KOREAEBOOKDOCUMENT1.2.0O Ponto ArquimdicoDartagnan da Silva ZanelaeBooksBrasil.comeBooksBrasil.com=>para.xml300.jpgnormal.sty para.xml/ smaller.sty̚ small.styi normal.sty large.sty larger.sty@ G300.jpgH indice.jpg O Ponto Arquimédico Dartagnan da Silva Zanela Versão para eBook eBooksBrasil.com Fonte Digital Documento do Autor dartagnanzanela@pop.onda.com.br ©2003 — Dartagnan da Silva Zanela   Índice Introdução O impertinente pertinente A Grande Família A Bacia de Pilatos Cristo entre os Homens Da Mácula em nossas Mãos O olhar do Leviatham Com as madeixas ao vento Covardia e Utopia O Genocídio da alma O tribalismo e a modernidade Quanto Custa uma Utopia? Os ecos no desfiladeiro As abóboras e o andar da carruagem Sociedade civil e seus calos A Democracia da CUT Muiraquitã e a salvação da Nação Notas sobre educação O Olhar Mórbido dos Ruminantes — Parte I O Olhar Mórbido dos Ruminantes — Parte II O Olhar Mórbido dos Ruminantes — Parte III S/cem Soluções As veredas que mais lhe apraz O anti-horizonte Em pelego de cordeiro A Nau de (des)Caminha O lirismo dos gansos Palavras ao vento Um Cursinho de Férias Afinal de contas: quem é o clone do Collor? Cuba Libre: o Brasil do Futuro A Banda Na mesma vala Os Eleitos De olhos vendados De olhos vendados — parte II A nudez da Visão Fácil é falar Uma breve meditação teológica Meditações pedagógicas Meditações Pedagógicas (parte II) Meditações pedagógicas (parte III) O Coração fingido dos revoltados Atentado à inteligência Algumas considerações sobre a idéia do pecar De Alfa à Omega A República das Cores A República das Letras Barbearia Brasilis In memória: Tomás de Aquino Sobre a Inquisição chutando o balde A frivolidade do olhar Eu já vi este filme... Racismo e consciência negra QUID VERITAS? Aos trabalhadores sem demagogia Introdução à história da loucura Breve história das dimensões da Liberdade na Experiência Jurídica e Social Brasileira Jonas e as eleições em 2000 IGNOLI NULLA CUPÍDO AOS PUROS DE CORAÇÃO Sobre os direitos e restaurantes da vida Diálogos para um novo milênio Algumas considerações sobre a ética IN FORO CONSCIENTIAE — notas sobre o jornalismo e a verdade Elogio à Filosofia Notas sobre a caridade Sobre a tortura — carta enviada a um amigo em 28/07/2002 A hipocrisia petista A dama da noite ÁCTIO SEMEL EXSTINCTA NO REVIVÍSCIT Para que te serve? Visita ao seu José — Domingo, 10 de fevereiro de 2002 Conversa com o Sr. José (continuação) Sombra e luz em ômega Reserva do Iguaçu, quinta-feira 07 de fevereiro de 2001. A Letra Morta Agenda mínima A insustentável leveza da má vontade Quem morre por último? — sexta-feira, 16 de fevereiro de 2002 O Homem Medíocre Mais a final de Contas: O que é uma Universidade? O estilo Facão sem cabo Da telinha para corrupção As mãos que balançam o berço Notas sobre meus tempos de cadeira Duas Cidades e um Pleito PT — O Partido dos Traficantes A Mamadeira de Stalin A “marvada” Carne E agora José? Terra de Cães Lobos O Ponto Arquimédico Dartagnan da Silva Zanela   Introdução        Este pequeno livro reúne artigos de minha autoria que foram publicados na imprensa regional do interior do Estado do Paraná (Fatos do Iguaçu, Folha Regional e Diário de Guarapuava), como também foram reproduzidos na internet em folhetins eletrônicos e em algumas home pages abertas à discussão de idéias.      Os artigos não se encontram organizados em uma ordem cronológica e muito menos por assunto e espero que minhas palavras para você, amigo(a) leitor(a) sirvam como um ponto arquimético para você poder, não mover o mundo, mas mover-se no mundo e vê-lo como ele é e, principalmente, para vermos nos males do mundo a nossa imagem.      Boa leitura e boas meditações.   O impertinente pertinente        O ato de aprender só tem sentido quando este vem de uma vontade que emana do âmago de nosso ser, quando procuramos desvendar as entranhas de algo pelo simples necessidade de suprirmos uma curiosidade que nasceu em nós e tornou-se maior que nós mesmos, ficando a nos devorar por dentro. Ou, como nos lembrava Jean Piaget, que este processo, que é a aprendizagem se dá a partir de um princípio que o mesmo chamava de equilibração. Em outras palavras, só nos sentimos motivados a aprender quando algo ou alguém nos tira de nosso equilíbrio interno e faz-nos sentir inseguros frente aos saberes que nós julgávamos ter plena confiança. Doravante, tal sensação acaba por nos impelir no sentido de voltarmos a nos sentirmos em um estado de equilíbrio, nos impelindo a enriquecer nossa alma.      Todavia, há duas formas de retornarmos a este estado. Uma seria através da senda traçada por Hugo de São Victor, que nos ensina, que para que possamos aprender algo, primeiramente temos que nos prostrarmos com humildade diante de nossos erros e bem como diante da verdade que estar por se revelar a nós ou, em outras palavras, reconhecendo a nossa própria ignorância diante do objeto ou do fato que nos levou a dúvida que está a nos assolar, para assim, começar a desvendar os seus átrios, em seus mistérios, para passar a ser algo integrante de nós, familiar a nós como nos lembra Sir. Popper.      Mas, há uma outra maneira de se chegar a tranqüilidade e não é pela via do logos, mas sim, pela via da iniqüidade, ou em outras palavras, pela comodidade de ignorarmos as questões que são apresentadas a nós e que acabam em alguns casos até minando o nosso âmago. Mas, como fazemos muitas vezes em nossas vidas, acabamos por virar as costas àqueles que se apresentam de forma impertinente, com as suas dúvidas e bem como as polêmicas que habitam no seu íntimo, com a face impávida, com se a tudo soubéssemos, pelo fato de tudo ignorarmos.      O menosprezo as indagações, por mais estapafúrdias que pareçam, é um ato de ignorância da própria ignorância, pois quanto fechamos nossos olhos ao vazio que se abre em nós acabamos por mergulhar na lama que está neste. Quando olhamos com desdém para os pontos de interrogação que nos abordam, estes acabam por nos levar em assalto. E ao invés de nos levar a caminhar adiante, estes acabam por nos assaltar, levando-nos além de uma forma de vislumbrar os montes mais elevados e de sorrir, deixam-nos um vazio tamanho onde passamos a confundir o que somos com a ausência do que poderíamos ser, devido ao desprezo que tivemos para com aqueles que julgamos impertinentes, por acharmos pertinente nosso impertinente vazio existencial.   A Grande Família        Conversas informais, muitas das vezes, nos levam a reflexões interessantes, que não merecem ficar enclausuradas no diálogo entre um pequeno grupo de amigos, merecendo assim, ser divulgado a quem queira ouvir, e neste caso, ler.      Muitas pessoas freqüentemente recriminam a postura dos representantes públicos, quando estes realizam seus conchavos e alianças que são firmados através de troca de favores entre ambas as partes para se chegar ao poder e bem como, para se governar a conquista obtida. Ao invés de ficarem perplexos meus amigos, com este fato que se apresenta de maneira escarnada a nossas vistas. Eu vos digo que isso, diante das circunstâncias em que vivemos, estas atitudes são de certa maneira “naturais”.      Mas, como assim? Bem, lembremos que o que determina o andamento das relações de poder na macro-esfera da sociedade são sempre as relações que fervilham nas micro-relações de poder, que são arroladas em nosso cotidiano. Por isso digo para vocês que, podemos muito bem ver nas atitudes tomadas pelos nossos governantes com as que são tomadas em uma grande família (ou pequena) como a nossa. Podemos comparar os conchavos dos governantes para obter a governabilidade com as tentativas de um pai, que não quer ver o seu filho birrento quando ele chegar em casa para assim manter a paz no lar, doce lar. Do mesmo modo que, podemos comparar as oposições com as chantagens feitas pelos pirralhos que pintam e bordam para poderem obter o que anseiam, mesmo sabendo que o que papai ganha não dá para propiciar o que este fedelho tanto reivindica como sendo um direito seu, e este deve ser inquestionável. Do mesmo modo que podemos comparar as explicações dadas por um parlamentar corrupto, com as de um pai, tentando justificar para os seus filhos porque chifrou a mãe de seus filhos. Justificando o que não tem justificativa.      Ops. Não deixemos o restante deste anfiteatro do poder de fora. Não podemos nos esquecer dos grandes pais da nação, que somos todos nós, pacatos cidadãos, que adoramos viver sem dar a devida atenção para o que nossos filhos fazem, visto que, todos os representantes políticos que aí estão a ocuparem suas confortáveis cadeiras com seus polpudos salários, foram paridos por nós através de nossos votos. E nós, como pais relapsos que somos com estes nossos “aborecentes” de terno e gravata, ficamos a paparicá-los e ao mesmo tempo a nos queixar para o vizinho dos desfeitos do pimpolho ao invés de falar-lhes diretamente e se necessário puxar-lhes as orelhas. Em muitas ocasiões, parecemos com aquelas mães que largam suas crias e as deixam fazer peraltices mil e, ao invés de lhes aplicarmos o devido corretivo, puxando-lhes as orelhas para lhes lembrar o que é correto e o que é errado, preferimos ficar a tomar chimarrão com nossas comadres e nos gabar de feitos nunca feitos pelos frutos de nosso ventre. Digo, voto.      E assim seguimos no nosso dia a dia, a escolher pessoas semelhantes a nós para depois, desdenhá-las e culpá-las por todos os males que nos afligem, pelo simples fato de estas pessoas serem por demais semelhantes a nós e aí, de uma maneira um tanto que perversa, utilizamos o conceito de ética para apontarmos o dedo acusador no cisco que está nas vistas alheia, mas, nos fazendo de cegos frente a trave que está junto de nossos olhos e devido a esta cegueira primordial, colocamos muitos dos larápios que estão a ocupar os cargos de “otoridade” nesta nossa confusa República e que acabamos por nos esquecer que o ato gerador desta parte de nossa tragédia existencial partiu de nós, de nossa debilidade em reconhecer as nossas fraquezas e tentar corrigi-las para que esta não se torne um agente multiplicador.      A vida perdoa a tudo, menos a fraqueza. E como somos fracos.   A Bacia de Pilatos        Muitas das vezes nos indagamos sobre a origem do mal na sociedade, no seio da vida humana. Apontamos para as chagas sociais como se estas fossem a raiz de toda a violência e de toda destruição, apontamos nosso dedo acusador para as desigualdades sociais, para o sistema, como se todos estes fossem os causadores dos males que assolam a humanidade desde o princípio dos tempos, desde o tempo em que havia apenas o silêncio primordial, antes do Verbo anunciar a Verdade.      E diante da perturbação que nos assombra, que nos cerca, pergunto-me diante destas supostas causas de todos os males, se alguma vez, meu caro leitor, quando você esta infecto com alguma virose, o médico apontou para febre e para constipação como sendo as causas da enfermidade? Não? Então por que insistimos em apontarmos para os sintomas dos males como se eles fossem a raiz de todas as dores?      