recua no tempo pois que, a natureza do ser, é a própria evolução. *** Todas as manhãs, por mais idênticas que possam parecer aos nossos olhos, diferem entre si. *** Assim como o Ser, a cada nova manhã, faz-se em “outro”. *** Hei que divagar — em meus escritos —, a questionar a vida que nos envolve. *** Mesmo porque, a vida, é o próprio alimento do ser. *** A vida e seus ensinamentos, tornam-se parte da essência do ser. *** Assim como ser é vida. *** Porque haveria eu de escrever ou respirar ao longo de todos esses anos, não houvesse um objetivo?. *** Da consciência de ser. Jamais da obrigação. *** Defendo o direito de liberdade e, respondo por cada ato conseqüente dessa mesma liberdade. *** Vivo a valsar no palco da existência tendo por companhia, meus próprios fantasmas. *** Certa feita, cansado de tudo à minha volta, desejei ser a nulidade em minha própria existência. Contudo, o próprio ar que eu respirava, negava-me tal intento. *** Então pensei que pudesse — sobre o planeta —, existir alguém que compreendesse o meu jeito de ser e viver. *** Entretanto os sonhos — às vezes —, são meros sonhos. *** Por isso também, eu jamais afirmei convictamente, compreender alguém. *** Talvez possa parecer precipitado afirmar que, não haverá compreensão — jamais —, entre os homens. *** Todavia, confirmo: — precipitadamente —, jamais haverá. *** E corro para minha gaveta particular de sonhos e fantasias. *** Eu vivo eu. Eu sou Ego. Eu sou egoisticamente. Todo o manancial de sonhos trancafiado na velha gaveta. *** Não há acesso, caminhos ou chaves para a gaveta de meus sonhos. *** Somente Eu sendo o que sou porque sou possuo a chave e o segredo de cada sonho. *** Por isso, morri ontem para viver o hoje. *** Por isso sei exatamente Da Vida e da Morte do Ser (*) *** E digo a todos: — Estou vivo!. *** E calo-me e nada digo se nada há porque ser dito. *** E porque sei que a verdade é mentira e a mentira é verdade, digo sim ao silêncio. E grito não a toda e qualquer forma de explicação. *** Nada há objetivo em se escrever ou respirar. Eu contradigo o dito anteriormente. *** Porque hei de concordar eternamente com tudo aquilo que acabei de afirmar há pouco?. *** Então não sou o que sou. *** Nunca estou no que está. *** O Eu não é. *** Não tenho obrigatoriamente, que ser. *** Assim como há mediocridade em tudo ser ou nada.. *** Porque confundir o explicado ou explicar o confundido? *** Estou morto mas vivo. Vivo mas encontro-me morto. *** Eis toda a filosofia da anti-filosofia. *** Porque engendrar filosofia na filosofia?. *** O vazio no vazio?. *** O nada no nada?. *** Porque tomar um ponto de referência inicial numa linha evolutiva de pensamento se ao fim da linha há um ponto de referência inicial... *** Pobre de nós, os cativos!. *** Escravos do medo e da vergonha. *** Escravos do ciúme e dos desejos. *** Escravos dos costumes e do tempo. *** Pobre de nós, escravos!. *** Pobre de nós que somente caminhamos por um único caminho e que nenhum atalho nos atrai!.. *** Pobre de nós, escravos da ignorância!. *** Covardes, frágeis e indecisos!. *** Pobre de nós que seguimos à risca o que mestres deste tempo nos impõe!. *** Pobre de nós que desconhecemos o outro lado da vida. *** Nós que nos orgulhamos de nossa conduta impecável. *** Nós que ostentamos, orgulhosos, uma imagem imaculada. *** Pobre de nós, agrilhoados ao desejo de posse!. *** Queremos o poder!. *** Queremos, estamos famintos de tudo!. *** Não importa o preço!. *** Às favas tudo em nós que nos aprisione!. *** Fora, fora tudo!. *** Fora qualquer coisa que não seja desejo. *** Sede, fome, ânsia!. *** Tudo é tudo aqui e agora! Então dane-se o resto!. *** Pobre de nós os sóbrios. *** Pobre de nós os excessivamente justos e corretos!. *** Nós os eretos na empáfia do caminhar eretos. *** Nós, os que seguimos etiquetas e jamais vilipendiamos porque não é justo. *** E, arrancamos a trave de nossos olhos pecadores. *** E cortamos a mão direita para que ela não saiba o que de errado realizou a esquerda. *** E cortamos a língua para que não sejam as palavras, o caminho para a perdição eterna. *** Pobre de nós que, sequer movemos um grão de mostarda, quando teríamos que mover montanhas!. *** Pobre de nós, enclausurados nas vísceras dos répteis. *** Nós que nos orgulhamos de nossos atos e palavras para que não esqueçamos que ainda somos humanos!. *** Ah, nós!, rebanho desgarrado dos poucos que ainda não se perderam e, jamais renegaram a própria mãe. Ainda que ela fosse a dócil prostituta. *** Pobre de nós, verdugos de nós mesmos e, sobretudo, de um Deus esculpido em madeira rústica e, roída pelas traças do tempo!. *** Eu estou aqui!, eu disse. Eu jamais estive aqui!, eu digo. *** Estou esperando as brasas apagarem-se por si próprias. *** Estou esperando o vento soprar as cinzas. *** Eu estive sempre, sempre esperando. *** E sequer descobri porque tanta insistência. *** Então eu disse: pobre de mim que ainda teimo em esperar. *** Pobre de mim a observar meus semelhantes na longa espera. *** Pobre de mim que sempre fui para onde qualquer um de nós pode ir. *** Pobre de mim que jamais consegui sair do mesmo lugar!. *** Contudo, ainda estou esperando. *** E consultei as Escrituras Sagradas e Profanas; e corri para o espelho e sequer reconheci meu próprio rosto. *** E fiz das noites vividas as mais longas que alguém jamais viveu. *** E derramei lágrimas pelas pedras do caminho. *** E sussurrei versos às paredes para não despertar os loucos e os deuses. *** E embriaguei-me para bradar ao espelho: — Vê? Não somos nada! Ou melhor, somos tão pouco que, sequer valemos o nada!. *** E perdi sempre! E apanhei sempre! E fui reles. E fui vil. E arrastei-me na lama. *** Porque era natural que eu escarafunchasse os dejetos dos porcos!. *** Sim, ainda estou aqui. Desenvolvi essa louca