Pensadores Anarquistas e Militantes Libertários
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Arquivo de História Social Edgar Rodrigues
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©2000,2006 Arquivo de História Social Edgar Rodrigues
ÍNDICE
—GODWIN, William
—PROUDHON,Pierre-Joseph
—BAKUNIN, Mikhail
—STIRNER, Max
—TOLSTOI, Liev
—KROPOTKIN, Piotr
—VASCO, Neno
—MALATESTA, Errico
—PARSONS, Lucy
—GOLDMAN, Emma
—CLEYRE, Voltairine de
—READ, Herbert
—MOURA, Maria Lacerda
—MONTSENY, Federica
—BOOKCHIN, Murray
—CHOMSKY, Noam
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E
DATAS ANARQUISTAS
(Em Francês)
Ephemeride Anarchiste
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Escritor e filósofo inglês, considerado o percursor do pensamento
anarquista moderno, nasceu em 3 de março de 1756 em Wisbeach de uma
família de dissidentes calvinistas.
Seguindo a tradição da família, estudou teologia e foi
nomeado pregador em 1778, chegando a ser pastor em diversas comunidades
dissidentes até 1883. Influenciado pelas idéias da
Revolução Francesa, sobretudo de Rousseau e Helvétius,
afastou-se da religião, iniciando então sua reflexão
sobre a realidade social.
Nessa época ligou-se a um famoso grupo de intelectuais e trabalhadores
revolucionários que se reuniam nas tabernas de Londres, tornando-se
amigo de Thomas Paine, autor de Os Direitos do Homem. Em 1791
conheceu, nesse círculo, a que seria sua companheira Mary Wollstonecraft,
percursora do feminismo, que em 1792 publicou a Reivindicação
dos Direitos da Mulher. Dessa relação nasceu Mary
Wollstonecraft Godwin futura companheira do poeta Shelley e autora da novela
Frankstein.
A partir de 1871 começou a elaborar seu livro
Investigação Acerca da Justiça
Política, editado em 1873. O livro causou escândalo
e polêmica na sociedade inglesa pelas suas idéias filosóficas
e políticas revolucionárias, tornando Godwin famoso.
Nos anos seguintes escreveria várias obras literárias, das
quais a mais famosa é Caleb Williams (1794), onde volta a expor suas
idéias na forma literária. Godwin é o primeiro pensador
a considerar que todo o estado e todo o governo é um mal, e que a
sociedade poderia existir sem eles, sendo considerado um percursor do anarquismo
moderno.
Aquele que foi um autor famoso, morreu anonimamente em março de 1836,
quando começava a se desenvolver o movimento socialista que iria
aprofundar as idéias inovadoras que tinha analisado na sua obra.
Aquele que Bakunin considerava o mestre de todos os anarquistas, nasceu em
França em 1809, numa família do povo.
Operário, tipógrafo, autodidata, desenvolveu suas próprias
teorias sobre organização social, baseada na cooperação
e mutualismo. Em 1840 publicou o livro O Que é a
Propriedade?, onde se declara pela primeira vez anarquista. O livro
foi elogiado por Marx, que o tentaria atrair mais tarde (1846) para um grupo
de pensadores socialistas. No entanto, Proudhon na resposta a Marx questiona
a criação de novos dogmas, o que levaria à ruptura com
o socialista alemão.
Nessa época, 1844-1845, teve encontros em Paris com Bakunin e Marx.
Mas logo em 1846 Marx escreveu o livro Miséria da Filosofia
que é uma crítica violenta ao livro de Proudhon a Filosofia
da Miséria.
Em 1848 Proudhon foi eleito deputado à Assembléia Nacional
por Paris. Em julho desse ano pronunciou uma discurso violento na
Assembléia onde expõe a oposição entre
proletários e burgueses, sendo objeto de advertência pelo Presidente
do parlamento.