Acalmar a febre, pode tanto acabar com a enfermidade como pode levar a uma piora do quadro, pois a raiz do mal não está na febre, mas no interior do corpo do enfermo e que por sua vez, não tão simplesmente o agente causador da doença, o vírus no caso, mas sim, a fraqueza do corpo que se permitiu contaminar.      Do mesmo modo, a vida em sociedade. O mal não nasce do mundo exterior, ele habita nosso âmago. Enquanto olhamos para o mundo exterior com nossos dois olhos, relegamos ao desdém as falhas que habitam o nosso mundo interior, nos esquecendo da passagem de São Mateus no cap. XXVII, 22-24, onde o mesmo nos lembra da condenação de Cristo por Poncio Pilatos.      Nós, homens, geramos nossos grilhões e nos esquecemos deste feito e por orgulho e vaidade, culpamo-nos uns aos outros por isso e em alguns casos, fazemos vistas grossas diante dos males que estão em nossa volta por medo, de que alguém perceba os nossos rastros turvos.      Mesmo passados 1969 anos, nós continuamos como em um processo dialético a nos portamos como os Judeus, que “democraticamente” condenaram Cristo e bem como Pilatos, que por omissão, lavou suas mãos diante do mal que estava diante de suas vistas. E fazemos tudo isso, pelo simples fato de nos recusarmos a nos ver como culpados.      Mas culpa de que? De simplesmente sermos o que somos, por sermos humanos e podermos escolher livremente o nosso destino para o nosso bem e para nosso mal, levando nossos atos a repercutirem para o bem e para o mal daqueles, que muitas das vezes nós nunca iremos conhecer. Este é o preço da liberdade: o risco da danação.      Neste dia 25 de dezembro em que celebramos o nascimento do Salvador, até o dia, em que lembramos o nosso erro e a Ressurreição daquele que padeceu no calvário, meditemos nos conflitos que habitam nossa alma, ao invés de fazermos vistas grossas, no embalo de uma nostalgia passageira.   Cristo entre os Homens   Os Reis das Nações que as governam e os que exercem autoridade sobre elas se fazem chamar de benfeitores. Que não seja assim convosco. (Evangelho Segundo S. Lucas XXII 25-26)        Um dos ecos da Teologia da Libertação que mais se propagam pelos quatro cantos desta Terra de Macunaíma, é a releitura feita da figura de Cristo Jesus, apresentando ele como se este fosse um grande líder político, revolucionário, que estava lutando pela libertação de seu povo que estava sendo oprimido por um cruel Império, chegando ao absurdo de alguns sacerdotes sectários desta pseudoteologia de compará-lo, o Cristo, com Ernesto Guevara de La Sierra, o homem que dizia que todo revolucionário deveria ser um assassino em potencial.      Durante algum tempo, até compartilhei desta interpretação até que um dia, levantei a seguinte questão: Segundo conta a Sagrada Escritura o Messias seria aquele que iria libertar o Povo Judeu dos seus Algozes, correto? Mas, se Jesus era um líder político e que estava a nortear seu Povo para libertação, por que o povo judeu o condenou e libertou a Barrabas?      Ora, pelo simples fato de Jesus não apontar para o caminho dos Césares, como um caminho de libertação, mas sim, para o caminho do Espírito. Cristo era um Mestre que apontava para o caminho da Elevação e do aprimoramento da alma humana e não para o caminho da revolução mundana, como era apontado por Barrabas.      E como o Filho de Deus não havia dito a seu povo o que eles queriam ouvir, como todo político faz, mas sim, o que eles deveriam ouvir, como todo Mestre da Senda da Retidão o faz, e este foi condenado por aqueles que amava e deu sua vida por aqueles que amava e alias, qual político que se sacrifica em nome de seu amor ao próximo? Nenhum! Os únicos sacrifícios que estes fazem, é em nome da própria glória. Se estes são caridosos, obreiros e estão junto nos momentos de dor, é simplesmente porque está esperando algo em troca: um possível voto. O Líder político vive a fazer malabarismo para se equilibrar e se manter no poder, não importando o que tenha que fazer para tanto. Alias, para quem conhece este jogo de perto, sabe muito bem do que estou a falar e como também sabe, o quanto que o Santo Nome do Pai é usado em vão nos palanques.      Todavia, lembramos que neste jogo não só as grandes peças degeneradas, pois estas o são porque encontram correspondência em nossa mediocridade. E, do mesmo modo que elegemos nossos governantes e escolhemos nossos ídolos, é que Barabas foi liberto. Foi pela vontade popular que Cristo Jesus foi condenado.      Ecce Homo, Cristo Jesus, foi condenado não por ser um líder político, mas por dizer palavras que revelavam a Verdade sobre nós, e a verdade, é algo que não cabe no seio da política, mas sim, nas veredas do Espírito. Se não elevarmos nosso Ser, ele facilmente perecerá junto as fraquezas da carne frente as tentações deste mundo.      Aprimore-se e corrija a si para que o próximo possa se espelhar em seu exemplo. Retiremos a trave do orgulho e da vaidade de nossa vista para que possamos ver com clareza nossa realidade, pois, somente a Verdade nos Libertará e não a doce ilusão de uma Utopia.   Da Mácula em nossas Mãos   “Si vos manseritis in sermone meo, vere discipuli mei estis et cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos ”. (Evangelho Segundo São João, VIII: 31-32)        Natal nos dias de hoje, parece mais uma data para acerto de contas, um tempo para darmos um pretexto para nos justificarmos diante de um espelho com o aço corroído pelo esquecimento que temos para com nossas faltas e bem como para com a Verdade Revelada. Ao invés de nos voltarmos para nosso interior para renovarmos nossos valores e para corrigirmos nossos passos, preferimos nos conter em dar apenas uma bela garibada em nossa aparência de pessoa que vive em retidão, como a um fariseu.      Nos portamos no transcorrer do ano entregues a hipocrisia de um dia a dia, onde fingimos sermos o que não somos, para os outros e para nós mesmos e, quando chega o vigésimo quinto dia do mês de dezembro, ao invés de nos prostrarmos diante da tribuna da consciência, preferimos continuar a fingir e até, nos apresentamos de bons diante do espelho por termos realizados alguns pequenos atos de caridade que muitas das vezes, não nasceram da bondade que habita nossos corações, mas sim, para simplesmente fazermos bem o papel de “bonzinhos” no Natal e pior: de acreditarmos na mentira que estamos a contar para nós mesmos.      Nossa vida e bem como a maioria das relações que firmamos no correr dela, em sua maioria se vêem calcadas mais na mentira e na dissimulação do que na verdade. Você já parou para se perguntar, com quantas pessoas você se apresenta como realmente é? Você já parou para pensar no número de pessoas que lhe conhecem como você realmente é e que gostam de você por ser assim? Provavelmente não, porque a resposta para estas indagações são tenebrosas.      E aí, para continuarmos nossa dissimulação com ares de maestria, em dezembro passamos a justificar nossas encenações de bom mocismo, dizendo que tudo é fruto da “Magia do Natal”, época em que todos passam a ficar mais sensíveis, em que começamos a nos desligar das correrias e atropelos do tempo mundano para começarmos a mergulhar no tempo mágico do nascimento do Cristo Jesus. Mas, será que não estamos a confundir a Magia Salvífica do Natal com o feitiço de uma ilusão que nós criamos para nos esquivarmos a ação mordaz de nossa consciência?      Às vezes me pergunto: teria Cristo Jesus decido dos Céus para que nós nos sentíssemos como pessoas de bem? Não. Ele veio para nos mostrar a nossa face pecaminosa e para nos mostrar o caminho da Salvação: a Verdade. E podemos nos referir a ela e ao sentido do Natal, simplesmente relembrando do “pré-natal de Maria, junto de seu esposo José, que estavam a procura de um local para pernoitar e nada encontraram a não ser, as portas das paragens da cidade fechadas, indo encontrar repouso junto dos animais do mesmo modo que a Verdade é sempre vista, como o nascimento e a morte deste filho de marceneiro, que nasceu sem luxo e padeceu, condenado pelas mãos de uma multidão ignóbil. Esta é a magia do Natal, de nos revelar a nossa face, de retirar as ramelas de nossas vistas para nos vermos como realmente somos, para nos arrependermos diante da Verdade e nos libertarmos através dela, construindo uma vida livre da injúria e da falsidade, para que deixemos o lodo para balizarmos nossa vida na Rocha.      Todavia, preferimos fechar nossas vistas e continuar a nossa encenação e a continuarmos a nos queixar dos reveses da vida, nos esquecendo que os males que assolam o mundo, desabrocham a partir de nossos corações antes de darem frutos.      E como nós, seres humanos, somos criatura fracas, sempre que vemos a Verdade em meios aos encantos das ilusões, acabamos por nos portar do mesmo modo que o oficial nazista do filme Indiana Jones e a Última Cruzada, que acaba por pegar o cálice mais ornamentado imaginando que fosse o Santo Graal, sendo que ele, na verdade era apenas um copo de barro.      Eis a Verdade Cristã: simples como a vida e a mensagem de Cristo Jesus e por isso, pouco compreendida e vivida nos nossos dias por nós. Queremos enfeitar tanto, que acabamos por estragar tudo.   O olhar do Leviatham        Encontramos sempre a presença de uma atitude serena nas meditações filosóficas, enfatizava Hegel. Sempre que nos encontramos em momentos crise, o espírito humano, em lugar de procurar alhures para a resolução de seus males deveria, segundo o mestre alemão, recolher-se a si mesmo na intimidade do silêncio da razão para assim, poder desvendar através dos contornos de si o reflexo que há em nós, do mundo que está em nossa volta.      Todavia, nos tempos em que nos encontramos imersos, a atitude mais comum que vislumbramos em meio a nós é o avesso do que fora asseverado acima. É quase que uma convenção aceita por todos de que o caminho para a resolução de todos os males de nossa sociedade é via ação política. Não no sentido Aristotélico que o termo evoca, mas sim, no sentido mais decaído possível, que seria simplesmente a tomada do poder pelo grupo ao que se faz parte em detrimento do grupo, ou grupos, que julguemos serem nossos inimigos como asseverava Carl von Smitt, apesar de muitas das vezes não só não compreendermos as razões tal circunstância, como também as ignoramos.      E neste cenário, é que vislumbramos a figura de Tomas Hobbes. Este nomeia uma de suas obras com o nome de Leviatham, esta figura Bíblica, que os Santos Padres definiam como sendo o símbolo da sociedade dos maus, que fora escolhida por este sábio como símbolo do Estado, do Estado Moderno.      Tal escolha não poderia ter sido mais feliz, se fossemos meditar seriamente sobre a problemática da política nos dias atuais, visto que, como já havíamos dito, em todos os cantos que volvemos nossas vistas nos deparamos com o desejo, com a ânsia pelo poder político, pela sua tomada, para assim, supostamente, resolver todos os problemas que se apresentam aos nossos olhos, não precisando ser especialista em nenhum ismo para constatar os sintomas deste mal. Mas, e quanto a cura?      