KOREAEBOOKDOCUMENT1.2.0Defesa Com FacasJ.R.R. Abraho - Pedro Cavalcante - Ricardo NakayamaEditora SupervirtualeBooksBrasil.comϥ=para.xmlcapa.jpgnormal.stypara.xml smaller.styD small.sty normal.sty~ large.sty( larger.sty2)(capa.jpgZ logo.jpgf1.jpgInN 2.jpgw3.jpgl%4.jpg&5.jpgm6.jpg97.jpgV_B8.jpgz9.jpgh10.jpgZ&11.jpg"(%12.jpgM)13.jpgw314.jpgz'15.jpgeuA16.jpg"17.jpg718.jpg}Q19.jpg4h20.jpgLy21.jpg22.jpgȜ23.jpgQW)24.jpg525.jpg/26.jpg-k27.jpg D?(28.jpgHl_29.jpg0d30.jpg@0 d31.jpg S32.jpg 33.jpg S34.jpg 6A35.jpg' MK36.jpg-s +37.jpg n#38.jpgQ %39.jpgi /40.jpg 6*41.jpgUA L42.jpg/ G(43.jpgv 50.jpg D 51.jpgF 8 52.jpg~ 53.jpgo 54.jpg55.jpg 56.jpg9 57.jpg ,58.jpg;59.jpgBG59a.jpgJ-59b.jpg 63.jpg T64.jpg^865.jpg66.jpgn67.jpg68.jpg69.jpg170.jpgMGu71.jpgY72.jpgs73.jpg874.jpg75.jpg6I0.jpg76.jpg77.jpg(78.jpg"V79.jpge=,80.jpgPjp81.jpg}#82.jpg۠83.jpgȾ_)84.jpg' 90.jpg:0 91.jpgj 92.jpgI  93.jpgXw 94.jpg}95.jpgL<! 99.jpgmG{100.jpgY101.jpgkV 102.jpg>uE103.jpg104.jpg104a.jpg۝c105.jpg>106.jpgE 108.jpg_109.jpgw110.jpgS111.jpg 112.jpg 113.jpgW114.jpgI +115.jpgtl 116.jpg#$ 117.jpg0 118.jpg=119.jpgU$ 120.jpga| 121.jpgkl 122.jpgv2 123.jpg 124.jpgٍ$ 125.jpg 126.jpg< 127.jpg= 128.jpgK+129.jpgv130.jpg 131.jpg132.jpg'J133.jpgq134.jpgR>135.jpg  136.jpg-137.jpgD138.jpgA$139.jpg*,x140.jpg4141.jpg/D 142.jpgBM143.jpg^ 144.jpggl145.jpgky 148.jpg149.jpg150.jpg- 150a.jpg;151.jpg"152.jpg153.jpg154.jpg 158.jpg159.jpg,160.jpg161.jpgt163.jpgN162.jpgF .164.jpgt/165.jpgAA166.jpgR167.jpgwb168.jpgqi169.jpg}170.jpgu171.jpgJz172.jpgĮ 173.jpg 174.jpgE 175.jpgTs 176.jpgw 177.jpg>H 178.jpg 179.jpgV 180.jpg !181.jpg5182.jpgHX183.jpgY184.jpgk185.jpgezR186.jpgW187.jpg188.jpg189.jpg%190.jpg9191.jpgd 192.jpg~' 193.jpg194.jpg4 195.jpg#196.jpg1@197.jpg%F198.jpg3\a199.jpgq200.jpg"201.jpg202.jpg203.jpgO206.jpg207.jpg208.jpg209.jpg210.jpg5c211.jpgyK212.jpgJg213.jpg9v214.jpgL215.jpg"216.jpg 217.jpg( 218.jpg219.jpg220.jpg$221.jpg9v222.jpg Defesa Com Facas J.R.R. Abrahão — Pedro Cavalcante — Ricardo Nakayama Fotos: Pedro Cavalcanti Ilustrações: Ricardo Nakayama Versão para eBook eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Editor ©2002 — José R. R. Abrahão e Ricardo Nakayama J.R.R.Abrahão Pedro Cavalcanti Ricardo Nakayama DEFESA COM FACAS Uma ferramenta para sua sobrevivência Fotos: Pedro Cavalcanti Ilustrações: Ricardo Nakayama Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Abrahão, José Roberto Romeiro, 1962 - Cavalcanti, Pedro Gilioli, 1971 - Nakayama, Ricardo, 1966 - São Paulo: Editora Supervirtual ISBN 85-7372-720-9 1. Defesa com Facas. 2. Artes Marciais. 3. Esportes 4. Defesa Pessoal I — Nakayama, Ricardo. II — Título. índices para Catálogo Sistemático: 1. Esportes 2. Artes Marciais 3. Defesa Pessoal Editora Supervirtual Rua Oscar Freire, n 269, Bairro Cerqueira César — São Paulo — SP CEP 01426-001, Brasil Telefone (+55) (11) 3081.8318 www.supervirtual.com.br e-mail: supervirtual@supervirtual.com.br   DEDICATÓRIA Dedicamos esta obra às nossas famílias, que nos fazem ter certeza que, na vida, há motivos pelos quais vale a pena lutar, e mesmo morrer se for necessário. Os Autores.   Agradecimentos   Desejamos agradecer a: Alexandre Chiavone de Araújo Cruz — por ter posado pacientemente para as fotos desta obra; Paintball Express Military & Police Supplies — por ter cedido as facas usadas; Centro de Formação e Aperfeiçoamento Profissional de Segurança Pires S/C Ltda — por ter gentilmente cedido o espaço físico para realização da maior parte das fotos. SUMÁRIO Aviso Sobre os autores e Colaboradores Prefácio Prefácio dos Autores Introdução Usos da Faca Filosofia da Defesa com Facas Conceitos Preparação Psíquica para Defesa com Facas Tipos de Situação de Combate Tipos de Ferimentos com Arma Branca Características das Facas Ataques Empunhaduras Posições de Combate Porte e Saque da Faca Aquecimento Trabalho de Pernas Movimentos Básicos 12 Ângulos de Ataque Movimentos Básicos — Combinações Movimentos Básicos — Trabalho em Dupla Soltura da Faca 12 Erros Comuns Defesa Contra Facas Aspectos Legais Aviso         Este livro é destinado apenas a estudos acadêmicos. As técnicas, táticas e metodologias descritas neste volume são muito perigosas e não devem ser usadas ou praticadas sem extrema cautela. Os autores e editores não têm quaisquer responsabilidades, em que Esfera do Direito for, por ferimentos, danos ou prejuízos, sejam provocados por acidente ou intencionalmente, que possam ser atribuídos aos ensinamentos, técnicas ou idéias contidas nesta obra. Este livro não tem o objetivo de ser uma obra para autodidatas, sendo importante e indispensável a supervisão e orientação de um instrutor capacitado em nosso método. Ninguém está autorizado a se intitular instrutor apenas por ter lido ou estudado este livro. Sobre os Autores          José Roberto Romeiro Abrahão (1962 -).       Advogado criminalista militante, jornalista, sindicalista e escritor, J.R.R.Abrahão, é autor de 34 obras publicadas e inúmeros artigos veiculados na imprensa nacional e internacional. Colecionador de Armas de todo tipo desde 1982, mas especialmente de Facas e outras Armas de Lâmina, tem estudado sobre o assunto desde a adolescência. Graduado em Karatê e Judô (foi aluno do Sensei Shigueto Yamazaki), tem praticado diversas modalidades de Artes Marciais desde os quatro anos de idade, indo do Kung-Fu e Tae-Kwon-do ao Boxe e Arnis. Seu esporte predileto, porém, é o Tiro Esportivo, tendo inclusive sido Diretor de Relações Públicas da Federação Paulista de Tiro ao Alvo entre 1979 e 1981. Participa de competições de tiro esportivo desde 1976, em diversas categorias. Membro de diversas Entidades de cunho regional, nacional e internacional, cabe destacar, entre elas, o SCI — Safári Club International, organização que congrega caçadores esportivos em todo o mundo.       