capacidade de esperar. *** Essa paciência imensurável. *** Ainda que jamais soubesse o que esperava. *** Justiça, bondade, igualdade de direitos, liberdade? O que são todas essas coisas?! *** Sobretudo, porque esperar por coisas assim que, sequer sei se existem? *** E se existem, para que servirão quando eu as vir?. *** Eu, eu, eu! Dentro, fora! Todo o Ser e jamais ser. Nada de nada! Ou tudo é o mesmo não!. *** Tenho visto pássaros; tenho visto flores; (os lírios que sempre vestiram-se de forma mais bela que o próprio rei Salomão); as estrelas, os riachos; os miseráveis; os corruptos... A tudo tenho visto e procurado sob o sol e o céu.. *** E li que sob o sol nada havia que esperar de novo. *** Continuo esperando. Vou continuar. Teimosamente. *** E mesmo na hora da partida definitiva, estarei esperando. *** Porque Ser o que se É, não passa de loucura!. *** Dessa forma, fez-se o caos e as trevas. *** Porque cada um fala a sua própria linguagem. *** Cada um escolhe o seu próprio caminho. *** Cada um bebe da fonte que lhe aprouver saciar sua sede. *** E tantas fontes há! *** Por isso, a cada nova sede, fui beber em fontes diferentes. *** Fui confuso, bem sei!. *** Mas o que é a confusão para a eterna espera do não saber o quê?!. *** Tanto que ontem, enquanto olhava para os dedos dos pés, enlouqueci de vez. *** E não foi tão ruim. *** Dialogamos demoradamente. Eu e os dedos de meus pés. *** Mas não sei porque “meus”.. *** Porque “meus pés”; “meus dedos”; “meu filho” “minha vida”... *** Não chegamos a conclusão alguma. *** E os dedos nas pontas dos pés adormeceram em paz, creio. *** Então eu disse à loucura que viesse e fosse naturalmente o que tinha que ser. *** Mesmo porque, acho que a própria loucura tem que ser o que é. *** Não o que fazemos ou, desejamos fazer com o que ela seja. *** Ela riu e mostrou-me em seu vídeo, as várias formas e facetas que lhes eram atribuídas pelos humanos. *** Evidentemente, foi-me impossível não gargalhar até às lágrimas!. *** Guerras, suicídios, chacinas, mendicagem?... *** Droga!, eu disse. *** Então, ela parou pasmada. *** É isso: não estou preocupado com você. Não vejo, sinceramente, nada de excepcional em ser louco. *** Então por Ser o ser que Sou, veio-me um sentimento estúpido de culpa e tristeza porque, pobre loucura, não pôde compreender aquilo tudo que eu lhe dissera. *** De forma que passei o resto da noite feito Quixote, batendo-me contra os moinhos da tristeza e do sentimento de culpa. *** O travesseiro insinuosamente sugeriu-me um sonho. Um sonho indesejável.. *** Porque sempre houve uma certa discrepância entre a razão e o instinto. *** Voltei a divagar e a vegetar. Chega um momento em que a gente já não consegue sentir mais nada. *** Resta um vazio deslizando sobre as águas serenas de outro lago vazio. *** Procurei-me. Onde havia parado? Onde encontrava-me? O que fazia? Por quê?... *** Há muita seriedade! Demasiada. *** De tal forma que, desisti. *** Da mesma forma que desisti de esperar por algo que eu jamais soube. *** Eu disse: o Ser é o Ser. E o Eu é o Eu. E ambos, talvez... *** No mais, senti-me exaurido. *** Olhei para o dia vindo e esbocei um sorriso. *** E, antes de deitar-me, concluí: — Deus não é o que pensam. Deus, o que é?.. *** Não somos Deus. *** Nada! Absolutamente nada desejo ser!. *** Nada além dessa ilusão de ter sido o que fui. *** Mesmo porque, ter sido o que fui, não foi uma tarefa tão fácil quanto o Eu estar sentado ao lado do Pai. *** De qualquer forma valeu a pena. Tudo sempre vale a pena. *** Amanheceu mais uma manhã e continuo exatamente o mesmo: Eu!. *** E olho para as pessoas que carregam seus fardos. *** E olho para os povos que carregam nações. *** E olho para tudo e não posso crer que eu já consiga ver alguma coisa. *** Amanheci pensando em como é ser Deus... *** E percebi que alguns homens pensam que são. *** E eu disse que eu não. *** De forma alguma!. *** E eu mirava o espelho e via o Universo. *** E meus pulmões ardiam por causa da fumaça dos cigarros. *** Então eu disse: frágil!... Sou frágil demais!. *** E algumas pessoas disseram-me: — Seja Deus!. *** Eu disse: não!. *** Então disseram-me: — Seja um pássaro!. — Um dromedário, talvez?. *** Mais uma vez eu disse não. *** Porque eu não posso ser o que não sou. *** E nem o que querem que eu seja. *** E olhei para um monte de pedras e concluí: “Quanta pretensão!”. *** E tentei olhar para onde pudesse ver Deus. Contudo, nada vi. *** E fez-se um vazio em meu ser. *** E pensei no vazio que há em ser. *** Porque o Ser, às vezes, é somente um vazio. *** E pensei em tudo o que eu já havia dito até então. *** E parei de dizer coisas. *** E permaneci quieto, calado, estático. *** E o tempo passou. *** E a vida, sendo extinta. *** Em noites e dias idos. *** E concluí que eu, eu havia errado. *** Por isso eu confirmei: “Deus, não!”. *** Porque eu sou somente mais um entre bilhões. *** E eu disse àqueles que ouviam-me: — Eu sou eu. E isto, basta!. *** E tranquei a porta. *** E cerrei janelas. *** E fiei preces. *** E pus entranhas fora, tudo o que achava que sabia. *** Porque era necessário que eu me limpasse. *** E passei um século flutuando pelo espaço. *** E passei um século trancafiado num porão. *** E quando voltei para o mundo e a vida, tudo permanecia o mesmo. *** Então lavei minhas mãos. Então lavei minha boca. E nunca mais ousei dizer coisas. *** Desde então, nada disso importa. *** Desde então, nunca mais pude conviver com as pessoas, em paz. *** Sobretudo porque, nunca nos entendemos. *** E eu nunca fui Deus. *** Alguns, pensam que são. *** Eu, não. Eu nunca!... *** Eu apenas esperei. Todo o tempo. *** Feito um maluco sentado ao pé da montanha... *** Contemplando as nuvens quando claro. *** Contemplando os astros quando noite. *** E perguntei ao vento de onde vinha. *** E