Nos esquecemos que a grande transformação e como conseqüência a resolução dos problemas que estão a nossa volta, aparentemente exteriores a nós, tem suas raízes deitadas no âmago de nosso ser, de nossa alma. Por isso, me coloco a perguntar muitas das vezes: se, os maus governantes que deleitaram seus traseiros fofinhos nas cadeiras mais cobiçadas por muitos homens, assim o foram porque foram escolhidos por homens que tinham suas almas corroídas por inúmeros vícios do espírito como a inveja, a cobiça, a ira e tutti quanti correto? Pois bem, e estes como nós, membros desta sociedade tão avançada, em termos tecnológicos, não conseguimos atinar nossa percepção para o fato de que pouco adianta querermos solapar o poder que está nas mãos de outrem se não formos melhores que ele, pois, sempre que o fazemos sem o sê-lo, acabamos por cometer erros piores do que o elemento que antes estava a comandar esta potestade das trevas. E sendo assim, será que vendando nossos olhos para os males que habitam nosso ser conseguiremos curar as chagas que nos agrilhoam?      Como explicar isso para pessoas que fazem suas vidas girar entorno desta visão estrábica? Como convencer os membros da sociedade dos maus para volverem seus olhos para a misericórdia da Verdade? Esta é, uma atitude tão difícil quanto o ato de nós nos vermos como geradores e mantenedores desta maldita sociedade, e repararmos nossa maldade.   Com as madeixas ao vento   ...o fanatismo puro se desenvolve mais com base no ódio do que na esperança. (Raymond Aron)        No Livro dos Prefácios, o grande historiador Sérgio Buarque de Holanda, onde nos adverte da grande responsabilidade que um historiador tem para com os que irão consultar uma obra de sua autoria e bem como, todo aquele que se aventurar na complexa tarefa de apresentar o fruto de uma pesquisa, de um estudo histórico sério para a sociedade. E, no que tange a questão da seriedade, isso é uma das coisas que mais nos carece aqui nestas terras de Pindorama.      Mas, como estávamos a dizer, Buarque de Holanda na obra já referida, adverte-nos que todo estudo histórico, todo olhar que nós direcionarmos para o passado na tentativa de melhor compreender o ser humano em seu devir por este mundo, é semelhante ao ato de se apontar uma lanterna para o interior de um quarto escuro. Jamais se consegue visualizar toda a abrangência do quarto devido a limitação de nossa fonte de luz. E pior, ao apontarmos para um canto do quarto para poder melhor visualizar o que ali está, o indivíduo acaba correndo o risco deixar o restante nas trevas e desta maneira na completa incompreensão. Para este ato, nós damos o nome de recorte temático, temporal e espacial, que nada mais seria a resposta as perguntas: o que é? Quanto e onde este o que está ocorrendo?      Mas, se o problema se restringi-se simplesmente na incompreensão de um determinado quadro histórico, a questão se tornaria simples. Todavia, ela se faz bem mais complicada, pelo fato de que, quem costuma direcionar o seu olhar para o passado e não assume as suas limitações humanas quanto a complexidade da natureza humana, acaba por projetar assim, não simplesmente uma sombra no que não fora iluminado pelas luzes da curiosidade da Razão, mas sim, acabar por tolir a memória social.      Um exemplo deste ato desmedido pude não só eu, mas o Brasil todo assistiu, na edição do FANTÁSTICO deste domingo dia 25 de novembro de 2002, onde em mais uma das infindáveis reportagens sobre o Golpe de 64, onde desta vez procurou-se falar da participação da CIA no processo que levou a queda do Presidente. Como havia dito, estes apresentaram com sua sinistra lanterna apenas um canto deste quarto escuro de nossa história, apagando o restante da memória coletiva, visto que, inúmeros dados basilares para boa compreensão do que ocorrera de fato.      Mas, que outra parte do quadro seria esta? Ora, aí eu fico a me perguntar porque, uma vez ou outra, o FANTÁSTICO não apresenta uma reportagem sobre a participação da KGB no processo que levou os militares a afastarem o referido Presidente; por que não se apresenta uma reportagem falando das intrínsecas ligações entre as lideranças de esquerda tupiniquim com o Partido Comunista Soviético? Ou então, trocando em miúdos, por que simplesmente não se apresenta o ocaso de 64 dentro de seu contexto histórico, que no caso era a época em que o mundo vivia atemorizado com o correr da Guerra Fria em sua lógica apocalíptica (corrida armamentística e formação de áreas de influência) e que a pouco havia-se presenciado em 62 a Crise dos Mísseis?      Ninguém se lembra disso? Então vamos tentar reavivar a nossa memória.      Desde os tempos de Stalin, que todo os partidos comunistas do mundo não passavam de secretarias do partido comunista de Moscou. Este fato não é informação secreta não, tanto que, você pode encontrar em qualquer livro de história. Ou então, basta você dar uma breve estudada na vida política de Luiz Carlos Preste, o “Cavaleiro da Esperança”, que também respondia pelo codinome no movimento comunista internacional: O Velho, onde este, sempre antes de realizar qualquer ação dentro do Brasil, esperava sempre antes, as ordens vindas de Moscou, como foi o caso da Intentona Comunista, e como foi o caso da guerrilha no Brasil que começou as suas fortes articulações no interior do País em 1961, onde tanto a extinta URSS e bem como Cuba, enviavam não só equipamentos como também treinavam os guerrilheiros brasileiros, que entre eles, podemos destacar o presidente do PT, o senhor José Dirceu, que não só fez curso intensivo de guerrilha, como o José Genuíno, mas também de espionagem.      Em outras palavras, não eram só os homens de verde que enviavam os seus homens para fora do país para assim receberem o treinamento especial, os vermelhos também o faziam e com uma diferença brutal: os segundos estavam a serviço dos interesses do movimento comunista internacional que durante o período da Guerra Fria procurava ao máximo aumentar a sua área de influência, criando países satélites. Quanto ao segundo, estes enviavam os seus pares para serem treinados na Escola das Américas justamente para conter a atuação ilegal e genocida destes no território nacional. Isso não significa que este humilde missivistas, esteja a defender a intervenção militar como sendo algo áureo, mas sim, colocando as coisas dentro da devida ordem, ou como diria Tomás de Aquino, estou apenas procurando apontar a causa prima deste acontecimento de nossa história.      Ora, mas o que isso tem haver com o golpe de 64? Tudo. Meu caro, coloque-se no lugar de um oficial militar da década de 60, vendo de baixo de suas ventas, a articulação de movimentos guerrilheiros pelo interior do país. Juntamente com isso, temos o senhor Carlos Lacerda no Rio de janeiro e o senhor Ademar de Barros em São Paulo, organizando exércitos para-militares de direita. Para apimentar isso tudo lembre-se que esta década é uma das décadas mais quentes da Guerra Fria, justamente no período que Kruchev havia querido implantar 100 ogivas nucleares em Cuba (1962), que gerou as duas semanas de terror que poderiam levar o mundo a um conflito nuclear. Se você meu amigo, vendo tudo isso debaixo de suas barbas, iria deixar um presidente que mantinha uma relação próxima com o mundo que estava no lado de lá da Cortina de Ferro continuar no poder? Ou melhor, se os milicos não tivesse dado este golpe de Estado, você já parou para pensar o que poderia ter ocorrido com o nosso País? Ou melhor, você já parou para pensar como que nós estaríamos hoje?      Não? Então eu lhe digo: ao invés de termos 20 anos de ditadura, nós poderíamos ter virado um Vietnã e estarmos hoje colhendo os frutos de uma guerra civil, pois, lá estariam os gringos financiando os exércitos para-militares de direita e os soviéticos a financiarem os guerrilheiros de esquerda, do mesmo modo que ocorreu na Ásia e na África, que até hoje colhem os ônus de inúmeras guerras civis desmedidas, onde estas fustigaram povos que se deixaram guiar por um sentimentalismo barato em um misto com Utopias estapafúrdias e tolas.      Por isso, sempre quando ouço alguma reportagem sobre o dito golpe de 64 lembro-me desta outra parte do quarto, que na maioria das vezes se vê obscurecida pelas sobras das lanternas maliciosas de militantes marxistas ressentidos, visto que, a maioria absoluta dos jornalistas e são sectários desta doutrina política ou no mínimo, fortemente influenciados, como muitos professores, pois, nunca podemos perder de vista que aproximadamente 80% dos membros desta classe que residem no RJ e em SP são filiados no partido dos trabalhadores. Se isso não é um dado relevante, eu não sei o que pode vir a ser.      E de mais a mais, como nos lembrava um outro grande historiador, Lucien Febvre, que uma pergunta mal formulada não nos leva simplesmente a lugar nenhum, mas sim, para um lugar totalmente equivocado como no caso das inúmeras reportagens sobre a Ditadura Militar, que enfoca uma bruta atenção aos militares e suas ligações incestuosas com os EUA e omite toda e qualquer informação sobre as relações incestuosas da esquerda dita nacional com a URSS e com Cuba.      E por fim, levanto uma última questão: pode a verdade nascer de um ódio desmedido frente a um grupo de pessoas? Pode a justiça nascer de uma ânsia desmedida de condenar outrem por seus erros, ao mesmo tempo que se omite os seus e de seus pares? Ou vocês acreditam que fanatismo político fruto do ódio partidário pode vir a nascer algo bom? E o mais engraçado é que os detratores da Ditadura militar eram e são francos defensores da ditadura da URSS e da que há em Cuba, como que estas fossem o Paraíso celeste.   Covardia e Utopia        Como educador, já participei de inúmeras palestras e cursos e, algumas das vezes ministrei estes para os públicos mais variados possíveis. Destas experiências vividas por mim, uma das coisas que mais me chamava e chama minha atenção, é o forte uso do termo utopia pelos educadores para justificar a má qualidade de nosso sistema educacional e bem como do nosso modo de educar.      Mas, obviamente, que o que estes educadores apontam como mal da educação não é o culto a uma ou outra utopia (o que eu concordo como sendo um dos males), mas o contrário, a suposta ausência de uma. Bem, só para pontificar, todo ser humano que vive a cultuar uma utopia, antes de mais nada, não passa de um covarde, que procura justificar os atos mais esdrúxulos em uma possibilidade de mundo sem possibilidade alguma. Tal forma de educar foi muito bem utilizada pelos piores tipos humanos já gerados, como Hitler, Stalin, Fidel Castro, Pol Pot e entre outros, que simplesmente queriam fazer do mundo sua imagem e semelhança.      Lembramos aqui que educar, como nos ensina o próprio sentido da palavra (do latim ex-ducere) é um ato de guiamento de uma pessoa para fora de sua subjetividade para o mundo objetivo, para libertá-la da senda do mundo imediato para que este possa transcender a si mesmo. Muito bem, aí eu pergunto, que tipo de educadores são estes que dão primazia em seu ato de educar ao guiar as vistas dos educandos por um mundo que só existe em suas imaginações doentias em detrimento da compreensão do mundo como ele é?      