É “Master” e Instrutor de Tiro com as quatro armas: pistola, espingarda, submetralhadora e fuzil, ministrando cursos ocasionalmente, em geral voltados a policiais e militares. Abrahão é, também, rádio-amador, detentor do indicativo PU2SCO. Diversas obras de sua autoria podem ser encontradas gratuitamente para download na Internet, no Site Supervirtual: www.supervirtual.com.br        Pedro Carlos Gilioli Cavalcanti (1971 -).       Especializado em Judô, com graduação — 1° dan pela British Judô Association, começou a prática nas Artes Marciais aos sete anos de idade, tendo praticado os métodos de treinamento do Kendo, do Boxe Ocidental e do Vale-Tudo. Formado em fotografia pela Lancaster University (Reino Unido). Seu interesse no Combate com Facas começou durante o Serviço Militar onde se graduou como pára-quedista do Exército Brasileiro. Treinando diretamente sob a supervisão do Mestre Nakayama, ministra instruções de Defesa com Facas. Atualmente exerce instruções em cursos de sobrevivência na selva e primeiros socorros, além de monitorar atividades de eco-turismo e esporte radicais.        Ricardo Nakayama (1966 -).       O mestre Ricardo Nakayama é o criador do sistema conhecido como Kombato de Defesa Pessoal, do sistema Sotai de Defesa com Facas e Diretor-Presidente da Associação Brasileira de Kombato. Iniciou aos cinco anos de idade nas Artes Marciais, sob a supervisão de seu pai — Mestre de Karatê. Durante trinta anos aprendeu os métodos de combate e o domínio de várias Artes Marciais e Esportes de Contato: Arnis de Mano, Kick Boxing, Hapkido, Karatê, Krav-Magá, Muay Thai, Jiu-Jitsu, Aikido, Judô e Kung Fu. Ministra aulas em academias e empresas de segurança desde 1982. Pesquisa o Combate com Armas desde 1978, quando iniciou o treinamento com Bastão Longo, Facão Chinês e Nunchaku, ministrando aulas regularmente de Combate com Facas, Armas Improvisadas e Tonfa para diversos segmentos da Segurança Pública e privada. Aos vinte e dois anos foi estudar Artes Marciais no Japão onde se graduou 2° dan de Karatê, passando a conhecer diversos sistemas de Artes Marciais internas e externas no Oriente. De volta ao Brasil, começou a estudar novas possibilidades e métodos de treinamento para aprimorar e desenvolver seu estilo de luta, com ênfase ao combate real. Graduou-se a seguir em Matemática, deixando a profissão para o exercício da difusão e ensino da Defesa Pessoal, passando a se dedicar integralmente no desenvolvimento de técnicas para preservar a integridade física das pessoas.       É especialista em Defesa Pessoal com reconhecimento internacional, sendo constantemente chamado para prestar consultoria aos mais destacados órgãos de imprensa da América Latina. Exerceu durante nove anos a coordenação técnica na área de Defesa Pessoal na maior empresa de segurança da América Latina, onde ministrou aulas para mais de 30.000 alunos e formou a “Primeira Turma de Agentes de Disciplina” na primeira (e bem sucedida) Penitenciaria Privada do Brasil. Inovando e aperfeiçoando técnicas de Combate Armado e Desarmado, elabora estudos e desenvolve cursos especiais para grupos de segurança de destacadas empresas do setor privado.       Atualmente é o Instrutor de Defesa Pessoal da equipe de segurança da Editora Abril e da disciplina de Técnicas Policiais no curso de Guarda-Parque do SENAC em São Paulo. Maiores informações podem ser acessadas através do Site: www.sotai.com.br Colaboradores          Alexandre Chiavone de Araújo Cruz (1972 -).       Formado em Educação Física pelas Faculdades Metropolitanas Unidas em 1996 e detentor de diversos Cursos de Especialização, o Mestre Alexandre Cruz é especializado em Lutas de Contato e Defesa Pessoal. Foi Diretor de Eventos, Diretor de Arbitragem, Diretor Técnico, Presidente do Conselho de Mestre e Vice-Presidente de grandes Confederações no Brasil. Foi Campeão Sul-Americano em 1994, quando deixou os ringues para se dedicar ao Combate de Sobrevivência Militar. Hoje é Consultor de Segurança, palestrante e Instrutor de Treinamento, aplicando vários cursos a Grupos de Operações Especiais militares e policiais, profissionais da área de segurança e civis. É também Instrutor de Tiro de Defesa.        Edson Henry Takei (1972 -).       Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo, com especialização em Psiquiatria. Colecionador de Armas de diversos tipos, Atirador Esportivo, praticante de Kombato e de Defesa com Facas desde 1999, sendo um dos mais dedicados e notórios alunos.        Laércio Gazinhato (1951 -).       Publicitário e jornalista, iniciou sua paixão por Cutelaria aos dezenove anos, logo após iniciar seu interesse por Armas de Fogo. No ano de 1986, ele e outros apaixonados por Armas lançaram a revista Magnum, publicação pioneira no tema na América do Sul. Em paralelo a isso, Laércio já era o único jornalista brasileiro a revelar — de forma constante, consistente e técnica — os principais nomes de nossa cutelaria artesanal e, ao mesmo tempo, escrever sobre colecionismo de lâminas. É dele a obra “Facas Bowie”, que vendeu mais de 100.000 exemplares só no Brasil (essa obra é considerada uma das mais completas do mundo no tema).       No ano de 1998, Laércio montou a Knife Company, a primeira empresa sul-americana de venda de Cutelaria Fina por catálogo, como algumas que existem nos EUA e Europa.       Foram muitos os cuteleiros brasileiros revelados por Laércio; é enorme sua contribuição e influência no atual panorama da cutelaria artesanal brasileira; na formação de novos e mais conscientes colecionadores e no que todos hoje sabemos sobre elas, principalmente as clássicas. Por tudo isto é que Laércio Gazinhato hoje tem — e sempre terá — um lugar de extremo destaque no “hall da fama” da cutelaria brasileira.        Jorge A. Canale (1943 -).       Médico, arqueólogo, inventor, artesão, taxidermista, antiquário, avaliador de antigüidades e escritor.       