No ano seguinte Proudhon tentou organizar o Banco do Povo, que não
conseguiu prosperar. Seus artigos no jornal Representant du Peuple e Le
Peuple valem-lhe vários processos judiciais que o obrigam a se
exilar na Bélgica.
De volta à França foi preso em 1849 tendo ficado na prisão
até 1852, onde continuou escrevendo.
A edição do livro De la Justice dans la Révolution
et dans L'Eglise, esgotado em poucos dias, provocou novo escândalo
e um novo processo judicial, que o obrigou a exilar-se, novamente, em Bruxelas.
Regressou a França onde publicou novos livros entre os quais o
Princípio Federativo e Da Capacidade Política das
Classes Trabalhadoras que forneceu a base teórica do
anarco-sindicalismo, defendendo que o "proletariado deve emancipar-se sozinho".
Morreu em 1865, pouco depois da fundação da Primeira Internacional,
criada em grande parte por iniciativa de operários mutualistas franceses.
O mais brilhante dos teóricos e agitadores anarquistas, nasceu em
Premukhino, Rússia em 11 de maio de 1814, originário de uma
rica família da nobreza russa.
Depois de ter seguido a carreira militar, abandonou o exército em
1832, quando começou a opor-se ao czarismo. Mas a sua ligação
a idéias progressistas se deu a partir das suas leituras de Hegel,
a amizade com o revolucionário russo Herzen e principalmente a partir
da sua viagem ao Ocidente em 1840, quando freqüentou a Universidade
de Berlim e o círculo dos hegelianos de esquerda em Berlim e Dresden
na Alemanha, colaborando na revista crítica Anais Alemães
de Arnold Ruge.
Em 1843, aproximou-se do pensamento socialista a partir do contato com
Moïse Hess e Proudhon, só vindo no entanto a se tornar um anarquista
já nos anos 60, no seu exílio europeu. Durante os anos de 1848-1849
tomou parte ativa nas rebeliões que ocorreram em Paris, Praga e em
Dresden ao lado de seu amigo Richard Wagner. Preso após a rebelião
de Dresden, esteve em prisões da Saxônia e da Áustria,
tendo sido entregue à polícia do Czar.
Depois de doze anos nas prisões czaristas, em 1861 conseguiu escapar
para o ocidente, tendo vivido na Inglaterra, Suíça e Itália
onde conheceu Giuseppe Fanelli que com ele colaboraria na divulgação
do anarquismo em Espanha.
Por todo lado em que passou Bakunin participou da agitação
social e da fundação de associações
revolucionárias, tornando-se o mais conhecido revolucionário
da sua época. A atração que Bakunin exercia sobre os
círculos revolucionários esteve na origem de um dos episódios
mais polêmicos da sua vida, as relações que manteve entre
1869 e 1872 com Netchaiev (1847-1882) um jovem revolucionário russo
ligado ao grupo de Vera Zassoulitch, descrito como um jovem fanático,
frio e cínico, que viria a ser o autor do Catecismo
Revolucionário. Netchaiev, não só provocou
inúmeros conflitos nos círculos dos exilados russos, como manteve
uma atividade revolucionária inconseqüente que provocou
repercussões negativas na Rússia. O comportamento de Netchaiev
e suas teorias de que o fim justificam os meios, completamente afastados
da tradição anarquista, foram repudiados expressamente por
Bakunin a partir de 1870.
A adesão de Bakunin à AIT, em 1868, foi decisiva na
evolução das discussões entre as concepções
de socialismo de estado e de socialismo libertário. Bakunin e Guillaume,
foram os principais representantes da corrente anarquista que se opunha a
Marx. Durante o Congresso de Haia, em 1872, foi oficialmente expulso juntamente
com anarquistas de vários países da Internacional pelos marxistas.
O comportamento de Netchaiev viria a ser usado pelo grupo marxista da AIT
como um dos argumentos para expulsar Bakunin da Primeira Internacional.