Estes, ao invés de levar os jovens infantes a compreenderem o mundo estes passam a direcionar as vistas deste para o mundo que eles, os ditos educadores acham justo, pelo simples fato de estes não compreenderem a complexidade do que está a sua volta. Preferem então, ensinar que não se deve procurar conhecer e compreender a realidade, mas sim, simplesmente transformá-la segunda o seu bel prazer.      Ao invés de apontar um horizonte, estes, lhes guiam para um anti-horizonte, desvalorizando sua capacidade fazendo-os se sentir excluídos e discriminados, do mesmo modo que Hitler fez com os jovens alemães se sentirem como sendo os excluídos da “comunidade” européia após o fim da primeira guerra mundial, e veja no que deu.      Por isso friso, que tal ato, nada mais é que a formula perfeita para se criar multidões insanas prontinhas para destruir o que seu guia aponte como sendo o grande mal da face da terra. Por isso, sempre quando estamos em meio a uma multidão, quando estamos junto com a maioria frente a um determinado acontecimento, é mais que hora de pararmos para pensarmos nossos atos, antes que seja tarde.      E de mais a mais, é muito fácil comparar um mundo irreal que só existe somente em nossa imaginação doentia como sendo o mundo perfeito, pelo simples fato de que no império da imaginação tudo é possível devido a ausência das tensões da vida real. Por isso, toda vez que comparamos um sonho com uma realidade concreta, teremos a resposta obvia de que o mundo melhor é o sonhado. Mas quando ponderamos ambas, a partir das categorias do mundo real, veremos que a única coisa que o sonho utópico gera quanto implantado, é um grande pesadelo, visto que, toda utopia nasce do ódio e da incompreensão do que está a sua volta e da covardia e da preguiça de compreender e de enfrentar as falhas de nossa própria natureza.   O Genocídio da alma        É de uso entre os pedagogos apregoarem todas as pragas possíveis ao exercício da memória, dizendo que este método de ensino se resumiria a uma simples e vulgar decoreba. Mas, eu perguntaria então, a que tipo de exercício de cultivo da memória estas distintos profissionais estão a se referir? Ou será que eles crêem que há apenas uma forma de se cultivar esta faculdade essencial para o desenvolvimento do pensamento, como bem nos ensina Platão a mais de 2500 anos?      Bem, para não deixar estas mal fadadas linhas no escuro, lhes digo que há de forma genérica, dois tipos de exercício para o cultivo da memória: a memória mecânica e a memória eidética. A primeira é simples. Para que a pessoa consiga lembrar-se de algo, ela passa a fazer uso de esquemas prontos onde se usam algumas palavras como mecanismos para lhes remeter o intelecto até a informação desejada, que por sua deixa, é realizado sem a menor ponderação, quanto ao que se está fazendo.      Doravante, não entenda a memória mecânica como um simples exercício onde a professora pergunta quem descobriu o Brasil, mas sim, de forma mais ampla e bem como truculenta e maniqueista. Um exemplo desta falta de decoro são as relações mecânicas que se fazem em torno de termos como neoliberalismo e conservador. Sem nunca a pessoa interrogada e mesmo a interrogadora terem lido um autor ou uma obra que seja deste cunho passa a denominá-la de forma mecânica e vazia o que vem a ser estes dois temas. Em outras palavras, define o que não compreende a partir do que não sabe.      Mas, e a memória eidética, o que seria este exercício? Ao contrário do primeiro, neste a pessoa não procurará fazer uso de subterfúgios para obter uma resposta, mas sim, fará uso da memória enquanto faculdade basilar para se realizar uma reflexão sobre um tema sugerido por uma determinada circunstância, visto que, o ato de refletir só é possível mediante a rememoração das experiências vividas e dos conhecimentos adquiridos. Refletir nada mais seria que o ato onde o homem procurará considerar as suas próprias ações, onde procurará fazer seu intelecto tomar conhecimento de si, o que muitos chamariam também de um ato de tomada de consciência. Em outras palavras, aqui o indivíduo procurará através da memória evocar questões entorno do tema rememorado e não simplesmente informações estáticas e vagas de significação concreta.      Se você não exercita o seu lembrar, a sua memória, e não passar a ponderar, a dialogar e a discutir com suas lembranças, com toda certeza você não conseguiria aprimorar o seu Ser e com toda certeza, ficará estagnado. Por isso, sugiro a todos que façam o “dever de casa”, que Platão ministrava aos alunos da Academia: ao final do dia, antes de repousar, procure relembrar tudo que você, viveu e aprendeu e procure sobre estas lembranças refletir e obter nossas lições após este exercício de eidético de memória, que também poderia ser chamada de dialética do espírito.      Um homem que se torna incapaz disso, de reconhecer as falhas que habitam em seu âmago, torna sua consciência um limbo, e sua vida, um singrar pelo deserto, onde qualquer vulgata na forma de informação passará a ser tida como ícone de elevada cultura.   O tribalismo e a modernidade        Albert Camus, quando em vida, enfatizou em uma de suas obras (O Homem Revoltado) que jamais o ser humano se embrenharia em uma luta onde estivesse em jogo uma Verdade, mas unicamente, em peias onde se estiver em questão a validade de símbolos que determinados grupos cultuam e reverenciam, que por sua vez, acabam sendo o canal de focalização de suas emoções, que na maioria das vezes seriam as mais baixas que habitam o âmago de nosso Ser, e esta baixeza, por sua deixa, passa a representar o que há de mais elevado. Em outras palavras: uma inversão de valores.      Todos os grupos, todos os aglomerados de massa humana se congregam em torno de símbolos, acabando por vendar os seus olhos diante dos fatos e acontecimentos que nos revelam a verdade, pelo simples fato de que o que lhes convém não é a comprovação ou não de uma verdade, pelo simples fato de estes não estarem a procura dela, mas sim, da legitimação das atitudes tomadas pelo grupo ao qual faz parte, não importando o quão esdrúxula seja as posições tomadas por eles, visto que estes passam a se auto-denominar como senhores da verdade, apesar de sempre negá-la, como faziam os nazistas, os fascistas, e como fazem os comunistas e demais istas que vivem a gritar por todos os rincões deste mundo.      E mais. A verdade dificilmente se revela em meio as multidões, pelo simples fato de todas serem irracionais, pois quando estamos entregues a fluidez destas, não realizamos uma parada em nosso ritmo de ação, para silenciarmos nossa alma e ouvirmos a voz de nossa razão, de nossa consciência. Não paramos e refletimos sobre o que estamos a fazer, como haveria de ser o comportamento de um homem civilizado, mas sim, agimos de maneira meramente impulsiva, instintiva, de acordo com o nível de excitação que as pulsões da multidão nos proporcionam.      Deste modo, se volvermos nossos olhos para a sociedade moderna, a imagem que chegará aos nossos olhos é a de uma sociedade onde as pessoas de um modo geral se entregam ao tribalismo de comunidade emocionais (fazendo uso da expressão do Sociólogo Michel Maffesolli), onde as vidas destas e bem como os rumos de nossa Civilização passam a ser decididos em balbúrdias onde grupos A ou B clamam pela sobreposição dos seus símbolos, mas nunca, obviamente, a verdade nua e crua.      Quanto a esta sociedade decadente, já havia dito também Nietzsche, que a arte existe para que a verdade não nos destrua, todavia, o desprezo pela Verdade, nos leva pari passo para o mesmo rumo, em todos os sentidos, pois como está no Evangelho segundo São João: apenas a Verdade Liberta. Verdade esta que segundo o Evangelho (visto que este Livro Bíblico é profundamente gnosiológico) seria nada mais que a plena revelação do Ser nas coisas.      Por isso, enquanto nós não enquanto grupos, mas enquanto indivíduos continuarmos a votar, a direcionar nossas vidas unicamente em torno de símbolos, a única coisa que veremos diante de nossas vistas será lágrimas e ranger de dentes e em nosso íntimo, apenas frustração por nos darmos conta que os símbolos que tanto acreditávamos, nada mais eram do que semelhante a nós, um legítimo espelho de nossas almas onde se vislumbra apenas pó e sombras.   Quanto Custa uma Utopia?        Uma expressão usada com freqüência por muitos de nós para se referir aos males que assolam a humanidade e dentre estes, destacando-se principalmente o da miséria de grande parte da humanidade em detrimento da bem viver de uma outra parcela de seus iguais é a de Capitalismo Selvagem. Sempre em todo grande “debate intelectual” de botequim surge a dita expressão apresentando-a como sendo a raiz de todas as enfermidades sociais que afetam o nosso tecido social.      O que chama a minha atenção mais ainda é que, tal expressão nada mais é que um cacoete mental, marxista vulgar, diga-se de passagem, que é repetido intensamente por seguidores desta corrente doutrinária, e por muitos, que nem fazem idéia do que seja o conteúdo e o resultado da aplicação dos seus postulados no mundo a fora.      Por isso, apresento aqui, uma outra expressão, esta usada ironicamente por J. O. de Meira Penna, em seu livro Ideologias do Século XX, não para que esta seja repetida como a raiz de todos os males que afetam a humanidade, mas sim e com plena certeza, que afetou boa parte dela no correr do século XX, e que está a afetar muitas no correr desta nova centúria que se inicia, que seria Socialismo Selvagem.      Mas como assim? Não é o socialismo que dizem ser uma doutrina política que se apresenta como uma redentora da humanidade, que propõe-se a acabar com a exploração impingida pelos opressores sobre os oprimidos? É, só que para tanto, para edificar o seu suposto paraíso celeste aqui na terra, eles simplesmente sacrificaram em menos de 70 anos mais de 180.000.000 (em tempo de paz) de pessoas civis, inocentes. Stalin para coletivizar as terras confiscando-as dos camponeses, ceifou 30.000.000. Pol Pot, que procurava edificar o homem perfeito, que seria o Homem Socialista, conseguiu a façanha de matar 1.500.000 de Cambojanos em menos de 1 ano, lembrando que esta cifra representa mais da metade da população do Camboja. Isso sem falar do El Comandante de Cuba, que encarcera todo e qualquer um que for petulante o bastante para dirigir uma palavra que seja contra a sua pessoa e bem como ao seu regime despótico obscurecido. E as FARC que acobertam e bem como auxiliam o narcotráfico internacional! E a China “Popular”, que sacrifica por ano cerca 150.000 Cristãos e Budistas pelo crime hediondo de simplesmente confessarem estas Doutrinas Sacras? E a Coréia do Norte, onde burocratas fofinhos vêem seu povo penar e definhar de fome?      