Desde tenra idade, praticante de Arqueirismo Esportivo, colecionando troféus e medalhas por todo o mundo.       Emissário e assessor militar, veterano condecorado de guerra.       Durante a década de 1960, exerceu inúmeras vezes as funções de Caçador Profissional e Guarda-Caça, sempre sob contrato governamental (Quênia e Rodésia).       Primeiro artesão brasileiro a produzir Facas e Espadas artesanais em “Aço-Damasco” e as famosas “Bengalas-Estoque”.       Atualmente, dedica-se à produção artesanal de Bestas (Balestras) e Arcos modernos, réplicas de Espadas medievais e antigas, além de Armas Primitivas diversas (Atlatl, Funda, Estilingue-Havaino, Zarabatana, etc).        Alfredo Alexander Raspa da Silva (1971 -).       Cirurgião-Dentista, Fisioterapeuta, Acupuntore Professor Universitário, Presidente da Associação Brasileira de Fisioterapia Científica, Alex Raspa, que treina Artes Marciais desde os cinco anos de idade, participou de inúmeras competições, tendo vencido incontáveis torneios. Graduado em Hapkido (Discípulo de Mestre Park), Kung-Fu, Tae-Kwon-Doe Jiu-Jitsu, instrutor de Tiro de Combate, especialista em Kobudo, em especial a Luta com Bastão e Nunchaku.       É um dos pioneiros na fusão de Combate Desarmado com o uso defensivo de Armas Brancas, Armas de Impacto e Armas de Fogo, que sintetizou no sistema “Combat Hapkido”. Entre seus discípulos contam diversos atletas universitários com destaque em competições no universo estudantil secundarista e universitário. PREFÁCIO         Em primeiro lugar, é para mim um verdadeiro prazer prefaciar os amigos Ricardo Nakayama, Pedro Cavalcanti e J.R.R.Abrahão neste seu primeiro trabalho como, devo frisar bem, promissores autores técnicos.       Como os Leitores verão, este não é apenas mais outro livro sobre Defesa com Facas, como alguns trabalhos que existem por aí. A obra é, pela sua abordagem eminentemente técnica, diferente e muito mais abrangente no que concerne aquilo que as pessoas realmente querem saber sobre o uso desses instrumentos em situações reais de combate. A própria experiência de muitos anos de Ricardo Nakayama como Instrutor de Artes Marciais determinou — e muito bem — a linha prática desta sua obra.       Outros pontos que me surpreenderam neste trabalho foram:       a) a demonstração clara do quanto uma Arma Branca pode ser eficiente em mãos treinadas;       b) a citação dos erros mais comuns e, por fim,       c) os aspectos legais do uso de lâminas em situações de defesa.       Além disso, a obra é apresentada em linguagem coloquial, sem desnecessários rebuscamentos, tornando a absorção de seu conteúdo bem simples.       Por todas essas razões, não tenho dúvida em afirmar que estamos diante de mais um clássico da rara literatura técnica nacional e, mais importante que tudo, INOVADOR       São Paulo, outono de 2002.        Laércio Gazinhato Prefácio dos Autores         Esse trabalho é a síntese de anos de treinamento e pesquisa na utilização prática da faca como instrumento de defesa pessoal. Muitas das técnicas são apenas para referência, necessitando da supervisão de um professor habilitado para tirar o máximo potencial das mesmas.       A obra é dividida em quatro partes: • Volume um com os fundamentos para conhecer e ter intimidade com a ferramenta e seu aspecto como arma de defesa pessoal; • O volume dois com aspectos práticos, técnicas intermediárias e avançadas e introdução ao combate com facas; • O volume três é dedicado ao estudo das táticas e estratégias do combate com facas; • O volume quatro é a abordagem do uso da faca em técnicas policiais e unidades de elite das forças armadas.       O treinamento como ressaltando constantemente na obra, não deve se restringir apenas ao lado físico, é necessário o treinamento da atitude correta perante o adversário, fator imprescindível, mas muitas vezes esquecido na maior parte dos treinamentos de defesa pessoal.       Uma preocupação constante quando os autores elaboraram a obra foi a de mostrar as técnicas que poderiam ser usado por pessoas mal intencionadas. Os marginais têm suas próprias “escolas” e treinam várias dessas técnicas; nós trabalhamos no treinamento de pessoas que fazem a segurança em presídios e conhecemos a cruel realidade desses locais. O conhecimento e o Direito à defesa é fator assegurado pela Lei em todas as culturas civilizadas e conhecer o perigo que representam as facas e quais técnicas que teremos que enfrentar asseguram uma melhor capacidade defensiva, tanto física quanto psicologicamente.       Desprovido de garras e dentes para enfrentar os outros animais, esse foi um dos primeiros instrumentos utilizados para defesa. O caminho se inicia, podendo ser longo e difícil, mas é gratificante e surpreendente. No combate com facas, temos todos os aspectos envolvidos na luta constante do homem pela sobrevivência. A arma de fogo não compete com a faca, é apenas uma solução mais rápida e simples do que estudar a “grande arte”.   Ricardo Nakayama, Pedro Cavalcanti, J.R.R.Abrahão INTRODUÇÃO         Facas: esse nome traz à mente tantas idéias conflitantes que se torna necessário buscar na noite dos tempos a origem dessa ferramenta tão importante quanto útil e controvertida.       Quando o primeiro homem descobriu o que uma pedra afiada poderia fazer por ele (e com ele), estava descoberta a primeira faca.       Talvez essa primeira faca tenha sido usada para cortar a carne de animais abatidos, talvez tenha ferido seu próprio usuário — pouco importa.       Desse dia em diante, a faca passou a ser parceira inseparável do homem em sua aventura por este planeta.       Neste trabalho, devotamo-nos a explorar a quintessência dessa primitiva e insubstituível ferramenta: seu uso em combate, na proteção pessoal e nos confrontos que o ser humano tem com seus semelhantes.       Embora a imensa maioria dos homens brasileiros tenha, em determinada fase de sua vida, treinado alguma forma de luta, pouco aprenderam sobre essa simples, porém formidável forma de combate: a luta com facas.       