ele respondeu-me que há um tempo para tudo. *** Que cada coisa deve ser descoberta a seu tempo. *** E passava a fome.. *** E ela disse-me que, não era necessário que eu a percebesse. *** E partiu. *** E veio a solidão. *** Então, abri a porta e disse-lhe: — Sê bem-vinda!. *** E ela instalou-se. *** E vieram o medo e a dor. *** E eu disse: passem.. *** E os lírios floriam. *** E vieram as sombras. *** E deixei que permanecessem até aprender-lhes os segredos. *** E veio-me a morte. E eu disse-lhe: — Entra se é chegada a hora. *** E ela permaneceu rondando, a espreitar-me. *** E os anos foram passando. *** E outras crianças brotaram das entranhas do ser. *** Feito palavras dos lábios e o trigo nos campos. *** E anjos bradaram as Leis. *** E eu não queria mais saber delas. *** Havia injustiça na justiça. *** Por isso, cerrei os olhos Para consultar o silêncio. *** E o silêncio disse-me: Faz o que quiseres. *** Eu respondi: — Seja feita a minha loucura!. *** E tornei-me indiferente. *** E disseram-me: — Seja mau... *** E eu respondi: — A natureza incumbe-se daquilo que lhe foi designado. *** E disseram-me: — Rouba e mata. *** E respondi: — Porquê hei de matar o que não dei à luz?. Ou tirar de outro o que lhe é de direito?. *** E não ouvi os homens. Porque o que diziam era azedume. *** E não ouvi a consciência. Porque ela, há muito, adormecera o sono dos justos. *** E eu não fui Deus! Jamais serei. *** E havia deuses em número demasiado extenso na lista dos vivos e dos mortos. *** E cada um pregava sua própria doutrina em seu próprio idioma. *** E cada um possuía o seu rebanho e seu reino e seu quinhão. *** Então eu disse a todos: — Eu nada possuo. Portanto, deixem-me em paz. *** E o vento varreu minhas palavras pelos quatro cantos. *** Exausto, adormeci feito um lavrador após a sua tarefa diária... *** E continuei em meu caminho. *** Andava eu pelos caminhos a divagar e a contar pedras. *** Um homem riu e disse: — O mundo está abarrotado de malucos!. *** Passei a contar malucos e a divagar pelos caminhos. *** Então pensei: Se sou maluco, porquê hei de contá-los?. Todos, afinal, são eu!. *** Olhei para meus pés e percebi que eram idênticos. Embora, pudessem não sê-lo.. *** E permaneci observando as pessoas rumo ao trabalho. *** E pensei em não ter que fazer o mesmo. *** Porque a maioria delas, era triste e aborrecida. *** Mas um pássaro, uma formiga, não são tristes quando trabalham livres. *** E passei a sonhar com a liberdade. *** Porque não se é quando não nos deixam. *** E não se é feliz quando se sabe que não há liberdade para ser o que se deseja *** E pensei em ser uma nuvem. *** Mas eu estou em mim. *** Na carne e no tempo. Sob o jugo social. *** E parti para o vale. E passei a sondar as nuvens. *** E ouvi o troar delas. *** Ouvi o assobio do vento. *** O rumor da chuva. *** E concluí: não sei. *** Porque tudo o que sei é que eu nunca soube coisa alguma sobre o mundo e os seres e os elementos. *** E mais uma vez, quedei-me exaurido. *** E desci para os guetos. *** Ali havia miséria e dores. *** Sujeira, farrapos, lixo e homens e crianças. *** E eu disse a mim mesmo que o que eu sentia, não era piedade. *** Talvez, inveja... *** Porque toda a felicidade do mundo, não valeria um único sorriso que dali brotasse. *** E em meio à violência, havia solidariedade entre os farrapos humanos. *** E numa lata de lixo, havia mais ouro do que nos mais abarrotados cofres. *** E senti vergonha dos homens que guardam somente para si e para os seus. *** Dos que, quando sorriem, mostram tudo o que possuem no ouro incrustado nos dentes. *** Dos que caminham eretos porque outros carregam seus fardos. *** E deitei-me em meio aos bêbados, drogados, prostitutas, vadios... E adormeci em paz. *** Eles não roubam a quem não os rouba. Nem ferem àqueles que não os ferem. *** E, primitivamente, sorrimos. Porque não conhecíamos as maravilhas do mundo moderno. *** E os cães vadios eram nossos iguais. *** E dividíamos nossos lixos e farrapos. *** E proferíamos palavrões sem medo e vergonha. *** Porque éramos naturais. *** Como ser o que se é. *** Ali vivi longos anos sendo somente algo simples. *** E não havia vergonha em nada possuir. *** Nem em ter que fuçar o lixo a discorrer sobre dignidade. *** Mas um dia, parti porque, minha alma ainda ansiava pelo saber. *** E aprendi a arte dos loucos. *** Porque a loucura também parecia-me uma forma de sabedoria. *** E vaguei pelas estradas, montes e vales. *** E tudo é o mesmo para os que estão vazios por dentro. *** Mas se pode encontrar coisas novas no velho. *** Então, marquei encontro com a velhice. *** E dela, aprendi a arte da paciência. *** E pensei na vida do mundo contemporâneo. *** E no desvario dos homens de negócios. *** E pensei na fortuna e no acaso. *** E preferi a solidão dos que ousam buscar. *** Mas eu jamais pude quedar-me em paz, feito um velho vagabundo. *** Havia questões demais a serem resolvidas. E muitas estradas a serem percorridas. *** E meu coração continua rolando pelas estradas ainda hoje. *** E o amanhã será para sempre. *** Mesmo que a vida e as pessoas digam não, eu direi sim. *** E o orvalho das manhãs, tornará verde minhas esperanças. *** E o sol aquecerá o meu corpo e o meu coração. *** Porque não vim para aceitar, simplesmente. *** Vim para saber e buscar e saciar a sede e dizer: — Agora sei!. *** E meus pés continuarão a pisar as pedras. *** E meus olhos continuarão a sondar as estrelas. *** E meus lábios, certamente, permanecerão selados. *** Porque cada qual faz o seu próprio caminho. *** E dele aprendi a arte de morrer e viver a cada dia... *** A arte de conviver com os vivos e os mortos. *** A arte de conviver com os párias e os loucos. *** E fiz-me esquecer dos que se fazem de reis ou deuses. *** E renasci a cada passo pelo caminho. *** Por