É óbvio que no pensar dos crentes desta pseudo igreja da libertação, estes homens, não eram socialistas, mas sim, ditadores que negaram o evangelho segundo Marx. Estes nunca reconhecem os seus erros e muito menos os assumem, preferindo justiçá-los com alguma desculpa chinfrim, como a que consta no livrinho de Paul Singer — O que é socialismo hoje — onde o mesmo tiro o corpinho fora, diante dos crimes do socialismo, quando afirma que: “...um regime cujas características não satisfazem tais anseios, ou seja, que proporcione aos seus trabalhadores condições econômicas, sociais e políticas de existência, que não são as oferecidas pelo capitalismo em seu estágio mais adiantado, não superou o capitalismo, e portanto não pode ser considerado socialista (p. 19)”.      Aí eu me pergunto, que desgraças mais deverão ser impingidas sobre a face deste mundo para que estes cidadãos se convenção de que os frutos de sua incompreensão do mundo, leva apenas para desgraça em massa mas não para a libertação? Que males mais deverão ser realizados para edificar a sua dita utopia?   Os ecos no desfiladeiro        Mário Ferreira dos Santos, um dos maiores nomes de nosso pensamento filosófico, dizia-nos quando em vida que um homem para ser livre, deveria ser como a um guerreiro, um homem que não foge dos desafios que a vida lhe apresenta, sem procurar alguém para responder por ele, mas sim, respondendo por si só diante do algozes que anseiam por fustigá-lo.      Diante do dito deste grande filósofo anarquista e Cristão, podemos vislumbrar algumas observações quanto ao último pleito eleitoral que acabaram por nos revelar que o mesmo não foi a eleição mais democrática e livre de toda a nossa história. Digo isso não pelo fato do senhor Luiz Inácio da Silva, vulgo Lulá-la, ter sido eleito para ocupar a cadeira mais cobiçada desta República, mas pelos motivos e pelo discurso que acabaram por elegê-lo, os quais também iriam eleger qualquer um dos outros três Cavaleiros do Apocalipse ou até, quem sabe, um dos dois aprendizes de feiticeiros, se a circunstância fosse outra.      O que faz estalar os meus olhos é justamente a atmosfera cultural que acabou por impelir este grupo de homens para o poder, onde não se procurou um governante que apresentasse um plano de Governo para a Nação, mas sim, um plano de governo para o governo, e nada mais.      Quanto a este ponto, lembro uma passagem dita por um outro filósofo libertário falecido faz poucos anos, o grego Cornélius Castoriadis, que dizia que o processo eletivo é muito semelhante a Comunhão praticada pelos Católicos onde os eleitores depositam o seu voto em uma urna, com a mesma “fé” e esperança que os segundos quanto estes estão a comungar um pedacinho massa como se fosse o Corpo de Jesus Cristo.      Digo isso com o devido respeito ao Rito, pois compreendo o significado simbólico da Comunhão. Porém, crer que poderemos transformar o país, que poderemos mudar o rumo de nossa nação para o bem ou para o mal com um simples voto de cabresto (pois para mim o voto obrigatório não é nada mais que isso), não passa de uma crença mundana e vazia, visto que, não serão as decisões tomadas por um homem e um grupinho de Burocratas que irá mudar os rumos de nosso país, será sim, o consenso e a ação de milhares. Essa é que é a carvoeira da História.      Para complementar o dito por Castoriadis, os interesses que levaram fulano escolher beltrano como governante, não foram tentativas de afirmar a dignidade do ser humano enquanto um ser livre, por assumir-se responsável por si, pelos seus atos e bem como pelas conseqüências destes. Houve sim, uma atitude totalmente contrária a esta, onde boa parcela da população procurava candidatos que prometessem se responsabilizar praticamente pelas suas vidas, negando assim, o princípio de sua natureza mais elevada, que seria o seu livre caminhar.      Será necessário, pergunto eu, que o Estado intervenha nas relações sociais para que resolvamos, por exemplo, o problema da fome e do desemprego. Eu digo não apenas que não, mas, que a intensa intervenção governamental apenas agrava mais ainda estes três males que assolam esta nossa Pátria Brasilis.      Nunca podemos perder de vista, antes de qualquer coisa, quem são os membros de nossa elite, que por sua deixa, não são os banqueiros, mas sim, os Burocratas que ocupam cargos governamentais. Não? Então meu caro leitor me responda a seguinte pergunta: quem é que fica com mais de 34.5% do PIB de nossa País, quem em?      E mais, todos os programas que são criados pelo governo para erradicar com a fome, necessitam de grandes importância em capital, que por sua vez, não é obtido através de árduo trabalho, mas sim, através de impostos que acabam onerando o setor produtivo. Tudo bem se todo este dinheiro fosse alimentar e educar todos aqueles que tem fome de pão e de palavra, mas o que me causa repulsa é o fato de que boa parte desta verba é utilizada para custear as despesas e regalias de um bom tanto de burocratas que ao invés que auxiliarem na resolução deste grave problema, acabam sim, apenas complicando-o mais. Mas, como nós preferimos que alguém ajude o próximo a se rastejar, negando assim a nossa obrigação (no sentido Kantiano) para auxiliá-lo a se levantar, acabamos por deixar os destinos destes e o nosso nas mãos de fariseus, que fazem sua pretensa caridade com didim alheio.      Doravante, a alta taxação do setor produtivo com impostos como todos nós já sabemos oneram o setor produtivo e este dinheiro, que por sua vez, não é mais destinado a formar poupança para aumentar as linhas de crédito, pois acaba indo parar em programas ditos sociais e assim, reduzindo a capacidade de empréstimo dos bancos e deixando o presidente do Banco Central em numa saia justa: ou ele aumenta os juros para conter os empréstimos para não cairmos assim na ciranda louca do imposto inflacionário (emissão de papel moeda sem lastro) ou, baixa os juros e acaba levando o país a dançar de novo no ritmo da ciranda da inflação.      Aí pergunto: sentimentalismo farisaico ajudou a resolver o problema da fome e do desemprego? Não. Pelo simples fato que foi esperado que alguém que estava muito distante de nossos problemas pudessem resolvê-los e com este mesmo sentimento que acabamos por eleger o atual Presidente.      Todavia, preferimos atribuir a nossa responsabilidade a outrem, só que, desta maneira, nós acabamos por negar a nossa liberdade, a nossa soberania enquanto pessoa, como nos lembra Edmund Burke ao dizer que: “os homens estão preparados para a liberdade civil na proporção exata de sua disposição a controlar os próprios apetites com cadeias morais... A sociedade só pode existir se um poder de controle sobre a vontade e os apetites for controlado em algum lugar; e quanto menos houver dentro de nós, tanto mais haverá fora de nós.      Pois está ordenado na eterna constituição das coisas que os homens de mente despreparada não podem ser livres. Suas paixões forjam suas próprias algemas”.      Acha que não? Então de uma olhadinha nas pessoas que acabam sendo contempladas por estes programas e veja os estragos causados em sua psique, na constituição de sua estrutura de valores e vai ver, gradativamente, uma pessoa viciada na dependência Estatal.      Casos de Paternalismo Estatal existe as pampas no história universal, mas não há caso mais ilustrativo do que a Lei dos Pobre da Inglaterra de 1597, onde o Governo inglês passou a se responsabilizar pelas pessoas miseráveis e inválidas. Com o passar do tempo, ao invés de diminuir o número de miseráveis e mesmo de inválidos, estes aumentaram, chegando inclusive ao ponto de haver pessoas que se auto-mutilavam para obter o benefício de viver sem trabalhar encostado nas largas costas da Lei Inglesa.      Do mesmo modo que nos dias de hoje, onde um ex-barrageiro relatou-me que seu irmão presenciou dois amigos seus cortarem os dedos um do outro (previamente anestesiados com medicamento e algo mais, obviamente). Todavia, não o fizeram para imitar o Presidente (que na época era apenas um rés pretendente), mas sim, para poderem se aposentar por invalides, de modo similar aos casos registrados na Inglaterra do século XVI.      Por isso, questiono a relevância positiva dada pela mídia ao último pleito eleitoral, que nada mais foi, que uma luta entre patrimonialista, Estatólatras que se apresentaram como os libertadores do povo brasileiro, onde o eleitorado ansiava não só por alguém para depositar a sua confiança, mas para que tome para si as responsabilidades que são suas.      Lembramos aqui, que todos os grandes tiranos, nunca proclamaram querer sucumbir com o povo que se propunham governar, mas sim, libertá-los. Se diziam francos defensores da liberdade e da justiça pessoas como Napoleão, Lênin, Stalin, Hitler, Mussoline, Ho Chi Min, Mao Tse Tung, Pol Pot e Fidel Castro.      Todas estas figuras se apresentavam como um fio de esperança na vida de inúmeras pessoas que resolveram não ouvir os conselhos dados pelos calafrios da espinha e, devido a isso, todos nós sabemos no que deu.      Quanto ao nosso amanhã, depende de nós e da porcentagem de responsabilidade que iremos assumir diante dos desafios que nossa nação terá de enfrentar, visto que, quanto mais chamamos para nós a responsabilidade pelos males que estão a nossa volta, maior é a nossa autoridade perante o mundo e, quanto maior a responsabilidade que depositamos no Estado ou em outrem, menor será nossa credibilidade quanto aos rumos do País, e bem como, de nossas vidas.   As abóboras e o andar da carruagem        De longa data que ouvimos falar e até mesmo falamos que o Estado procura vestir a imagem de um Grande Pai, protetor de todos os seus filhos, que por sua vez, seria toda a gente que vive sobre as terras que estão sobre sua alçada.      Todavia, nos esquecemos que quem coloca os ditos “mequetrefes” na posição em que se encontram, onde estes transformam seus cargos em instrumentos de manutenção de seu status quo, na maioria das vezes são os mesmos que os chamam mais tarde de “mequetrefes”, e coisas do gênero.      Mas, como nos lembra o adágio popular, todo o povo tem o governante que merece e neste caso, nós merecemos todos os governantes que tivemos, com todas as suas limitações e defeitos de fabricação, pois estes, nada mais eram que os correspondentes de nosso imaginário, figuras que tanto nosso ser clamava. Podemos dizer que o processo eleitoral nada mais seria, nestas condições, que um grande espelho de Narciso, onde o eleitorado envaidecido se deixa seduzir pelo seu próprio reflexo na figura dos candidatos que se expõe na vitrine eleitoreira.      E como é de costume, com o passar dos anos os espelhos não vão apenas refletir a imagem que está diante deles antes de irmos para o dito grande baile da “democracia”, mas também, aquela imagem cotidiana que muitas das vezes tanto nos causa repúdio. Talvez, por vermos nossa cara lavada e deslavada a pairar nas águas pálidas da lagoa dos arrependidos.      Podemos até mesmo ousar a dizer que na maioria dos casos, onde vemos um cidadão a esbravejar contra tudo e contra todos, não o faz pelo fato de este ter se deitado no Cálice de Apolo, mas sim, por simplesmente estar sedento de inveja do outro que está a fazer aquilo que ele gostaria de estar fazendo: legislando em causa própria e se fazendo de leitão do orçamento para também poder mamar deitado na polpuda leitoa das verbas públicas.      