Nos últimos anos da sua vida, Bakunin não deixou de acompanhar
os movimentos revolucionárias que ocorreram na Europa, entre os quais
a tentativa revolucionária de 1874 em Bolonha na Itália.
Seus principais livros são Deus e o Estado; Federalismo,
Socialismo e Antiteologismo e Estatismo e Anarquia.
Faleceu em 1 de julho de 1876, em Berna, na Suíça.
Pseudônimo do pensador alemão Kaspar Schmidt, nascido na Baviera,
Alemanha, em 1806, filho de um artesão.
De 1826 a 1828 estudou em
Berlim, onde foi aluno de Hegel e Feuerbach, tendo voltada a essa universidade
de 1832 a 1834. A partir de 1842 fez parte do círculo de intelectuais
radicais Jovens Hegelianos que se reunia em torno de Arnold Ruge e Bruno
Bauer, que tanto influenciaram Marx e Bakunin. Foi nas reuniões desse
grupo que Engels o conheceu.
Professor solitário, escreveu O Falso
Princípio da Nossa Educação que seria publicado em 1842
por Marx na revista do grupo A Gazeta Renana.
Seria no entanto O Único
e sua Propriedade, publicado em 1884, que o iria tornar famoso,
transformando-o no teórico do anarquismo individualista. Um dos alvos
da crítica de Marx e Engels no livro A Ideologia Alemã seria
Stirner, que rapidamente, no entanto, acabaria esquecido, vindo a ser
redescoberto mais tarde por Henry Mackay.
Sua vida, marcada pela pobreza
e pela tragédia, certamente contribuíram para a
elaboração de um pensamento que tem como centro o indivíduo
solitário: o único que não deve sujeição
a nada nem a ninguém. Seu livro valeu-lhe a celebridade e o
escândalo: implodia com convenções, moral, mas também
toda a doutrina social, política e filosófica de seu tempo.
Ao afirmar: "livre não o sou em nenhum Estado" ou "todo o Estado é
despótico". No entanto, sua idéia de um "eu" absoluto, mesmo
quando ligada à sua concepção de um associativismo de
egoístas, estava longe das idéias e valores que se expressaram
no anarquismo social e mesmo no individualismo anarquista posterior. Stirner
que se definia como Único, certamente o foi como pensador radical
original, e nesse sentido é difícil classificá-lo, mesmo
que por seu anti-estatismo e espírito herético era um
libertário.
O pensamento de Stirner no movimento anarquista teve uma
influencia limitada, ganhando sua obra uma maior divulgação
a partir de 1888, quando o poeta anarquista John Henry Mackay, escreveu sua
biografia e algumas obras onde divulgava o anarquismo individualista. A partir
de então suas teorias cativaram alguns círculos libertários
alemães, norte-americanos e especialmente do individualismo francês,
muito ativo no final do século XIX e começo do século
atual.
Morreu esquecido e na miséria aos 49 anos, a 25 de julho de
1856.
Este genial escritor russo nasceu em 1828 em Iasnaia Poliana. Filho de uma
importante família ligada aos Czares, ficou órfão ainda
criança.
Entrou na Universidade de Kazan onde estudou línguas
orientais e direito. Em 1847, por herança tornou-se senhor de vastas
terras em Iasnaia-Poliana.
Depois de ter servido no exército, em 1856,
viajou pela Europa visitando vários países, regressando então
à sua terra natal para administrar suas terras e dedicar-se à
literatura.
Em 1861, voltou novamente a França para visitar seu
irmão que se estava doente aproveitando para se encontrar com Proudhon.
Com uma vida pessoal cheia de conflitos e uma personalidade dividida, Tolstoi
aproximou-se, gradualmente, de uma posição pacifista e anarquista,
recusando toda a forma de governo e poder.
Na sua terra natal criou uma escola
marcadamente libertária, próxima das experiências de
Ferrer e da Escola Moderna, tendo pessoalmente escrito os livros usados na
escola.