isso, digo não importa. *** Mesmo quando a tristeza vem arrancar-me das mãos, os horizontes conquistados. *** E penso que cheguei ao fim do caminho. *** Mas o caminho não finda jamais. *** E se o desânimo abate-me como que a roubar-me o ontem e a linha do infinito, sento-me à porta da casa e brinco com as pedras e ervas. (**) *** E penso nas crianças que ainda estão sorrindo. *** Então sorrio por dentro. *** E digo, amanhã — o mesmo amanhã que desconheço —, o sol voltará a brilhar. *** E mãos descerram as cortinas dos céus para que o sol, volte a brilhar. *** E a luz volta a derramar-se sobre meus ombros. *** E torno a caminhar. *** Por isso, também, deitei-me à sombra dos outeiros a relembrar-me da infância. *** Porque nela havia o sorriso. *** Mas era destino o menino tornar-se adulto. *** E caminhar ombro-a-ombro com os falsos profetas dos tempos modernos. *** E em cada homem sempre houve um Messias oferecendo o Éden ao próximo. *** E passei ao largo, ignorando suas promessas. *** Porque não se promete a paz ou a felicidade. *** Senão, os caminhos não existiriam para que os escolhêssemos. *** Então, minha alma disse-me fatigada: — Não é mais cômodo seguir pelo caminho mais curto?. *** Eu respondi-lhe: sim. *** E ela compreendeu e respondeu-me: — Está bem, prossigamos então. *** De forma que o caminho, fez-se ainda mais longo. *** E, ao invés de lírios e gramíneas, um tapete de pedras e espinhos feriam os pés. *** Então perguntei: — Senhor, é este o caminho?. *** E Ele perguntou-me: — Filho, é essa a tua vontade?. *** Então pensei: “Seja feita a minha loucura”. *** E os pés ardiam-me. *** E os pés sangravam-me. *** E de meus olhos marejados e fixos no sempre, brotou a fonte. *** E nela, lavei as feridas e as sujeiras de minhas mãos. *** Para que minha alma jamais tornasse a vedar seus olhos. *** E vi o fogo e as luzes. *** O frio e as guerras. *** O sangue e os corpos. *** E pensei que todos os dias eram propícios para se morrer. *** E que todo o pão sacia a fome do corpo. *** E que a água sacia a sede. *** E eu disse à chuva que rolava pelas montanhas e cobria as plantas que brotavam no vale: — Louvada a compreensão sobre a natureza dos fenômenos. *** E as águas inundaram o vale e mataram a plantação. *** Então, eu soube que, não era boa aquela plantação. *** E que, talvez, alguns bons homens a houvesse semeado, cultivado. Mas que, alguns homens sem escrúpulos, somente eles, iriam desfrutar da colheita. *** Então pensei que a natureza era mais sábia que alguns homens tolos que trazem na alma a maldade. *** E que um dia, teriam que restituir em dobro o que roubaram daqueles que trabalhavam a terra. *** E segui meu caminho. *** E senti saudade e falta de atenção. *** Então, passei a dormir junto aos carneiros e a conversar com eles. *** E lhes contava coisas e eles aqueciam-me nas noites de inverno. *** E um maluco passava e disse-me: — Sei que é o seu último cigarro, porquanto, divide-o comigo. *** E dei-lhe o último de meus cigarros guardando somente a frase. *** E aprendi que era melhor pedir do que roubar uma vida por tão pouco. *** E pensei em que havia muitos que o faziam. *** Quando senti fome, pedi ao taberneiro: — Dá-me uma côdea de pão. Pagar-lhe-ei com um dia de trabalho. *** E aprendi que era melhor pagar por aquilo de que necessitávamos ao invés de pedirmos e ficarmos em dívida. *** Porque uma dívida remonta à outra. *** E junto ao mosteiro, deram-me água e pão. E aprendi que agradecer era uma forma de oração. *** Por isso, tomei da flauta e fiz uma canção. *** E eles tomaram vinho e dançaram. *** E sorriam e louvavam a música. *** Então parti e pensei que a música era como que uma prece. *** E voltei para as cidades com suas turbulências. *** E vi assaltos, desentendimentos, explorações e azedume entre irmãos. *** E vi corpos estirados nas sarjetas e filas de famintos e crianças abandonadas... E vi homens que julgavam-se reis. *** Continuei meu caminho e pensei em quanto era estranho e complexo o ser humano. *** E deitei-me nas trincheiras, junto aos soldados. *** E percebi que a coragem era o outro lado do medo. *** E que era necessário se ter medo para aprender a coragem. *** E parei sob palanques e ouvi homens discorrendo sobre Justiça, Direitos e Bondade. *** E vi tantos olhares e ombros abarrotados pela humilhação. *** E desejei não ter jamais, conhecido os homens. *** Mas eles eram parte do caminho a ser trilhado. *** E fui para um canto derramar meu desespero. *** E corri para as sombras com a finalidade de esconder-me para que não visse e nem sentisse. *** Mas a dor, quando latente, deixa para sempre suas marcas. *** Então peguei-me frágil, a chorar feito criança. *** E deixei-me perdido a vagas por lugares sombrios. *** E em cada canto, havia uma dor diversa. *** Embora diversas, eram dores. *** E voltei a enfastiar-me da vida, dos homens e deste mundo. *** E pensei, porquê não colocar termo em tudo? *** E cortei os pulsos e embriaguei-me e cai doente. *** Contudo, meu coração, continuava a pulsar. *** Se eu houvesse morrido, o mundo continuaria o mesmo. *** Então ergui-me e voltei a caminhar. *** Meu coração havia dilatado-se e passara a pesar-me no peito confrangido. *** Porque a natureza, em sua perfeição, não erra jamais. À despeito de nossos julgamentos. *** Então errabundo, tornei a perambular pelos caminhos à esmo. *** E saciei a fome da carne. *** E mergulhei no poço profundos dos prazeres. *** E saciei o animal que manifestara-se em meu ser. *** E gozei dos prazeres da carne. *** E concluí: é bom. *** Por isso, por ser bom, permaneci por longo tempo embriagando-me dos prazeres mundano. *** Mas neles também havia doenças, miséria e dores. *** Então, ergui-me da sarjeta e sem palavras, parti. *** Passei a perguntar às estrelas e ao silêncio, se aquilo era