Parece absurdo, mas se prestarmos bem atenção nos conversas fiadas, poderemos perceber nos deslizes que são dados nestes diálogos informais, onde o cidadão moralista, ao mesmo tempo que critica outrem por estar desviando verbas públicas, por estarem fazendo mau uso do que é patrimônio comum, olha para os regalos que este obteve com esta situação e diz: pena que eu não posso ter um carrão deste ou, um casarão como aquele.      Talvez seja por este motivo e por outros, que poderíamos definir o cenário político atual de nossa nação como sendo o reino das decepções e da desconfiança . Não simplesmente para com os homens públicos, mas sim, para conosco mesmo, pois passado algum tempo, nos lembramos que somos os maiores responsáveis pelos revezes que estamos a viver. E é isso que nos deixa tão enlouquecidos! Saber que o trem está desandando e que os maiores responsáveis somos nós mesmos e, provavelmente seja por isso que nos silenciamos de forma omissa na indignação barata.      E assim segue a carruagem com inúmeros cães a ladrar, curando a ressaca da carruagem das ilusões, a ovacionar a nova coleira para mais a frente fustigá-la, como se esta fosse um castigo imposto e não como fruto de sua vil escolha.   Sociedade civil e seus calos        A sociedade brasileira desde sua aurora vive a espera de um milagre. Nossa história econômica poderia ser resumida em uma epopéia de milagres endêmicos, como nos lembra tanto Paulo Arantes como J. O. de Meira Penna, e justamente no que tange esta questão é que está a meu ver o cerne de nossa deficiência enquanto nação e bem como enquanto Estado.      Deste modo, podemos atinar nosso olhar para a compreensão das veredas que levam ao desenvolvimento de uma nação se volvermos os mesmos não simplesmente para as riquezas que as terras desta lhe ofertam e nem também, unicamente para as capacidades que este povo apresenta, mas sim, no interstício destes dois fatores, que nada mais seria que o desafios que lhes são apresentados.      O ser humano quando não se sente desafiado a algo, esmorece, padece ou simplesmente vegeta, e neste sentido, vemos em nossa história econômica este triste dado que foi uma procissão de milagres seguidos de tragédias, com novos milagres que vinham a suprir as carências geradas pelas tragédias, visto que, esta é de forma Apocalíptica que nós caracterizamos os desafios que o mundo nos apresenta.      Se partirmos desde o início de nossa constituição histórica, quando começou a haver os primeiros contatos entres os nativos desta terra de Pindorama e os Lusitanos, vemos sempre esta mãe gentil, ofertar aos seus “novos filhos” regalos para compensar o aspecto infernal de seu clima escaldante. E lá foi a procissão de salvacionista oscilando entre benesses e fatigas. Pau-brasil, pedras preciosas, ouro, açúcar, café, Revolução de 30, 50 anos em 5, milagre brasileiro, República Nova, Estado Patrimonialista...enfim, sempre uma nova solução do “além” se apresentava para nos “salvar” quando começávamos a aceitar os desafios que a contingência vivida nos apresentava.      E bem por este motivo, que este humilde missivista observa com olhares cépticos o novo governante, como também, observava com o mesmo olhar incrédulo, os demais cavaleiros do apocalipse que concorriam a tão disputada cadeira, pois todos, ao invés de se apresentarem como candidatos prontos a desafiar os cidadãos desta terra apresentavam, e bem como o eleito apresenta, não desafios, mas sim, bajulações e caminhos que nos levarão a presença de um novo milagre, que o mesmo convencionou chamar de pacto social, junto ao Estadossauro.      Todavia, não sou estúpido como eram os oposicionistas do governo FHC, que durante longa data, o crucificaram, ou melhor, o malharam como um Judas, pois, não creio na centralização do poder, pois desta a única coisa que advém é penúria para toda a coletividade.      A solução para nossas chagas não está nas mãos do líder operário, agora Presidente da República, mas sim e principalmente, nas mãos dos mais de 5.600 Prefeitos e lá se perdem as contas do número de Vereadores que estão junto aos Municípios, e bem como o número dos munícipes que são a base da organização de uma nação.      Por isso digo: as reformas que a Pátria tanto clama, devem emanar de baixo, pois só a partir do momento que estivermos calcando nossos pés em firme solo, é que poderemos ousar querer tocar os Céus.   A Democracia da CUT        O Presidente Nacional da CUT, o seu João Antônio Felício, sentiu-se ferido com as declarações feitas pela atriz Regina Duarte no início do Programa eleitoral de José Serra. De tão ofendido que ficou que resolveu dar a ela uma lição sobre democracia e acabou por deixar visível por entre a sua máscara politicamente correta a face totalitária de sua alma.      O texto da Carta era o seguinte:      “O direito de defender os próprios pontos de vista é inalienável. Acreditar que seu candidato, por suposto José Serra, é o melhor, é direito seu e que ninguém questiona.      Também está no campo da total inquestionabilidade seu direito de fazer campanha para qualquer candidato que você queira, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão numa sociedade democrática.      Mas já transcende não só o direito, mas até a dignidade, prestar-se ao papel de terrorista e/ou patrulheira do voto dos que querem mudança, dos milhões de brasileiros prejudicados (o que felizmente não é o seu caso) por um modelo econômico excludente e perverso.      Lula, por sua história e por seu presente, merece respeito; o mesmo respeito, ao menos, com que trata seus adversários.      Você, Regina, é uma figura pública, até então merecedora de todo nosso respeito, mas para que ele continue, você também deve dar-se a ele.”      Para o ilustre petista é uma grande falta de respeito expressar os seus sentimentos quanto a libélula barbuda que é o seu candidato, é uma falta de decoro dizer o que pensa a respeito da estrela rubra, pois para eles, dizer o que se pensa é dizer algo que eles aceitem e concordem e desde que não coloque a público a sua face plúmbea.      Pois eu digo ao senhor, meu caro, que falta de respeito e a postura de boneco Kem, estilo Collor, onde se apresenta uma face colorida, mas em nenhuma hipótese, cogita apresentar ao público a suas ligações com organismos terroristas e narcotraficantes como as FARC’s. Por que os petistas não colocam em seu programa eleitoral as demandas dadas no FORO de São Paulo? Pelo simples fato dos petistas não serem jamais sinceros em suas propostas e em suas atitudes, pelo simples fato de faltarem com o dito respeito para com o eleitorado.      Como Regina Duarte, muitos outros cidadãos brasileiros estão temerosos com a vitória de Lula, ou melhor, da intelectuária que o fabricou, e se ter medo e ser proibido de tê-lo e de demonstrá-lo, de compartilhar as inquietações que minam a sua alma é passa a ser tido como uma falta de respeito, o que nos restará não mais será a nossa frágil democracia que já se vê fustigada de gatunos e falsos moralistas, mas apenas uma Cuba a Brasileira.   Muiraquitã e a salvação da Nação        Uma coisa que me impressiona é a forma como se portam os pseudo-críticos que bradam aos quatro ventos sobre o aumento da taxa de juros em nosso país. Realmente esta é uma medida extremamente desagradável, mas que, não se explica de forma tão chula e tosca como muitos entendidos no assunto que temos presentes neste país dirigido em suas partes diminutas por Macunaímas que engrossam as forjas desta idiocracia que impera de forma tão pujante.      Por isso eu pergunto: por que os juros sobem? Só por que os banqueiros assim desejam? Obviamente que não. Primeiramente não podemos nos esquecer que dinheiro, como tudo, tem o seu valor, que chamamos correntemente de poder de compra. Mas como é isso? Bem, todos sabemos que o caviar é uma iguaria caríssima, não pelo simples fato de ser o que é, mas devido a sua disponibilidade. Se a oferta de caviar aumenta-se na mesma proporção que as batatas, obviamente que o seu preço, o seu valor, irá despencar e este produto de luxo seria vendido ao preço de batatas. Idem para com a moeda. Quanto maior a emissão de papel moeda sem o seu devido lastro, menor será o seu valor. A isso damos o nome de inflação. Correto?      Pois bem, e onde entram os juros nesta história toda? Um banco quando realiza um empréstimo, está entregando dinheiro real, um capital existente, na crença de que o seu cliente irá lhe pagar com um capital em potencial, que será o possível lucro que ele obterá com seu investimento. Mas, ao invés de o banqueiro querer participar dos lucros que seu cliente poderá obter com seu possível (e muitas vezes apenas suposto) grande negócio, ele abre mão em nome de um taxa, denominada juros.      Muitas das vezes esta se torna um tanto que salgada, mas o por que disso? Bem, para que a moeda não tenha o seu valor depreciado, faz-se necessário que se emita apenas a quantia de papel moeda que corresponda ao valor de seu lastro. Mas se a demanda por empréstimos for maior que a oferta de papel moeda? Bem, para se evitar a emissão enlouquecida de papel moeda (sem lastro e consequentemente sem valor), tem que se restringir à demanda de empréstimos. Para tanto, se elevam as ditas taxas de juros.      E se baixarmos as taxas de juros, não haverá um maior aumento de investimento no setor produtivo? Claro, e com toda a certeza, porém, apenas à curto prazo. À longo prazo, nós teremos um aumento da inflação, devido a emissão desenfreada de papel moeda sem lastro e pelo triste fato de que a boa parte dos empréstimos não serão pagos e outro tanto até será, mas o investimento feito não conseguirá dar bons frutos.      Mas aí, meu caro leitor, você deve estar se perguntado como que se faz para se aumentar a demanda de capital para que se possa aumentar os empréstimos e que se diminua as taxas de juros? É simples, basta primeiramente que o tiranossauros rex diminua a sua taxa de roubo do setor produtivo que chega a raia de 35% do PIB e de contra partida, diminua os investimentos nos projetos sociais populistas que são metidos pelo governo e que com toda certeza continuarão a existir com o próximo governo e até quem sabe cresçam, o que é muito provável.      Tomando esta medida, conseguiremos o feito de elevar gradativamente a poupança e assim, poderemos aumentar os empréstimos e bem como diminuir a (bem)dita taxa de juros, pelo simples fato de os recursos que antes eram aplicados em obras populistas de políticos de índole pífia, que em nada dão de retorno a sociedade, a não ser viciar as massas desvalidas com a caridade que estes fariseus modernos fazem com o dinheiro alheio.      Alias, com o nosso dinheiro, passaram a ser investidos no setor produtivo e aí sim, reaquecendo a economia e gerando os tão ovacionados empregos que no momento se fazem ausentes. Claro que esta atitude deve vir pari passo de uma profunda reforma do Estadossauro e todos nós passarmos a planejar nossas vidas dentro de uma perspectiva de longo prazo.      