Seus textos autobiográficos A Minha Confissão e Qual
é Minha Fé foram apreendidos mas, mesmo assim, tiveram ampla
difusão clandestina.
Perseguido e excomungado pela Igreja, seus
últimos anos são de engajamento social. Os escritos
filosóficos influenciaram o aparecimento de comunidades e de uma corrente
de anarquismo cristão, sobretudo em França, Holanda e EUA.
Exerceu também, juntamente com Kropotkin e Thoreau, forte influência
sobre um dos mais importantes pacifistas modernos: Gandhi, com quem chegou
a manter correspondência. Faleceu em 1910.
Escritor, filósofo e militante anarquista russo, nascido na nobreza
russa em Moscou, em 1842.
Depois de passar pelo Corpo de Pagens, já
oficial, foi para a Sibéria onde realizou importantes levantamentos
geográficos. Desligou-se do exército e tornou-se geógrafo,
tendo percorrido a Sibéria e a Manchúria, onde pode conhecer
de perto miséria dos povos sujeitos ao Czarismo.
Em 1872, realizou
uma viagem à Bélgica e à Suíça, onde entrou
em contato com os anarquistas da Federação do Jura,
tendo-se filiado na AIT.
De volta à Rússia, começou
uma militância em grupos clandestinos, o que o levaria aos cárceres
czaristas. Depois de uma fuga espetacular, exilou-se no Ocidente, tendo retomado
seus contatos com os anarquistas suíços, fundando e editando
em Genebra, em 1879, o jornal Le Révolté, até
ser novamente preso na França, em 1882.
Libertado em 1885, depois
de um amplo movimento de intelectuais e cientistas, entre os quais Herbert
Spencer, Ernest Renan e Victor Hugo, refugiou-se na Inglaterra. Conviveu
com os principais intelectuais da sua época e foi colaborador da
Geographical Society. Em alguns de seus livros, Kropótkin tentou
buscar uma base científica para o pensamento anarquista. E, se de
sua pesquisa saíram trabalhos que ainda hoje desafiam o leitor, certamente
incorreu também no erro de um racionalismo e otimismo científico
típicos da sua época. Mas, foi certamente como propagandista
revolucionário, que Kropótkin se tornou o mais traduzido e
lido de todos os pensadores libertários.
Seus livros faziam parte
da biblioteca dos camponeses e operários em quase todos os países.
Palavras de um Revoltado, Aos Jovens, Ética, O Estado
e seu Papel na História tiveram edições em
inúmeras línguas e em todos os continentes. O seu verbete sobre
o anarquismo publicado na edição da Encyclopaedia
Braitannica de 1910 é, até hoje, uma das mais bem elaboradas
definições.
Voltou à Rússia durante a
Revolução de 1917. Crítico do autoritarismo comunista,
escreveu a Lenin em março de 1920, denunciando a evolução
autoritária que estava ocorrendo, divulgando, em junho, uma carta
aberta aos trabalhadores do ocidente onde alertava para a evolução
da Revolução Soviética. Em 21 de dezembro, voltou a
fazer novas críticas em carta enviada ao dirigente comunista. Morreu
em 8 de fevereiro de 1921. Seu funeral foi a última grande
manifestação pública do anarquismo russo.
Entre os seus
principais livros estão A Conquista do Pão, Apoio
Mútuo, Campos, Fábricas e Oficinas, Ética
Anarquista e A Grande Revolução.
Advogado, jornalista e escritor anarquista, nascido em Portugal a 9 de maio
de 1878. Seu nome era Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós
e Vasconcelos, mas ficaria conhecido por Neno Vasco.
Fez parte do grupo
de estudantes da Universidade de Coimbra que aderiram ao anarquismo no
começo do século.