todo o amor possível. *** E um dia, estava eu introspecto a coçar-me as chagas da mente, e pelo caminho, uma camponesa, tangia carneiros a cantarolar. *** Pensei: é somente uma camponesa frágil, a tanger o seu parco rebanho de sonhos. *** E, mesmo sem desejar, passei a ler seus pensamentos. *** Eram tristes e alegres. *** Humildes e simples. *** De uma simplicidade comovente. *** E meu coração apequenou-se. *** E meu coração disse: — Há mais formas de se amar do que de odiar. *** Porque o ódio é de natureza rude e petrifica o coração. *** Quanto ao amor, ama-se até mesmo sem o saber. *** E meu sentimento de amor, foi pela colina, seguindo os passos da campesina. *** Embora eu jamais viesse a ser “o grande amor de seus sonhos”... *** Então eu disse a um melro: — Meu coração anda a vagar por aí, doente de amor. *** E ele cantou em resposta que, o dele, há muito, muito tempo, havia espalhado-se pelo Universo. *** E, sem entendê-lo, permaneci calado. *** Então, ele disse-me: — Às vezes, algo nos parece ser uma coisa. Então, passamos a acreditar naquilo que nos parece ser. *** Lembrei-me dos tempos modernos em que tudo são aparências... *** — Ilusão!... Ele disse-me. *** E meu coração tornou para casa, sangrando. *** Contudo, jamais pude esquecer a pequena campesina a sonhar com um príncipe. *** E quando a primeira estrela cadente cruzou o manto negro dos céus, eu pedi-lhe: — Dê-lhe um bom companheiro que, aos seus olhos e coração, seja maior que um príncipe. *** Ainda assim, jamais pude compreender ao certo, o amor entre os meus iguais. *** E pensei em que, talvez o amor fosse um jeito de orar. *** Ou de plantar e colher-se. *** Ou de dizer palavras e aprender a ouvi-las... *** Talvez o amor, seja conformar-se com a vida?... *** Ou cumprir a sina?. *** Seguir o caminho?.. *** Ouvir os pássaros?... *** Estar às voltas com o jantar do companheiro e da prole. *** Ou respirar, possa ser uma forma de amar. *** Então eu disse: — O amor é um jeito de ser e sentir. *** E concluí: — Eu amo, embora, não saiba como e porque. *** E choveu naquele dia e durante toda a noite, choveu. *** E as águas rolavam dos montes e transbordavam os rios e açudes. *** E o vento girava os moinhos. *** E pensei na vida. *** E pensei no tempo de vida que ainda teria e no caminho ainda por ser trilhado. *** E eu disse a mim mesmo: — Eu!... *** E senti que eu poderia chegar, algum dia, a ser Eu. Simplesmente, “Eu”. *** E volvi meu olhar para os céus, prados, montes, vales, campinas e, percebi que a longa estrada ainda era a mesma. *** E pensei: e me deste a solidão e o silêncio das madrugadas por companhia!. *** Sim, fora dessa forma que, tudo tivera início. *** E que nada havia senão, a certeza de que não existe o fim. *** Que não há fim para aquele que busca. *** Nem para quem se deixa vencido. *** E mesmo exaurido e enfastiado, continuo a vagar pelos caminhos traçados pelos astros, pelo silêncio e pela solidão. *** De forma que, jamais, pude parar e dizer: — Aqui estou. Cheguei ao final da longa jornada. *** E, a cada dia vivido, veio-me a certeza de que o caminho tornava-se cada vez mais longo. *** E tornei a indagar-me: — O que procuro? O que busco?.. *** E, sem resposta, meus passos continuaram encetando a caminhada. *** Um após outro. *** Como que a ilusão da campesina. *** O sonho do poeta. *** O cântico do passaredo. *** O rio correndo para o mar. *** O Eu em busca da essência!. *** Do Eu professo: inalcançável. *** Do Eu dito: inatingível! *** Mas, se o caminho é sem volta, porquê parar?. Ou esperar pelo dia de amanhã?. *** E deixei que meus passos conduzissem o meu corpo. *** E com meu corpo, meus pensamentos, sentimentos e dúvidas. *** E deixei que meus passos seguissem livremente pelo caminho. *** E percebi que o pó das estradas, aninhava-se em minhas roupas puídas. *** E que o tempo e os anos, aninhavam-se em meu ser. *** E embranqueciam meus cabelos. *** E traziam-me a fadiga. *** E punha-me a respirar com dificuldade. *** Os anos passavam. *** E eu sempre acreditei que havia (ou há), algo a ser encontrado. *** E delirava em meus sonhos, tendo ao pé do leito de enfermaria, um anjo a sorrir-me francamente, como quem dissesse: — Levanta-te e cumpre teus desígnios. *** E saí dali novamente para as estradas. *** Mas meu coração e minha mente, estavam confusos. *** Porque, aos poucos, pensei que estivesse cada vez mais distante de tudo. *** E assim, comecei a perder o interesse e a deixar que meu objetivo fosse tornando-se em névoa de esquecimento na memória. *** E passei a divagar e a brincar com as pedras do caminho. *** E dizia a mim mesmo: — Ora, o que procuro, talvez sejam pedras com as quais brincar. *** E passava horas a ouvir o murmurinho da fonte. *** E tornei às colinas para conhecer os povos primitivos. *** Mas não havia grande diferença a separá-los dos povos contemporâneos. *** E desci para as selvas. *** E perdi-me pelos mares. *** E atravessei o planeta. *** E dormi ao relento. *** E percebi que a idade caminhava ao meu lado. *** E, às vezes, sobre meus ombros. *** E fui para as feiras palrar com negociantes e vendilhões. *** E conheci-lhes a astúcia e artimanhas. *** E fugi de suas garras. *** E corri para o trânsito. O sinal fechado para os que são frágeis. *** E operários erguiam construções assobiando. *** E o pão era escasso. *** Então percorri os templos. *** E conheci a hipocrisia. *** E reli as Escrituras procurando o caminho. *** E percebi que meu coração fizera-se confrangido e eu perdia a serenidade. *** E que fora todo o tempo somente um ser obscuro a vagar pelo mundo. *** E caminhei entre as víboras. *** E conheci o íntimo de algumas pessoas. *** De outras, apenas o exterior. *** E vi pessoas e animais. E aprendi tanto com um quanto com outro. *** Mas nem um e nem outro puderam mostrar-me o