E esta razão longa, é justamente o que a maioria quase que absoluta não tem, por fazerem apenas o uso em seus pensamentos de uma ponderação entre um possível coeficiente eleitoral do que e seu tempo de mandato do que, considerar os seus atos a longo prazo. E o pior que para a maioria da população, o bom governante é justamente aquele com uma razão curta. Bem, cada povo com a sua auto-imagem refletida em seu governante.      Quanto a questão da pobreza, creio que se todos nós assumirmos nossa responsabilidade diante dela ao invés de atribuirmos esta para o Estado, com toda a certeza, além de minimizarmos este problema, conseguiremos uma maior integração do tecido social, o que também a longo prazo nos dará bons frutos como o comprometimento mútuo onde todos os cidadãos tomarão conhecimento das inúmeras realidades brasileiras, dos inúmeros Brasis, como nos falava Gilberto Freire.      E por fim, de nada adiantará aumentar as nossas exportação enquanto este mostrengo Estatal continuar a reter a maior parte de nosso PIB, sob a desculpa esdrúxula de melhor distribuir a riqueza de nosso país.      Para darmos uma guinada em nossa economia, temos que perder este nosso jeito Macunaímico que crer que todos os nossos problemas com proventos se resolverão com um passe de mágica. Por isso digo aos inúmeros Macunaímas que habitam em nossas almas, que nossos problemas só se resolverão, com muito sacrifício, trabalho e criatividade e não, na crença dos poderes fabulosos de uma mera transição de poderes após um pleito eleitoreiro, como Macunaíma, com sua pedra Muiraquitã.   Notas sobre educação        As novidades importam menos que a verdade, assim nos lembra o prudente Jorge Luiz Borges. Pena que, muitos dos meus pares de ofício não dariam jamais ouvidos a este homem.      É comum ouvirmos no meio pedagógicos muitos professores e pedagogos a clamarem aos quatro ventos que devemos transformar a educação, que devemos estar sempre abertos as novidades, que devemos inovar, e etc. e tal. Não digo que não devemos estar abertos às novidades. Devemos sim, pois creio piamente nas palavras do Apostolo Paulo, onde o mesmo nos ensina que devemos experimentar de tudo e ficar com o que há de bom. Mas o experimentar de tudo não implica em adotar a toda e qualquer novidade, visto que nem tudo que reluz é ouro.      Já pararam para pensar o que é uma vida preza ao devir das novidades? Basta imaginar uma adolescente doente por não poder estar vestindo a última moda, basta imaginar um professor ou qualquer pessoa em idade adulta, incapaz de tirar uma conclusão por conta própria, quando se vêem diante de inúmeras informações e argumentos que apontam inúmeros prós e contras sobre um assunto, por depender sempre da última palavra que deve ser dada por uma das estrelas desta seara (a educação, no caso), sem falar que muitos destes falam sobre os mesmos sem pleno e seguro conhecimento da causa.      Neste sentido, lembramos também que, grande parte dos escritos sobre educação, sofre de um grave mal, que o historiador Lucien Febvre nominava de “anacronismo histórico”. Mas o que é isso? Seria simplesmente quando nós olhamos para um tempo passado e projetamos sobre ele os valores e conceitos de nosso tempo presente. Ou seja, a partir do momento em que fazemos isso, nós estamos iniciando o processo de compreensão da realidade de forma totalmente avessa, pois se você quer compreender as razoes que motivavam um grupo de pessoas, você deve se perguntar primeiramente a partir das razões destes e não, a partir das suas, pois deste modo, a pergunta estaria equivocada e consequentemente, jamais nos traria a resposta à inquietação que está a nos fustigar.      Por isso, quando procuremos ler a obra de um Comenius, por exemplo, não devemos lê-lo como se ele tivesse lido Piaget, Hume, Kant, Hurssel, Camus e tutti quanti, mas sim como ele sendo um homem de seu tempo, com as limitações de seu tempo e bem como com as preocupações de sua época, para apenas depois pensá-lo a partir de nossa situação histórica. Pois se não for assim, você descobrirá o que você pensa a respeito de Comenius (às vezes nem isso), mas jamais o que ele pensava a respeito da educação.      Um bom exemplo de anacronismo histórico, e bem como de estupro da linguagem, é a postura de muitos educadores que bradam eufóricos sobre as ditas escolas tradicionais. A impressão que tenho é que estes nunca pararam para refletir que as tais concepções da dita escola tradicional surgem justamente com o advento da modernidade. Ou seja, de tradicional só tem o nome. Mas então, o que seria a educação tradicional?      E mais. Vamos um pouquinho mais longe. Antes de nós pensarmos algo a partir de nossos postulados, você já procurou pensar a você mesmo a partir das categorias deste? Imaginar após a leitura de uma obra como esta, como que um Comenius, por exemplo, veria a educação do mundo de hoje, que pareceres ele daria diante de um educador como você? O que um Aristóteles teria a dizer sobre o nosso mundo? E um Sto. Agostinho?      O problema é que nos acostumamos a nos ver como se estivéssemos no estágio mais avançado de nossa civilização e como inquisidores profanos nos arrogamos o papel de a tudo julgar, a todos os povos de todos os tempos, mas jamais sermos julgados pelos critérios de outrem, por cremos que somos a nada da civilização. Apedrejamos as gerações passadas como as principais responsáveis pela situação de penúria de nossa educação, mas, somos incapazes de assumirmos a nossa responsabilidade pelas inúmeras debilitações que nada mais são do que fruto de nossa ignorância “modernamente aprimorada”, de nosso olhar anacrônico de desdém frente aos problemas que nos circundam, e diante das problemáticas levantadas por aqueles que a muito deixaram este mundo.      Alias meu caro, o que é um problema, o que é problematizar algo? Por um acaso você não está com problemas para meditar sobre esta indagação levanta por este humilde missivista, está?      É, a pesar de tantos modismos e banalidades, a verdade ainda mantém o seu brilho ofuscante, mesmo diante da opulência de nossa vaidade.   O olhar mórbido dos ruminantes        Petrarca em uma pequena obra sua procurava nos advertir das diferenças que existem entre um amigo e um bajulador, visto que, para uma alma desatenta, a diferença entre ambos parece ser praticamente imperceptível, mas, se atinarmos o mínimo que seja, a nossa percepção, vislumbrará em nossa vista, a face nua e crua da personalidade das pessoas que estão próximos de nós.      Doravante, se entendermos o estudo e o ofício de ensinar como um profundo sentimento de amizade pelo saber, veremos que este anda muitíssimo mal acompanhado.      Primeiramente lembremos que uma amizade para ser valorosa tem que ter sua finalidade em si mesma, pelo que a pessoa é em si e não pelo que ela pode vir a nos proporcionar, correto? Pois bem, quando aos ditos senhores do saber, estes estão a levá-lo a perder a sua graça, pois basta dizer com quem andas que eu direi quem tu és, não é assim que está escrito?      É típico ouvirmos em conferências, e bem como na fala cotidiana de muitos educadores, que devemos procurar ensinar conhecimentos que os alunos possam dar alguma utilidade, que se deve levar ao conhecimento do aluno saberes que ele vá usar hoje, sem aquele bla bla bla de que ele irá utilizar um dia.      Todavia, algo que não atina à retina destes senhores e senhoras é que os saberes que, se assim podemos nos referir, são imprescindíveis para a existência humana não são úteis, mas sim inúteis, ou melhor, dizendo: estão além da utilidade, saberes os quais levam o ser humano a transcender a sua realidade finita e patética.      Ou então me digam: qual a utilidade da poesia e da literatura? Qual a utilidade das artes plásticas e da história? E da Religião e da Filosofia? Nenhuma, pois estes saberes não são para utilizarmos no nosso dia a dia e nem para pensar simplesmente o nosso cotidiano, mas sim, para refletirmos e ponderarmos para além do agora, para assim, transcendermos a dor e a felicidade.      Deste modo, ensine a um garoto apenas a utilidade de algo, e ele um dia pode vir a matá-lo com o saber raso que lhe foi transmitido, mas, ensine-o isso, juntamente com a importância singular que cada indivíduo tem, e ele dará a sua própria vida para salvá-lo.      Será que nos dias de hoje alguém se sacrifica por outrem pelo simples fato dele ser uma pessoa plena de dignidade? Provavelmente não, visto que em tal ato não há utilidade prática alguma, e nem eivamos nenhum regalo de imediato para nossa triste condição de neo-ruminantes.   O olhar mórbido dos ruminantes — parte II        Quem não cola não sai da escola, dizem os alunos em seu vil adágio, mas em contrapartida, não entram no império da maturidade, como muitas pessoas que estão com uma idade biológica avançada.      Lembro aqui, que entendemos por maturidade o mesmo que Aristóteles, onde o mesmo ensinava aos seus discípulos que a maturidade consistia em se aprender com a experiência, a nortear a sua alma pelas veredas retas e não por caminhos oblíquos.      Mas, nesta república de botocudos, ser tido como uma pessoa madura é quase que sinônimo de malandragem. Se você é uma pessoa esguia na malícia e que como dizem, que sabe se dar bem na vida e ceifar dela os mais deliciosos regalos, você será tido como uma pessoa que sabe viver, experiente.      Todavia, aquele que prefere o caminho reto, uma vida honesta e contida quanto aos devaneios que os labirintos deste por vir nos oferta, passa a ser visto como uma pessoa...fora de padrão, boba, se assim nos podemos nos referir.      Um bom exemplo disso, nós podemos verificar no “código moral” da gurizada, onde sinônimo de esperteza é o aluno que cola, que ludibria a si mesmo na crença de que está a enganar o professor. Esquece o mancebo que quem está fingindo (e se prejudicando) que aprende é ele e não o professor (o fingimento dele é outro).      E pobre do aluno que se mantém de forma reta diante dos estudos, se dedicando aos afazeres que lhe são destinados, se dedicando a sugar da herança da civilização o mais tenro mel que é o saber. Este infeliz passa a sofrer na maioria das vezes todas as formas de discriminações possíveis (os CDF’s), pelo crime hediondo de ter sido honesto consigo mesmo e com a sociedade, por cumprir o seu dever.      E este ciclo vicioso continua o seu caminho, e o aluno colador se torna ou o candidato degradado a um cargo político, ou o cidadão, que vê nas eleições um momento de ouro para se dar bem na vida. O aluno que colava, acaba por se tornar o cidadão que sonega seus impostos, que desrespeita as normas de trânsito e que depois, ainda tem a cara de pau de apontar o seu dedo acusador para chamar os membros da classe política de corruptos, do mesmo modo que, quando era mais moço, culpava o seu professor pela sua reprovação.      