Mesmo os mais avançados praticantes das artes marciais têm tido pouco acesso à realidade do combate com armas brancas, posto ser essa uma forma de luta tão perigosa que sua prática fica restrita a uns poucos movimentos coreografados, muito distantes da realidade encontrada no mundo violento que nos cerca.       Em um combate real com facas, o adversário é imprevisível, violento, seu único propósito é no melhor dos casos, agredi-lo, porém, devemos esperar que seu objetivo seja tirar a sua vida. O adversário, nunca irá facilitar a sua defesa, tão pouco aqueles movimentos treinados nas academias serão fáceis de serem repetidos na rua. Devemos pensar em uma técnica de defesa pessoal que possa ser utilizada por qualquer pessoa, independente de suas limitações físicas, preparando o indivíduo para se moldar ao adversário estudando a situação, empregando as técnicas e táticas corretas para o momento. Ao mesmo tempo qualquer método eficiente deve constantemente ser colocado em prática para achar soluções para novas situações de violência que afligem o dia-a-dia do homem contemporâneo.       Outro ponto é o apego ao tradicionalismo que estrangula o desenvolvimento de muitos métodos. Executar exercícios formais, cujo objetivo é preservar a essência do estilo, não capacita a pessoa a se defender de um marginal na rua. O dinamismo e versatilidade do seu método podem ser a diferença que pode salvar a sua vida!       A faca tem um aspecto marginal, sendo usada por bandidos, psicopatas e até por terroristas, isso se deve principalmente por:       Ser fácil de ser escondida;       Ser silenciosa;       Não apresentar falhas de funcionamento mecânico como as armas de fogo;       Exigir pouco treinamento;       Ser fácil de ser encontrada e portada;       Ter baixo custo;       Ser de fácil manufatura (os agentes penitenciários encontram centenas delas nas revistas nos detentos).       Se o marginal tem uma vantagem, o cidadão comum deve equilibrar a situação. Na atualidade o porte da arma de fogo está sofrendo terríveis sanções, pessoas que lutam pelo “politicamente correto” e pelos direitos humanos do bandido fazem uma campanha pelo desarmamento da população, porém, se em um futuro próximo não for possível portar uma arma de fogo, muitos acabarão se voltando para outros meios de defesa, inclusive com facas. Em situação de curta distância, a faca é sem dúvida alguma sua melhor arma de defesa pessoal.       Existem pessoas apaixonadas pela cutelaria, porém, na maioria das vezes, possuem a ferramenta sem ter noções de como utilizá-la. Esse é o maior erro que podem cometer, não confie na arma em si, apenas o treinamento trará sua eficiência.       A faca como instrumento de defesa é o nosso foco principal nesse livro e deve ser estudado por várias razões, como:       a) Por sua simplicidade, rápido aprendizado e memorização;       b) Conhecer os riscos que a arma apresenta, podendo executar uma melhor defesa;       c) Maior poder de intimidação, podemos usar a faca para estabelecer nossa superioridade emocional sobre o adversário, o que na maioria das vezes, não conseguiríamos apenas com nossos atributos físicos;       d) Equilíbrio de forças — com uma arma podemos enfrentar um oponente mais forte, ou vários oponentes simultaneamente;       e) Para completar os conhecimentos de defesa pessoal;       f) Como arma de reserva (backup).       A faca não é necessariamente um instrumento da violência, mas pode ser uma ferramenta para conter a violência.       Este livro começou a ser esboçado em 1988, quando realizamos uma série de cursos patrocinados pela revista “Magnum”.       Intitulado “Facas de Combate”, o curso visava fornecer informações suficientes ao interessado sobre a escolha da ferramenta ideal para situações de combate.       O curso tornou-se um rápido sucesso, mas mostrou uma séria lacuna que dificultaria a expansão de seus ensinamentos em algo mais profundo e duradouro: a total ausência de material didático, em português, sobre as técnicas de combate com facas.       O encontro dos autores permitiu um grande avanço nas possibilidades de criar um livro contendo todas as informações importantes necessárias a escrever um livro que reunisse a imensa prática de um, a extensa teoria de outro e a capacidade artística para fundir e retratar essa fusão, de molde a criar um trabalho autônomo, que permitisse a alguém aprender essa disciplina sem ter de recorrer a um mestre pessoal.       Embarque conosco nesta aventura do conhecimento, uma experiência tão fascinante hoje quanto nos tempos em que as espadas reinavam soberanas nos campos de batalha! O COMBATE COM FACAS NA ATUALIDADE       Por muito tempo, a faca foi considerada uma ferramenta marginal, a arma da traição, sempre relegada a um segundo plano como instrumento de defesa e combate.       Foi Michael D. Echanis, militar e artista marcial norte-americano, o responsável pelo renascer da disciplina do combate com facas.       Echanis convenceu seus superiores a introduzir o combate com facas como disciplina para os integrantes das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos.       Deixou uma trilogia de obras sobre combate pessoal, hoje rara, mas tendo influenciado todo uma geração sobre a importância do combate com facas para a defesa pessoal do militar.       Seguindo seus passos, muitos outros autores publicaram obras que variam do básico ao extremamente complexo, sempre versando sobre o mesmo tema: combate com facas.       Hoje, o combate com facas é estudado em praticamente todas as forças armadas do mundo, com muita variação na qualidade desses cursos. USOS DA FACA         A faca é um instrumento usado pelo homem desde a pré-história. Podemos encontrar objetos feitos de ossos, pedras ou madeiras que serviam para furar ou cortar.       