caminho. *** Então, aborrecido, tranquei-me nas cavernas da solidão e do esquecimento. *** E era como se eu jamais houvesse existido sobre o planeta. *** E eu disse: é bom!. *** Porque eu me cansara de tudo. *** E meditei sobre as condições de vida dos seres. *** E sobre o isolamento. *** E eu disse: nem tudo é bom ou está de acordo com a natureza. *** E nas cavernas havia sombras, medo e frio. *** E a solidão crescia. *** E pensei em que talvez, fosse chegada a hora de deixar a alma em paz e, pôr termo à busca. *** E divisei os astros e os desertos imensos. *** E minha dor fez-se maior que os desertos. *** E minha tristeza fez-se maior que os astros. *** E eu disse: estou cansado e já não possuo mais fé. *** E senti meu coração apequenando-se indeciso. *** E senti meus sonhos esvaindo-se. *** E senti fraquejar em meu ser as forças que me empurravam pelos caminhos. *** E desejei a paz. *** E desejei livrar-me do fardo. *** Mas o sol veio e adentrou a caverna e derramou luz pelas sombras do meu ser. *** Então pensei: ainda não é o fim. *** E me preparei para sair e novamente seguir meu caminho. *** E vi que após tantos anos de recolhimento voluntário, o mundo era o mesmo lá fora pelos caminhos. *** Eu, contudo, havia mudado. *** Sim, as agruras do tempo haviam-me transformado. *** Porque eu crera — todo o tempo —, que o caminho mais árduo fosse o melhor caminho. *** Porque viver cada dia era a melhor forma de aprendizagem. *** E a “Escola da Vida” é para aqueles que assumem seus fardos. *** E que, apesar do peso, aceitam o desafio. *** E eu havia aceitado. *** Por isso, ergui-me e disse: Bom dia, sol. *** E disse ainda: Olá, minha vida, como vai? *** E atirando meu fardo às costas, voltei a caminhar. *** E vi que não era ruim. *** E senti renascer em meu ser, cada sonho. *** E o “velho” rejuvenescia em meu ser. *** E o medo havia se dissipado. *** E o cansaço havia desaparecido. *** E a tristeza fora-se para distante. *** E meu corpo torna-se leve. *** E eu disse: é bom! *** E eu pensei: vou conseguir. *** E encetei os primeiros passos. *** Feito uma criança. *** E aqui estou novamente. *** Seguindo meu próprio caminho. *** Cumprindo a minha sina na eterna busca. *** E cá estou: refletido pelo espelho do mundo, olhando de frente para a vida. *** Feito um velho veleiro sem cais para atracar. *** Que o vento sopre as velas do meu viver. *** Irei para onde meu coração me disser: vá! *** Porque eu estou aqui e agora. *** E não encontro-me em parte alguma. *** E estou em todos os lugares do mundo., *** Feito um peregrino a atravessar fronteiras sem ter onde recostar meu corpo alquebrado, vou. *** Os astros guiam-me e as estradas me levam. *** Conheço de cor cada nova estação. *** E sei que jamais chegarei a lugar algum. *** Porque o caminho não tem fim. *** E nunca se diz: basta! *** Porque não há um ponto final. *** E o Eu são todas as coisas e estradas que nos levam. *** E porque o Eu é o próprio Universo em si, eu sou o Universo e tudo o que nele há, *** Cavalgo campinas. *** Sobrevôo os campos. *** Subo montes. *** Desço vales. *** Ardo em febre. *** E tremo de frio. *** Eu estou no medo dos homens. *** No cio dos animais. *** No riso das crianças. *** Na inteligência dos sábios. *** Na dança dos loucos. *** “Sob o claro do luar”. (***) *** Nas trincheiras e no “fronte”. *** Na fome e na doença. *** Nos crentes e descrentes. *** Em tudo o que atraca nos cais. *** Eu sou o segredo das sombras e as próprias sombras. *** Eu sou o grito de dor. *** A terra e o ar. *** A faca e o corte. *** A enxada e o pão. *** Eu sou o brilho das estrelas. *** O parto e o feto. *** As Escrituras e o riso. *** O escárnio e o desprezo. *** O patrão e o empregado. *** O nada e o tudo. *** Eu sou eu. *** E sou você. *** Porque somos o Princípio de Tudo. *** A causa Primeira. *** O Sopro Universal. *** Eu! *** O pária, o proscrito. *** A prostituta, o ladrão. *** Eu, o verso e o silêncio. *** A paz e a agonia. *** Porque somos iguais. *** Embora cada qual faça o seu caminho. *** Ainda que eu diga não, toda a essência do meu ser está contida no essência do Universo. *** Mesmo que eu diga: — Eu difiro de todos porque, cada qual possui sua personalidade. *** Cada qual, o seu jeito de ser e agir. *** De pensar e dizer. *** Seremos sempre o Eu. *** E estaremos em cada partícula do Imensurável. *** Em cada mínima célula da criação. *** No amor pela criatura. *** Porque somos o Eu. *** E cada qual busca por algo. *** E este algo, nos integra e nos torna Uno. *** Nós somos “O que caminha”. *** Ainda que, em diversas direções. *** Mesmo por estradas diferentes. *** Nós somos o Eu. *** E estamos caminhando para um único lugar. *** Ainda que, jamais nos encontremos pelos caminhos, um dia estaremos juntos. *** E não haverá diferença entre nós. *** Nem de raça, nem de cor. *** Nem na procedência, nem no idioma. *** E não haverá mais fronteiras. *** Nem luta, nem ódio. *** Não haverá rico, nem haverá pobre. *** Não haverá tristeza nem alegria. *** Apenas serenidade. *** Porquanto ouvimos: a cada um, será concedida a liberdade. Conquanto, não exista liberdade sem responsabilidade. *** E responderemos por cada vírgula do que dissermos. *** E a cada ato, uma sentença. *** Embora nem saibamos para onde estamos indo, um dia, chegaremos todos a um só lugar. *** E seremos mais que iguais. *** Seremos o Um. *** O Eu íntegro e imaculado. *** Ainda que digamos que tudo não passa de mero sonho. *** Pura ilusão. *** Por isso, hoje caminhamos. *** Por isso, hoje buscamos. *** Por isso, hoje lutamos. *** E sofremos. *** E esperamos. *** E caímos. *** E nos erguemos. *** E tornamos a caminhar. *** Por isso choramos. *** E imploramos e dizemos não porque é necessário que salvaguardemos a dignidade. *** Uns dividem. *** Outros tomam. *** Mas há os que