Formado em direito, emigrou para o Brasil
em 1901, para se juntar a seu pai. Em São Paulo logo entrou em contato
com anarquistas como Benjamim Mota, Ricardo Gonçalves e os
libertários italianos. Participou então da edição
de O Amigo do Povo, que começou a circular em 1902. Algum tempo
depois lançou a revista Aurora. Este movimento editorial haveria
de contribuir para o crescimento da influência libertária nos
meios operários. Nas páginas da Voz do Trabalhador travou
uma polêmica sobre as relações entre anarquismo e
sindicalismo, que é fundamental para entender a forma como os
libertários se situaram face ao movimento operário e suas
organizações.
Em 1911, regressou a Portugal onde continuou
a desenvolver sua militância anarquista, colaborando com a imprensa
anarquista brasileira como correspondente. Na revista anarquista portuguesa
A Sementeira escreveu sobre a situação social no Brasil.
Neno Vasco, licenciado em direito, intelectual brilhante, um dos mais influentes
militantes libertários de Portugal e do Brasil, morreu de tuberculose
e pobre em 1920, no norte de Portugal.
O seu principal livro é A
Concepção Anarquista do Sindicalismo, publicado em 1923
pela editorial do jornal anarco-sindicalista A Batalha e re-editado
em 1984.
Principal pensador anarquista italiano, nasceu em 1853 no sul de Itália,
filho de uma família abastada.
Desde jovem se iniciou em atividades contestatárias, que provocaram
sua prisão em 1868 e a suspensão na Universidade de Nápoles,
onde estudava medicina, em 1870.
Em 1871 aderiu à Associação Internacional dos Trabalhadores
e no ano seguinte conheceu Bakunin por ocasião do Congresso de Saint
Imier, tendo esta relação tido uma influência decisiva
em toda a sua militância anarquista posterior. Juntamente com Cafiero
e outros militantes, em 1877, preparou o movimento "Levante de Benevento",
que se tornou legendário na luta social italiana, quando um grupo
anarquista percorreu essa região do sul de Itália distribuindo
armas à população e queimando os arquivos públicos,
declarando o comunismo libertário. Devido à sua militância
libertária passou várias vezes pelas prisões.
Na Congresso Anarquista de Londres de 1881 propôs a criação
de uma Internacional Anarquista. Em 1885 exilou-se na Argentina, onde com
os primeiro núcleos anarquistas desenvolveu uma ativa propaganda das
idéias anarquistas, tendo publicado o jornal bilingüe Questione
Sociale. Regressou à Europa em 1889 instalando-se em França,
donde teve de partir para a Inglaterra.
Tal como muitos outros militantes, também Malatesta desenvolveu atividade
revolucionária em diferentes países: Egito, França,
Bélgica, Argentina e Espanha são alguns dos países onde
esteve.
Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial foi um dos defensores do
internacionalismo contra os que defendiam - mesmo dentro do anarquismo -
o envolvimento com uma das facções beligerantes.
Seu jornal Umanità Nuova tinha uma tiragem de 50.000 exemplares
e era um dos animadores do anarco-sindicalismo italiano da USI.
Morreu em 22 de julho de 1932 em pleno advento do fascismo sob liberdade
vigiada. Uma das principais brigadas anarquistas da resistência italiana
levou o seu nome.
Militante operária e anarquista americana. Segundo seu depoimento
seria filha de mãe mexicana e de um índio e após ficar
órfã aos três anos foi levada para um rancho do Texas
onde foi criada por um tio. Alguns pesquisadores, no entanto, acreditam que
Lucy era filha de escravos do Texas.
Em 1870, conheceu Albert Parsons, um
ex-soldado confederal que se veio a tornar um republicano radical e mais
tarde militante anarquista. Forçados a sair do Texas pelo seu casamento
inter-racial foram para Chicago onde logo se ligaram aos setores
revolucionários que começavam a desenvolver o movimento sindical.