Não se ensinou ao garoto que amadurecer é acima de tudo se assumir responsável pelos seus atos e pela conseqüência deles e isso, só se aprende quando passamos a refletir e a ponderar sobre nossas experiências, sugando este doce favo de mel, que é a saberia. Mas, é óbvio que este favo está envolto de inúmeras abelhas, prontas para ferroá-lo, visto que, aprender e amadurecer dói, pois, o caminho da verdade é um caminho de pedras e não de flores. (continua)   O Olhar Mórbido dos Ruminantes — Parte III        Os adágios populares sempre revelam verdades perenes sobre a constituição da natureza humana, verdades universais que transcendem as limitações geográficas e bem como temporais, mas também, estes pequenos aforismos que emanam da boca de populares, muitas das vezes revelam aspectos doentios de nossa constituição psicológica.      Um exemplo disso e que alias, mais nos interessa neste momento, é o dito: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Estas poucas palavras revelam o quanto que somos hipócritas em muitos momentos de nossas vidas enquanto educadores e enquanto pais. Lembremos sempre que as palavras são mudas e neurastênicas diante do poder silencioso de fala de nossos gestos e estes, como bradam em auto em bom som a sua mensagem.      E quando passamos a ver a educação por este viés, podemos vislumbrar a magnitude de sua problemática. É óbvio que todos nós sabemos da relevância de nossos atos mais corriqueiros influem na constituição dos pequenos, mas por serem tão obvias, a impressão que nos passa é que todos nós fazemos questão de fazer vistas grossas diante deste fato. Mas que fato?      De que a educação de uma criança começa no mínimo dezoito anos antes de seu nascimento, a partir de nossa própria educação, de nossa formação enquanto ser humano, pois não podemos nos esquecer que o adulto sempre será o espelho da criança, onde este mancebo procurará os exemplos, os valores e o que ele julga serem virtudes aos quais procurará imitar e assimilar, para assim constituir a sua personalidade.      E é justamente nas idades mais tenras que nós forjamos as bases de nossa personalidade, visto que, a criança nada mais é que o pai do adulto, como nos lembra Platão. Deste modo, como queremos apontar uma possibilidade de grandeza para os nossos pequenos sendo o que apresentamos como símbolo de virtude, não passam de um amontoado de massa humana viciosa? Pergunte-se o que há no centro de uma sociedade, que valores ela julga serem mais elevados para o reconhecimento público de uma pessoa que você terá desnuda a sua face.      Como pessoas como nós, que sempre procuramos dar um jeitinho sórdido em tudo, uma sociedade que destaca uma pessoa pelo seu protuberante glúteo, que supervaloriza o emotivo (barato) em detrimento da razão? Quais as virtudes de uma sociedade que em 2001/2002 gastou mais em peitos de silicone e viagra do que em pesquisas sobre o mal de Alzheimer?      E é esta a sociedade que quer educa as idades mais tenras, que proclama um mundo melhor. Pobres pequenos! Se a educação é a herança de uma civilização, obre deles que recebem este fardo chulo, e pobre dos mortos, que tem suas memórias maculadas. E quanto às gerações vindouras, é melhor nem falarmos de sua sorte.   S/cem Soluções        Já é lugar comum se ver muitas pessoas a culparem outrem pela sua situação calamitosa, acreditando sempre que o mundo está conspirando contra ele. Uma pessoa quando comete um crime, ela o fez não pelo fato de ter assim optado, mas sim, por causa de um trauma de infância, porque a sociedade o excluiu, ou pelo fato de o sistema lhe limitar as oportunidades, ou porque os gringos são extremamente ricos e nós desgraçadamente pobres.      Engraçado, se a responsabilidade pela minha circunstância, no sentido que Ortega y Gasset apregoa a este termo, jamais é minha, isso quer dizer que eu posso fazer qualquer coisa, sem ter que responder pelas conseqüências que este meu ato trará, correto? Isso quer dizer que eu poderia fazer o que me desse na telha, pois seria eu uma vítima desta trama que foi armada contra minha pessoa? Obviamente que discordo de tal posição, mas para aqueles que crêem no que foi postulado acima, pergunto-lhes: se tudo que muitos indivíduos fazem de errôneo é justificável, por que os mesmos não fazem, como muitos outros que estão em circunstâncias similares e às vezes idênticas, que ao invés de olhar com pesar o mundo a sua volta, estes procuram apresentar uma solução para suas vidas e às vezes para as de outros que estão próximos dele sem destruir a vida de outras pessoas que eles desconhecem?      É claro que, para agir deste modo, urge primeiramente que se assuma como responsável pela sua circunstância e se reconheça como único agente capaz de transformar a sua vida, pois, se assim não agirmos jamais alguém, mesmo que lhe estenda as duas mãos, poderá transformar de forma positiva a sua vida.      Deste modo, a solução para nossos dilemas existenciais não se encontra nos exemplos dados pelos nossos representantes políticos, mas quem sabe, em nossos atletas. Isso mesmo. Estes distintos homens e mulheres que enfrentam inúmeras dificuldades procurando fazer das tripas coração para alcançarem os seus objetivos, que na maioria das vezes não são nem um pouco pequenos.      Estas pessoas não dão simplesmente 100% de seu potencial, mas sim, 110% ou mais de si. E é isso que faz a diferença entre um povo vencedor e um que se faz de coitadinho. Vocês pararam para reparar a força que havia no olhar de um atleta como o Ronaldo, quando estava disputando uma partida na COPA passada? Esta força não vinha tão somente de sua grande habilidade com a pelota, mas principalmente de seu amor pelo que ele faz e pela responsabilidade que ele investiu em si mesmo e sem esquecer, obviamente, do fator que faz a diferença entre a boa-venturança e a danação, que é a autodisciplina.      Por isso digo: entre quem entrar após este pleito, nós brasileiros só conseguiremos solucionar os nossos problemas que a várias centúrias urgem por soluções, quando começarmos a não simplesmente acharmos que se nós dermos apenas 50% de nosso potencial já será o suficiente para passarmos e superarmos esta etapa da vida. Ora, isso é pensamento de aluno vadio, que quer levar tudo no jeitinho, nas cochas.      Por isso, para mudar um país, não basta votarmos certo, pois a postura de um governante sempre corresponde à índole de seus governados. Urge que sejamos melhores que nós somos, pois, como nos lembra F. Nietzsche, alcançar um ideal é superá-lo e não nos agarrarmos nele como a um carrapato sedento pelo sangue de sua vítima.      Assim sendo, enquanto continuarmos a olhar para estes como uma desculpa para justificar a nossa dramática circunstância, continuaremos na mesma, pois grande é a alma que é capaz de ser maior que a própria dor e que consegue fazer germinar pujança onde só há aridez lembrando que, o que mais vale não é fazer a diferença e o bem quando se esta no regozijo de uma vida tranqüila (o que não deixa de ter sua importância), mas sim, quando não se há mais esperança e tudo parece levar-nos a decrepitude.      Deste modo, pergunto-lhe meu caro leitor: o que você faz nos momentos de penúria: procura responsáveis, culpados pela sua circunstância ou procura olhar a diante dos horizontes no intento de solucioná-los? Esta é a diferença entre o cidadão CDF e o que a tudo empurra com a barriga.   As veredas que mais lhe apraz        Não há nada de errado em você não ter conhecimento de algo, e assumir isso. Nada mais natural que se responder quando indagado sobre algum assunto que não se tem uma opinião formada quanto ao mesmo pelo simples fato de julgarmos não termos subsídios suficientes para expressar não uma posição definitiva, mas simplesmente, para apresentar um parecer pleno de sinceridade.      Não há nada de errado em você não ter conhecimento de algo, e assumir isso. Nada mais natural que se responder quando indagado sobre algum assunto que não se tem uma opinião formada quanto ao mesmo pelo simples fato de julgarmos não termos subsídios suficientes para expressar não uma posição definitiva, mas simplesmente, para apresentar um parecer pleno de sinceridade, visto que, já nos ensinava o finado Eça de Queiroz, para que possamos ponderar sobre algo e assim ensinar este a outrem, faz-se necessário apenas uma única competência: Saber.      Diante disso, vemos no cenário nacional, verdadeiros usos e abusos no que se convencionou a ser chamado de debate. Pelo que este humilde missivista entende por debate seria uma contenda de idéias, seria quando duas ou mais pessoas, com posições distintas quanto a um determinado assunto e que estas tenham o mínimo conhecimento do que estão falando. Digamos assim: eu levaria algumas idéias e o outro traria algumas outras e realizaríamos uma permuta. O problema é quando um trás algumas idéias e o outro apenas a sua baba enfurecida, como se esta fosse grande coisa.      Deste modo, o que vemos com grande periodicidade são cenas assim, onde grupos de pessoas, todas compartilhando da mesma opinião quanto ao assunto que está em pauta e a isso, eles tão o nome de debate. Bem, no meu dicionário isso se chama consenso, hegemonia, mais jamé, um debate. Porém, estes tipos de cenas se tornaram tão corriqueiras que quando as pessoas se deparam com elas, muitas das vezes para não dizer na maioria, passam a ter uma impressão confusa quando ao que se está sendo exposto ao invés de ter uma visão mais clara da realidade, visto que, o compromisso dos supostos debatedores não é trazer a baila a verdade, mas sim, pura e simplesmente convencer os observadores que eles estão com ela, apenas de na maioria das vezes não estarem. Além disso, nos supostos debates, onde todo mundo tem a mesma posição quanto ao que se está em “discussão”, podemos vislumbrar com clareza a construção de uma imagem maniqueísta da realidade, onde eles, os defensores dos fracos e oprimidos seria os únicos representantes “legais destes”, se auto intitulando como os mocinhos da história, os do bem. E todos aqueles que se opuserem a eles, são mais do que imediatamente tachados de representantes das Potestades das Trevas, de infiéis, ou simplesmente que vão arder no inferno, os reacionários.      Doravante, para auxiliar neste ardil diabólico, se assim pudermos nos referir, que castra qualquer possibilidade de debate, faz-se o uso em larga escala de topus, de lugares comuns da linguagem para denominar, desarmar os seus oponentes, que por sua vez, são meras palavras, slogans que são apresentados como a resposta definitiva para tudo, mas, ao mesmo tempo, não querem dizer muita coisa, para não dizer nada.      Um exemplo disso, são termos com conservador, reacionário, de direita, tradicional, etc. Quando um debatedor apresenta seus argumentos e estes põem em risco a sua posição de baluarte hipotético da libertação da sociedade, este, antes de apresentar os seus artifícios retóricos, faz uma introdução similar a esta: “mas estas suas posições são muito reacionárias!” Automaticamente, esta expressão como as demais que foram apresentadas no início deste parágrafo, acabam por remeter no imaginário coletivo a uma imagem retrógrada, maléfica, superada