A faca é utilizada principalmente para:        Uso Urbano — usamos a faca como utensílio nas cozinhas para cortar ou picar os alimentos em sua elaboração, podemos encontrar estiletes para cortar papéis ou abrir cartas nos escritórios, nas mesas servem para facilitar o consumo de alimentos e pode ser um instrumento de defesa pessoal contra a violência.        Uso no Campo — para sobrevivência, em um acidente aéreo ou naval, a pessoa pode estar sozinha, sem condições de comunicação ou de sair da área que se encontra. Uma faca pode ser usada para cortar madeiras e cipós a fim de construir um abrigo, amarrada a um pedaço de madeira, pode servir como lança para defesa contra animais ou pescaria. Um canivete suíço pode ter dezenas de pequenas ferramentas — abridor de latas, chave de parafusos, alicate, tesoura, serra, cinzel, palito, saca-rolhas, lixa de unhas, cortador de unhas, pinça, lamina grande, lâmina dentada, porta-chaves, régua, lupa, gancho de limpar peixe, etc.        Uso Militar — existem facas nesse meio utilizadas para sobrevivência, bem como modelos visando exclusivamente situações de combate: Baionetas — essa faca pode ter o corte de um ou dos dois lados, são utilizadas para transpassar ou apunhalar o corpo do inimigo, existe normalmente um orifício para ser acoplado no cano do fuzil. Punhais táticos — usados por unidades especiais para eliminação de sentinelas em missões de infiltração. Faca de combate — para ser usada em combates de curta distância. Facas de arremesso — para eliminação de alvos à distância. A FACA E AS MULHERES       Quando comparamos o biótipo entre os dois sexos podemos constatar que o homem tem maior massa muscular que as mulheres e, portanto uma força física superior; graças a isso, muitos criminosos conseguem subjugar suas presas sem a necessidade de armas. Podemos citar recentemente o caso do maníaco do parque (o Motoboy Francisco de Assis Pereira que em 1998, confessou ter matado 10 mulheres — convencia as moças a acompanhá-lo ao Parque do Estado, oferecendo emprego como modelo ou manequim fotográfico de uma empresa de cosméticos, espancava, mordia, violentava sexualmente e matava por asfixia), que não se utilizava facas ou armas de fogo para consumar sua violência. Um dos princípios básicos de criminosos é escolher sempre o mais fácil — normalmente representado pela fragilidade e desatenção da vítima. As mulheres desacompanhadas são vítimas preferenciais por sua fragilidade.       Digamos agora que uma mulher tente se defender dando socos ou chutes no oponente, este se defenderá com relativa facilidade e pior, o agressor passará a atacar com maior força, não é difícil encontrar casos com mulheres que foram desfiguradas ou tiveram ossos quebrados.       Imagine agora, essa mulher tirando uma faca, o marginal ao ver aquele instrumento que ele utilizou a vida inteira para cortar seus alimentos, agora servindo para cortar a sua carne. O olhar da vítima se transforma, seu instinto de sobrevivência fala mais alto, existe uma única opção, se sujeitar à violência física e moral, ou fazer o que for necessário para escapar viva. Em um movimento rápido o agressor avança, sem hesitação a mulher desfere um rápido movimento de corte em direção ao pescoço, seguido por outro em direção aos olhos do marginal. A suposta vítima sai viva do confronto, volta para sua família preservando sua integridade e dignidade.       Na sociedade moderna, a ação criminosa nunca esteve tão violenta; estupros, seqüestres, atentados, brigas e inúmeras outras ocorrências são notícias constantes nos jornais. Vivemos uma banalização da violência.       As leis que servem para proteger a sociedade, não inibem totalmente a ação criminosa. O cidadão que cumpre com suas obrigações é agredido, moral, mental e fisicamente, além de ser espoliado de seus bens.       A violência existe, não podemos negar o fato. Nos confrontos reais, a mulher nesse momento acaba se submetendo ao agressor com medo de ser morta, porém, não reagir não garante sua vida, como demonstrado no exemplo do maníaco do parque. No confronto hipotético, o mais importante não é a ferramenta, mais o preparo técnico — através de um sistemático treinamento físico, técnico e psicológico (com a atitude correta, cuja preocupação fundamental é pensar em sobreviver à situação).       Nesse contexto, devemos desenvolver métodos preventivos que antecipem e evitem uma agressão e métodos de reação que sejam baseados na simplicidade dos movimentos, com respostas rápidas, instintivas e efetivas.       A faca a curta distância é a melhor forma de defesa pessoal. Com pouquíssimo tempo (em média seis meses), podemos derrotar a maioria dos adversários, mesmo os maiores e mais fortes. FILOSOFIA DA DEFESA COM FACAS         A filosofia aqui apresentada é a síntese pessoal de um método de defesa com facas, resultado de 30 anos de treinamento nas mais diversas artes marciais, em experiências reais de combate, no estudo, pesquisa e troca de informações com vários estudiosos no assunto. Uma outra fonte importante é 18 anos de ensino em renomadas instituições ligadas a segurança e unidades militares de elite as quais constantemente fornecem um vasto material para aprimoramento técnico, a partir do retorno do uso do método aqui apresentado em situações operacionais táticas e diversos eventos que fazem parte do dia-a-dia de um profissional de segurança.       As artes marciais orientais trabalham a disciplina, a repetição dos movimentos condicionados (memória muscular) com o objetivo de diminuir o tempo entre pensar e agir. O foco na mente do lutador não é a racionalização, mas a abstração. Um dos requisitos básicos de muitos mestres admitirem seus discípulos é a total confiança em seus métodos, sendo que a primeira dificuldade a vencer é não duvidar de sua metodologia.       