A partir de 1878 Lucy colabora no jornal O Socialista, a partir daí
torna-se uma escritora e agitadora com um papel decisivo na
organização operária de Chicago. Em 1883 foi uma das
fundadoras da International Working People's Association (IWPA), uma
importante organização anarquista internacionalista e defensora
da ação direta que se distinguia por defender a igualdade das
mulheres e dos negros. Lucy além de militar na organização
era uma colaboradora regular do seu jornal O Alarme, onde apelava
à ação direta contra os ricos e os poderosos.
Muitos
dos seus artigos tratavam também da questão do racismo e da
discriminação defendendo a necessidade dos negros se integrar
à luta social contra o capitalismo.
Em 1886 a IPWA foi uma das
organizações que desencadeou a greve geral em defesa das 8
horas de trabalho no primeiro de maio, que levou aos acontecimentos
da Praça Haymarket e ao famoso processo dos Mártires de Chicago
em que a justiça americana condenou à morte de três
conhecidos militantes operários e anarquistas, entre os quais o Albert
Parsons.
Após o enforcamento do seu marido, manteve uma presença
ativa no movimento operário e anarquista, participando em 1905 da
fundação da confederação sindical
revolucionária IWW e colaborou no jornal O Libertador.
Nos anos 30, no contexto da avanço do nazi-fascismo, decidiu aderir
ao Partido Comunista.
Lucy Parsons morreu no incêndio da sua casa em
1942, após meio século de intensa militância, onde se
destacou como uma das mais importantes mulheres do movimento operário
e anarquista americano. Seus livros e documentos pessoais foram apreendidos
arbitrariamente pela polícia após o incêndio.
Anarquista russa, nascida na Província de Kovno, a 27 de junho de
1868. Em 1882 foi com seus pais para São Petersburgo.
Aos dezassete
anos, influenciada pelo movimento intelectual russo no sentido de ir para
o povo, tornou-se operária.
Emigrou para os Estados Unidos em 1886,
instalando-se em Rochester, onde acompanhou as lutas operárias pelas
8 horas de trabalho, que provocaram o enforcamento dos quatro militantes
anarquistas de Chicago em 11 de novembro de 1887. Esse fato e a
relação com ativistas como Joana Grei, J. Most e Voltarine
de Cleyre, levaram Emma Goldman a aderir ao anarquismo. Mudou-se para Nova
York onde iniciou sua atividade militante, sendo presa várias vezes.
Em 1893 cumpriu um ano de prisão.
Oradora famosa, foi uma das principais
agitadoras anarquistas dos EUA, tendo sido a fundadora da importante revista
libertária Mother Earth.
Amiga e companheira de Alexander Berkman,
lutou durante 14 anos pela sua libertação, o que só
veio a ocorrer em 1906.
Em 1919 foi expulsa junto com Berkman e mais de duzentos
revolucionários para a Rússia. Mas logo foi obrigada a abandonar
esse país por discordar dos métodos autoritários dos
comunistas. Viajando pela Europa e Canadá fez conferências onde
denunciou a repressão que se iniciava na Rússia.
Com o começo
da Revolução Espanhola, vai para Barcelona em 1936, percorrendo
a Espanha em ações de agitação e apoio à
causa revolucionária. Em Londres ajudou a fundar um grupo de
coordenação da ajuda a Espanha.
Lutadora da causa operária,
defensora dos direitos da mulher e adepta do amor livre, Emma Goldaman, deixou
seus escritos espalhados por inúmeras publicações de
todo o mundo. Seus principais livros são Living My Life, Anarchism
and Other Essays e Puritanismo e Outros Ensaios.
Morreu em 14 de maio de
1940, aos setenta anos em Toronto, Canadá tendo sido sepultada em
Chicago junto aos militantes operários assassinados no século
XIX.
Ativa militantes e agitadora anarquista americana. Nasceu em 17 de novembro
de 1869, em Michigan.
Filha de um livre pensador de origem belga seu nome
é homenagem a Voltaire foi educada num colégio católico
no Canadá, de onde fugiu.