entregam-se. *** Enquanto outros, guardam-se. *** Uns gritam. *** Outros calam-se. *** Uns estão perdidos. *** Outros encontram-se. *** Cada qual com sua receita. *** Cada qual com seus pensamentos. *** Sentimentos. *** Atitudes. *** Desejos e anseios. *** Ninguém estará perdido para sempre. *** E nem há danação eterna. *** Porque nenhuma ovelha de todo o rebanho será esquecida. *** Porque ninguém esquece de si mesmo. *** E luta por salvar-se. *** E luta pela paz. *** E luta pela felicidade. *** E emprega todos os meios possíveis. *** Uns sofrem mais. *** Outros menos. *** Uns permanecem por mais tempo nas trevas. *** Outros quase nada. *** Mas todos encontram a Luz. *** Porque a Luz é para todos. *** Porque todos são a própria Luz. *** E ninguém encontra-se no ócio. *** E tudo e todos evoluem. *** Uns erram mais. *** Outros menos. *** Contudo, a evolução é inerente a todos. *** Uns chegarão primeiro. *** Depois, outros e outros. *** Até que todos estejam e sejam o Eu. *** Porquanto, não haverá descanso. *** Nem paz. *** Nem sono tranqüilo, enquanto um de nós estiver perdido em meio às trevas da ignorância e da maldade. *** Não importa o tempo ou a distância. *** Importa o jamais esmorecer. *** Importa a consciência de que há “algo” a ser cumprido. *** E que não haverá descanso enquanto toda a obra não for realizada. *** Porque não há regozijo para quem encontra-se em falta para com a obra. *** E não haverá pão para aquele que não semear. *** E aquele que usar o seu próximo, mais distante, encontrar-se-á à mercê de seus objetivos espúrios. *** Porque ainda teimamos em aprender através da dor. *** E a dor tem sido nossa companheira constante. *** E nos tem tornado solidários. *** Mas haverá um tempo em que já não mais necessitaremos da dor para que caminhemos solidários pelas estradas. *** E teremos sempre um ente querido ao nosso lado. *** Mesmo aquele que, antes, nos parecia mais um inimigo a ser espezinhado. *** Assim somos. *** Essa é a nossa natureza. *** E Ela precisa ser transformada. *** Por isso, os caminhos são longos. *** E árdua a jornada. *** Porque somos orgulhosos. *** Mesquinhos. *** Egoístas. *** Descrentes. *** E nos julgamos infalíveis. *** Ou sábios ou melhores ou perfeitos. *** E alguns praticam a caridade aos brados. *** E suas obras são ofuscadas por seus orgulhos. *** E uns gritam quando oram. *** E suas preces são ofuscadas pela divulgação desnecessária. *** E outros choram os seus mortos. *** Mas jamais choraram por eles quando vivos. *** E outros ainda abusam do Poder e odeiam aqueles que os colocaram no Poder. *** E outros humilham seus iguais, e esquecem que, algum dia serão humilhados. *** Outros ainda, julgam-se orgulhosos em demasia para ajoelharem-se. *** Contudo, esquecem que boa parte do caminho a ser trilhado, o farão rastejando-se. *** Um julga-se o mais forte. *** Mas há sempre alguém mais forte que ele. *** O outro deixa-se envaidecido de seus dons. *** Mas outros, humildes, o farão parecer ridículo. Porque há sempre, alguém com dons mais aprimorados que os nossos. *** E o filho renegará o pai viciado. *** Mas um dia também será pai. *** E o irmão excomungará a irmã prostituta. *** Mas um dia, terá ele, esposa e filhas. *** E outro ainda, sentirá vergonha da família humilde e problemática. *** Conquanto será um pária porque a família — humilde e problemática —, foi quem o sustentou para que ele viesse a tornar-se doutor. *** Somos da mesma natureza. É o que somos e fazemos. É o que fazemos e, merecemos. *** Não se planta trigo para colher-se pedras. *** Aquele que semear há que colher o que semeado. *** E há cegos que enxergam melhor a vida do que aqueles que nasceram com boa visão. *** E há mudos que jamais pronunciarão “raca”. *** Porquanto, às vezes, é melhor ser cego e mudo. *** Mas aqueles que fecharem os olhos para as injustiças cometidas contra o seu semelhante, pagarão em dobro. *** E aqueles que se calarem quando, necessário defender o justo e humilhado, pagarão em dobro. *** Não dizemos: “Sou perfeito”. Mas sim: “Estamos nos corrigindo e melhorando”. *** Tudo vem à seu tempo. *** Tudo tem a sua hora. *** E tudo tem a sua vez. *** Portanto, precipitações e desespero, somente adiam e nos fazem perder o tempo, a hora e a vez. *** Faremos o que e como desejarmos porque temos a liberdade a nossos préstimos. *** Mas não nos esqueçamos que, responderemos pelos nossos feitos. *** Come, bebe, dorme, se assim te apraz.. *** Conquanto, não te esqueças de teus compromissos e deveres. *** Tudo pode ser ilusório se é o que fazemos ser e desejamos. *** Mas nossos sonhos serão realidade se partirmos do princípio de que, nós somos a própria realidade sobre a qual agimos e interagimos constantemente. *** Não corras demasiado. Porém, não te quedes a esperar pelos céus. *** Nem juntes o que não necessitas. *** O que não podes carregar. *** Somente o tolo troca a paz pela vigília do ouro juntado. *** Porque o ouro somente servirá como alça para o caixão. *** Não abraces o mundo se o mundo não cabe-te num abraço. *** Nem sejas tolo em invejar aqueles que muito possuem. *** Porque eles nunca poderão em vida, dizer eu tenho a paz. *** Faremos aquilo que desejarmos. *** Conquanto que façamos “bem”, ainda que “pouco”. *** Deixa o teu vizinho em paz e cuida do que te cabe. *** Não perca o tempo com futilidade. *** Há muito o que ser feito e poucos para a realização. *** Escreve, lê e aprende. *** Conquanto, saibas fazer uso do que aprenderes. *** Digo: sou livre e faço o que quero. Porque todos temos o direito. *** Contudo, se perco meu tempo a pisotear pérolas na lama, estarei a fazê-lo de forma deliberada. *** A consciência é o nosso próprio verdugo. *** E se pratico um crime e não sinto-me culpado, o problema é somente meu. Porque maior que a justiça dos homens é a justiça de Deus. *** Por isso , responderei pelos meus atos também. *** Ninguém possui o direito de limitar meus direitos. *** Nem de coibir-me. *** Nem de persuadir-me a fazer o que não desejo. *** Por isso aprendo a pensar Através de meus próprios conhecimentos. *** E possuímos o dom das palavras e da compreensão. *** E possuímos a paciência e o dom do perdão. *** Por isso não diga: “Aquele não presta!”