As técnicas ocidentais dão ênfase no questionamento, para realmente provar a eficiência de suas técnicas. Utiliza-se de campeonatos entre diferentes sistemas ou estilos para saber qual é o melhor método de treinamento. Nota-se, porém, que esses campeonatos estão sempre limitados por regras.       Poucas artes marciais ou lutas contemporâneas levam em consideração a realidade do combate real, essas artes não costumam em treinamento se utilizar técnicas “sujas”, tão comuns entre lutadores de rua.       Podemos levar mordidas, guspe na cara, golpes no olho ou em regiões genitais que na regra da maior parte desses sistemas são proibidos. A faca nas mãos de um lutador com poucos meses de treinamento equipara-o a um especialista com muitos anos de treinamento.       Uma das melhores e mais completa metodologia de combate de facas são originárias das Filipinas, um arquipélago formado por mais de 7.000 ilhas no Oceano Pacífico. O uso das armas, principalmente as facas, espadas e bastões são largamente disseminados sendo uma das primeiras coisas a serem ensinadas aos habitantes. Diferente dos métodos tradicionais que primeiro treinam as técnicas corporais para somente em níveis mais avançados se começar a estudar o uso de armas. Técnicas nativas, combinadas a técnicas da esgrima trazida pelos conquistadores espanhóis formaram uma das mais ricas formas de combate com armas da humanidade, além de ser a legítima representação da bravura e coragem de um povo sintetizadas na forma de um sistema único que combina aspectos físicos, religiosos, culturais e sociais. Muitos dos maiores mestres no combate de facas pelo menos estudaram um pouco do sistema filipino a fim de enriquecer seus conhecimentos e melhorar suas técnicas.       A defesa com facas exige o melhor dos dois hemisférios, onde o lutador prepara seu corpo a reagir de maneira intuitiva ao mesmo tempo em que elabora um intrincado jogo de estratégia para dominar o adversário, às vezes, sacrificando alguns peões para tomar a rainha do adversário.       Outra fonte de estudo e aprimoramento da defesa com facas é o meio militar que também procura padronizar, registrar e treinar seus métodos para serem usados no campo de batalha. O estudo das táticas e estratégias, o aprimoramento físico e preparação mental para o combate também enriquecem muito para melhor compreender os fundamentos do combate de faca, arma imprescindível para o soldado, garantindo sua vida em situações de sobrevivência ou de combate.       A mente aberta a mudanças e novos conceitos deve ser uma premissa para qualquer praticante do combate de facas. A busca do estudo, do treinamento e até da comprovação do método de combate é outro ponto a ser abordado. O estudo é a única forma de garantir contínua reciclagem dos conhecimentos e das habilidades técnicas e humanas do combatente. O treinamento constante molda o corpo e prepara a mente, finalmente a comprovação da técnica em situações simuladas de luta, preservando a integridade física dos praticantes, evidencia possíveis falhas no método de combate.       Alguns métodos trabalham a técnica do aluno, outros desenvolvem táticas e até mesmo estratégias para o combate, porém, é muito mais importante trabalhar o ser humano. Deve haver uma mudança interna no combatente, desenvolvendo o espírito inabalável ante a morte, destino final de todo ser humano, porém, poucos realmente estão preparados para aceitar esse fato. CONCEITOS         Trabalhar a mente — o combatente deve treinar, controlar e até manipular sua mente e do adversário para ter domínio do corpo, de suas emoções e de sua habilidade técnica. As principais dificuldades são vencidas — o medo, hesitação e a surpresa. Os movimentos são simples e fluidos, o adversário é um mero coadjuvante onde se enxerga o vazio em sua guarda, atacando rápida e mortalmente, além de seus movimentos serem interceptados com facilidade. Mantenha o foco da luta — Todo combate é violento, sangrento, muitas vezes se utiliza técnicas sujas para vencê-lo. O foco é cortar ou ser cortado, pense realmente se terá coragem de utilizar a faca, ela não é feita para intimidar. Onipresença — Existem muitas restrições quanto ao uso da arma de fogo — falhas ou incidentes de tiro, disponibilidade em todos os locais que freqüentamos, limitações legais ao porte, etc. Nos dias atuais, muitos optam pela faca até como instrumento de defesa pessoal pela facilidade de ser encontrada ou adaptar suas técnicas a vários tipos de objetos. Todas as armas são iguais — são apenas ferramentas e um lutador que sabe como utilizar uma faca de maneira eficiente pode adaptar a técnica para outros objetos que estão a mão.       Com objetos simples como uma chave, guarda-chuvas, cartões de crédito, garrafas, copos, chaves de fenda ou uma caneta é possível efetuar os doze ângulos de ataque. Conheça anatomia — A faca permite escolher fugir, negociar, ferir ou acabar definitivamente com o adversário. A arma de fogo muitas vezes não oferece esses recursos. Somente com conhecimentos de anatomia podemos ser seletivos em nossos ataques e em suas conseqüências. Equilíbrio — O equilíbrio em uma luta é fundamental para o lutador conseguir atacar e se defender de maneira eficiente, principalmente pelo fato de um erro ser fatal em um combate. Uma base deve ser confortável para o lutador ao mesmo tempo em que mantenha a mobilidade. Essa base é desequilibrada, peça para alguém empurrá-lo. Já tentou andar na corda bamba? Pés afastados na largura do ombro, joelhos flexionados aumentam a estabilidade. O Triângulo — o combate de forma linear permite uma continuidade de ataques do oponente, a triangulação se divide em 2 triângulos — Macho ou defensivo para ações evasivas e Fêmea ou ofensivo para ações de ataque e contra-ataque. Nessas condições conseguimos surpreender o adversário com um contra ataque em suas costas ou quebrar com mais facilidade