Iniciou sua militância social como
livre-pensadora, tornando-se anarquista na seqüência dos
acontecimentos do Primeiro de Maio de 1886, em Chicago.
Amiga do pensador
anarquista Dyer Lum e de Emma Goldman, quando esta foi processada por sua
militância em 1893, Voltairine escreveu o ópusculo Em Defesa
de Emma Goldman do Direito de Expropriação. Em 1897 esteve
em França e na Inglaterra, conhecendo em Londres Kropotkin e o grupo
editor do jornal Freedom, estabelecendo também contato com os exilados
espanhóis.
Colaboradora da imprensa anarquista, principalmente da
revista Mother Earth, escritora de mérito, conferencista famosa, percorreu
os EUA fazendo propaganda das idéias libertárias. Muitas das
traduções de obras anarquistas editadas nos EUA no final do
século XIX, são de sua autoria.
Depois de vinte e cinco anos
de militância, Voltairine de Cleyne morreu aos 46 anos de idade, em
junho de 1912, em Chicago, devido a um ferimento resultante de uma tentativa
de assassinato anos antes.
Poeta e crítico de arte anarquista, nasceu em 1893 em Yorkshire,
Inglaterra de uma família de agricultores.
Foi conservador do Victoria
and Albert Museum de Londres e professor de Arte na Universidade de Edimburgo,
Cambridge, Liverpool, Londres e Harvard.
Aproximou-se do anarquismo a partir
de leituras de Kropotkin, Bakunine, Tolstoi e Ibsen.
Seus livros Poesia e
Anarquismo (1938), Educação pela Arte (1943), Arte e
Alienação (1967), Filosofia do Anarquismo (1940), O meu Anarquismo
(1966), explicitam a filosofia dum intelectual culto e irrecuperavelmente
anarquista. Seu pacifismo e suas idéias sobre educação
libertária, tornaram-no um dos autores anarquistas mais atuais.
Herbert
Read gostava de afirmar: "Uma civilização que, de maneira
sistemática, recusa o valor da imaginação e a destrói,
está condenada a soçobrar numa barbárie cada vez mais
profunda".
Morreu em 1968.
Professora, jornalista e escritora anarquista, nascida em Minas Gerais a
16 de maio de 1887.
Desde cedo se interessou pelo pensamento social e pelas
idéias anticlericais.
Formou-se na Escola Normal de Barbacena, em
1904, começando a lecionar nessa mesmo escola. Inicia então
um trabalho junto das mulheres da região, incentivando um mutirão
para construção de casas populares para a população
carente da cidade. Fundou a Liga Contra o Analfabetismo, e como educadora
adotou a pedagogia libertária de Ferrer.
Após de mudar para
São Paulo, começou a dar aulas particulares e a colaborar na
imprensa operária e anarquista brasileira e internacional.
No jornal
A Plebe escreveu principalmente sobre pedagogia e educação.
Ativa conferencista, tratava de temas como educação, direitos
da mulher, amor livre e antimilitarismo, tornando-se conhecida não
só no Brasil, mas também no Uruguai e Argentina onde foi convidada
por grupos anarquistas.
Em fevereiro de 1923 lançou a revista
Renascença, uma publicação cultural que foi divulgada
no movimento anarquista e entre setores progressistas e livre-pensadores.
Pode ser considerada uma pioneira das principais pioneiras do
feminismo no Brasil e uma das poucas que se envolveu com o movimento
operário e sindical.
Entre seus livros destacam-se: Em torno da
educação; A Mulher Moderna e o seu papel na Sociedade
Atual; Amai e não vos Multipliqueis; Han Ryner e o Amor
Plural.
Militante anarquista espanhola.
Nasceu em Madri filha de dois dos mais conhecidos
anarquistas catalães Joan Montseny (Federico Urales) e Teresa
Mané (Soledad Gustavo), fundadores em 1898 de uma das mais
importantes publicações do anarquismo ibérico, a Revista
Blanca.