. *** Nem arquitete vingança contra aquele que te prejudica. *** Porque a ignorância é mãe dos insensatos. *** E somente o ignorante prejudica ao seu irmão e, concomitantemente, a si próprio. *** Segue o teu caminho e procura ser justo. *** Não ofenda o próximo, ainda que ele venha a dar motivo.. *** Desvencilha-te do ódio porque ele corrói a alma. *** Não despreza o varredor de rua porque, o que teus olhos vêem, talvez tua alma desconheça. *** Aprende a ser bom e justo para consigo mesmo. *** De forma que tua bondade e justiça estendam-se aos teus iguais. *** Não faças alarde do que deve ser mantido em segredo. *** Não desvies do teu credor para que não sejas chamado de mau-pagador. *** Paga o que deves. *** Não engana aquele que, por falta de oportunidade, não aprendeu a somar. *** Lembra-te que nem todos encontram-se no mesmo nível de conhecimento e sabedoria. *** Não peças de volta o que destes. *** Nem mesmo a atenção. *** Nem o carinho. *** Nem a amizade. *** Nem o amor. *** Se não retribuem-te, há um motivo. *** Ou não mereces, ou, de quem esperas a retribuição, trata-se de pessoa ingrata. *** O ingrato também tem a sua vez. *** Nunca te queixes do pão sobre a mesa. *** Ainda que seja parco. *** Ou mesmo envelhecido. *** A cobiça adoece a alma dos tolos. *** O que não é teu, não é. *** Se te julgam louco, não importa. *** Porque a loucura pode ser o sol da razão. *** Mas seja louco em teu canto. *** E não perturbe o sono do teu vizinho. *** Diz: eu tenho amigos porque esforço-me e prefiro tê-los a ter, um único inimigo. *** E seja fiel aos teus princípios. *** Conquanto, respeita os princípios daqueles que te cercam. *** Não tires jamais de quem não tem. *** Nem tampouco daqueles que muito possuem. *** Seja correto e se atiram flechas, esqueça porque, não podem ferir mais que a ignorância. *** De que vale a esmola ao pobre se, não o conscientiza de que é capaz de plantar e colher?. *** E mantenha-se sereno durante a contenda. *** Respeita a tudo e a todos. *** Somente o ignorante berra pelas ruas: “Lincha!”. *** Porquanto, saibas que uma vida é sagrada. *** Por pior que possa parecer aquele que a respira. *** Nem a uma formiga, rouba a vida se puderes evitar. *** Não maltrata o teu cão, nem o cão do vizinho. *** A tolerância é uma virtude. *** Se adotas, cuida. *** Porque és o responsável por aquilo que vier a ocorrer com o teu semelhante ou o teu animal quando adotados. *** Nunca clame: Deus!.. *** Porque Ele sabe onde estás, e o propósito final. *** Nunca discorras sobre o que desconheces. *** É melhor um sensato calado a um tolo a falar pelos cotovelos. *** Não tira a folha de uma árvore. *** Nem atire detritos à fonte. *** Não aprisione os pássaros. *** Nem arrebanhe do rio o peixe, senão para alimentar-se. *** Não maldiga a chuva se ela inunda a tua casa. *** Nem maldiga o sol se ele queima a tua plantação. *** A natureza é perfeita. *** Nós sim, cometemos erros todo o tempo. *** Ouve as palavras que edificam. *** Não dê ouvidos a mexericos e difamações. *** Deixa de lado o teu violão e teus prazeres para atender a quem necessita de atenção. *** Não derrame lágrimas por aqueles que partiram. Mas sim, pelos que ainda têm muito a caminhar. *** Não esconda-te da vida. *** É através do exercício do dia a dia e dos aborrecimentos que nos tornamos mais fortes e aptos... *** Não sofras por coisas que ainda não ocorreram. *** O pessimismo é o caminho dos fracos. *** Não te curves ante os homens. *** A educação possui seu limite. *** Não endeuse os que são semelhantes a ti. *** Isso é ridículo. *** Nem seja demagogo. *** Isso também é ridículo. *** Responde com ponderação e desarmarás o furibundo. *** Sê o que é e basta. *** Isso é o correto. E é tudo o que tens que ser. *** Porque, pobre daquele que, deseja ser o que não é. *** Isso é tudo e todo o Eu. Porquanto, pensa e busca a Verdade. *** São José do Rio Preto, 1.992. Mauro Gonçalves Rueda. Notas (*) — Livro escrito pelo autor em caderno de capa dura, em um único poema contendo 200 páginas (**) — Leia Fernando Pessoa (***) — Show musical montado pelo autor e o Grupo Garranchas ©2003 — Mauro Gonçalves Rueda maurorueda5@hotmail.com Versão para eBook eBooksBrasil.com __________________ Janeiro 2003 KOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Romanhr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Romanhr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Romanhr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Romanhr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Romanhr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Romanhr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Romanhr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Romanhr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontKOREAEBOOKSTYLEFILE_1.1.0/k E9Times New RomandefaultdefaultTimes New Romanhr_file_0 para0hr_file_0 para0Times New Romanhr_file_0 para1hr_file_0 para1Times New Romanhr_file_0 para2hr_file_0 para2Times New Romanhr_file_0 para3hr_file_0 para3Times New Romanhr_file_0 para4hr_file_0 para4Times New Romanhr_file_0 para5hr_file_0 para5Times New Romanhr_file_0 para6hr_file_0 para6Times New RomanbrbrTimes New RomanparaparaTimes New RomanfiggrfiggrTimes New Romanfig.contfig.contTimes New Roman tablepara tableparaTimes New RomanlistparalistparaTimes New RomanfontfontJFIFHHC    $.' 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