sua seqüência de ataque. O Posicionamento é o local do lutador (ou do defensor) em relação a seu oponente, para se ter vantagem na luta, um princípio vital é sair da linha de ataque do adversário. Fig.01 — O adversário avança, o defensor avança em diagonal e contra-ataca no meio de sua guarda. Fig. 02 — O adversário avança, o defensor recua em diagonal e contra-ataca. Lado Morto/Vivo — Nos movimentos em triangulação é interessante escolher o lado morto do oponente, ou seja, o lado das costas para dificultar um possível contra-ataque. O lado vivo é representado pelo lado interno do corpo do oponente onde a “mão viva” permite ações efetivas e contínuas que possibilitam defesas e ataques do adversário. A Mão Viva — A mão viva é a mão que não contém a faca. Nos combates para golpear, empurrar, imobilizar a arma do oponente, bloquear ou desviar seus ataques de maneira fluída e contínua. Inércia — é a tendência de um corpo em movimento continuar na direção do movimento a menos que algo o impeça, como por exemplo, um bloqueio com o braço para impedir a faca de alcançar o corpo do adversário. Quanto maior a massa do corpo ou velocidade do movimento, maior a inércia. Um lutador pode usar esse efeito para aplicar em sua vantagem.       O lutador pode usar a inércia do oponente contra ele mesmo, deixando-o vulnerável:       1. Desequilibrando o Oponente       2. Desviando a força de ataque do Oponente       3. Somando as forças do Oponente e do defensor. F=A-B Duas forças iguais em sentidos opostos se anulam. F=A+B Duas forças iguais no mesmo sentido se somam.       O lutador nunca deveria opor-se ao adversário em um confronto direto de forças. Distâncias — o cálculo correto da distância do oponente evita desperdiçar golpes no ar expondo a guarda para contra-ataques e permite elaborar uma melhor estratégia no combate. Existem basicamente três áreas de combate.       a) Área de Risco — onde o adversário e o combatente não podem desferir ataques, porém, pela proximidade permite encurtar a distância em pouquíssimo tempo. A área varia de acordo com o número de atacantes.       b) Área de Combate Primário — onde é possível desferir ataques, porém evita-se a luta corpo-a-corpo;       c) Área de Combate Corpo-a-Corpo — onde se utiliza agarrões, projeções, mobilizações, cotoveladas, etc. em lutas de faca contra faca, essa distância deve ser evitada (maior possibilidade de cortes). Fig.03 — Quando dois combatentes se encontram existem apenas três áreas a serem consideradas. É importante manter o adversário sempre a sua frente, se o adversário tentar triangular, compense acompanhando-o em movimento giratório. Posicionamento: — a noção das distâncias permite um posicionamento mais adequado, podemos alterar uma situação difícil de ser defendida para uma situação mais confortável. Fig.04 — Contra vários oponentes, amplia-se à área de risco de modo considerável, ficando exposto a várias frentes de combate. Fig.05 — O posicionamento inteligente permite diminuir consideravelmente a área de risco e a possibilidade de ser cortado. Explosão — esse é o conceito primário para um combate de faca. Explosão é a capacidade de executarmos um ataque de maneira surpreendente, sem telegrafar o movimento, usando o máximo de velocidade de ataque. Muitos combatentes permanecem em bases que podem ser exploradas por um lutador que tem explosão. Fig.06 — O lutador que tem sua mão à frente ou na mesma linha da faca pode ter seu braço cortado por um combatente que tem explosão no ataque. Cortado, este ficará abalado psicologicamente podendo lançar um ataque desesperado ou ficar paralisado pelo terror da situação. Tempo Certo (“Timing”). — Esse conceito significa atacar no momento certo, defender no momento certo. Um lutador experiente antecipa os possíveis ataques do oponente, conseguindo neutralizá-los se souber aproveitar o momento adequado, ao mesmo tempo pode observar se o adversário está expondo suas fraquezas e nesse momento aplicar um ataque que o imobilizará. De uma parte para pegar o todo — um conceito importante em um combate de faca é estar preparado para ser cortado, não se abalando se o fato acontecer. Existem situações que podemos cortar um braço para cortar a garganta o adversário. Conheça a Ferramenta, saiba suas características, técnicas e estude o adversário — Conhecer a faca permite distinguir o grau de risco que ela oferece — uma adaga cortará dos dois lados da lâmina, um punhal será usado para estocar. O estudo das técnicas permite conhecer os possíveis ângulos de ataque, a movimentação que poderá ser usada e quais as possíveis vantagens ou desvantagens no combate. Estudar o adversário compreende ver as motivações que levaram ao combate, a disposição para usar a ferramenta e o nível de conhecimento do mesmo no uso da faca. Nunca subestime seu adversário — um dos erros mais comuns é subestimar o adversário, um combatente experiente pode após muitos combates entrar impulsivamente, achando que sua técnica “infinitamente superior” fará dele um lutador invencível que nunca será cortado, o engano é fatal, podemos acreditar na sorte, ou confiar em nosso treinamento. A mente preparada evita a surpresa. Tenha mais de uma faca — é importante portar mais de uma faca, podemos perder a faca no combate, tornando-nos vulneráveis, outra faca mantém a capacidade de ataque e defesa e garante melhores condições para manter equilibrado o combate. Áreas de Ataque — O corpo pode ser dividido cinco áreas principais de ataque: I — Quadrante: lateral superior direita — artérias, radial, braquial, subclávia, jugular, carótida, costelas flutuantes.       Obs.: Com a faca à frente, se torna o ponto mais próximo de ser atingido. II — Quadrante: lateral superior esquerda — artérias, radial, braquial, subclávia, jugular, carótida, costelas flutuantes. III — Quadrante: Femoral, tendões e ligamentos. IV — Quadrante: Femoral, tendões e ligamentos.       