Desde cedo Federica Montseny militou na CNT, tornando-se famosa como
oradora, ao mesmo tempo que colaborava com as atividades editoriais de sua
família. Em 1930, passa a viver com o também militante anarquista
Germinal Esgleas.
A partir de 1936 integra o comitê regional da CNT
e o comitê pninsular da FAI.
Durante a Revolução foi
escolhida para integrar o Governo Republicano como ministra da saúde.
Esta participação embora tenha obtido um amplo apoio do movimento,
gerou polêmica e divisões entre os anarquistas. Durante o tempo
em que foi ministra aprovou uma lei legalizando o aborto. Com a derrota exilou-se
em França, onde esteve várias vezes presa.
Foi uma personagem
central do Movimento Libertário no exílio, mantendo ao longo
de toda a sua vida uma atividade militante, fazendo parte do grupo que se
opôs ao frentismo e colaboracionismo político. No entanto,
contraditóriamente, mereceu críticas, entre setores das Juventudes
Libertárias, por se opor às tentativas de manter atividades
clandestinas em Espanha, principalmente ações armadas.
Faleceu
em Toulouse (França) a 14 de janeiro de 1994.
Pensador e militante anarquista contemporâneo, nascido nos EUA em 1921,
filho de operários de origem russa, militantes da IWW.
Depois de ter
sido militante comunista, rompeu nos anos 50, com o marxismo-leninismo,
influenciado pela Revolução Espanhola e pela Revolução
Húngara de 1956. A partir daí, tornou-se anarquista, sendo
considerado hoje um dos principais teóricos do pensamento
libertário.
Ligado aos movimentos alternativos, participou das lutas
dos anos 60 pelos direitos civis e contra a guerra do Vietnã. Em 1968
foi para Paris, onde acabou participando das lutas de maio.
Sua reflexão
centra-se sobre a ecologia social, os problemas urbanos e a
implantação de um municipalismo libertário, sendo seu
primeiro livro sobre ecologia de 1962.
Foi professor da Alternative University
de Nova York e fundador do Institut For Social Ecology.
Editor da revista
Anarchos, Bookchin é o exemplo de intelectual independente, capaz
de conciliar uma militância social com uma reflexão crítica.
Entre os seus principais livros destacam-se El Anarquismo en la Sociedad
de Consumo, Remaking Society, Listen, Marxist e Third Revolution.
Importante lingüista contemporâneo, nascido em 1928 nos EUA, filho
de pais ucranianos, é também um dos mais lúcidos e
críticos pensadores contemporâneos.
Desde cedo relacionou-se
com círculos judeus anarco-sindicalista e ainda criança manifestou
sua solidariedade com a Revolução Espanhola.
Nos anos 60, já
famoso por suas pesquisas na área de linguística, envolveu-se
no movimento de oposição à guerra do Vietnã.
Mesmo sendo hoje o mais citado e conhecido pensador americano, Chomsky é
marginalizado pelos grandes meios de comunicação dos EUA. Não
é por acaso, um dos temas que tem estado no centro de sua pesquisa
nas últimas décadas, tem sido o poder manipulatório
dos mass media, da grande imprensa à televisão.
Atento observador
da cena internacional, Chomsky tem tido posições solidárias
e críticas em todas as situações de conflito internacional,
do Vietnã, à América Latina, da Palestina a Timor.
Libertário, conhecedor da história do anarquismo, Noam Chomsky
afirma-se como um partidário da tradição federalista
e de auto-governo. Atualmente é diretor do Departamento de Línguas
do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Entre os seus livros mais
importantes encontram-se Ilusiones Necesarias: Controle del Pensamiento
en las Sociedades Democraticas, Radical Priorities, 501: A
Conquista Continua e Novas e Velhas Ordens.
©2000,2006 - Arquivo de História Social Edgar Rodrigues
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Abril 2000
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