Obs.: Ponto mais difícil de ser atingido em combate. V — Linha Central do Corpo — Olhos, nariz, traquéia, plexo solar, abdômen, testículos. Fig.07 A Faca iguala o fraco ao forte — Com a faca uma pessoa fraca, uma mulher, por exemplo, pode se nivelar a um atacante muito maior, ou mais forte. A faca deixa de ser uma arma marginal, utilizada por criminosos e se torna uma ferramenta de defesa pessoal para a pessoa sobreviver a uma situação de risco. A Faca complementa as artes marciais tradicionais — em princípio as armas em geral — bastões, espadas, a própria faca — complementa os recursos que podem ser usados em um combate. Simetria — é a capacidade de utilizar a faca com as duas mãos, esse conceito é importante se pensarmos que o braço forte pode ser incapacitado, sendo necessário usar a mão fraca para continuar o combate. Precisão — significa o cálculo correto do ataque, considerando o ângulo e a distância do alvo. Não desperdiçamos os golpes no ar, evitando expor partes do corpo para o contra-ataque do adversário, alcançando o objetivo escolhido para acabar rapidamente com o combate. PREPARAÇÃO PSÍQUICA PARA A DEFESA COM FACAS   Preparando-se para o Combate Real       Imagine-se frente a frente com um indivíduo armado com uma faca disposto, não a intimidá-lo, mas a matá-lo. Imagine o brilho da lâmina percorrendo rapidamente o espaço que o separa deste oponente.       Muitos de nós apresentamos uma reação natural de certo cuidado quando estamos lidando com objetos cortantes. De maneira geral, em nossas ocupações diárias, um corte que provoque sangramento é um acontecimento normalmente acidental e raro. Quando acontece, normalmente desviamos nossa atenção e nossos cuidados ao ferimento. No combate com facas os ferimentos são reais, muitas vezes sérios e podem demandar grandes cuidados médicos posteriores. Além disto, mesmo pequenos ferimentos podem levar a incapacitação para o combate. É fato que um simples corte na mão pode afetar nossa concentração, nossa confiança e nosso espírito de luta, além de incapacitar certos movimentos. Muitas pessoas chegam a apresentar hipotensão ao verem sangue. Algumas chegam até a desmaiar ou vomitar.       Neste contexto o controle da dor é essencial, assim como a frieza para lidar com sangue e ferimentos, tanto próprios como do adversário (pois ao contrário do que ocorre nos filmes, um oponente ferido não desfalece pacificamente ao receber um golpe certeiro de faca). É preciso estar preparado psiquicamente, pois as cenas e os sons em um contexto de luta real diferem muito daqueles presenciados nos treinos. Além disto, quantos de nós está de fato preparado para receber um corte (praticamente inevitável num combate entre duas pessoas treinadas)? Pense: será que sua técnica se manteria se você estivesse com dor ou sangramento?       Nos treinos, quando recebemos um golpe fatal ou quando estamos acuados ou se nos ferimos, damos uma pausa e depois continuamos. Este é um hábito que pode criar condicionamentos desfavoráveis, fatais num combate real (no qual, mesmo com grande desvantagem ou feridos, não podemos simplesmente “jogar a toalha”). O comedimento e o respeito frente ao nosso colega de treinamento também podem limitar nosso condicionamento, pois molda nossa atitude. Numa luta real podemos desviar a atenção do adversário com atitudes, gestos ou palavras por tempo necessário para que se desfira um golpe fatal. Deve-se lembrar que para sobreviver não há regras. O domínio do emocional do oponente pode estar em nossas palavras, assim como sua forma de lutar (com mais ou menos precaução). Intimidá-lo, induzi-lo a erros, enganá-lo pode ser uma forma de vencê-lo.       Treinar em contextos próximos dos reais é o ideal, obviamente tomando-se as devidas precauções para que acidentes mais graves não ocorram.        O Adversário Temido       Algo que se pode ver em filmes e que na vida real pode ser bastante amedrontador é o adversário mostrando, através de automutilação, que está pronto para morrer no combate, sendo a dor algo secundário. Lembre-se, não subestime um indivíduo que está acuado, desesperado ou não tem nada a perder. Mesmo um indivíduo drogado, em fuga, ou defendendo algo que lhe é muito importante pode realizar verdadeiras façanhas e nos surpreender mesmo gravemente ferido. Antes de sair atacando estude a atitude, a segurança e a habilidade de seu adversário. Se você perceber que suas chances de vencê-lo são mínimas, fuja. Lembre-se dos ditos de Sun Tsu:       “Se você não conhece a si mesmo e nem a seu inimigo, perderá todas as batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não conhece seu inimigo perderá metade de suas batalhas. Se você conhece o inimigo e a si mesmo não precisa temer o resultado de cem batalhas”.        Lidando com Seus Sentimentos       Da mesma forma que você pode induzir seu adversário a respostas emocionais através de provocações, atitudes ou gestos, ele também pode fazê-lo com você. Controle emocional é essencial para quem está lidando com a vida de pelo menos duas pessoas. Deve-se saber quando é prudente atacar e quando é sábio fugir. Além disto, o orgulho e o afã da luta não podem cegá-lo a ponto de induzir que você pratique um excesso do qual se arrependa amargamente depois. A luta de faca não é para vingança, é para defesa de sua própria vida.        Agindo com Discrição       Os ataques mais fulminantes são aqueles que pegam o adversário de surpresa. Mostrar para todos como você é preparado pode simplesmente revelar quais são suas armas e seus pontos fracos. Além disto, se você estiver acertando alguém num combate real, as pessoas ao seu redor tenderão a vê-lo como vítima, independente do que ele tiver feito. Neste contexto você pode acabar sendo atacado por pessoas que não tem nada a ver com o conflito. TIPOS DE SITUAÇÃO DE COMBATE: